Audiência pública debate Conselho de Comunicação no Rio

Assim como em diversas regiões do Brasil, o debate sobre a importância de ter um órgão para acompanhar e propor políticas públicas de comunicação também chegou ao estado do Rio de Janeiro. Diversas entidades compareceram nessa segunda-feira, dia 06, à audiência pública que teve como finalidade a discussão sobre a implementação do conselho de comunicação.

Convocada pelo deputado Paulo Ramos (PDT), o evento debateu o projeto de lei 3323/10 que cria o órgão intitulado Conselho Estadual de Comunicação Social do Estado do Rio de Janeiro (CECS-RJ), cumprindo assim uma das resoluções da I Conferência Nacional de Comunicação.
 

Para o parlamentar, a aprovação dessa lei é fundamental para a construção de uma sociedade democrática e ter um órgão que acompanhe a comunicação no país é necessário. “Em vários países da Europa e nos Estados Unidos já existem órgãos dessa natureza. Para ter um país democrático precisamos também democratizar os meios de comunicação e não deixar que eles continuem nas mãos de uma pequena parte da sociedade que possui o poder econômico”, afirmou o deputado.
 

A importância do projeto ainda foi reforçado pelo procurador do estado Christiano Taveira, que ratificou a constitucionalidade do projeto. “Mas que constitucional, esse projeto vem para atender uma necessidade social”, confirmou o jurista.

“É incompreensível a crítica de alguns setores que são contra os conselhos, alegando inconstitucionalidade, e não fazem esforço algum para garantir outros artigos da constituição que falam sobre a regionalização da produção, respeito aos valores éticos e sociais da pessoa e da família, dentre outros”, completou.
 

Ao fim do evento, ficou encaminhado a formação de um Grupo de Trabalho (GT), que iniciará suas atividades em janeiro, e terá como função auxiliar o parlamento na implementação dessa lei.
 

Conhecendo a lei
 

Pelo projeto, a formação desse conselho será de maneira tripartite, sendo oito vagas para produtores e difusores (empresários), seis para o poder público e dez vagas para sociedade civil (trabalhadores e consumidores).
 

Dentre seus vários artigos, a lei dá ao órgão responsabilidades como: participar da elaboração de políticas públicas para o setor; aprovar parâmetros normativos que estipulem a melhor distribuição das verbas publicitárias do Estado com base em critérios que garantam a diversidade e pluralidade, não enfatizando apenas a audiência e evitando a concentração de mercado; monitorar, receber denúncias e encaminhar parecer aos órgãos competentes sobre abusos e violações de direitos humanos nos veículos de comunicação no Estado do Rio de Janeiro; implementar políticas de capacitação dos cidadãos para leitura crítica dos meios de comunicação, nas suas diversas modalidades e para o debate da estética, dos conteúdos, da linguagem e das técnicas empregadas na produção das mensagens midiáticas; dentre outras importantes funções.
 

Além disso, o projeto ainda dá ao conselho a função de acompanhar o cumprimento da legislação de radiodifusão, além de fiscalizar a execução do capítulo V da Constituição Federal, que é sumariamente ignorada pelas corporações de mídia no Brasil.
 

O evento teve a participação das entidades: Associação Brasileira de Imprensa (ABI), Coletivo Brasil de Comunicação (Intervozes), Federação Nacional de Professores de Jornalismo (FNPJ), Associação dos Diretores de Jornal do Interior do Estado, Sindicato dos Jornalistas do Estado, Sindicato dos Jornalistas do Município do Rio, Comunicativistas, Sindicato dos Petroleiros (Sindipetro), Associação Brasileira de Rádios Comunitárias (Abraço), além de entidades ligadas ao movimento estudantil.
 

Outros projetos
 

Não é a primeira vez que o debate sobre a criação do conselho vem à tona no estado. No ano de 2006, o deputado estadual Carlos Minc (PT) aprovou a lei 4.849/06 que cria o órgão, porém todos os demais artigos foram vetados pela então governadora Rosinha Garotinho. Na prática, essa lei, publicada em 25 de setembro de 2006, cria o conselho, mas não lhe atribui nenhuma função. O órgão não foi instalado até hoje.

Audiência Pública discute criação de Conselho de Comunicação

O projeto é do deputado Paulo Ramos (PDT) que ressalta a importância de criar uma regulamentação para o setor. Ele citou a existência de conselhos e agências reguladoras para comunicação em diversos países europeus. Também destacou a necessidade de ampla participação da sociedade civil no debate.

 

A criação do Conselho foi defendida pelo procurador Cristiano Taveira, que é doutor em Direito Constitucional pela Universidade do Estado do Rio deJaneiro e fez um estudo, em sua tese de doutorado, sobre a necessidade da regulamentação da comunicação no Brasil.

 

Ele considera o projeto constitucional e necessário para garantir a liberdade de expressão no país. Cristiano explica que várias determinações da Constituição não são cumpridas devido a falta de regulação. Essas determinações garantiriam a pluralidade na mídia além de impedir o monopólio dos meios de comunicação.

 

A audiência contou com a presença de representantes da Associação Brasileira de Imprensa (ABI); de emissoras de TV comunitárias do Estado; do Coletivo Brasil de Comunicação (Intervozes); do Sindicato dos Petroleiros (Sindipetro) e da Associação Brasileira de Rádios Comunitárias (Abraço), que declararam apoio ao projeto. (pulsar)

 

Governo estuda regular conteúdo de rádio e TV

A primeira versão do projeto do governo para o setor de telecomunicação e radiodifusão prevê a criação de um novo órgão, a ANC (Agência Nacional de Comunicação), para regular o conteúdo de rádio e TV.

 

A Folha teve acesso à minuta da proposta, batizada de Lei Geral da Comunicação Social. O texto tem cerca de 40 páginas e vem sendo mantido em sigilo.

 

É resultado do grupo de trabalho criado há seis meses e coordenado pelo ministro Franklin Martins para discutir um novo marco regulatório para o setor.

 

A nova agência para regular conteúdo substituiria a Ancine (Agência Nacional do Cinema) e teria poderes para multar empresas que veicularem programação considerada ofensiva, preconceituosa ou inadequada ao horário.

 

O presidente da Ancine, Manoel Rangel, disse à Folha que não tem "opinião formada" sobre a mudança.

 

O texto prevê ainda a proibição que políticos com mandato sejam donos ou controlem rádio e TV. A atual legislação proíbe apenas que eles ocupem cargos de direção nas empresas.

 

Não está claro no anteprojeto se a vedação atingiria quem já tem concessões.

 

Levantamento da ONG Transparência Brasil aponta que 160 parlamentares têm concessões de rádio e TV.

 

O ministro já afirmou que o governo Lula não vai encaminhar o projeto ao Congresso, e sim entregá-lo a Dilma Rousseff como sugestão.

 

Caso Dilma decida enviar a proposta ao Congresso, o texto pode sofrer alterações e passar por consulta pública. Se a lei for aprovada, o funcionamento da agência será detalhado em decreto.

 

Na semana passada, Lula disse, em entrevista, que Dilma fará a regulação.

 

O processo de outorga de novos canais ou renovação também passará pela nova agência, além do circuito Ministério das Comunicações-Congresso, e se tornaria mais transparente, com o passo a passo publicado na internet.

 

A Folha apurou ainda que a proposta incorpora vários pontos do PL 116, que cria novas regras para o mercado de TV por assinatura e de conteúdo audiovisual, mas não trata de regras para cumprimento do limite de participação de capital estrangeiro nos meios de comunicação.

 

Será mantida a Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações), que cuida de questões mais técnicas, como a elaboração de planos e distribuição de canais.

 

Para o governo, a agência não significa censura, porque o conteúdo será analisado depois de veiculado.

 

Representantes do setor, porém, avaliam que a proposta abre brechas para cercear jornalismo e dramaturgia. Além disso, dizem, a Constituição já prevê punição para os abusos.

 

A criação da agência para regular conteúdo tem apoio de entidades que defendem o "controle social da mídia".

Regulamentação da Comunicação é tema mais debatido na Conferência de Desenvolvimento

O gramado central da Esplanada dos Ministérios foi palco da Conferência do Desenvolvimento, promovida pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), entre os dias 24 e 26 de novembro. O evento realizou oito atividades nas mais diversas áreas estratégicas para a Comunicação Social, que contaram com nomes renomados de pesquisadores, profissionais e organizações da sociedade civil.

 

“O Ipea fez uma parceria com o Socicom (Federação Nacional das Associações de Comunicação) para levantar dados sobre a situação da área no Brasil”, diz Daniel Castro, assessor chefe de Comunicação do Ipea. As atividades que aconteceram foram, em parte, resultado desse esforço em contribuir para a discussão no Brasil. Ainda segundo Castro, o Ipea lançará um documento com contribuições mais aprofundadas sobre o setor na semana que vem.

 

O tema mais debatido nas oficinas referentes à comunicação foi a necessidade de se regulamentar o setor no Brasil. Como disse o professor doutor José Marques de Melo, na mesa de Comunicação e Regulamentação, “a regulação da comunicação no Brasil vem sendo empurrada com a barriga desde 88”, referindo-se à discussão que gerou os capítulos da comunicação na Constituição Federal. Alberto Almeida, diretor na Telesur, também ressaltou que “o deficit cultural da comunicação que temos para com o povo brasileiro é enorme”.

 

Membro do Intervozes, Jonas Valente, fez críticas à omissão do Estado no que se refere à criação do marco legal das comunicações no Brasil. “O Estado é uma arena de disputa, mas que historicamente não tem se mostrado neutra”, diz ele, se referindo à dominação da máquina pública por empresários. Valente ainda aponta para a necessidade dos movimentos sociais em se organizarem: “Vai haver, futuramente, um jogo muito duro entre empresários e sociedade civil. Precisamos apresentar o nosso projeto de comunicação para o Brasil”.

 

O diretor da Agência Carta Maior, Joaquim Palhares, também aposta no protagonismo da sociedade civil. “Nós é que devemos exigir a regulamentação dos artigos 220, 221, 222, e por aí vai”, afirma. Para ele, o estado brasileiro é quem sustenta as grandes redes de radiodifusão, principalmente com publicidade estatal. Na mesa Comunicação e Democracia, Palhares ainda cobrou: “Espero que a presidente Dilma encaminhe, nos seus primeiros seis meses de governo, as propostas aprovadas na 1ª Conferência Nacional de Comunicação”.

 

Como também está em alta, a liberdade de expressão foi discutida na mesa “Pluralismo e Liberdade de Expressão na América Latina”. Segundo Guilherme Canela, coordenador da área de Comunicação e Informação do Escritório da Unesco no Brasil, a liberdade de expressão deve ser usada para a regulação da comunicação. “A Suprema Corte acertou em derrubar a lei de imprensa, mas errou ao deixar um vácuo no lugar”. O pesquisador e professor de Comunicação da Universidade Federal de Sergipe César Bolaño completa: “O debate da liberdade de expressão deve ser abordado a partir da perspectiva do direto à comunicação.”

 

Diversos convidados também ressaltaram a necessidade de se refletir a educação para a mídia, assim como seu reflexo nas pesquisas sobre comunicação. Na mesa sobre “Avanços da Pesquisa em Comunicação no Brasil”, o professor José Marques de Melo criticou a perspectiva acadêmica sobre a comunicação. “Precisamos de uma pesquisa genuinamente brasileira. Hoje nós apenas copiamos os modelos da Inglaterra, Estados Unidos e Austrália”, apontou. Já o pesquisador César Bolaño ressaltou a importância de retomar o caráter crítico do pensamento comunicacional.

Brasil terá um milhão de assinantes HD este ano

Fonte do mercado de TV por assinatura calcula que o setor deve fechar 2010 com a marca de um milhão de assinantes de alta definição (HD), ou cerca de 10% do total de assinantes.

 

Segundo a fonte, o número é puxado não somente por Sky e Net, que investiram bastante nos últios meses e conquistaram muitos assinantes na tecnologia, mas também por operadores como Via Embratel, que começou sua oferta recentemente, e também operadores independentes, que começam a oferecer o HD agora. Segundo outras fontes do mercado, o crescimento teria sido até maior se não fossem dois fenômenos: uma retração ocorrida no período pós-Copa, com a redução do marketing dos pacotes HD, e a falta de set-tops em alta definição, que afetou tanto Sky quanto a Net Serviços. Considerando que o mercado de TV paga deve chegar a 10 milhões de assinantes até o começo de 2010, segundo dados da Anatel, será uma penetração de 10% da oferta HD.

 

Destaque-se ainda que o mercado de TV por assinatura como um todo atingiu a marca de um milhão de assinantes em 1995, seis anos após o início das primeiras operações comerciais. A oferta comercial de pacotes HD começou no início de 2007, atingindo a marca de 1 milhão três anos depois.