Em um ano, Procon-SP multa teles e TVs pagas em R$ 19,6 mi

A Fundação Procon-SP divulgou hoje balanço sobre aplicação de multas em empresas que desrespeitaram o Decreto 6.523/08, que disciplina os call centers das empresas reguladas pelo poder público. Em um ano de vigência, o órgão já puniu 50 casos de desrespeito à norma – totalizando 43 empresas penalizadas e sanções que superam R$ 35 milhões.

As maiores sanções foram contra as empresas Telefônica, Claro, TIM, Vivo, que somadas com as empresas de TV por assinatura, responderam por R$ 19,6 milhões do total de multas aplicadas. Os resultados dos processos administrativos foram publicados no Diário Oficial do Estado.

No período entre 1º dezembro do ano passado até o dia 30 de novembro, o Procon-SP recebeu em seu site 7.335 denúncias de consumidores que, junto com as operações de fiscalização, subsidiaram os processos administrativos contra as empresas. Os setores mais reclamados pelos consumidores foram: Telefonia (4705), Cartões (622) e TV por assinatura (588). E os principais descumprimentos denunciados foram: contato com atendente demorou 2 minutos (4849); consumidor teve que relatar o problema mais de uma vez (3828); e ligação interrompida (3313). 

Rádio e internet lideram estudo de credibilidade

Pesquisa divulgada no começo do mês mostra que o rádio e a internet lideram em credibilidade, na frente da TV, jornais impressos e revistas. Para especialistas, o amadurecimento do público da web, a modernização e integração entre os dois meios são responsáveis pelo resultado. O estudo Vox Populi, encomendado pela empresa de comunicação Máquina da Notícia, apontou que, em uma escala de 1 a 10, o rádio teve nota 8,21, quase empatado com a internet que somou 8,20, seguidos pela TV com 8,12; jornal impresso com 7,99; revista com 7,79 e redes sociais com 7,74.

De acordo com o jornalista Alvaro Bufarah, outra pesquisa do Instituto Marplan revela que o rádio se integra muito bem à internet. “O rádio é o meio que melhor se adapta às novas mídias, porque é um meio de companhia, que as pessoas usam pra se informar e entreter. A internet e o rádio se somam de forma ímpar. O rádio se potencializa ainda mais com a internet”, explica.

Pollyana Ferrari, especialista em mídias digitais e autora do livro Jornalismo Digital, concorda com Bufarah e acredita no poder da integração das mídias. “O caso mais recente é o do apagão. O Twitter e o rádio é que deram suporte o tempo inteiro. Os brasileiros gostam de compartilhar e trocar informações, e isso atinge todas as classes. Esse é um case muito interessante”, destacou.

Para a especialista, três fatores explicam essa mudança de cenário. “De 2000 até hoje tivemos um amadurecimento do perfil do usuário, o crescimento da banda larga e o aprimoramento do jornalismo multimídia, que desde 2005 tem feito um trabalho muito interessante nos portais”, afirma.

Ela lembra, também, que a web já foi muito criticada como meio de informação. “Sofremos durante muito tempo por criticarem o conteúdo dos meios online, mas agora os leitores perceberam que existe muita coisa boa nos portais". Com o avanço das novas mídias, Pollyana aposta e defende o uso de outras plataformas pelas empresas.

Preço da banda larga cai à metade com concorrência, diz JP Morgan

Estudo do banco JP Morgan sobre o mercado brasileiro de banda larga publicado na semana passada mostra que, no Brasil, as operadoras competitivas estão tomando esse mercado das incumbents com agressividade.

Segundo o levantamento do JP Morgan, 62% das novas adições de banda larga nos últimos 12 meses vieram das "operadoras alternativas", que já abocanharam 31% de market share. O banco também levantou os efeitos da presença de operadoras competitivas em relação aos preços de banda larga. Segundo o levantamento, onde há competição, o preço da banda larga tende a ser metade daquele praticado onde não há competição.

Ainda de acordo com as conclusões do estudo, a entrada do estado na disputa do mercado de banda larga é uma ameaça para as operadoras existentes e, ainda segundo o banco, o mercado de banda larga móvel ainda não ameaça a banda larga fixa em função do preço e da capacidade da rede e qualidade dos serviços. Entre as diferentes operadoras, o JP Morgan aponta a Net (que já tem 26% do mercado de banda larga, contra 24% da Telefônica e 38% da Oi) como a mais bem posicionada para se beneficiar da expansão do mercado de banda larga no Brasil. Segundo o levantamento do banco, a expectativa é que a taxa de crescimento de 18% no mercado de banda larga fixa se mantenha nos próximos anos.

Desigualdade

De acordo com o levantamento, onde as operadoras competitivas não estão, o preço médio cobrado pelas incumbents pela banda larga de 1 a 2 Mbps é de R$ 118. Esse valor cai a R$ 60 quando há a presença da Net e da GVT. Quando há a presença apenas da GVT, o preço médio da banda larga de 1 a 2 Mbps da incumbent é de R$ 64 e quando há apenas a Net, o preço médio é de R$ 72. Os dados são de outubro.

O JP Morgan diz que a Net já tem 28% de suas receitas vindas da venda de banda larga, contra 20% da GVT e menos de 10% das incumbents. O banco estima que até 2012 a Net terá 40% de suas receitas vindas desse mercado. Segundo o levantamento do banco, a operadora de cabo foi responsável, sozinha, por 48% do crescimento do mercado de banda larga nos últimos 12 meses, e deve chegar a 32% de market share em 2012.

No comparativo geral em relação ao preço cobrado por cada operadora, a GVT é a mais agressiva. Segundo o JP Morgan, a operadora consegue, no mix de pacotes ofertados, chegar a um preço médio de R$ 9/Mbps. A Net está em R$ 41,6/Mbps, a Telefônica está em R$ 53,1/Mbps e a Oi em R$ 43,5/Mbps. O levantamento considerou apenas as cidades em que Net e/ou GVT estavam presentes. A conclusão do estudo é que as operadoras competitivas ameaçam os preços das incumbents, mas a rentabilidade pode ser compensada pela ampla margem de crescimento do mercado.

Sky é contra PL 29, mas aceita as novas regras sem a obrigatoriedade de cotas

Embora seja contrário ao PL 29, que cria novas regras para a TV por assinatura e permite a participação das teles no setor, o presidente da Sky, Luiz Eduardo Baptista, considera aceitável a aprovação do projeto se houver uma alteração, como a defendida pelo deputado Paulo Bornhausen (DEM-SC), que propõe a supressão dos capítulos cinco (que trata das cotas) e seis (que dispõe sobre o fomento da produção nacional) do texto. "Sou contra o PL 29 como um todo, porque muda a regra do jogo que estava estabelecido", afirmou Baptista, referindo-se a versão final projeto, que tem como relator o deputado Paulo Lustosa (PMDB-CE), e que está na pauta de amanhã da Comissão de Ciência e Tecnologia da Câmara para ser votada. "Se separar, eu aceito", acrescentou, em referência a proposta de Bornhausen.

Em teleconferência convocada pela Sky, hoje, Baptista criticou com mais afinco o estabelecimento de cotas para conteúdo nacional, questionando o que é "conteúdo qualificado", já que pelo texto final, destacou, "exclui do horário nobre conteúdo religioso, político, étnico, televendas, jornalismo, esportivo e programas de auditório". Pelo critério, canais como SportTV, Globonews, Bandnews e Climatempo não entrariam na cota. Segundo ele, isso significa que de todos os 43 canais brasileiros carregados pela Sky, apenas seis contam para a cota. "Todo mundo que faz conteúdo no Brasil há 50 anos está excluído e os 1,9 milhão de assinantes da Sky terão que assistir, no horário nobre (das 10h às 22h) o que determinar a Ancine", criticou.

Uma eventual aprovação do projeto, com as cotas, enfatizou, terá impacto financeiro para os clientes da Sky, devido a dois fatores: a Sky terá que alterar sua grade de programação, substituindo canais internacionais por brasileiros e terá custos com o rompimento de contratos com os provedores internacionais – a empresa têm mais de 20 contratos, de longo prazo, segundo ele.

Anatel

Perguntado sobre uma brecha no projeto, que delega à Anatel a decisão sobre o cumprimento das cotas, em caso de impossibilidade técnica como, por exemplo, falta de banda para novos canais na programação, Baptista disse que o texto do PL "pode ser bem intencionado nessa parte" mas não acredita que a Anatel poderá, nesses casos, deliberar em favor da emissora da TV paga. "Se isto ocorrer tenho receio que a Anatel tenha uma decisão mais política do que técnica e se pronuncie contrariamente", afirmou.

Confecom pauta simpósio do ObservaNordeste

“Mídia, política e democracia” foi o tema do XI Simpósio ObservaNordeste realizado no Recife nos últimos dias 25, 26 e 27, pela Fundação Joaquim Nabuco, em parceria com os sindicatos dos Jornalistas, dos Radialistas e dos Publicitários de Pernambuco. O evento, apesar da importância do tema, teve um público pequeno durante os três dias em que se discutiu as relações midiáticas com o poder, bem como seus reflexos para a democracia.

O Observatório Social do Nordeste (ObservaNordeste) é um fórum permanente de acompanhamento, reflexão e debates sobre a realidade social da região nordeste. Apesar de estar voltado para uma região do país, segundo os organizadores, o observatório não tem seus debates comprometidos por uma distorção “regionalista” ou estreita. Para tanto, as edições dos simpósios contam também com participação de professores e pesquisadores de outros lugares do país, a fim de enriquecer o debate mesmo quando presente a questão regional.

O tema desta edição foi escolhido por conta da convocação da 1ª Conferência Nacional de Comunicação. Foram convidados professores, pesquisadores, gestores de veículos de comunicação e militantes da democratização da comunicação.

Estiveram presente, dentre outras personalidades, os professores Venício Lima (UnB), Laurindo Lalo Leal Filho (USP), Michel Zaidan (UFPE) e José Emanuel Evangelista (UFRN), os pesquisadores Sivaldo Pereira (Intervozes/UFBA) e Rubens Figueiredo (Centro de Pesquisa e Análise e de Comunicação – CEPAC), além de gestores de veículos de mídia como Beto Almeida (TeleSul), Indira Amaral (TV Aperipê/SE) e Luiz Lourenço (TVU/PE) e o editor da Revista Fórum, Renato Rovai.

Liberdade de Imprensa x Liberdade de Expressão

A abertura do evento foi feita por Venício Lima com uma conferência que colocou em perspectiva a liberdade de expressão e a liberdade de imprensa. Segundo o pesquisador, uma das mais problemáticas questões que envolve este tema é justamente a privatização da liberdade de expressão promovida pelos concessionários e proprietários de meios de comunicação. “Os concessionários de radiodifusão aliados aos proprietários da mídia imprensa conseguiram transformar seus interesses privados em ‘liberdade de expressão’ e transformar qualquer questionamento a esta construção como recondutora da censura. Dessa forma eles impediram a existência de um debate público sobre o tema”, afirmou Venício.

Ainda segundo o professor da UnB, sequer as universidades de comunicação têm nos seus currículos disciplinas voltadas para a temática. Assim, pouco debatidos, os conceitos são facilmente assimilados da forma como são passados pela grande imprensa, ou seja, quase como sinônimos.

Publicados há poucos dias, os acórdãos de duas recentes decisões do Supremo Tribunal Federal – uma sobre a derrubada total da Lei de Imprensa e a outra que torna legal o exercício profissional do jornalismo sem ser necessário o diploma de formação superior – trazem, segundo Venício, uma compreensão totalmente distorcida da relação entre liberdade de expressão e liberdade de impressão.

Liberdade de imprensa e liberdade de expressão são duas coisas bem diferentes e que não podem nem devem ser confundidas, por mais que a grande imprensa tente fazer isso cotidianamente. A primeira é concedida a empresas e a segunda refere-se a um direito individual, um direito humano. Para haver de fato uma liberdade de expressão, esta deve ser garantida universalmente aos indivíduos. Já a liberdade de imprensa, na forma como foi estruturada no Brasil, funciona como liberdade de empresa: tem sido usada para defender a visão dos donos dos veículos de mídia e não necessariamente abarca a instituição imprensa.

Contrariando grande parte das teorias, mesmo as teorias liberais do “livre fluxo das idéias”, o Supremo Tribunal Federal colocou nos referidos acórdãos a liberdade de imprensa como sendo superior à liberdade de expressão, o que para Venício Lima representa uma versão equivocada do que significa garantir esses direitos.

Mídia e Poder Político

No dia seguinte, o debate foi dedicado ao tema “Mídia e Poder Político”. Laurindo Lalo Leal Filho, um dos expositores da mesa, lembrou que desde meados da década de 70 a comunicação adquiriu a lógica de mercadoria e essa é a tônica que se tem até hoje. Reforçou ainda que, no Brasil, com a redemocratização e com a ascensão do neoliberalismo, a idéia da censura como algo ligado à ditadura legitimou a retirada do Estado das políticas de comunicação. “Elegeram o mercado como definidor das escolhas para as políticas de comunicação”, denuncia.

A saída, para Lalo, está na discussão de um novo marco regulatório. Estes debates devem ter como exemplo as mudanças nas políticas de comunicação em curso na América Latina, que podem ser total ou parcialmente aplicadas no Brasil. Como exemplo o professor sugere um estudo da chamada “Ley de Medios” da Argentina, que revisa o marco legal dos serviços audiovisuais naquele país, ou a Lei de Responsabilidade Social do Rádio e da TV (Resort) da Venezuela.

Já o editor da Revista Fórum, Renato Rovai, aposta as fichas em mudanças nas políticas relativas às novas tecnologias, incentivando novas mídias. Para o também blogueiro Rovai, a palavra de ordem da Conferência Nacional de Comunicação é “Banda Larga Pública e garantia de acesso à internet ao maior número de pessoas, com neutralidade de rede”.

O blogueiro acredita que a “velha mídia”, que ele diz ser toda aquela ligada a antiga lógica de produção verticalizada e fechada do rádio, da TV e dos jornais e revistas, está fadada ao fracasso. A nova mídia, pautada pela horizontalidade, pelo compartilhamento e pelo livre acesso, será a forma de comunicação do futuro e as leis devem se preocupar com isso.

Rovai deu exemplos de articulações que aconteceram quase que exclusivamente pela internet como o 1º Fórum Social Mundial de Porto Alegre e a revolução indígena de Chiapas no México em 1994, ainda no início da rede. Com números de uma recente pesquisa, Rovai lembrou que a internet é atualmente uma das principais fontes de informação do brasileiro e já é a mais confiável.

Sem discordar na essência com Rovai com relação às novas mídias, Lalo acredita, contudo, que é impossível discutir a era digital sem equalizar o déficit que existe com relação as políticas de radiodifusão, que como bem lembra o professor da USP, é normatizada por uma lei de 1962 que “não legisla mais praticamente nada”.

Experiências e desafios

As demais mesas trataram de experiências de mídia e suas interfaces com as relações de poder. A primeira delas foi dirigida às questões relativas às televisões do campo público, exposta por gestores como Beto Almeida, da TeleSul, Indira Amaral, da TV Aperipê, educativa de Sergipe e Luiz Lourenço, da TV Universitária de Pernambuco e pelo pesquisador Sivaldo Pereira, um dos autores do livro “Sistemas Públicos de Comunicação no Mundo” , lançado pelo Intervozes – Coletivo Brasil de Comunicação no meio do ano.

Ao final, a discussão foi sobre as experiências das etapas estaduais da Conferência Nacional de Comunicação, tentando fazer um panorama das propostas que estarão em Brasília nos próximos dias 14 a 17 de dezembro. A mesa composta pela Federação Nacional dos Jornalistas, Intervozes e Federação Nacional dos Radialistas fez um apanhado sobre as perspectivas e desafios para a Confecom.

Todo o evento foi transmitido ao vivo pela internet e terá uma versão editada disponível para download na página da Fundação Joaquim Nabuco .