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Conselheira da Anatel defende banda larga como serviço público

Banda larga como serviço público, para atender a órgãos, políticas e programas públicos. Segundo a conselheira da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) Emília Maria Ribeiro, esta idéia não só é conceitualmente lógica, como tecnicamente possível. "A infra-estrutura já existe", defendeu, durante o Futurecom 2008, evento realizado de 27 a 30 de outubro em São Paulo (SP). Bastaria, segundo ela, que o governo federal encaminhassem pedido formal para que a Anatel regule o assunto.

De acordo com a conselheira, vive-se um outro momento, em que o impacto das tecnologias e da necessidade de transmissão de dados é violento e rápido. Dentro desta realidade, a disponibilidade de acesso para órgãos públicos seria essencial e ajudaria nas diversas funções públicas. "A transmissão de dados já é uma necessidade", acredita Emília. "Sua implantação hoje é emergência", completa.

Segundo ela, conexão é uma necessidade do coletivo e de governos. No caso do acesso dos cidadãos, a Anatel não vai modificar regras, senão o mercado fica engessado, comenta Emília. Porém, nos casos de governos, já há vários projetos em que os municípios e estados disponibilizam transmissão de dados, lembra a conselheira, referindo-se aos projetos de cidades e estados digitais.

Alguns deles são feitos em parceria e/ou através de programas do governo federal, como os telecentros do Ministério das Comunicações, as redes de Telessaúde orquestradas pelo Ministério da Saúde, entre outros. Caso mudem o governo e seus programas, "muitas das nossas prefeituras não têm condições econômicas para manter esses serviços [baseados em transmissão de dados]", ressalta Emília.

É neste contexto que ela aponta como importante a idéia de estabelecer redes públicas de banda larga, "para dar continuidade a esses serviços, entre governo ou saia governo, como foi feito com a telefonia fixa". A estrutura, segundo a conselheira, já estaria estabelecida, especialmente com a troca de obrigações das teles, acordada em abril deste ano entre a Anatel e as concessionárias de telecomunicações, que não precisam mais instalar Postos de Serviços Telefônicos (PSTs) e, sim, backhauls de banda larga chegando até a "porta" de todos os municípios brasileiros. "Já temos uma estrutura pronta para atender as necessidades básicas da população", conclui.

Órgão chileno mostra que 60% dos programas infantis apresentam algum tipo de violência

O Conselho Nacional de Televisão do Chile, um órgão autônomo criado pela legislação daquele país, mostrou no Chile Media Show, que acontece nos dias 3 e 4 em Santiago, uma pesquisa sobre a programação infantil local. Segundo o órgão, 63% dos programas voltados ao público infantil que passam nas televisões chilenas apresentam algum tipo de violência. A pesquisa, foi realizada em 2007 e complementada em 2008.

Soledad Suit, do CNTV, conta que o conselho analisou a programação infantil dos sete canais abertos do país e de outros sete da televisão paga. Esses últimos são basicamente os canais que estão presentes em toda a América Latina e, portanto, também no Brasil. O dado mais impressionante é que foi constatada a presença de violência em 63% dos 297 programas analisados.

Esse resultado é completado com o da pesquisa feita em 2008, que aponta que na opinião dos adultos entrevistados, a violência nos programas é a principal razão para a insatisfação com a programação infantil. Foram 61,5 % que deram essa resposta em relação à TV aberta chilena e 70,3% em relação à TV paga.

Ainda no quesito "violência", o conselho analisou os canais de TV paga e concluiu que o canal com maior incidência de violência é o Jetix (em 100% dos programas), seguido de Cartoon Network (86,1%). O que menos apresentou cenas que pudessem incitar a violência foi o Discovery Kids, com 3,8%.
Os programas com maior índice de violência são os asiáticos (91,4%), enquanto os canadenses são menos violentos (35,7%) assim como os europeus (38,5%).

Da mesma forma, foi analisada a presença de condutas socialmente desruptivas (que de alguma forma dificultam a integração social harmônica). 64,6% do total de programas contêm essas condutas, sendo que na TV paga, são 61,3% que as contêm.

Já os conteúdos educativos, estão presentes em 56,7% da TV aberta chilena e em 48,7% da TV paga, com destaque para o Discovery Kids (com 100%), seguido do Nickelodeon (83,3%).

A pesquisa pode ser acessada no endereço www.cntv.cl/medios/Publicaciones/ProgramacionInfantil2006_2007.pdf

Previ admite mudança em data para conclusão do negócio entre Oi e BrT

O presidente da Previ, fundo de pensão do Banco do Brasil, Sérgio Rosa, admitiu ontem, pela primeira vez, a possibilidade de um adiamento na data limite para a conclusão do acordo de compra da Brasil Telecom (BrT) pela Oi. A mudança na data de 21 de dezembro, disse, poderia ser feita mesmo sem o pagamento da multa de R$ 490 milhões. Para o contrato sair do papel, é preciso que a regulamentação do setor seja mudada, permitindo a união entre duas concessionárias de serviços de telefonia fixa.

"Se o negócio continuar fazendo sentido para todo mundo, como eu acho que continua fazendo, tem a possibilidade de prorrogar essa data de validade dos contratos. Essa é uma possibilidade sempre, desde que as duas partes queiram", afirmou o executivo, após participar do 29º Congresso brasileiro de Fundos de Pensão. Segundo ele, a multa foi estabelecida no contrato apenas para evitar que alguma das partes voltasse atrás no negócio. "Ninguém colocou a cláusula de multa pensando em receber aquele dinheiro. Continuamos focados no negócio, e não em receber a multa", disse.

A discussão em relação à data limite foi suscitada pela demora da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) em aprovar as mudanças no Plano Geral de Outorgas (PGO), o decreto que regulamenta o setor. O PGO foi aprovado pelo conselho diretor da agência no mês passado e, ontem, passou também pelo conselho consultivo. A proposta agora seguirá para o governo, que editará um decreto presidencial com as novas regras, eliminando as restrições ao negócio. Mas, depois disso, a Anatel ainda terá de analisar o negócio em si.

Rosa observa que a Anatel, como órgão regulador, tem uma agenda de trabalho de interesse público a cumprir. Mas acredita que o órgão também precisa levar em consideração temas de urgência para o segmento. "Ninguém que regula um mercado de comunicações como esse trabalha sem ter noção das urgências que o próprio mercado coloca. Mas acho que dentro disso, ela vai cumprir suas responsabilidades da melhor maneira possível e acho que faremos o negócio dentro do prazo adequado para as empresas", explicou. O executivo aproveitou para descartar uma renegociação nos termos do acordo.

Relator do PGO no Conselho Consultivo da Anatel é conservador

Com uma postura bastante cautelosa diante da relatoria do Plano Geral de Outorgas (PGO), no Conselho Consultivo da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), Walter Faiad, preferiu não fazer muita polêmica em torno do seu parecer. Tanto que ao tocar nos artigos controversos do plano, como o é, por exemplo, o artigo 6º, que trata da transferência de concessão, Faiad manteve a redação e o teor adotados pelo Conselho Diretor da agência.

O parecer do relator foi divulgado nesta sexta-feira (31), durante a realização da reunião do colegiado, em Brasília, para debater o PGO entre seus membros. Na segunda-feira (3/11), o conselho irá votar sua opinião sobre o plano.

Ele também manifestou em seu parecer que numa eventual fusão da Oi com a Brasil Telecom, os níveis de qualidade dos produtos finais a serem entregues ao consumidor deverão ser mantidos dentro dos padrões atuais. O relator descartou a possibilidade de a supertele vir a apresentar algum retrocesso nesta fase.

Faiad destacou algumas recomendações que não são necessariamente condicionantes para o prosseguimento do PGO, mas que, na sua visão, deveriam ser levadas em consideração pelo Executivo, no caso, pelo Ministério das Comunicações. Entre as recomendações destacam-se:

a) Reforço e aparelhamento da fiscalização da Agência e dos Pados (Procedimento de Apuração de Descumprimento de Obrigações), submetendo-os a um procedimento administrativo mais ágil e capaz de promover a recuperação de débitos, já realizados no âmbito administrativo;

b) Que as concessionárias do STFC atendam às metas de compartilhamento de centrais de pontos de controle e presença de interconexão, desagregação de elementos de rede com precificação transparente, desagregação total de elementos e venda de capacidade de rede (line sharing), tudo na forma da regulamentação editada pela Agência;

c) Adequação do PGMQ (Plano Geral de Metas de Qualidade) à percepção real de satisfação do consumidor, tomando-se como base os procedimentos adotados pelo Departamento Nacional de Defesa do Consumidor PDC/MJ);

d) Que uma eventual empresa resultante de aquisição a partir do novo PGO mantenha, objetivamente, pelo menos, os padrões de qualidade da que melhor se posicionar (dentre as duas), inclusive quanto aos procedimentos de atendimento, níveis de reclamação, sempre em vias de aprimorá-los;

e) Considerando o ambiente de competição, as concessionárias do STFC ficam proibidas de explorar, em sua área de concessão, o serviço de autenticação de usuário e autorização de acesso à Internet, devendo ainda oferecer aos provedores, a preços e condições de mercado, acesso às redes de telecomunicações de suporte necessárias à prestação do serviço ao público geral; e

f) Na forma do artigo 9º, propor que o PGMC (Plano Geral de Metas de Competição) seja editado em prazo não superior a um ano, a se contar da publicação do PGO.

Por fim, embora não faça parte da redação do PGO, mas aproveitando a revisão do plano, Faiad [recomenda], expressamente,que a Anatel, sob o crivo do Ministério Público Federal, aprimore seu aparato físico e humano. Neste quesito, inclusive, o relator do Conselho Consultivo recomenda ainda que a Agência retome o conceito de modicidade tarifária e promova o acesso de consumidores de baixa renda aos serviços de telefonia fixa.

Direção e funcionários fazem primeira rodada de negociação, mas não fecham acordo

A comissão de funcionários se reuniu, na última sexta-feira (31), com a direção da Empresa Brasil de Comunicação (EBC) para a primeira rodada de negociações após a suspensão da greve. Das cinco cláusulas pendentes, chegou-se ao entendimento em duas: reajuste de 7,1% para todos os empregados da empresa e a aplicação do mesmo índice para o piso salarial, que passa de R$ 1.664 para R$ 1.761 nos cargos de nível superior e de R$ 763 para R$ 817 para os de nível médio.

As duas propostas já tinham sido apresentadas pela direção e foram apenas ratificadas. No próximo encontro, que será realizado amanhã, serão discutidos os abonos salarial, de faltas e social. Sobre o primeiro, a empresa oferece R$ 1.300 para todos os funcionários. O valor foi questionado e será decidido após reunião com o Ministério do Planejamento, que será realizada na tarde de hoje.

Quanto ao abono de faltas, a direção propõe a modificação do texto do abono social, mantendo os cinco dias anuais, mas limitando o uso de apenas dois em um mês. Os funcionários querem a manutenção do texto atual.

O presidente do Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Distrito Federal, Romário Schettino, confia no sucesso das negociações e considera difícil uma nova paralisação. Ele informa que a motivação da greve era a proposta da direção de discutir em conjunto o acordo coletivo de trabalho com a implantação do novo plano de cargos e salários.

“A idéia é fechar o acordo amanhã (4), para discutir a proposta da empresa em assembléia na quarta-feira (5). Se a assembléia rejeitar, voltam às negociações. Eu acho difícil uma nova paralisação”, diz Schettino.

Na última quarta-feira (29/10), os funcionários da EBC realizaram paralisação que durou um dia. Ela foi suspensa até a próxima assembléia, marcada para esta quarta.