Telebrás nasce com R$ 419 mi. Pode ter subsidiárias e entrar em consórcios

A Telebrás enviou hoje à Comisão de Valores Mobiliários (CVM) a ata da reunião ordinária do Conselho de Administração, que acabou com  processo de extinção da empresa e aprovou o novo estatuto social, que terá que ser aprovado pela Assembléia Geral. Entre as novidades previstas no novo estatuto estão:

– A Telebrás pode criar filial e escritórios em qualquer parte do Brasil e do exterior;

– Pode criar subsidiárias;

-Pode participar com capital minoritário ou majoritário em outras empresas afins;

-Pode criar consórcios com empresas brasileiras e estrangerias;

-Pode executar serviços técnicos especializados no Brasil e exterior.

A empresa nasce com um capital social de R$ 419, 4 milhões, divididos em 886,9 bilhões de ações ordinárias e 210,02 bilhões de ações preferenciais. Entre os objetivos da operadora estão o de estimular o desenvolvimento das empresas industriais de prestação de serviço; executar serviços técnicos especializados afetos à área de telecom pública; implementar rede privativa de telecom pública; dar acesso a banda larga a escolas, postos de saúde, etc; e prestar serviço ao usuário final exclusivamente onde não houver oferta adequada.

Segundo o presidente da estatal, Rogério Santanna, a possibilidade de constituir subsidiárias há é parte do estatuto social atual e foi apenas mantida.

Direção

A Telebrás irá contar com uma diretoria executiva de cinco membros (presidente e quatro diretores) e um conselho de Administração com no mínimo seis e no máximo oito  integrantes, com mandato de um ano e uma recondução. O presidente do conselho será indicado pelo ministro das Comunicações e o presidente da Telebrás será o vice-presidente do colegiado. Terão representação no conselho um representante do Minicom, um representante do ministério do Planejamento; um do Comitê Gestor para Inclusão Digital e até dois representantes da sociedade civil.

“Liberdade de expressão foi apropriada pela imprensa”

Foi lançado na última segunda-feira (21/06) em São Paulo, num evento realizado em parceria pela Publisher Brasil e pelo Centro de Estudos da Mídia Alternativa Barão de Itararé, o mais novo livro do jornalista e sociólogo Venício A. de Lima, colaborador permanente da Carta Maior. A obra, intitulada "Liberdade de Expressão X Liberdade de Imprensa – Direito à Comunicação e Democracia", se propõe a discutir uma das questões mais polêmicas do atual debate público das comunicações: as diferenças entre esses dois conceitos.

Propositalmente igualados pelos donos da mídia, tendo como consequência a dominação da liberdade de expressão do conjunto das sociedades pelos meios de comunicação de massa, liberdade de expressão e liberdade de imprensa, como mostra o livro de Venício Lima, tratam de direitos diversos. Enquanto a primeira se refere à liberdade individual e ao direito humano fundamental da palavra, a segunda se refere à liberdade de empresas comerciais – a imprensa ou a mídia – de tornar público o conteúdo que consideram "informação jornalística" e entretenimento.

"Ao longo da história, no entanto, a liberdade individual foi sendo apropriada por esta instituição que conhecemos como imprensa", explicou o autor durante o lançamento em São Paulo, marcado por um debate que contou ainda com a presença de Fábio Konder Comparato, professor emérito da Faculdade de Direito da USP e autor do prefácio do livro, e dos jornalistas Mino Carta, Luis Nassif e Paulo Henrique Amorim.

"Em textos históricos sobre o tema, há uma diferença óbvia entre três palavras que não foi preservada em suas traduções: press (imprensa), print (impressão) e speech (fala). Desde a Declaração de Virgínia, no século XVIII, até a declaração da Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) em outubro de 2000, há referência explícitas a liberdades diferentes. O próprio artigo 19 da Declaração Universal dos Direitos Humanos explicita que não há nada que permita que esta liberdade individual possa ser transferida para grupos de mídia, o que foi feito inclusive em decisões recentes do Supremo Tribunal Federal", disse Lima, citando os julgamentos que terminaram por revogar integralmente a Lei de Imprensa e extinguir a obrigatoriedade do diploma universitário específico para o exercício do jornalismo.

Neste resgate histórico, Venício A. de Lima lembra que, em 1644, o texto "Areopagitica", de John Milton, um clássico da liberdade de imprensa, defendia, na verdade, a liberdade individual de "print" – num contexto em que "imprimir" não tinha nada a ver com a imprensa que existe hoje. Idem para os textos do século XVIII. "O que se chamava de liberdade de impressão não poderia se referir à impressão da revista VEJA, por exemplo, no século XXI", afirmou.

"Giovanni Sartori , cientista político de referência no pensamento liberal, fala que não é possível discutir liberdade de imprensa na democracia a menos que haja competição no mercado; a Constituição Federal de 1988, no artigo 220, lembra que os meios de comunicação não podem ser objetos de monopólio; a CIDH fala explicitamente que o mercado democratizado é condição para discutir liberdade de imprensa na democracia. Este é o ponto de partida, o que está muito distante do nosso caso", analisa.

Anfibologia

Aconteceu, portanto, ao longo dos séculos, o que o professor Fábio Konder Comparato caracterizou como uma das qualidades da burguesia: a capacidade de se utilizar da anfibologia para dominar o mercado e o Estado. Anfibologia quer dizer ambiguidade. Na lógica aristotélica, designa uma falácia baseada no dúbio sentido, proposital ou inconsciente, que acaba por distorcer o raciocínio lógico e torná-lo obscuro. Para Comparato, repetiu-se com o conceito de "liberdade de expressão" aquilo que já havia sido feito com o conceito de "propriedade".

"Estas são duas palavras que historicamente representam momentos decisivos da ascensão da burguesia como classe dominante. No final do século XVIII, uma das reivindicações mais fortes do povo era o reconhecimento do direito de propriedade privada, como garantia a um mínimo de vida digna. Mas chega um momento de grande concentração da propriedade em que usam-se as mesmas normas e princípios jurídicos de respeito à dignidade humana para defender a grande propriedade. Mas enquanto a pequena propriedade precisa ser garantida, a grande precisa ser controlada, como qualquer grande poder, senão acaba em dominação absoluta. A mesma coisa aconteceu com a liberdade de expressão", explicou.

Até as revoluções do final do século XVIII, a possibilidade de imprimir era vedada. Foi quando se percebeu que a liberdade de impressão exercia um papel importante de controle do poder e, portanto, deveria ser garantida. A partir do século XIX, no entanto, começa um movimento de criação do monopólio empresarial, na imprensa e, depois, na radiodifusão.

"E aí houve uma virada de 180 graus, porque a liberdade de expressão desapareceu e continuou-se a usar este termo, assim como aconteceu com "propriedade". Hoje, chegamos a um ponto em que a liberdade definida como falta de controle é fundamental para a permanência da dominação absoluta dos empresários sobre o povo", concluiu Comparato.

O exemplo mais claro da radicalidade dos grandes meios de comunicação no combate a este controle, dentro da lógica de confundir a opinião pública acerca dos conceitos de liberdade de expressão e de imprensa, é a interdição do debate sobre mecanismos de participação popular e controle social da mídia. A Constituição de 1988 prevê formas de participação da sociedade no controle das atividades relacionada à administração das áreas ligadas aos direitos sociais, como educação, saúde e cultura.

"A comunicação é mais uma dessas áreas. Portanto, o controle social deveria ser garantido. O problema é que a grande mídia satanizou a expressão e o próprio governo entrou no jogo. Tanto que o tema foi proibido na 1a Conferência Nacional de Comunicação. O controle social é uma forma da sociedade avaliar e participar de um serviço e interferir na formulação das políticas públicas de uma área que interfere na vida de todos, como todas as outras. Nas sociedades liberais democráticas, que servem inclusive de referência para os proprietários de mídia no debate sobre liberdade de imprensa, isso ocorre sem nenhum problema", acrescentou Venício.

Para o autor, existe entre nós uma interdição não declarada a esse tema, cuja mera lembrança sempre provoca rotulações de autoritarismo e de retorno à censura. "Mesmo levando-se em conta o trauma ainda recente do regime militar, esse é dos muitos paradoxos históricos dos liberais brasileiros que nem sempre praticam o que afirmam defender", diz no livro.

Receita de banda larga vai substituir a de voz na América Latina

O faturamento do setor de telecomunicações na América Latina deverá atingir US$ 154,1 bilhões em 2014 (hoje a receita do segmento é de US$ 132,3 bilhões), com a telefonia móvel crescendo em índices mais elevados que a fixa. Nesse período, haverá também a substituição da receita de voz pelos serviços de banda larga, o que vai gerar impacto na rentabilidade do negócio dos provedores e nos investimentos, uma vez que o aumento da receita de banda larga traz desafios, pois implica crescimento da planta e demanda mais investimentos. Os dados são da PriceWaterhouseCoopers e foram apresentados hoje pelo sócio da companhia no Brasil, Maurício Giusti, durante o Fórum Íbero-americano para o desenvolvimento da banda larga – organizado pela Ahciet, entidade Íbero-Americana de centros de pesquisa e empresas de telecomunicações -, que se realiza em São Paulo.

"O evolução da banda larga vai trazer desafios para a indústria e mexer com sua dinâmica", observou Giusti. No período 2010-2014, as receitas com banda larga terão crescimento de 15,7%, enquanto as receitas de voz terão queda de 1,2%. Na análise do executivo, esse crescimento trará desafios na gestão, uma vez que o crescimento da base de usuários será acompanhado do aumento na demanda por maior velocidade, e exigirá novas tecnologias. "Exigirá, portanto, novos modelos de negócios que gerem mais eficiência, o compartilhamento de infraestrutura, a convergência operacional tanto das fixas como das móveis, foco em atividade core e revisão nos modelos de precificação de risco elevado", pontuou Giusti.

Governo debate possíveis restrições a sites com conteúdo jornalístico

Reproduzido da Agência Brasil

Brasília – O ministro das Comunicações, José Artur Filardi, se reuniu hoje (22) com o ministro da Justiça, Luiz Paulo Barreto e o advogado-geral da União, Luís Inácio Adams, para debater a necessidade de aplicar restrições aos portais de internet com conteúdo jornalístico de propriedade de grupos estrangeiros. No início do mês, a Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão (Abert) divulgou uma nota cobrando uma posição do governo com relação a essas empresas.

No documento, a Abert “adverte sobre consequências da demora da União em fiscalizar a ação ilegal desses grupos”. Filardi disse que não é competência do ministério regular sobre o assunto, mas, mesmo assim, está procurando uma solução jurídica no governo. Ele disse que hoje não foi definido nada, mas uma nova reunião será realizada para tratar do assunto. “Pedimos uma avaliação para o setor jurídico, mas isso não está definido. É um assunto novo para o governo”, afirmou Filardi.

A Abert cobra a aplicação das restrições previstas no Artigo 222 da Constituição Federal contra grupos estrangeiros que controlam os portais de conteúdo jornalístico no país. O artigo estabelece que 70% do capital das empresas jornalísticas do país devem pertencer a brasileiros natos ou naturalizados há mais de dez anos. (Sabrina Craide – Edição: Aécio Amado)

Coordenador da Unesco defende maior acesso à informação jornalística no país

Brasília – A sociedade brasileira enfrenta uma desigualdade no acesso à informação jornalística tão grave quanto a de outros países. Foi o que afirmou o coordenador de Comunicação e Informação da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco), Guilherme Canela.

“Precisamos de um sistema de mídia que amplie o acesso da população às mais diversas formas de produção de conteúdo jornalístico. Há uma pluralidade na oferta que também precisa existir no acesso”, disse em entrevista ao programa Revista Brasil, da Rádio Nacional.

Canela acredita que o acesso aos meios de comunicação é um dos principais pontos no debate da democratização do conteúdo jornalístico. “Fala-se muito, por exemplo, das possibilidades democráticas com a internet, que são verdadeiras, mas é preciso que a população tenha acesso para que isso possa se concretizar”, acrescentou.

O acesso à informação é uma das cinco principais categorias dispostas em um documento que vai ser apresentado hoje (23) na Câmara dos Deputados. Durante audiência pública, a Unesco vai lançar a versão em português do livro Indicadores de Desenvolvimento da Mídia: marco para a avaliação do desenvolvimento dos meios de comunicação. Regulação pelo Estado, diversidade de empresas, tipo de conteúdo e qualificação dos profissionais também fazem parte das diretrizes.

Segundo o coordenador da Unesco, o material pode ser uma ferramenta para avaliar se a mídia é democrática, mas tem que ser discutido no Brasil porque é baseado em uma proposta mundial. “A sociedade brasileira precisa ver, dentro dos mais de 100 indicadores, quais os que mais se aproximam da realidade e do contexto do país.”

De acordo com o coordenador, o sistema público de comunicação é um fator importante no combate à desigualdade de acesso à informação. “A mídia pública tem que funcionar como uma ferramenta substantiva de melhoria do direito à informação”, defendeu.

Edição: Talita Cavalcante