Banda larga: governo diz que prioridade principal é penetração e não velocidade

Brasília – Em resposta às críticas sobre a velocidade da internet rápida oferecida pelo Plano Nacional de Banda Larga (PNBL), o coordenador dos programas de inclusão digital do governo federal, Cezar Alvarez, disse que a internet que o governo disponibilizará dará conta de rodar os aplicativos mais "comumente utilizados". "Muita gente reclama, mas primeiro, tem que se discutir penetração, depois a velocidade. Ela pode ir aumentando de acordo com a demanda", defendeu.

Nesta terça-feira (22), em Brasília, o presidente da Telebrás, Rogério Santanna, dividiu a plenária com Alvarez em evento que debatia a inclusão digital. Para Santanna, a expansão da oferta de banda larga é importante para baratear o serviço. Em entrevista ao site EXAME, no mês passado, o presidente disse que o PNBL ajudaria a diminuir o preço da internet.

"Há novas abordagens a serem construídas, é necessário repensar os métodos. No Brasil, cerca de cinco empresas detêm 94.6% do negócio de banda larga do país, é preciso abrir concorrência", criticou Santanna. Segundo ele, a proposta do PNBL não é disponibilizar internet totalmente livre e gratuita, mas baixar os preços e democratizar os acessos.

De acordo com o presidente da Telebrás, o governo reconhece que parte da população não teria verba para comprar computadores, e nessa situação entrariam os chamados Telecentros, que são alvos de discussão da "Oficina Para Inclusão Digital" – que vai até a próxima quinta-feira (24).

Já para Cezar Alvarez, o debate sobre ter internet grátis no país é legítimo, mas cabe à sociedade discutir onde os investimentos serão feitos. "Quando a gente afirma um direito, vai ter que se deparar com outros grupos que reivindicam coisas similares. Cada segmento tem uma vontade. Deve-se levar a internet para a zona rural ou para as escolas, por exemplo?", ponderou.

Entre as promessas do Plano Nacional de Banda larga, está internet de alta velocidade ao preço máximo de R$ 35, disponível em oito das 12 cidades-sede da Copa de 2014, ainda este ano. Brasília, Recife, Salvador, Fortaleza, Rio de Janeiro, Natal, Belo Horizonte e São Paulo e mais de 100 outras cidades devem ser beneficiadas em 2010.

Pela terceira vez, STF adia votação de ação contra decreto da TV digital

A Ação Direta de Inconstitucionalidade 3944, que questiona a validade de artigos do decreto que estabelece regras para a implantação da TV digital, foi retirada da pauta do dia Supremo Tribunal Federal (STF) minutos antes de ser iniciado o julgamento. Os ministro do STF alegaram que a visita do presidente de Angola poderia interromper as sustentações orais dos advogados inscritos.

Esta foi a terceira vez que a apreciação da Adin foi adiada. Nas outras ocasiões, o julgamento foi adiado por conta da extensa lista de processos sendo julgados. Desta vez, entretanto, a ação era o quarto item da pauta, o que aumentava a probabilidade de o julgamento ser iniciado.

A Adin, iniciada pelo PSOL, questiona o fato de o Decreto 5.820/2006 consignar canais às atuais emissoras sem respeitar os trâmites constitucionais. Além disso, o decreto é questionado por não promover a diversidade na mídia, ao não permitir que novos atores ingressem no sistema de radiodifusão, o que estaria em desacordo com a Constituição, que proíbe o monopólio e o oligopólio no setor.

A principal motivação da ação é a avaliação de que o decreto em questão mantém as bases para a concentração da propriedade das emissoras de TV no país. Neste sentido, o PSOL questiona principalmente os artigos que consignaram aos atuais concessionários de televisão novos canais digitais. A consignação foi feita sem que fossem abertos a um processo licitatório para outros possíveis interessados em prestar o serviço, além de não terem seguido os trâmites previstos na Constituição para a concessão de serviços de radiodifusão.

A Procuradoria Geral da República (PGR) considera procedente a ação de inconstitucionalidade. A PGR corrobora o argumento presente na ADI de que a digitalização não é apenas uma atualização do atual serviço de radiodifusão. Para além disso, trata-se da configuração de um novo serviço que cria, por exemplo, a possibilidade de transmissão de dados – permitindo interatividade direta com o telespectador – e a recepção móvel do sinal. Sendo assim, a transmissão em sinal digital teria de ser considerada como um serviço diverso da transmissão analógica, para o qual seria necessário nova outorga de concessão de canais.

A Procuradoria defende também que a outorga dos novos canais surgidos com a digitalização da TV deveria seguir o rito atual de renovações e concessões, sendo examinadas pelo Poder Executivo e Legislativo, nos termos do Artigo 223 da Constituição.

O parecer da PGR questiona ainda a falta de transparência durante o momento da escolha, pelo governo brasileiro, do padrão japonês como base tecnológica do SBTVD. Relatórios explicando a sociedade os motivos da adoção de tal modelo deveriam ter se tornado públicos e não foram, o que violaria o direito à informação dos atos da Administração Pública.

Veja documentos relacionados à Adin. Clique aqui.

Governo apresenta composição do Fórum Brasil Conectado

O governo lançou nesta quarta-feira (23), em Brasília, o Fórum Brasil Conectado, instância que vai buscar estabelecer o diálogo entre sociedade e governo nos temas que ainda estão por definir no Programa Nacional de Banda Larga (PNBL). Fazem parte dele 56 organizações e instituições públicas e privadas representando as três esferas da União, empresários, academia e cidadãos. Desse total, 50 representam ou o Poder Público ou os setores empresariais.

A ideia é que as organizações do Fórum formulem propostas e também emitam opiniões sobre os passos do Programa Nacional de Banda Larga. Existem vários temas ainda em aberto, como o modo mais eficiente de desonerar os serviços de telecomunicações. O coordenador de Programas de Inclusão Digital da Presidência da República, Cezar Alvarez, deixou claro que o Fórum vai acompanhar o PNBL. “Mesmo com o DNA forte da participação, o governo não vai abrir mão das suas prerrogativas. O governo não deixa de ser governo”, afirmou.

A baixa presença de entidades da sociedade civil não empresariais gerou críticas da advogada do Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec) Estela Guerrini. “A sociedade civil ficou com pouca representação. Espero que a gente consiga ter alguma incidência”, diz. Para envolver mais as organizações que ficaram de fora do Fórum, Estela defende a divulgação das discussões da instância para a sociedade.

Já Cezar Alvarez entende que a sociedade está bem representada. O conceito de sociedade civil, segundo ele, deve ser mais amplo. Ele cita, por exemplo, representantes de produtores de conteúdos, fóruns de pesquisa e até entidades empresariais como interlocutores do cidadão e membros da sociedade civil. Sobre a escolha dos participantes, Alvarez deu a entender que não existiram muitos critérios. “Porque sim”, foi sua primeira resposta. Em seguida, afirmou que se buscou um número razoável de entidades e que elas representassem diversos segmentos.

Na lista do Fórum Brasil Conectado figuram entidades de todos os setores empresariais envolvidos – como as representações dos provedores de internet, das teles e da indústria de TI e eletroeletrônica. A composição ainda abarca a radiodifusão (com a Associação Brasileira de Empresas de Rádio e TV – Abert – e a Associação Brasileira de Radiodifusores – Abra) e a TV paga (Associação Brasileira de TV por Assinatura). Por outro lado, representando os usuários e as organizações sociais não ligadas nem ao governo, empresas ou Academia, figuram apenas o Idec, a Associação Pro Teste e o Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação (FNDC).

Sem votações

O Fórum é vinculado ao Comitê Gestor de Inclusão Digital, criado pelo Decreto nº 6.948, de 2009. Este último é presidido pela Casa Civil e composto por representantes de oito ministérios e duas secretarias, além do Gabinete Pessoal do Presidente da República. Ele deve ser a instância decisória das divergências que surgirem daqui pra frente. O Fórum Brasil Conectado é vinculado a ele. Dentro dele, não haverá votações entre as entidades com objetivo de se construir posições majoritárias.

Estão previstos seminários e eventos temáticos para discussões mais específicas do PNBL. Entidades que ficaram de fora da lista também podem ser convocadas para dar contribuições eventuais. A vontade do governo é que o Fórum seja permanente, apesar de a decisão de revogá-lo estar nas mãos do próximo presidente da República. As reuniões do Fórum serão bimestrais e acontecerão em Brasília.

Para a advogada da Associação Brasileira de Defesa do Consumidor (ProTeste) Flávia Lefèvre, a importância do Fórum vai depender de como serão consideradas pelo governo as proposições da sociedade.

Temas para o Fórum

Um dos temas que a advogada deve levar para o Fórum é a possibilidade de enquadrar o Serviço de Comunicação de Dados – onde se encontra a internet – como um serviço a ser prestado em regime público. Atualmente, apenas o telefone fixo é assim categorizado. Pelo regime privado não são criadas cláusulas contratuais que prevejam a estabilidade do serviço, a regra da modicidade tarifária – que poderia baixar os altos preços da internet atualmente – e a universalização como exigências feitas às operadores de telecomunicações.

Apesar de membros do governo que estão coordenando a implantação do PNBL já terem defendido que nesse momento a mudança de regime não é prioridade na discussão, Lefèvre acredita que o tema deve ser discutido novamente. “Acho que a briga está começando. Eles vão concluir que vai ser necessário”, espera ela.

Uma ação prevista ainda para este ano no PNBL é a oferta da rede de internet pública que será gerenciada pela Telebrás em 15 capitais, além do Distrito Federal, utilizando 11.357 Km de fibras da Petrobras e Eletrobras. Para além disso, devem ser escolhidas cem cidades – a uma distância de no máximo 100 Km da rede principal – em que o sinal deverá chegar via rádio. O critério de escolha desses municípios também é pauta do recém formado Fórum.

O lançamento do Fórum Brasil Conectado é considerado o encerramento da primeira fase do Plano Nacional de Banda Larga, que passou pela construção do Decreto nº 7.175, de maio de 2010, que lançou as diretrizes para as ações do PNBL. Os objetivos do Programa – o antigo Plano – são aumentar a oferta de rede de internet para mais cidades, diminuir o preço e aumentar a velocidade do serviço. Para isso, o governo pretende fazer com que sua rede chegue a 80% dos brasileiros até 2014. Só que ele deve vender essa infra-estrutura para grandes, médios e pequenos provedores que levarão o sinal até a casa das pessoas.

Veja a composição do Fórum Brasil Conectado:

– Casa Civil da Presidência da República
– Gabinete Pessoal do Presidente da República
– Ministério da Ciência e Tecnologia
– Ministério da Cultura
– Ministério da Educação
– Ministério da Fazenda
– Ministério da Saúde
– Ministério das Comunicações
– Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior
– Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão
– Secretaria de Assuntos Estratégicos da Presidência da República
– Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República
– Câmara dos Deputados
– Senado Federal
– Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES)
– Associação Brasileira de Empresas Estaduais de Processamento de Dados (Abep)
– Conselho Nacional de Política Fazendária (Confaz)
– Conselho Nacional de Secretários Estaduais do Planejamento (Conseplan)
– Conselho Nacional de Secretários Estaduais para Assuntos de CT&I (Consecti)
– Associação Brasileira de Municípios (ABM)
– Associação Brasileira de Entidades Municipais de TIC (ABEMTIC)
– Confederação Nacional de Municípios (CNM)
– Fórum de Secretários Municipais de C&T (FNSDMCTI)
– Frente Nacional de Prefeitos (FNP)
– Telecomunicações do Brasil S.A (Telebrás)
– Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel)
– Conselho Nacional de Justiça (CNJ)
– Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea)
– Rede Nacional de Ensino e Pesquisa (RNP)
– Comitê Gestor da Internet no Brasil (CGI.Br)
– Associação Nacional de Pesquisa e Desenvolvimento das Empresas Inovadoras (ANPEI)
– Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC)
– Um representante das sociedades científicas (Soc. Bras. de Microeletrônica, Soc. Bras. de Computação, Soc. Bras. de Telecomunicações e outros)
– Centro de Pesquisa e Desenvolvimento (CpqD)
– Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica (Abinee)
– Associação Brasileira de Empresas de Tecnologia da Informação e Comunicação (Brasscom)
– Associação das Empresas Brasileiras de Tecnologia da Informação, Softwaree Internet (Assespro Nacional)
– Consórcio Gente
– Associação Brasileira de Defesa do Consumidor (PROTESTE)
– Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec)
– Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação (FNDC)
– Associação Brasileira das Prestadoras de Serviços de Telecomunicações Competitivas (TELCOMP)
– Associação Brasileira de TV por Assinatura (ABTA)
– Associação Brasileira dos Provedores de Internet e Operadores de Comunicação de Dados Multimídia (Abramulti)
– Associação Brasileira dos Provedores de Acesso, Serviços e Informações da Rede Internet (Abranet)
– Associação Nacional das Operadoras de Celular (Acel)
– Associação Brasileira de Concessionárias de Serviço Telefônico Fixo Comutado (Abrafix)
– Sindicato Nacional das Empresas de Telefonia e de Serviço Móvel Celular e Pessoal (Sinditelebrasil)
– Rede de Tecnologia Social (RTS)
– Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão (Abert)
– Associação Brasileira de Radiodifusores (Abra)
– Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior (Andifes)
– Associação Brasileira dos Produtores Independentes de Televisão (ABPI-TV)
– Associação Brasileira das Desenvolvedoras de Jogos Eletrônicos (Abragames)
– Fórum da Cultura Digital Brasileira (CulturaDigital.Br)
– Feira Música Brasil

EBC terá manual de jornalismo público

Até o fim do ano, a Empresa Brasil de Comunicação (EBC) lançará um manual de jornalismo com diretrizes para a produção de informação pela Agência Brasil, TV Brasil e emissoras de rádio da EBC. A criação do manual responde a uma resolução do Conselho Curador, que entende ser necessário estabelecer regras adequadas “aos imperativos da prática de um jornalismo público de qualidade”. O texto aprovado pelos conselheiros ressalta que o manual usado até o momento, o da extinta Radiobrás, foi concebido para uma empresa com caráter e finalidades diversas da EBC. Em outras palavras, as regras vigentes pautam-se nos princípios da comunicação estatal, quando a EBC deve promover a comunicação pública.

A resolução estabelece que o manual deve estar pronto dentro de 1 ano. Em 5 meses, a EBC deverá divulgar os princípios e conceitos orientadores das novas regras, iniciando um processo de discussão do documento aberto à participação da sociedade. A resolução foi publicada em 15 de junho.

A questão da atualização do manual de jornalismo surgiu a partir de provocação feita por uma leitora da Agência Brasil, que questionou o uso do off em uma reportagem. O off é a utilização de uma informação ou citação sem a identificação da fonte, prática que o manual da antiga Radiobrás, ainda em vigor, proíbe. “A partir dessa provocação, a Câmara de Jornalismo do Conselho Curador da EBC decidiu sugerir que a empresa discuta um novo manual de jornalismo, em sintonia com as novas atribuições de uma empresa pública de comunicação”, explicou Roberto Seabra, representante da Câmara dos Deputados no conselho.

Para o professor Laurindo Lalo Leal Filho, sociólogo, jornalista e ouvidor da EBC, o manual atual sofrerá adaptações pequenas para buscar o caráter público. “O manual da Radiobrás já tentava garantir uma certa transição da empresa estatal para transformá-la em empresa pública, para mantê-la mais independente ao governo do momento”, comentou. O novo manual consolidará essa independência editorial, e terá como referência apenas o Conselho Curador, órgão máximo da EBC. Para Lalo, esse é a principal diferença entre a Radiobrás e a EBC: a existência de um órgão que deverá avaliar se o manual está sendo aplicado.

Até a publicação das novas regras, segue em vigência o Manual da Radiobrás. A resolução do Conselho também estabelece que os veículos devem adotar já o padrão do novo acordo ortográfico da língua portuguesa.

Importância da experiência e da participação

“A ideia de público é não ter amarras, não ter censura, e o manual deve caminhar nessa direção. Não ter compromisso com governo ou empresa”, opina Francisco José Karam, professor da Universidade Federal de Santa Catarina e coordenador do Observatório da Ética Jornalística (objETHOS). Para ele, a importância de um manual é também seu potencial para resolver questões éticas delicadas. “Um manual é o resultado de todo um acúmulo teórico e prático da história da empresa. É eficaz um manual que estabelece padrões de comportamento em relação a temas como sigilo das fontes, como investigar corrupção, lidar com questões delicadas como o suicídio…”, opina. Para tratar dessas questões, Karam acredita ser fundamental a referência ao passado e a experiência acumulada dentro do veículo jornalístico.

O professor Lalo acredita que é positivo que os profissionais tenham uma diretriz comum para não haver dúvidas sobre o comportamento adequado no processo de produção, facilitando a tomada de decisões. “Se os manuais são importantes em empresas privadas de comunicação, imagine  no setor público, onde a preocupação com a imparcialidade e a isenção são ainda maiores”, opinou Seabra. Ao mesmo tempo, existe a preocupação do manual não se transformar em um fator de engessamento dessa produção, que iniba a criatividade do jornalista.

Quanto à participação do Conselho Curador durante o processo de elaboração do manual, Seabra afirma que, diretamente ou por intermédio da Câmara de Jornalismo, o órgão poderá participar acompanhando os debates e as audiências. “Mas a elaboração do texto do manual é da competência da diretoria de jornalismo da EBC”, afirmou.

Roberto Seabra acredita que a própria elaboração do manual contará com a participação de ouvintes, leitores e telespectadores dos veículos da EBC. O Conselho Curador e a própria empresa tem feito audiências públicas e outros eventos para discutir a programação da TV Brasil e das emissoras de rádio, lembrou o representante da Câmara dos Deputados. “Acredito que esse caminho também será seguido durante a elaboração do manual de jornalismo. É importante também dizer que será fundamental a participação dos servidores da EBC na elaboração do manual. Eles sabem, melhor do que ninguém, os problemas que surgem no dia a dia e podem ser tema do manual.”

Instrumento para a sociedade

A necessidade de ajustes no manual foi apontada pela Ouvidoria da EBC e, na avaliação de Laurindo Leal Filho, deverá impactar positivamente o seu trabalho. Segundo ele, será possível responder ao público de forma objetiva e prática, tornando as considerações a respeito das críticas não mais uma opinião da Ouvidoria ou da Diretoria.“A existência de um manual próprio da EBC facilitará o trabalho para a ouvidoria, e mais que isso, para o leitor da agência, para o ouvinte, para o telespectador. Ficam mais claros os parâmetros de trabalho”, disse.

Seabra apontou que as novas regras podem prever outras formas de interação entre o público e as estruturas de produção jornalística da EBC. “Talvez o manual possa prever outras formas de participação do público. Na elaboração das pautas, por exemplo, nos comentários sobre a produção jornalística”, disse o conselheiro. Porém, a questão está em aberto, afirmou, e poderá ser discutida durante as audiências.

Lalo acredita que quando o manual ficar pronto, será preciso dar grande publicidade ao seu conteúdo, uma medida imprescindível para que se as regras de produção jornalística sejam conhecidas, e o manual possa cumprir seu mais importante papel, o de ser um instrumento a serviço dos interesses da população.

STF julga ação contra decreto da TV digital

O Supremo Tribunal Federal deve iniciar hoje (23) o julgamento da Ação Direta de Inconstitucionalidade 3944, que questiona a validade de artigos do decreto que estabelece regras para a implantação da TV digital. A Adin figura pela quarta vez na pauta do Plenário. Nas outras ocasiões, o julgamento foi adiado por conta da extensa lista de processos sendo julgados. Desta vez, entretanto, a ação é o quarto item da pauta, o que aumenta a probabilidade de o julgamento ser iniciado.

As sessões do Plenário do STF são transmitidas ao vivo pela TV Justiça e também pelo site da emissora. O Observatório do Direito à Comunicação também acompanhará o julgamento. Siga-nos no Twitter.

A Adin, iniciada pelo PSOL, questiona o fato de o Decreto 5.820/2006 consignar canais às atuais emissoras sem respeitar os trâmites constitucionais. Além disso, o decreto é questionado por não promover a diversidade na mídia, ao não permitir que novos atores ingressem no sistema de radiodifusão, o que estaria em desacordo com a Constituição, que proíbe o monopólio e o oligopólio no setor.

A principal motivação da ação é a avaliação de que o decreto em questão mantém as bases para a concentração da propriedade das emissoras de TV no país. Neste sentido, o PSOL questiona principalmente os artigos que consignaram aos atuais concessionários de televisão novos canais digitais. A consignação foi feita sem que fossem abertos a um processo licitatório para outros possíveis interessados em prestar o serviço, além de não terem seguido os trâmites previstos na Constituição para a concessão de serviços de radiodifusão.

Em 19 de junho de 2009, a Procuradoria Geral da República (PGR) entrou no debate e emitiu um parecer considerando procedente a ação de inconstitucionalidade. A PGR corrobora o argumento presente na ADI de que a digitalização não é apenas uma atualização do atual serviço de radiodifusão. Para além disso, trata-se da configuração de um novo serviço que cria, por exemplo, a possibilidade de transmissão de dados – permitindo interatividade direta com o telespectador – e a recepção móvel do sinal. Sendo assim, a transmissão em sinal digital teria de ser considerada como um serviço diverso da transmissão analógica, para o qual seria necessário nova outorga de concessão de canais.

A Procuradoria defende também que a outorga dos novos canais surgidos com a digitalização da TV deveria seguir o rito atual de renovações e concessões, sendo examinadas pelo Poder Executivo e Legislativo, nos termos do Artigo 223 da Constituição.

O parecer da PGR questiona ainda a falta de transparência durante o momento da escolha, pelo governo brasileiro, do padrão japonês como base tecnológica do SBTVD. Relatórios explicando a sociedade os motivos da adoção de tal modelo deveriam ter se tornado públicos e não foram, o que violaria o direito à informação dos atos da Administração Pública.

Veja documentos relacionados à Adin. Clique aqui.