Globo deve ter poderes de acionista limitados na Net

Esta semana, a Anatel deve votar o pedido de anuência prévia para a transferência do controle acionário da Net Serviços para a Embratel. Segundo fontes da Anatel ouvidas por este noticiário, não deve haver nenhuma dificuldade à aprovação, mas alguns termos do acordo de acionista entre Globo e Embratel terão que ser modificados, alterando alguns direitos que o grupo Globo tem hoje na condição de acionista da operadora de cabo. Entre esses direitos estão todos aqueles que caracterizam controle pela Resolução 101/99 da Anatel. Ou seja, a Globo terá que abrir mão de participar do conselho de administração, e terá algumas prerrogativas de voto limitadas.

Por exemplo, a Globo tem hoje, pelo acordo de acionistas vigente, garantia de voto afirmativo (precisa concordar) nas decisões que digam respeito ao cancelamento dos registros de ações da Net e, mais importante, tem voto afirmativo nas alterações contratuais com partes relacionadas à própria Globo (programação Globosat, por exemplo); contratos referentes à aquisição e distribuição de conteúdos brasileiros pela Net; e contratos referentes à aquisição de conteúdos dos grupos Cisneros e Televisa. O grupo pretendia manter alguns desses poderes como acionista da Net Serviços, mesmo que já sem o controle acionário e com uma participação diminuta no capital total (algo em torno de 10%).

Mas como o voto afirmativo é uma forma de poder de veto, a existência desse tipo de mecanismo é claramente caracterizada como controle pela Resolução 101/99 da Anatel, e a agência dificilmente abrirá qualquer tipo de exceção à aplicação da regra, já que ela tem sido um dos principais instrumentos normativos da agência em todas as disputas societárias e anuências prévias analisadas até hoje. Ou seja, a análise de que essas questões deveriam ser vistas à luz da Lei das S/A (em que os vínculos de controle não são tão detalhados) não deve prosperar no conselho da agência. E como a Lei 12.485/2011, que criou o Serviço de Acesso Condicionado, proíbe que empresas de comunicação tenham o controle sobre empresas de distribuição, como é o caso da Net, uma mudança nos acordos de acionista é praticamente certa. Segundo fontes do grupo Globo, a intenção era convencer a Anatel a olhar para o caso sob o prisma da Lei das S/A, e que se isso não acontecesse as condições de permanência na Net seriam reavaliadas.

Mas as mudanças não devem ser imediatas. Primeiro, porque a lei dá até setembro (12 meses após entrar em vigor) para que as restrições de controle cruzado sejam cumpridas. A Anatel deverá estabelecer em que condições, dentro desse prazo, as mudanças deverão ser feitas.

A indicação será importante para os outros casos de transferência de controle decorrentes da mesma limitação. Entre os mais notórios estão a presença da Bandeirantes no controle da TV Cidade; do grupo radiodifusor ORM em operações de TV paga no Pará; da família Magalhães, controladores da TV Bahia, em operações de TV paga no estado; dos Jereissati em operadoras do Ceará; e do empresário Silvio Santos na TV Alphaville, entre outros casos menos impactantes. São todas situações em que empresas de radiodifusão controlam empresas de distribuição, o que agora é proibido por lei.

Para programadora, Ancine deve rever definição de independente

O novo regulamento da Ancine para os Serviços de Acesso Consicionado (SeAC), em consulta pública até o dia 3 de março, traz diversos incentivos, antes inexistentes, para produtores e programadores independentes, o que deve acabar com o bloqueio do acesso dessas pequenas empresas ao mercado de TV paga no Brasil. É o que afirma Tereza Trautman, diretora da Conceito A em Audiovisual, programadora que trabalha exclusivamente com produções nacionais independentes.

“O programadora independente até agora não tinha nenhum estímulo, esse é o primeiro”, disse Tereza em entrevista ao Tele.Síntese nesta segunda-feira (23). “É um grande avanço por parte da Ancine”. Além das cotas de conteúdo nacional, a Instrução Normativa publicada na quinta-feira pela Ancine também prevê que ao menos um terço de todos os canais brasileiros de espaço qualificado de um pacote devam ser de programadoras independentes.

No entanto, Tereza critica o fato da definição de uma programadora independente não ser tão restritiva quanto a de produtoras independentes, que não permite que a empresa seja “controladora, controlada ou coligada a programadoras, empacotadoras, distribuidoras ou concessionárias de serviço de radiodifusão de sons e imagens”. A determinação para programadoras exclui distribuidoras e concessionárias da restrição, o que classifica empresas como a Globosat também como independentes.

“Se para as produtoras tem a restrição, para as programadoras deveria ser igual. Esperamos que durante a consulta pública, isso se defina melhor”, afirmou a executiva, que afirma que programadoras menores sofrem não apenas com a concorrência de empresas maiores como também do bloqueio que existe entre as grandes operadoras. Ela lembra, no entanto, que o regulamento da Ancine prevê ao menos um canal brasileiro em todos os pacotes de TV paga que não seja vinculado a uma concessionária de radiodifusão, como no caso da Globosat.

A Conceito A em Audiovisual é a programadora responsável pelo canal CineBrasilTV, que é dedicado à produção audiovisual independente nacional. “Já estamos quase em todas as operadoras, mas apenas em pequenas praças”, afirma Tereza. O canal está presente em 12 das 27 capitais do país (em Curitiba, São Paulo e Florianópolis pela TVA), o que não inclui mercados mais competitivos como Rio de Janeiro e Brasília.

Em resposta à Justiça, ProTeste diz que ato da Anatel é ilegal

Em novo round da disputa sobre os bens reversíveis que a ProTeste trava com a Anatel na Justiça, a associação que defende os direitos do consumidor argumenta que a agência adotou um subterfúgio ilegal para flexibilizar as regras para alienação de bens. Trata-se da Portaria 1263 de 29 de novembro de 2010, que delega ao superintendente de serviços públicos competência para aprovar as alienações, substituições e onerações de bens reversíveis.

De acordo com a advogada da ProTeste, Flávia Lefèvre Guimarães, o disposto na Portaria está previsto na atualização do regulamento de bens reversíveis que a Anatel colocou em consulta pública em 2010. Por isso, ao colocar as regras ( ou pelo menos parte delas) em vigor por meio da Portaria, a Anatel comete um ato ilegal. "Toda vez que a Anatel quiser adotar qualquer ato de natureza normativa ele tem que ser submetido à consulta pública. Se isso (o conteúdo da portaria) está na consulta pública eles não podem adiantar isso. Trata-se de um vício sério do ato admistrativo", afirma ela.

A ação impetrada pela ProTeste pede que a Anatel apresente um inventário com os bens reversíveis de cada uma das concessionárias do STFC e pede ainda que seja declarado inconstituicional o novo regulamento de bens reversíveis que a agência pretende aprovar. Pelas regras propostas em consulta pública, as concessionárias poderiam alienar sem a anuência prévia da Anatel bens de até R$ 1 bilhão. A ProTeste sustenta, contudo, que a LGT é clara ao determinar que toda e qualquer alienação de bens reversíveis deve ter o aval do órgão regulador.

Sem controle

Flávia diz ter encontrado movimentações "obscuras" em relação à cadeia societária das concessionárias, o que, na visão dela, dificulta o acompanhamento eficiente dos bens reversíveis. Em primeiro lugar, os contratos de concessão foram assinados com empresas distintas daquelas que foram privatizadas. Isso aconteceu porque, na época, na cisão da Telebrás, foram criada empresas (as Participações SA) para controlarem as concessionárias. Posteriormente a concessionária foi incorporada pela controladora – a Participações SA -, o que na visão da ProTeste contribuiu para que a Anatel tenha perdido o controle dos bens vinculados à concessão.

A Proteste também chama a atenção para o fato de haver numerosos imóveis registrados no CNPJ da empresa que, pela incorporação, foi extinta de acordo com a Lei das S/A. Não se saberia, segundo a advogada, se as atuais concessionárias incorporadoras estariam contabilizando esses imóveis nos seus balanços e nas bases de cálculo para o imposto de renda. Além disso, a associação questiona como se poderá distinguir os bens vinculados à concessão dos demais e como reverter ao final da concessão imóveis que não estão registrados em nome das atuais concessionárias. "Como fica o controle do bem que está registrado em nome de uma empresa que não existe mais?", questiona a advogada. Confira a réplica da ProTeste na home page do TELETIME.

Sociedade rejeita pedido da Oi contra regras de qualidade na banda larga

A Consulta Pública lançada pela Anatel no último dia 16/01 para a população se manifestar sobre o pedido da TNL PCS (Oi) de anulação de obrigações de qualidade previstas pelo Regulamento de Gestão da Qualidade do Serviço de Comunicação Multimídia (RGQ-SCM) recebeu, em apenas sete dias, um total de 40 manifestações. Curiosamente – a maioria delas, algumas repetidas por usuários, -foi de descontentamento. Não há, até agora, nenhuma defesa ou argumento que corrobore o pedido da operadora.

O descontentamento é geral e não apenas contra o teor da proposta da operadora. Há também reclamações quanto aos serviços das empresas de telefonia e críticas ao fato de a Anatel ter aceitado a solicição da Oi, o que poderá atrasar o início da vigência das metas previstas para o final deste ano.

"Anulação já da TNL", escreveu no último dia 16, o usuário Dario Marcos Peixoto de Oliveira alegando em sua justificativa que isso iria "contra o direito" dele. "Sou a favor de critérios mínimos e qualidade mínima de serviços. É necessário controle de qualidade. As empresas prestadoras de serviços devem manter o mínimo de qualidade", opinou da mesma forma o usuário Douglas Lourenço Caetano, no dia 17 deste mês.

Já o representante do "Instituto Bem Estar Brasil", Marcelo Rodrigues Saldanha da Silva, comentou nesta segunda-feira, 23/01, que, mesmo constando no Regimento Interno, a Anatel, em seu procedimento de consulta pública, como órgão regulador tem de cumprir o papel do Estado de garantir serviços essenciais 'em regime público". Para ele,"a Oi está fazendo o papel dela de resguardar seu objetivo, que é o lucro, reduzindo gastos e investimentos desnecessários".

Em alguns casos, usuários mais esclarecidos tentam comprovar que as metas de qualidade da Internet propostas pela própria Anatel – mas que,agora, sofrem reclamações e pedido de anulação por parte da Oi -estão dentro dos parâmetros que regem os tratados internacionais sobre Direitos Humanos.

"O Regime Privado para regulamentação da banda larga ADSL, quer da banda larga móvel, no modo como vem sendo regulamentado representa, sim, vício de motivação e vício de finalidade, aplicação política da Lei por parte da ANATEL visando favorecer as operadoras. Isto posto, demonstra que o pleito da OI, além de falacioso, inconsistente, visa, se acatado, colocar o Brasil na condição de mais um ilícito internacional".

A Banda Larga é um Direito Humano Protegido pela Convenção Americana Sobre Direitos Humanos. Logo é incompatível com os princípios mercantilistas do regime privado atualmente vigente na Banda Larga, exigindo a imediata passagem para o Regime Público", argumentou Ramiro Carlos Rocha Rebouças em sua manifestação do dia 17.

A consulta pública segue até às 24h do dia 1º de fevereiro de 2012. As manifestações encaminhadas por carta devem ser dirigidas à Anatel no endereço a seguir indicado, até às 18h do dia 1º de fevereiro de 2012.

Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel)
Consulta Pública nº 2/2012, de 13 de janeiro de 2012
SAUS – Quadra 06 – Bloco F – Térreo – Biblioteca
70070-940 – Brasília – DF.

Fórum de Mídia Livre pauta a comunicação independente

A construção de políticas públicas para mídias livres, a busca de uma rede social livre e o debate sobre as revoluções árabes serão temas do III Fórum de Mídia Livre (FML). O evento acontece em Porto Alegre nos dias 27 e 28 de janeiro, durante o Fórum Social Temático, e traz também discussão sobre o software livre, apropriação tecnológica e a regulação da mídia.
 
“O evento será um importante espaço para debater políticas de comunicação para veículos alternativos, nesse se inserem rede de blogs, rádios comunitárias e plataformas de software livre, objetivando sempre políticas que assegurem o acesso, apropriação tecnológica e direito humano e universal”, afirma Rita Freire, da Ciranda Internacional da Comunicação Compartilhada.

Organizado por entidades da sociedade civil e veículos alternativos, a terceira edição do evento servirá como preparatória para a sua versão internacional, o II Fórum Mundial de Mídias Livres (FMML), que ocorrerá em julho durante a Cúpula dos Povos na Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento sustentável (RIO+20).   

A grande novidade da terceira edição do FML é o debate sobre a mídia e as revoluções árabes, contado com a presença de entidades internacionais como Ejoussour, organização civil do Marrocos que luta pela construção da democracia na região, e por iniciativas de mídia da Palestina. “O painel busca promover o intercâmbio e fortalecimento da discussão sobre mídia livre. Como a discussão lá fora está muito forte, devido ao contexto político desses povos e o processo de construção da democracia, achamos importante a criação desse painel ”, aponta Bia Barbosa, integrante do Intervozes.

Redes sociais livres

Nas discussões sobre apropriação tecnológica estará proposta a construção de uma grande rede social baseadas em software livre para os movimentos sociais. A ideia é criar uma rede autônoma que facilite a organização dos militantes. “As redes  mais utilizadas estão atreladas a empresas privadas, assim os movimentos sociais ficam à mercê dos interesses mercadológicos, pois as empresas podem retirar páginas coletivas do ar, por divergências ideológicas ou qualquer outro motivo”, afirma Bia.

O FML

O Fórum nasceu para como espaço de articulação de iniciativas de mídia livre e debate sobre o direito à comunicação. A primeira edição do Fórum aconteceu no Rio de Janeiro, em 2008. O evento foi um dos articuladores do primeiro Fórum Mundial de Mídia Livre (FMML), ocorrido no Pará, antes do início do Fórum Social Mundial em Belém. Já a segunda edição nacional do FML ocorreu em Vitória (ES), em 2009.

Conexões Globais

Concomitantemente ao FML, dividindo o espaço físico e com uma proposta mais interativa, acontecerá o Conexões Globais, evento que procura promover o diálogo sobre as formas de ativismo social na era da internet.

O Conexões contará com oficinas, webconferências, shows de música, lançamento de livros e atrações artísticas, atividades que terão em comum o apoio a cultura digital. Temas como direitos humanos e civis na internet e direito autoral estarão em discussão. “O evento é uma celebração a cultura digital e hacker, aos ativistas e protagonistas das novas formas de mobilização”, afirma Marcelo Branco, organizador das atividades.

O intercâmbio com os movimentos que tiveram destaque em 2011 ocorrerá por meio de webconferência com ativistas da Espanha, Chile, países arábes, entre outros. “Teremos também uma webconferência com um ativista de Tóquio, onde ele debaterá o acesso à informação no vazamento de Fukushima. O Governo e a grande mídia ofuscavam os acontecimentos, mas as mídias sociais tiveram um papel fundamental de denunciar a gravidade do problema”, aponta Branco.

Confira a programação do III Fórum de Mídia Livre no site  http://www.forumdemidialivre.org e a programação do Conexões Globais no site http://conexoesglobais.com.br .