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Fiel da Universal é condenado em ação movida contra a Folha de S. Paulo

A ação conjunta de féis da Igreja Universal do Reino de Deus contra a empresa Folha da Manhã, que edita o jornal Folha de S.Paulo, parece não ter sido vista com bons olhos pela Justiça. Na última semana, o fiel Carlos Alberto Lima foi condenado à pena de litigância de má-fé, por ter iniciado uma ação de indenização por danos morais, mesmo sem que houvesse legitimidade para tanto.

Em sua decisão, o juiz estadual Alessandro Leite Pereira, de Bataguaçu (MS), disse que a postura do autor da ação "demonstra a existência de inquestionável má-fé, pois deturpa o conteúdo da reportagem para, inserindo-se individualmente nela, buscar indevidamente o recebimento de valor indenizatório".

Lima e outros 27 fiéis entraram com ações simultâneas contra a Folha, alegando se sentirem ofendidos pelo conteúdo de uma matéria de título "Universal chega aos 30 anos com império empresarial", de autoria da jornalista Elvira Lobato, que falava sobre o acúmulo de bens da Igreja desde sua fundação até os tempos atuais. A matéria foi publicada em 15 de dezembro do ano passado.

Os membros da Igreja disseram, em suas ações, que a matéria pôs em dúvida sua  idoneidade e que, em razão disso, teriam ouvidos "gozações" de conhecidos.

Na decisão, o juiz alegou que Lima não tem legitimidade para entrar com a ação, já que ele não foi citado na reportagem. O fiel foi condenado a pagar multa, além de arcar com as custas do processo. A decisão é passível de recurso. Com informações da Folha de S.Paulo.

Mais de 130 jornalistas foram assassinados em 2007, diz organização

Em 2007 135 jornalistas foram assassinados, e outros 37 morreram acidentalmente enquanto exerciam a profissão, segundo balanço anual divulgado nesta quinta-feira pela Federação Internacional de Jornalistas (FIJ).

O Iraque voltou a ser o país mais perigoso para os jornalistas, com 65 assassinados, a maioria profissionais locais.

O número de jornalistas mortos no país árabe desde a invasão, em 2003, e posterior ocupação liderada pelos Estados Unidos já passa de 250.

Após o Iraque, os números mais altos em 2007 foram registrados no Paquistão e na Somália, com oito assassinatos em ambos os países. México e Sri Lanka reportaram seis em cada um, as Filipinas, cinco, e o Afeganistão, quatro.

Os números de 2007 são superiores à média histórica, mas não aos de 2006, ano no qual 155 repórteres morreram assassinados, e que a IFJ definiu como o 'mais sangrento' da história do jornalismo.

'O relatório deste ano mostra que os ataques a profissionais de meios de comunicação se mantêm em níveis recordes, e que há uma tendência de risco para a imprensa em muitas partes do mundo', afirmou o secretário-geral da IFJ, Aidan White.

A julgar pelas estatísticas, o risco enfrentado pelos profissionais da comunicação varia muito em função do local onde exercem suas profissões.

O relatório afirma ainda que na Ásia houve 31 mortes violentas, na América Latina, 18, e, na África, 14, mas não cita nem um só crime na União Européia e apenas um nos EUA, o do redator do 'Oakland Tribune' Chauncey Bailey, assassinado por um jovem após ter criticado em seu jornal um estabelecimento comercial.

Justificativas para adiamento não convencem MPF

Quarta-feira, dia 8 de janeiro de 2008, 21h20. O procurador Marcus Vinícius Macedo, do Ministério Público Federal do Acre, acessa o site do Ministério da Justiça e lê que foi adiado o prazo (que venceria no dia seguinte) para as emissoras de televisão se adequarem aos diferentes fusos horários do país. Elas, as emissoras, ganharam mais 90 dias para cumprir o atrelamento entre faixa etária e horário de veiculação previsto na portaria 1.220/07, que consolidou as novas regras da Classificação Indicativa dos programas de TV. “Fiquei surpreso e decepcionado. A Portaria é resultado de um longo e amplo processo de diálogo do Ministério da Justiça com a sociedade civil e as comunidades, em audiências públicas e reuniões. Sua publicação – que já é diferente da proposta original, fazendo uma série de concessões às emissoras – e este adiamento não condizem com este rico processo”, avalia Macedo.

Inicialmente programado para terminar no dia 9 de janeiro (6 meses depois da publicação da portaria, em julho do ano passado), o prazo para as emissoras adequarem a programação aos fusos foi prorrogado pelo MJ por meio de portaria publicada pelo Diário Oficial da União. O adiamento foi fruto de um pedido da Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão – Abert, segundo o próprio secretário nacional de Justiça, Romeu Tuma Jr., que informou a Macedo e outros representantes do Ministério Público e de organizações da sociedade civil em reunião realizada na última segunda-feira, 21, em Brasília.

No próprio dia 9 de janeiro, o ministro da Justiça Tarso Genro, em nota à imprensa, afirmou que a decisão do MJ foi uma “resposta aos pedidos de parlamentares e de entidades representativas das emissoras das regiões com fuso horário diferente ao de Brasília, que alegam dificuldades financeiras na aquisição de equipamentos e contratação de mão-de-obra para fazer as modificações técnicas necessárias ao cumprimento do fuso horário”. “Preferimos tomar uma atitude prudente do que correr o risco de causar desestruturação às emissoras regionais, o que poderia ser confundido com algum tipo de censura ao direito à informação” disse o ministro.

Os parlamentares a que o ministro se referiu são os que assinam uma carta enviada ao diretor do Departamento de Justiça, Classificação, Títulos e Qualificação da Secretaria Nacional de Justiça – Dejus, em que – atendendo a solicitação das entidades que representam as empresas de televisão nos estados do Amazonas, Rondônia, Pará e Mato Grosso – solicitam ao Ministério da Justiça “uma solução que atenda os objetivos da Portaria, sem prejuízo do modelo da TV comercial do Brasil que adota a hora de Brasília para a veiculação, em nível nacional, de programas via satélite evitando que, nesses estados, as empresas sejam obrigadas a gravar os programas para exibi-los nos horários locais”.

A presidente da Comissão da Amazônia, deputada Vanessa Grazziotin (PCdoB-AM), que lidera as assinaturas da carta, incrementou a justificativa dos radiodifusores em entrevista à Agência Câmara, onde afirmou que as emissoras da região, por motivos técnicos, teriam que alterar toda a grade de programação e enfrentariam problemas com a audiência devido a concorrência com as parabólicas e as tevês a cabo. "Além disso, seria um retrocesso, uma vez que a população da região, que tradicionalmente acompanha a programação da televisão aberta, teria que assistir a uma programação gravada", explicou.

Em nota no dia em que o prazo foi adiado, a Abert elogiou a prorrogação e reafirmou que o Ministério da Justiça “compreendeu que as emissoras ainda encontram muitas dificuldades técnicas e operacionais para cumprirem a determinação de exibir a programação respeitando os diferentes horários do país".

Dificuldades técnicas invisíveis

O argumento das emissoras, reiterado pelos parlamentares, é de que existem dificuldades técnicas para cumprir a portaria. Entretanto, desde a publicação das novas regras em julho de 2006, as emissoras não divulgam quais seriam estas supostas dificuldades. O próprio Ministério da Justiça, que oficialmente aceitou o argumento das redes, afirma que a adaptação da programação em caso de incompatibilidade com a Classificação Indicativa é perfeitamente possível. Segundo o diretor-adjunto do Departamento de Justiça, Classificação, Qualificação e Títulos do MJ, Davi Pires, há três alternativas para o ajuste da programação. “Uma diferença de horário poderia ser viável, não transmitindo [a programação] ao vivo para todas as emissoras filiadas. Se não for isso, talvez, retardando a programação. Assim, as emissoras teriam que gravar. E uma terceira possibilidade seria que a programação fosse adequada para um adolescente de 12 anos [que não teria] problemas para assistir à novela, por exemplo”.

Para o procurador do MPF Marcus Vinícius Macedo, o argumento (das dificuldades técnicas e financeiras das emissoras) também não procede. “Esta justificativa nunca nos foi apresentada. Aqui no Acre, por exemplo, não existe isso. As emissoras investiram em adaptação das programações e estavam prontas para cumprir o prazo quando a portaria entrasse em plena vigência, no dia 9. Além disso, notícias nacionais dão conta de que as emissoras SBT, Band e Record estavam também prontas, só a Globo não”, diz. “Não esperávamos que houvesse tamanho lobby da Abert para reverter a entrada em vigor da portaria. Ficamos muito decepcionados”, completa.

Compromisso reafirmado?

“O Ministério da Justiça nos convocou para reafirmar o compromisso com o prazo de 90 dias dado às emissoras para que elas se adaptem às regras”, informa Guilherme Canela, da Agência de Notícias dos Direitos da Infância – Andi, presente na reunião com o secretário nacional de Justiça Tuma Jr. “A partir de agora, precisamos afirmar a importância de que as informações sobre o processo sejam públicas e que as emissoras tenham seus esforços de cumprimento das regras monitorados ao longo deste período de 90 dias, para que não corramos o risco de, nas vésperas do prazo, no dia 7 de abril, nos depararmos novamente com um pedido de adiamento”, afirma Canela.

Em entrevista à Agência Brasil, na última sexta-feira, 18, Tuma Jr. mandou um recado para as emissoras. “Faço um apelo para as emissoras. Elas têm de ter responsabilidade social. Existem alguns programas que, efetivamente, não podem passar no horário em que passam”.

Macedo alerta que “o compromisso de Tuma Jr. é verbal”, e que “depois do que aconteceu no dia 8, a relação com o Ministério [da Justiça] ficou arranhada”. Segundo ele, o Ministério Público e a Andi estão pensando em formas de monitorar as ações das emissoras nos próximos 90 dias para ver se estão realizando esforços para se adequar à portaria. “Ainda não temos uma proposta concreta, mas sabemos que precisamos encontrar um meio de fiscalizar”, diz.

A procuradora federal dos Direitos do Cidadão, Ela Wiecko, reafirmou que o Ministério Público foi surpreendido pela prorrogação do prazo. Depois de ouvir as explicações do secretário Tuma Jr. na reunião em Brasília, ela disse que vai se reunir com procuradores de todos os estados da região Norte que têm diferença de fuso horário com Brasília, para decidir qual posição o Ministério Público vai adotar.

Os estados onde o horário é diferente em relação ao de Brasília são Acre, Amazonas, Roraima, Rondônia, parte do Pará, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul. Por causa dos diferentes fusos horários do país, uma novela considerada inadequada para menores de 14 anos – que não deveria ser exibida antes das 21h – é transmitida às 19h no Acre. Com o horário de verão, essa mesma novela vai ao ar às 18h.

* Com informações da Agência Brasil e Agência Câmara

Festivais de cinema atraíram mais de 2 milhões de pessoas em 2006

O Fórum dos Festivais estima que 2,2 milhões de pessoas compareceram a festivais de cinema no Brasil em 2006, e que a realização destes eventos movimentou cerca de R$ 60 milhões em todo o país (sendo 43,66% provenientes da Lei Rouanet). O diagnóstico, realizado com apoio financeiro do Fundo Nacional de Cultura, do Ministério da Cultura, por meio de convênio com a Secretaria do Audiovisual, indica que os 123 festivais de cinema realizados no Brasil e os nove festivais de cinema brasileiro no exterior reuniram um público de 2.209.559 pessoas em 2006.

Os resultados foram apresentados na segunda-feira, 21, durante o lançamento do Diagnóstico Setorial 2007 / Indicadores 2006 dos Festivais Audiovisuais, realizado pelo Fórum dos Festivais.

Segundo o diagnóstico, o número de festivais aumentou de 44, em 2000, para 132, em 2006, com aumento médio de 19,82% a cada ano. No aspecto localização, Roraima e Acre são os dois únicos estados brasileiros que não têm registros de festivais de cinema, enquanto a região Sudeste concentra a maioria (51,52%) dos eventos. A pesquisa identifica, no entanto, crescimento dos eventos nas outras regiões brasileiras, e aponta que o aumento percentual dos festivais entre 2005 e 2006 foi maior nas regiões Norte (aumento de 80%) e Nordeste (42%).

O estudo aponta ainda que os festivais são importantes para levar o cinema a cidades que não têm salas, e ainda para servir como plataforma de divulgação de curtas-metragens.

O diagnóstico mapeou os festivais nacionais a partir de dados do Fórum dos Festivais e do Guia Brasileiro de Festivais de Cinema e Vídeo (Kinoforum). Os organizadores dos festivais responderam a questionários sobre aspectos de perfil do público e das obras exibidas, segmento de atuação, ações de formação e de inclusão, economia do setor.

O documento completo pode ser acessado no endereço: http://www.cultura.gov.br/site/wp-content/uploads/2008/01/diagnostico.pdf

Anatel aumenta o rigor no monitoramento dos limites de freqüências das operadoras

Desde os leilões realizados pela Anatel em dezembro – tanto de 3G quanto o de sobras do serviço móvel pessoal (SMP) – a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) dispõe de um levantamento minucioso da situação de cada prestadora e os limites de freqüência a que cada uma tem direito. O objetivo é impedir que, havendo excesso de faixa em poder de uma delas, as demais reivindiquem o mesmo direito, sob alegação de o regulador ter concedido 'vantagem competitiva' a uma das concorrentes.

O limite de freqüência na segunda geração do SMP é de 50 megahertz (MHz) por operadora. Somada a 3G, o acúmulo de faixas não pode superar 80 MHz. A aquisição da Amazônia Celular pela Oi, anunciada no dia 20 de dezembro, por R$ 120 milhões, teria excedido o limite em 15 MHz. Por essa razão, explicou uma fonte da agência, o pedido de anuência prévia à compra da Amazônia pela Oi terá, obrigatoriamente, de passar por restrições regulatórias.

Essas restrições seriam a devolução de dois ativos em poder da Oi: os 15 MHz excedentes e uma das duas licenças que detém na área de operação Norte (Amapá, Roraima, Amazonas, Pará e Maranhão). Tais medidas sanariam tanto a questão do excesso de faixa quanto a sobreposição de licenças, vedada pelas regras do setor.

É possível que a Oi também venha a ter problemas em São Paulo, onde a operadora adquiriu 60 MHz em faixas de segunda geração, somando as licenças e as sobras. A situação deve ser questionada pela Unicel, que perdeu a disputa com a Oi pela operação no interior de São Paulo.

A compra da Amazônia Celular pela Oi foi uma solução que livrou a Vivo de problemas concorrenciais na aquisição da Telemig Celular, anunciada em agosto, por mais de R$ 1 bilhão. Comprada junto com a Telemig, a Amazônia dava à Vivo o controle de mais de 50% do mercado local, o que aumentava as chances de o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (CADE) vetar o negócio. Com a Amazônia nas mãos da Oi, a concentração não chegará a 40%, tornando mais fácil a aprovação do negócio.