Telespectadores consideram TV Brasil uma alternativa às emissoras comerciais

Mesmo com índices de audiência ainda baixos se comparados com as emissoras comerciais abertas, a TV Brasil, carro-chefe da Empresa Brasil de Comunicação (EBC), tem se mostrado uma alternativa cultural e informativa para muitas pessoas. Ela é a televisão nacional que mais exibe filmes brasileiros, produções independentes e tem uma elogiada programação infantil.

É a única que mantém um programa de crítica de mídia (Observatório da Imprensa) e tem uma janela direta para os telespectadores, por meio do quadro Outro Olhar, em que qualquer cidadão pode ter seu vídeo exibido em horário nobre pelo telejornal da emissora. Também talvez seja um dos únicos canais que privilegia o continente africano, com produções que falam da África e um correspondente de jornalismo na região.

"Quem assiste percebe que ali há um certo oásis na TV”, diz o jornalista e ouvidor-geral da EBC, Laurindo Leal Lalo Filho. Segundo Lalo, as maiores audiências e elogios da TV Brasil vêm dos conteúdos que o telespectador não encontra em outras emissoras. É o caso da programação infantil, que tem os índices de audiência mais elevados da TV. E seguindo a mesma lógica, de ser complementar, que fez com que a empresa começasse a transmitir jogos do campeonato brasileiro da série C este ano.

Jornalismo

Como ainda não é um órgão totalmente autônomo do governo federal, desde o nascimento a EBC tem sofrido críticas de alguns setores sobre sua possível falta de isenção em relação ao Executivo. Mas, concretamente, esses casos não têm chegado à Ouvidoria da empresa. O ouvidor-geral Laurindo Leal afirma que a questão do jornalismo governista não aparece nas reclamações dos telespectadores. “Passamos o período eleitoral sem grandes problemas”, relata.

O maior volume de reclamações que chegam aos ouvidos de Lalo não é referente ao que acontece no país. “O mais problemático é a cobertura internacional. Ela repete muitas vezes as posições das agências internacionais. No jornalismo é a grande reclamação”, sentencia.

No entanto, mesmo que não se transformem em reclamações formais, não é difícil assistir a matérias nos jornais da TV Brasil que têm enfoque quase idêntico aos feitos nos telejornais comerciais. Talvez isso aconteça pela dificuldade dos profissionais da empresa em diferenciar o jornalismo da emissora das televisões estatais e privadas.

É por esse motivo que o Conselho Curador aprovou em junho de 2010 um parecer cobrando que seja produzido um novo manual de jornalismo – em substituição ao Manual da Radiobrás – para guiar todos seus veículos. O prazo para confecção do material se encerra em 15 de junho deste ano. Para auxiliar nessa reflexão, o Conselho Curador também pretende realizar um seminário internacional sobre jornalismo público neste semestre.

O Conselho Curador, que é o órgão que representa a sociedade na EBC, também tem começado a olhar com mais cuidado a programação da TV, fazendo análises mais densas sobre as qualidades e falhas dos conteúdos exibidos. No ano passado, os conselheiros se dividiram em grupos temáticos para tornar a avaliação dos programas mais precisa. Além disso, o Conselho tem contratado acadêmicos para contribuir nesse processo com pesquisas.

Os 15 representantes da sociedade no Conselho são dos poucos que têm acesso aos índices de audiência da TV Brasil, já que a direção da empresa não divulga esses números. Segundo a presidente do Conselho, Ima Vieira, é possível verificar que a audiência cresceu nos últimos três anos, mas ainda é necessário atingir muito mais gente do que se atinge atualmente. “Não podemos desprezar esse indicador, pois embora nossa missão não seja fazer comunicação para todos ao mesmo tempo, não podemos produzir conteúdo para ninguém ver”, avalia Ima.

Participação social

O trabalho do Conselho vai além de monitorar os veículos da EBC. Sua atuação perpassa todos outros setores da empresa e sua existência é um principais elementos que distinguem uma TV pública das privadas e estatais. Para o ouvidor Laurindo Leal, a dinâmica do Conselho tem evoluído. “Hoje ele atua. Tem câmaras setoriais, se reune para discutir temáticas, produz documentos, solicita informações”, elogia Lalo.

De fato, quando foi criado, em 2007, o Conselho era mais fechado. Nem as atas das reuniões eram públicas. Além disso, a primeira gestão, presidida pelo economista Luiz Gonzaga Beluzzo, teve 19 dos seus 22 membros indicados pelo presidente da República. Outros dois pelo Congresso e um pelos trabalhadores da EBC.

Em 2009, quando o mandato de alguns conselheiros se encerrou, o processo de escolha foi um pouco diferente. Foram abertas indicações feitas pela sociedade para que o presidente Lula definisse os nomes. Mesmo assim, essas indicações ainda passaram pelo filtro do Conselho e pela escolha do presidente.

Se depender da posição da presidente do órgão, é possível que a próxima eleição de conselheiros seja ainda mais aberta à sociedade. “Acredito que é possível discutir mecanismos que garantam uma participação mais direta da sociedade na escolha e nomeação dos próximos conselheiros”, opinou Ima Vieira.

Para Ima, o Conselho também deve permear mais as decisões da EBC. Ela também defende que os responsáveis pelas diretorias diretamente ligadas ao conteúdo deveriam ser aprovados ou no mínimo referendados pelo órgão, já que é ele o responsável por zelar pela área finalística da empresa.

Além de garantir a autonomia e a independência do Conselho Curador existem outras maneiras de aumentar a incidência da população nos rumos da EBC. Uma delas é a realização de audiências públicas. Outra é o fortalecimento da Ouvidoria da empresa que, além do ouvidor-geral, conta com três ouvidores-adjuntos: um para a Agência Brasil, um para as oito rádios da EBC e outro para a TV Brasil.

Na Agência Brasil existe um canal em que o leitor pode postar seu comentário. Da mesma forma existe um programa que debate as reclamações e sugestões dos ouvintes das rádios. Apenas a TV ainda não conta com um espaço público para a Ouvidoria. A promessa desse programa é antiga e, segundo Lalo, ele só ainda não foi ao ar por falta de condições operacionais. “Já tem até material gravado. Estamos dependendo de acertos finais”, garantiu. Ele terá 15 minutos de duração e será exibido semanalmente.

 

CBC pede participação na discussão sobre a estrutura de política audiovisual no MinC

Em carta aberta enviada à ministra da Cultura, Ana de Hollanda, o CBC (Congresso Brasileiro de Cinema) dá boas vindas à nova ministra, envia as resoluções do VIII CBC – Congresso Brasileiro de Cinema e do Audiovisual, realizado em setembro do ano passado e cobra participação na definição da estrutura de formulação das políticas voltadas ao audiovisual. Na carta o CBC aponta "preocupações diante de notícias 'extra oficiais' acerca de que, sem qualquer conhecimento prévio e participação das entidades representativas do setor, estariam sendo estudadas a implementação de medidas que, caso concretizadas, provocariam profundas mudanças nas atuais estruturas destinadas a formulação das políticas públicas, ao gerenciamento de programas, ações e projetos, enfim, ao atendimento geral das questões relacionadas ao setor audiovisual".

A diretoria do CBC pede na carta uma audiência com a ministra, "dentro do menor prazo possível".

Veja a íntegra do documento:

 

"Excelentíssima Senhora, Ana de Hollanda

 

DD. Ministra de Estado da Cultura

O CBC – Congresso Brasileiro de Cinema, entidade nacional a qual são associadas setenta e duas (72) entidades dos diversos segmentos do audiovisual brasileiro, vêm através desta lhe dar as boas vindas e saudar sua nomeação para o importante cargo de Ministra de Estado da Cultura.

Manifestamos ainda que, diante de sua trajetória de vida e de lutas pela cultura brasileira, nutrimos as melhores expectativas quanto ao seu sucesso e a certeza de que durante sua gestão, o permanente, democrático e cordial diálogo, bem como, as parcerias desenvolvidas pelo Ministério da Cultura, pela ANCINE e pela SAV – Secretaria do Audiovisual com o CBC e com diversas outras instituições do audiovisual brasileiro, não só serão mantidas, mas aprimoradas e fortalecidas.

Informamos que estamos encaminhando, em anexo, o documento final resultante do VIII CBC – Congresso Brasileiro de Cinema e do Audiovisual realizado em setembro do ano passado, em Porto Alegre (RS), registrando que o mesmo contou com a participação de mais de uma centena de entidades e de cerca de quinhentas pessoas do audiovisual. E que os entendimentos que vinham sendo mantidos junto ao MinC para a implementação de muitas das resoluções, propostas, sugestões e recomendações aprovadas tenham continuidade.

Por outro lado, gostaríamos infelizmente de também externar nossas preocupações diante de notícias “extra oficiais” acerca de que, sem qualquer conhecimento prévio e participação das entidades representativas do setor, estariam sendo estudadas a implementação de medidas que, caso concretizadas, provocariam profundas mudanças nas atuais estruturas destinadas a formulação das políticas públicas, ao gerenciamento de programas, ações e projetos, enfim, ao atendimento geral das questões relacionadas ao setor audiovisual. Informamos que tais especulações tem ganhado força e trazido intranquilidade ao setor, sendo agravadas pela compreensível indefinição quanto aos nomes que serão nomeados para a SAV – Secretaria do Audiovisual.

Neste contexto, como um primeiro gesto de aproximação e visando criar as condições para que o desejável e permanente diálogo entre Governo e Sociedade Civil, tenha continuidade, solicitamos que Vossa Excelência se digne a receber em audiência, dentro do menor prazo possível, uma comissão formada por diretores e membros de nosso conselho consultivo.

Certos da atenção de Vossa Excelência, renovamos nossos votos de estima e consideração e do mais pleno sucesso desta gestão que se inícia.

Atenciosamente,

Pela Diretoria
Rosemberg Cariry
Presidente do CBC – Congresso Brasileiro de Cinema Da Redação.

 

Governo Federal Fortalece o Modelo do Software Público

A sociedade ganha hoje mais garantia para usar de forma continuada os programas disponíveis e que são baixados do Portal do Software Público Brasileiro. Essa é uma das novidades da Instrução Normativa (IN) no 1, da Secretaria de Logística e Tecnologia da Informação do Ministério do Planejamento (SLTI/MP), publicada nesta quarta-feira no Diário Oficial e que institucionaliza o sistema. A medida também traz mais segurança para a manutenção e desenvolvimento de todo o processo que é realizado pela Administração Pública, como as políticas de registro e usabilidade dos softwares.

O portal, iniciativa pioneira no mundo, foi criado em 2007, inaugurando nova etapa para a expansão do software livre no Brasil. Trata-se de um modelo de licenciamento e gestão que compartilha de forma gratuita com qualquer cidadão os programas criados pelo Governo e a rede de parceiros, como empresas. “Este é um elemento estratégico para os projetos de governo eletrônico (e-Gov) e de inclusão digital”, diz a secretária Glória Guimarães.

Segundo a titular da SLTI, com este site o Executivo Federal se tornou protagonista no desenvolvimento de soluções e na liderança das comunidades do mundo digital, o que é reforçado agora com a IN. Entre as melhorias trazidas pela nova medida, para o cidadão, empresas e setor público, estão o aumento na quantidade de software que entrará no portal (antes era em média um por mês e agora será o dobro), menos burocratização para os donos dos programas originais na hora de colocar uma solução no portal (reduzindo pela metade o tempo que era de cerca de quatro meses), autenticação dos softwares, que ganhará licença pública de marca, e a obrigação e definição do papel de cada agente nas políticas de uso. Além disso, a SLTI passa a ter mais poder para dar garantia ao novo modelo, como o reconhecimento de direitos autorais dos programas.

Atualmente, o portal abriga 44 softwares públicos, como o Coletor Automático de Informações Computacionais (Cacic) que verifica diversas informações sobre hardware e software nos computadores, o Ginga (espécie de mediador de soluções para TV Digital Brasileira), além de sistemas de gestão para municípios e programas na área da saúde, educação, meio ambiente e gerenciamento de contratos. Já foram feitas ate agora mais de mil instalações desses softwares.

O cadastro já contabiliza mais de 100 mil usuários, entre os que utilizam o serviço e colaboradores que realizam modificações nas aplicações. De acordo com a SLTI, o portal tem sido uma grande ferramenta até para instituições de outros países, como Argentina, Portugal, Chile e Paraguai.

 

 

Tem início o VII Congresso Nacional das Rádios Comunitárias

Tem início hoje, às 14 horas (horário de Brasília), no auditório do Museu Nacional, logo após a aprovação do Regimento Interno e a instalação da Mesa Coordenadora e a Comissão Eleitoral, o VII Congresso Nacional da Associação Brasileira de Radiodifusão Comunitária (Abraço) que traz como novidade nesta edição o Coletivo Nacional de Mulheres das Radcom´s do Brasil, estando previsto, inclusive, um debate sobre a participação política as mulheres e a incorporação das questões de gênero, raça e etnia nas programações das rádios comunitárias, sob a responsabilidade da “ONU Mulheres”.

O VII Congresso da Abraço, que tem encerramento programado para as 20 horas de amanhã (21) logo após a posse da nova Direção Executiva Nacional e dos Conselhos Fiscal e de Ética, terá a participação de delegados de 23 Estados mais o Distrito Federal, um universo de cerca de 400 pessoas que, além de eleger os novos diretores e conselheiros, estarão discutindo, entre outros temas, o papel das Radcom´s na construção de uma comunicação democrática no Brasil; na valorização da cultura local, a questão de gênero e a participação das mulheres; grade de programação; software livre e inclusão digital.

A diretoria da Abraço Nacional informa também já está confirmada a presença de parlamentares federais como a deputada federal Luiza Erundina e de várias autoridades ligadas aos setores de comunicação, inclusão social, ciências e tecnologias, além de representantes de movimentos sociais como o MST, FNDC, Intervozes.

O VII Congresso Nacional da Associação Brasileira de Radiodifusão Comunitária é uma produção da Agência Abraço com o apoio do Ministério da Ciência e Tecnologia, Fundação Banco do Brasil, Conselho Federal de Psicologia, CUT,ONU Mulhers, Embrapa e Sindicato do Professores do Distrito Federal.

Participe da entrevista com Julian Assange

O Blog Wikileaks / Carta Capital está organizando uma entrevista colaborativa com Julian Assange, fundador do WikiLeaks exclusiva para o público brasileiro.

Para sugerir uma pergunta é preciso enviar um comentário no blog assinado pela Natalia Viana, até as 18 horas da próxima sexta-feira, dia 21 de janeiro, incluindo nome completo e e-mail para contato.

Dez perguntas selecionadas serão respondidas por Julian e publicadas em diversos sites na internet, inclusive neste Observatório.