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Justiça nega proibição de divulgação de informações

Por entender que um Mandado de Segurança tinha o objetivo de censurar previamente a imprensa, o Tribunal Regional Federal da 4ª Região negou o pedido para proibir a divulgação de dados da Operação Moeda Verde. A proibição de divulgação foi requerida pela defesa de um dos suspeitos presos durante a operação da Polícia Federal, em Florianópolis.

“Não obstante o regramento do sigilo das comunicações telefônicas, previsto pela Constituição no artigo 5º, inciso XII, também não há como impor à imprensa prévia censura, ainda que em nome da preservação do caráter reservado da matéria”, afirmouo desembargador federal Luiz Fernando Wowk Penteado. De acordo com ele, não há provas do efetivo vazamento de informações ou de registros que deveriam ser tratados com reserva. Para o desembargador, o objetivo do pedido seria prevenir futuras divulgações.

A Vara Federal Ambientalde Florianópolis já havia respondido ao requerimento neste sentido. Segundo o juiz federal substituto Zenildo Bodnar, “vivemos num Estado Democrático em que o princípio da liberdade de informação, desde que correta e verdadeira, não pode ser censurado sob a presunção de que estas estariamsendo veiculadas em contrariedade à ética profissional dos jornalistas ou a preceitos legais incriminadores, os quais, a princípio, não são sequer aplicáveis a esses profissionais”.

Os advogados do acusado queriam a suspensão da veiculação pela imprensa de dados sigilosos relativos às investigações da PF, bem como a determinação de busca e apreensão das fitas já divulgadas pelos veículos de comunicação. O material obtido nas interceptações telefônicas é sigiloso e os direitos dos investigados estariam sendo violados pela excessiva exposição na mídia. Conforme os advogados, não é a liberdade de expressão que está em questão, mas a violação de uma ordem judicial.

Quanto ao possível vazamento de informações, o desembargador do TRF-4 entendeu que o juiz de primeiro grau “não agiu de forma a violar direito líquido e certo do impetrante, visto que determinou a abertura do inquérito policial para apurar eventual prática de infração penal”.

Nova reunião com emissoras deixa secretário otimista

Brasília – O secretário Nacional de Justiça, Antônio Carlos Biscaia, afirmou hoje (24) que o Ministério da Justiça quer chegar a um consenso com a Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e TV (Abert), e com outras entidades da sociedade civil, sobre a portaria que regula a classificação indicativa de programas de televisão. O secretário se reuniu com representantes da Abert e de emissoras. 'A reunião foi muito boa, no sentido de que ela revela que chegaremos a um entendimento', disse Biscaia.

Biscaia e os representantes da televisões discutiram pontos da portaria que aindanão são consenso. Um deles é o padrão de veiculação dos símbolos da classificação. Outro é o artigo 19, que vincula as categorias de classificação ao fuso horário. Este ponto, de acordo com o Ministério da Justiça, não deve ser discutido, pois aguarda decisão tanto do Superior Tribunal de Justiça (STJ) como do Supremo Tribunal Federal (STF), em relação a ações apresentadas pela Abert e pela Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), respectivamente. Na reunião de hoje a Abert não apresentou sugestões pontuais. 'As sugestões concretas serão apresentadas pela Abert e pelas demais emissoras', informou Biscaia. O prazo para o envio é 4 de junho.

O secretário informou que na próxima semana está marcada uma reunião com representantes do Ministério Público e de entidades de proteção aos direitos humanos e crianças e adolescentes. 'Depois de ouví-los, e depois de recebermos as sugestões, teremos aí uma possível nova redação de alguns dispositivos', disse Biscaia.

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Conservatória, no RJ, é a mais nova cidade digital

Famosa por sua tradição musical – fielmente cultivada por violeiros e seresteiros de longa data –, Conservatória, distrito de Valença, localizado na região fluminense do Médio Paraíba, foi incluído digitalmente hoje ao receber uma grande rede sem fio de transmissão de dados, voz e imagem em banda larga. A iniciativa possibilitará a interligação entre os órgãos da administração pública, escolas, hospitais, postos de saúde, rodoviária, hotéis, pousadas e espaços culturais do distrito, além de permitir a construção de laboratórios públicos de inclusão digital para a população.

O programa marca o lançamento da fase piloto do projeto Município Digital em Valença – já implantado com sucesso nas cidades de Piraí, Rio das Flores e Mangaratiba – e é fruto de uma parceria firmada entre o Proderj (Centro de Tecnologia da Informação e Comunicação do Estado do Rio de Janeiro),a Prefeitura Municipal de Valença, a Cisco, a Vertotech, a Metasys, a Associação de Prefeitos Municipais do Estado do Rio de Janeiro (Apremerj), as secretarias estaduais de Educação e de Desenvolvimento Econômico, a Casa de Cultura de Conservatória e a equipe de coordenadores do projeto PiraíDigital.

Ao todo, foram investidos cerca de 600 mil reais na empreitada. A expectativa é de que a inclusão digital de Conservatória contribua para a modernização da gestão pública local e para o desenvolvimento econômico e social do distrito, impulsionando a consolidação do primeiro Arranjo Produtivo Local (APL) de Entretenimento do Brasil, que deverá ser implementado na região em 2009. A idéia inicial é transmitir as tradicionais serestas de Conservatória por meio da internet, disseminando o patrimônio cultural e aumentando o fluxo turístico do distrito, que tem no turismo cultural sua principal atividade econômica. “No caso específico de Conservatória, existe a intenção de aproveitar os recursos tecnológicos para preservar o patrimônio cultural e a tradição das serestas e serenatas. Queremos agregar tecnologia para ajudar o desenvolvimento do APL de entretenimento, atraindo jovens para a seresta, principal atividade cultural do distrito. Investir na renovação dos seresteiros é importante para evitar que a tradição da cultura local seja extinta”, explica Tereza Porto, presidente do Proderj.

Apesar de ser uma replicação das experiências já implantadas em outros municípios fluminenses, o Conservatória Digital possui o diferencial de utilizar o padrão wireless Mesh, tecnologia que estabelece interconexões sem fio entre antenas, capaz de interligar pontos separados por barreiras geográficas, ampliando dessa forma a área de cobertura doserviço, com ótima relação custo-performance e instalação rápida e fácil.

Relatório critica distribuição de tecnologia digital no Brasil

O Brasil tem uma estrutura de tecnologias de informação e comunicação (como telefonia e acesso à internet) boa, mas muito mal distribuída pelo território e entre a população do país, segundo relatório preparado pela Association for Progressive Communication (Associação para a Comunicação Progressiva) e pelo Instituto do Terceiro Mundo.

O estudo, intitulado Monitor da Sociedade Global de Informação (Global Information Society Watch), diz que o "abismo digital" – o acesso desigual à tecnologia, que deixa grande parte da população fora do mundo digital – é um problema comum aos países em desenvolvimento. 

Das 22 nações analisadas no relatório divulgado em Genebra, apenas a Espanha – que também é o único país rico da lista – tem a tecnologia distribuída de maneira equilibrada por toda a população e território.  

No caso do Brasil, o relatório diz que houve um efetivo aumento na infra-estrutura de comunicações desde a privatização do sistema Telebrás mas que o atendimento da população mais pobre continua muito limitado. O capítulo sobre o Brasil foi preparado pela ONG brasileira Rede de Informações para o Terceiro Setor (Rits). 

Privatização 

Embora reconheça que a privatização da telefonia ajudou na modernização do setor, o estudo diz que os ganhos tecnológicos não foram distribuídos de maneira equilibrada.“Apesar de a telefonia fixa ter sido efetivamente ampliada, os objetivos de prestação de serviço universal que estavam presentes nos contratos de concessão não foram atingidos”, diz o documento.  

No caso dos pontos de acesso à internet instalados pelo governo em escolas e centros comunitários, o estudo destaca que os equipamentos estão em 37% dos municípios brasileiros e em todos os Estados do país.“No entanto, a escolha de muitas das escolas para a instalação dos pontos de acesso acabou parcialmente prejudicada por questões políticas”. 

“Mais de 2,4 mil municípios (dos cerca de 5,5 mil que há no Brasil) estão sendo ignorados pelas empresas privadas de telefonia e de internet. Estas cidades têm apenas serviços de telefonia fixa (porque as telefônicas são obrigadas a fazê-lo), mas não têm telefonia celular e nem acesso à internet.” 

Infra-estrutura 

O relatório diz que o governo brasileiro tem que ser mais ativo na instalação de infra-estrutura em áreas mais isoladas e garantir o acesso à tecnologia de populações pobres nas áreas urbanas. 

Entre as sugestões estão “garantir pelo menos acesso compartilhado a computadores em áreas urbanas pobres” e “priorizar apoio efetivo a iniciativas de inclusão digital” nas áreas rurais. O relatório também diz que legislação tem que ser criada para impedir que a cartelização do setor de comunicações atrapalhe o desenvolvimento e “satisfaça apenas o mercado”.

Ministério Público pede a liberação de rádios comunitárias

O Ministério Público Federal, o Intervozes – Coletivo Brasil de Comunicação Social e outras quatro organizações da sociedade civil ingressaram esta semana, em São Paulo, com Ação Civil Pública pleiteando que a União e a Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações) permitam o funcionamento provisório das rádios comunitárias cujas associações aguardam há mais 18 meses a autorização de uso de uma faixa de freqüência. Apesar da ação se basear na situação paulista, o pedido reivindica que os efeitos se estendam a todo o país.

De acordo com os autores da ação, a iniciativa jurídica busca defender o direito à comunicação de milhares de associações comunitárias, negligenciado pela União. Durante dois anos, o MPF e as associações investigaram a situação do serviço de outorga de radiodifusão comunitária prestado pelo Ministério das Comunicações e concluíram que tanto a União quanto a Anatel postergam, para muito além do prazo razoável exigido pela Lei, a apreciação dos pedidos de autorização de funcionamento dessas rádios. 

Segundo o processo, há mais de duas centenas de requerimentos aguardando há quase uma década a manifestação da União. O prazo médio de conclusão do processo administrativo é de 3,5 anos. No Estado de São Paulo, 145 municípios jamais foram contemplados com o Aviso de Habilitação, ato necessário ao início do processo de outorga. Em todo o Brasil, são mais de 3.300 Municípios sem uma única rádio comunitária.

Apesar do número de servidores encarregados da análise dos processos ser irrisório (apenas 16 funcionários para avaliar cerca de 7.000 pedidos), o procurador da República Sérgio Suiama, avalia que o governo federal não pode alegar que não possui recursos humanos para fazer o trabalho de avaliação e expedição dos avisos de habilitação. “O papel do Estado não é justificar a não efetivação de um direito, mas garantí-lo. No momento em que se reconhece que a comunicação é um direito, afirma-se que é  dever do Estado provê-lo e não é razoável que se espere de quatro a cinco anos para obter uma outorga”. Para o procurador, a ação não pede uma multa ou punição à União, apenas propõe que, enquanto o Estado não toma uma decisão, as rádios funcionem de maneira provisória. “O judiciário deve apontar um remédio eficaz para o fato do Estado não estar provendo um direito fundamental”, afirma Suiama.

Eduardo Ariente, um dos advogados das organizações parcerias do MPF na ação, defende que os direitos precisam ter concretude, ser úteis à população, "caso contrário eles de nada servem", afirma. "O direito à comunicação não pode ser compreendido como uma mera liberdade formal, mediante a qual somente quem possui dinheiro e influência perante os poderes oficiais pode prevalecer. São necessárias medidas governamentais através das quais a comunicação popular seja garantida e incentivada para que o espectro eletromagnético, que é um espaço público, da coletividade, possa ser usado por uma maior quantidade possível de interessados", diz o advogado.

Velocidade X Morosidade

Outro aspecto levantado pela ação é que a ineficiência do serviço de autorização de funcionamento de rádios comunitárias contrasta com a eficiência com que é feita a repressão às rádios não autorizadas. Entre 2002 e 2006, 9.449 rádios de baixa potência (com freqüência inferior a 25 watts), foram fechadas por agentes da Anatel, em todo o Brasil.  Somente no primeiro semestre de 2006, foram fechadas, em média, 10 rádios comunitárias por dia, totalizando 1.800 lacres de janeiro a junho deste ano.  Emissoras cujo trabalho social é referência em todo o Brasil – como as rádios Laúza (BA), Novo Ar (RJ), Heliópolis (SP) e Alternativa (RN) – foram fechadas de forma arbitrária e truculenta, com suas lideranças sendo vítimas de perseguição política, materializada na forma de processos judiciais que criminalizam aqueles que se dispõem a exercer, na prática, o direito à comunicação. 

Ariente ressalta que os procedimentos administrativos precisam ser céleres e impessoais para responder satisfatória e eficazmente aos anseios da sociedade. "Isso, infelizmente não vem ocorrendo.  Na medida em que somente 16 funcionários do Ministério das Comunicações são responsáveis pela análise de cerca de 7.000 procedimentos e o Poder Público fecha rádios em velocidade 2,5 vezes superior àquela que realiza outorgas, alguma coisa está errada. É justamente isso que a Ação Civil Pública pretende realizar: a exigência de uma razoável duração dos procedimentos de outorga dos serviços de radiodifusão comunitária perante o Ministério das Comunicações e a efetiva aplicação da Lei 9612/98", afirma o advogado. 

A ação é baseada em reiteradas decisões do Superior Tribunal de Justiça favoráveis ao funcionamento provisório das rádios, em razão da excessiva demora na apreciação dos pedidos de autorização por parte da União. Com a Ação Civil Pública, o Ministério Público Federal pretende estender os efeitos das decisões individuais do STJ a todas as associações comunitárias que formularam requerimento ao Ministério das Comunicações e que aguardam resposta há mais de 18 meses, garantindo o funcionamento das rádios até a conclusão definitiva dos respectivos processos administrativos.

A elaboração da Ação não se restringiu aos MPF e aos demais autores da ação. Outras instituições que colaboraram com o processo, como a Amarc (Associação Mundial de Rádios Comunitárias) e a Oboré, além de alguns parlamentares paulistas, não  assinaram o texto por especificidades legais exigidas nesse tipo de ação. Apesar disso, as organizações reconhecem na relação com o Ministério Público Federal a possibilidade de geração de  frutos relevantes para  a sociedade no que se refere à garantia e efetivação do direito à comunicação. “O diálogo possibilitou a construção de uma inédita ação em defesa das rádios comunitárias e do direito à comunicação. Permitiu, além disso, que todos os envolvidos ampliassem seus conhecimentos em relação aos vários temas envolvidos, seja do ponto de vista jurídico, político ou social”, afirma Antonio Biondi, jornalista e integrante do Intervozes. 

A ação é subscrita pelos procuradores da República Sergio Gardenghi Suiama (PR-SP) e Fernando de Almeida Martins (PR-MG), ambos integrantes do GT de Comunicação Social do Ministério Público Federal. Assinam também a ação os advogados Eduardo Altomare Ariente e Anna Cláudia Pardini Vazzoler que representam as entidades co-autoras: Intervozes – Coletivo Brasil de Comunicação Social, Sinerc – Sindicato das Entidades Mantenedoras do Sistema de Radiodifusão Comunitária do Estado de SP, ANCARC – Associação Nacional Católica de Rádios Comunitárias, Grupo Tortura Nunca Mais e FNDC – Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação  

Para acessar o texto completo da Ação Civil Pública, clique aqui.

 * Com informações da Assessoria do Ministério Público Federal.

 

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