Unesco quer criar índice de desenvolvimento da mídia

Indicadores de desenvolvimento da mídia e direito à comunicação entram em debate na Câmara dos Deputados com o lançamento de estudo realizado pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco). A publicação, que se propõe a ser um marco para a avaliação do setor de comunicação em diversos países, reúne cerca de 30 indicadores que avaliam o sistema regulatório, a pluralidade e diversidade na mídia, a capacitação profissional e a infraestrutura disponível para o exercício da comunicação. A obra, traduzida para o português, foi apresentada em sessão plenária da Comissão de Direitos Humanos da Câmara dos Deputados nesta quarta-feira (23).

O objetivo da Unesco é criar um índice comum que permita a comparação entre países. Além disso, fornecer subsídio para avaliações internas de cada nação, permitindo que os problemas para o exercício de uma comunicação plural e diversa sejam identificados e sejam resolvidos por meio de leis, políticas públicas ou mesmo pela autorregulação, dependendo do contexto de cada localidade. Segundo o coordenador de Comunicação e Informação da Unesco, Guilherme Canela, os problemas podem ser resolvidos mais facilmente quando apresentados estudos empíricos e dados objetivos.

No Brasil, o órgão da ONU recebeu apoio de universidades e grupos especializados como o Laboratório de Políticas de Comunicação da Universidade de Brasília, o Núcleo de Estudos Transdisciplinares de Comunicação e Consciência da Universidade Federal do Rio de Janeiro e o Intervozes – Coletivo Brasil de Comunicação Social.

Benefícios

Para o representante do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), Fábio de Sá Silva, o estudo será de grande ajuda, uma vez que muitos dos indicadores apontados não são estudados no país. O Ipea possui muitas pesquisas referentes à infraestrutura, como a que recentemente avaliou a oferta e o acesso à banda larga. Porém, segundo Silva, “existem poucas iniciativas em outras áreas”. Somente este ano foi criada a Diretoria de Estudos e Políticas do Estado, das Instituições e da Democracia que, de acordo com o representante do Ipea, deve ajudar na medição da qualidade da democracia no Brasil.

A procuradora Federal dos Direitos do Cidadão do Ministério Público Federal, Gilda Carvalho, acredita que a aplicação desse estudo servirá para cobrar uma postura do Estado, no sentido de garantir o cumprimento da Constituição e criação de leis que regulamentem setores falhos.

O representante da Associação Brasileira de Radiodifusores (Abra), Amilcare Dallevo Júnior, vê benefícios mercadológicos em se estabelecer indicadores mais precisos para o setor. Dados levantados pela própria associação apontam que cerca de 50% da população brasileira tem acesso à TV por meio de satélite e, não existem hoje, mecanismos de medir essa audiência, que acaba por não influenciar o mercado publicitário e, consequentemente, por colaborar com a distribuição desigual de recursos para empresas de comunicação.

Um estudo brasileiro

Estudo semelhante ao desenvolvido pela Unesco, mas focado na realidade brasileira, foi apresentado pelo Coletivo Intervozes no livro “Contribuições para a Construção de Indicadores do Direito à Comunicação”. A publicação fornece caminhos e propõe formas de medição do direito a comunicação no Brasil.“No Brasil, não temos como mensurar o direito a comunicação. Existe uma ausência de referências nesse sentido. Assim, ambas publicações se propõe a preencher essa lacuna”, afirma Carolina Ribeiro, representante do Intervozes.

O coletivo sugere 23 indicadores, divididos em sete dimensões, que poderiam dimensionar as condições para o exercício e a garantia do direito à comunicação no país. O estudo levanta perguntas sobre cada um deles, bem como apresenta fontes para a coleta de dados.

Aplicação

A Unesco já aplicou o estudo em dois locais: nas Ilhas Maldivas, onde a pesquisa foi realizada a pedido do próprio governo por ocasião da reestruturação do marco regulatório da comunicação, e em Moçambique. Ainda neste ano, a ONU elegerá 20 nações para aplicações piloto. Até 2011, espera-se que ao menos alguns dos indicadores já tenham sido desenvolvidos em todos os 193 países associados à organização.

Em relação ao Brasil, a Comissão de Direitos Humanos e Minorias pretende seguir o debate sobre a construção de indicadores. A ideia é realizar novas audiências e seminários.

O estudo da Unesco está disponível na Biblioteca do Observatório do Direito à Comunicação.

Relator quer distinguir liberdade de expressão de atividade jornalística

O relator da proposta de emenda à Constituição que restabelece a exigência do diploma para o exercício do jornalismo (PEC 386/09), deputado Hugo Leal (PSC-RJ), avalia que o texto deve distinguir liberdade de expressão da atividade jornalística.

Leal adiou por mais alguns dias a apresentação de seu parecer, que deve ocorrer até 7 julho. O relator reafirmou que apresentará um substitutivo para melhorar a redação da proposta e evitar novas interpretações de inconstitucionalidade. O grande desafio, segundo ele, será definir os limites entre liberdade de expressão e o exercício profissional do jornalista. "A exigência do diploma impediu a liberdade de imprensa ou de expressão? Não consigo vislumbrar. Estamos discutindo a liberdade de imprensa ou a liberdade de expressão? Estamos discutindo a liberdade de os meios de comunicação contratarem as pessoas sem a exigência de diploma."

Conceitos equivocados

Nesta quarta-feira, a comissão especial que discute a proposta ouviu professores de jornalismo que defenderam o diploma. O consultor da Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão (Abert), Rodrigo Kaufmann, que também participou do debate, afirmou que a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF), há um ano, tornou a discussão sobre a exigência do diploma ultrapassada. Ele argumentou que o julgamento se baseia no direito à liberdade de expressão, uma cláusula pétrea da Constituição Federal, que não pode ser alterada.

O consultor informou ainda que a Abert tem todo o interesse em discutir modelos alternativos que valorizem o jornalista. "É contraproducente continuar discutindo um modelo considerado pelo STF incompatível com a Constituição", disse.

O diretor do Fórum Nacional de Professores de Jornalismo, Edson Spenthof, disse no entanto, que o Supremo usou conceitos equivocados de jornalismo no julgamento. "Confundiu-se liberdade de expressão com exercício profissional e liberdade de expressão com liberdade de imprensa. Portanto, o jornalismo foi julgado pelo que ele não é. O jornalista não é um opinador público. Ele é um produtor de conhecimento e um mediador da realidade social."

Qualificação da atividade profissional

Outros professores de jornalismo que participaram da audiência defenderam o diploma de nível superior como forma de qualificar a atividade profissional. Para eles, a sociedade só tem a ganhar com a qualidade da informação apurada pelos jornalistas. O coordenador do curso de jornalismo da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-RJ), Leonel Azevedo de Aguiar, afirmou que a formação superior dos jornalistas é fundamental em sociedades “complexas” como a brasileira. "O jornalismo contemporâneo não é local de expressão de opinião, mas de produção de informações. A qualificação profissional é, portanto, importantíssima para a apuração das notícias", defendeu.

Já para o presidente da Associação Brasileira de Pesquisadores em Jornalismo (SBPJor), Carlos Eduardo Franciscato, a qualificação profissional dos jornalistas é requisito para uma visão ética e humanística da informação. “Informação com qualidade é o melhor para sociedade", completou.

Íntegra da proposta:
PEC-386/2009

Edição – Regina Céli Assumpção

Mídia receberá maior parte dos investimentos na Copa de 2014

Levantamento feito pela Ernst & Young em parceria com a Fundação Getulio Vargas (FGV), mostra que os investimentos em mídia para a Copa do Mundo de 2014, que será realizada no Brasil, devem chegar a R$ 6,5 bilhões. Pelo cálculo das duas empresas, esse valor é o dobro do que deverá ser gasto com a rede hoteleira e também supera o investimento na construção e reformas de estádios, estimado em R$ 4,62 bilhões.

Para os coordenadores do estudo, esse grande investimento em mídia se justifica pela visibilidade que o mundial oferece. A equipe informou que na Copa da Alemanha, em 2006, o lucro em publicidade cresceu 5,1%.

"Por isso, espera-se que no Brasil esses investimentos, feitos principalmente pelo setor privado e concentrados em 2014, tenham importante impacto sobre o segmento de publicidade e propaganda", diz o estudo.

Os setores de tecnologia da informação e telecomunicações também deverão ter aumento nos investimentos. O levantamento revela que o primeiro receberá R$ 309 milhões e o outro, R$ 184,5 milhões. Nos dois casos, o dinheiro será para a implantação de centros internacionais de transmissão de dados.

*com informações do Valor Econômico.

Para Lula, antes um cinema que uma igreja

A meta é ousada: em um prazo de até quatro anos, 600 novas salas de cinema em áreas com grande concentração de consumidores da chamada classe C. O programa Cinema Perto de Você, lançado ontem, em Luziânia (GO), pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, reúne R$ 500 milhões para crédito e investimentos que ajudem na construção de salas para exibição de filmes. O objetivo é aumentar o número de consumidores dessa fatia do mercado do entretenimento, além de garantir o acesso à cultura em lugares mais distantes dos grandes centros.

A iniciativa do governo federal também oferece a isenção de impostos para a compra de novos equipamentos. Dessa maneira, os proprietários de cinemas mais antigos poderão acompanhar a evolução tecnológica. As salas de cinema construídas nas regiões contempladas pelo programa do Ministério da Cultura estarão livres do pagamento do PIS/CONFINS durante um período de cinco anos. De acordo com números da Agência Nacional do Cinema (Ancine), serão R$ 168 milhões de renúncia fiscal — R$ 140 milhões de tributos federais e outros R$ 28 milhões de alteração da base de cálculo do ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Prestação de Serviços).

O presidente Lula disse que o lançamento do programa foi feito em Luziânia porque a cidade representa bem o perfil das localidades que terão prioridade no Cinema Perto de Você. Com cerca de 200 mil habitantes, o município goiano tem apenas uma sala de cinema. “Em algumas ocasiões, para que um projeto tenha sucesso, não é suficiente que haja apenas dinheiro. É fundamental que haja uma simbologia em torno do acontecimento, e é por isso que escolhemos Luziânia”, afirmou Lula.

Ainda segundo o presidente, o programa só terá êxito com o apoio dos governos estaduais e municipais. No evento, que contou com presença de nomes importantes do cinema nacional, como Luiz Carlos Barreto e Vladimir Carvalho, Lula chegou a fazer um apelo para que o prefeito de Luziânia, Célio Silveira, e o governador de Goiás, Alcides Rodrigues, também concedessem isenção de impostos aos empresários que quisessem investir em salas de cinema na região. “Nem mesmo os empresários mais socialistas entram em um projeto como esses se não houver uma indicação de que ele terá retorno. Por isso, temos que deixar os investidores com a certeza de que é melhor manter uma sala de cinema em funcionamento do que vender para uma igreja qualquer”, destacou o presidente.

Clima de campanha

Mesmo sem ainda poder se manifestar publicamente sobre as eleições presidenciais deste ano, Lula mostrou que já está em clima de campanha. Além de responder com acenos aos gritos de “Dilma” vindos do público, o presidente, ao sair do evento, fez questão de cumprimentar centenas de pessoas do lado de fora do Cine-Teatro Centro de Convenções e Eventos de Luziânia, onde o programa Cinema Perto de Você foi lançado. Em meio à confusão, Lula foi perguntado sobre o resultado da pesquisa CNI/Ibope, que apontou a candidata petista à Presidência da República, Dilma Rousseff, como líder, com 40% da intenção de votos, contra o tucano José Serra, com 35%. “Ainda não tive tempo de ver a pesquisa”, respondeu com um sorriso satisfeito.

PL-29 chega ao Senado e passará por cinco comissões

Reproduzido do TeleTime News

Depois de três anos de tramitação na Câmara dos Deputados, o PL 29/2007 enfim chegou ao Senado Federal. A leitura do despacho foi feita no Plenário nesta quarta-feira, 23, e abre oficialmente a tramitação na Casa revisora. O projeto que pretende consolidar as regras de oferta de TV por assinatura no Brasil e estabelecer uma política de fomento do audiovisual nacional ganhou uma nova numeração no Senado. Agora a proposta está identificada como PLC (Projeto de Lei da Câmara) nº 116/2010.

A Mesa Diretora do Senado também já providenciou a distribuição do projeto entre as comissões. A proposta passará por cinco grupos de análise, iniciando a tramitação pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), como estabelece o regimento do Senado. Uma vez analisada a constitucionalidade e legalidade pela CCJ, o projeto passará por outras quatro comissões temáticas.

A primeira a analisar o conteúdo efetivo da proposta será a Comissão de Assuntos Econômicos (CAE). Depois o projeto passará pela Comissão de Educação (CE) e pela Comissão de Meio Ambiente e Defesa do Consumidor (CMA). A última comissão a avaliar o projeto será a Comissão de Ciência e Tecnologia (CCT), que votará terminativamente o projeto por ser a comissão de mérito. A análise terminativa nas comissões significa que o projeto não precisa ser deliberado no Plenário para ser validado. O relator na CCJ ainda não foi definido. (Mariana Mazza)