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Encontro em Brasília definirá bases para Conferência Nacional

Na próxima semana, organizações da sociedade civil, movimentos sociais, pesquisadores e parlamentares se reúnem em Brasília para discutir um novo modelo para as comunicações no Brasil. Objetivo é construir conferência nacional de forma participativa e democrática.

Partindo do princípio que um novo modelo de comunicação é condição para avançar na direção da plena democracia, da inclusão social e da concretização dos direitos humanos, organizações da sociedade civil, movimentos sociais, pesquisadores e parlamentares se reúnem em Brasília na próxima semana no Encontro Nacional de Comunicação. Organizado pelas comissões de Direitos Humanos e Minorias (CDHM) e de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática (CCTCI) da Câmara dos Deputados, com a participação de diversas entidades do setor, o encontro tem o objetivo de debater um novo modelo de comunicação para o país e avançar na organização da proposta de uma Conferência Nacional de Comunicação.

A conjuntura não poderia ser mais favorável. Neste momento, o Congresso Nacional debate novas leis para o setor. Em poucos meses, o governo federal apresentará sua proposta de implementação de uma nova rede pública de televisão. Antes do final do ano, a TV Digital estará disponível aos telespectadores. A cada dia, a convergência de mídias cria novas formas de emissão e recepção de mensagens. São mudanças significativas que precisam, na avaliação da organização do encontro, ser debatidas e construídas com ampla participação popular.

“Um novo modelo de comunicação é condição para avançarmos rumo à democracia. Assim como em outros setores, temos que ampliar a participação popular nas decisões sobre a comunicação. A convergência tecnológica pode aumentar a concentração de mídia que já existe no Brasil. Então é o momento de a sociedade reivindicar o seu espaço. Isso é condição para a defesa dos direitos humanos”, afirmou o deputado Luiz Couto (PT-PB), presidente da CDHM, durante a videoconferência nacional realizada na semana passada para discutir o encontro. “Todo o debate é em função de entender a comunicação como um direito humano. É o início de um processo que deve culminar na 1a Conferência Nacional de Comunicação”, explicou.

A realização da videoconferência preparatória para o evento deu uma boa medida do que se pode esperar do Encontro Nacional na próxima semana. Cerca de 250 pessoas, reunidas em 18 estados (CHECAR), trataram da mobilização para a ida à Brasília e levantaram os principais temas que devem ser discutidos nos dois dias de debate. Em dois dias de inscrição aberta pela comissão organizadora, já foram feitas mais de 230 inscrições, de diferentes campos de atuação da sociedade civil. 

“Tudo isso é muito positivo, porque a diferença do encontro é termos a participação dos movimentos e da sociedade civil como um todo, e não apenas os que já trabalham com comunicação. Todas as vezes que o movimento pela democratização da comunicação partiu para a luta de forma isolada, foi derrotado, mesmo quando tinha o apoio do governo”, avalia Márcio Araújo, secretário da Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara. “A comunicação só vai ser vista como um direito e só conseguiremos avançar na sua exigibilidade quando outros segmentos da sociedade participarem desta luta. É isso que queremos começar a construir com este encontro”, explica Araújo.

Divergência com Hélio Costa

Durante o processo de construção do Encontro Nacional, iniciado há vários meses, o Ministro das Comunicações, Hélio Costa, anunciou à imprensa a realização de uma Conferência Nacional de Comunicação para o mês de agosto. A declaração de Costa provocou estranhamento entre as entidades, já que a definição das bases e do temário da Conferência Nacional do setor é o objetivo principal do encontro.

Elas defendem a realização de uma Conferência com etapas regionais, a fim de recolher contribuições de todos os atores interessados em todas as regiões do Brasil e de estabelecer um processo democrático de eleição de delegados – modelo espelhado no adotado por dezenas de outras conferências setoriais realizadas no governo Lula. E querem a participação da sociedade civil em todas as etapas, com a realização de processos democráticos de debate e garantia de ampla representação do setor na Conferência.

Em uma carta aberta ao Ministro Hélio Costa, as entidades afirmaram a importância da participação do Poder Executivo como principal promotor da Conferência. No entanto, acreditam que o prazo exíguo de dois meses traria “dificuldades para alcançar o objetivo de ser efetivamente um fórum democrático, amplo e participativo, em que sociedade civil, órgãos de Estado, além de empresários e profissionais diretamente envolvidos, pudessem debater e propor as tão necessárias políticas públicas para a comunicação social brasileira”.

A expectativa das organizações é que os dois processos anunciados – pelo Ministério das Comunicações (MiniCom), de um lado, e pela CDHM e CCTCI, de outro – possam convergir para um só objetivo. O diálogo, no entanto, não tem se mostrado fácil. No dia 15 de maio, as comissões de Direitos Humanos e de Ciência e Tecnologia enviaram ao MiniCom um convite para a participação de Hélio Costa na abertura do encontro. Desde então, dezenas de telefonemas para confirmar sua presença foram feitos ao Ministério. Todos sem sucesso.

Um convite foi protocolado na semana passada, assinado pelos presidentes de ambas as comissões. Mas o Ministério das Comunicações não deu retorno. A equipe do Observatório do Direito à Comunicação também procurou a assessoria do MiniCom, mas até o fechamento desta reportagem não teve resposta.

“Temos uma boa expectativa em relação ao encontro da próxima semana, mas temos um grande receio do fato de Hélio Costa ter chamado uma conferência nos moldes diferentes do que acreditamos como ideal”, explica Danillo Ferreira dos Santos, integrante da comissão gestora da Enecos (Executiva Nacional dos Estudantes de Comunicação Social), uma das entidades que participa da organização do encontro. “A realização de uma conferência construída de forma mais ampla, com etapas municipais e estaduais até se chegar à nacional é nosso grande objetivo. Esta será a questão que defenderemos com mais garra no Encontro Nacional”, garante.

O encontro acontece nos dias 21 e 22 de junho, no auditório Nereu Ramos da Câmara dos Deputados. Estão confirmadas a participação dos ministros Franklin Martins, da Comunicação Social, e Paulo Vanucchi, dos Direitos Humanos, e da Procuradoria Geral da República. A programação completa e o formulário para inscrições estão disponíveis na página www.camara.gov.br.

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Provedores de Internet denunciam oligopólio na telefonia

As concessionárias de telefonia não cumprem a legislação e monopolizam o mercado, em detrimento dos pequenos provedores de Internet. A acusação foi feita pelos debatedores que participaram de audiência pública com a Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática. O encontro discutiu a relação entre as empresas de telecomunicações e os provedores de Internet. O presidente da Abranet (Associação Brasileira dos Provedores de Acesso, Serviços e Informações da Rede Internet), Eduardo Fumes Parajo, afirmou que a falta de concorrência no mercado de telecomunicações está inflacionando os preços dos serviços e atrasando o desenvolvimento tecnológico da área. Ele defendeu a isonomia de tratamento entre os provedores associados às empresas de telecomunicações e os pequenos provedores. Segundo Parajo, na atual situação de mercado, em um momento de alta demanda, a empresa de telecomunicações não fornece o serviço a provedores que não estejam associados a ela. 

Denúncias 

O presidente da Associação Brasileira das Prestadoras do Serviço de Comunicação Multimídia (Abramult), Manoel Santana Sobrinho, também criticou o desrespeito das regras pelas empresas de telecomunicações, com a conseqüente criação de monopólios no País. Ele disse que a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) já recebeu as denúncias de que as empresas de telecomunicações não poderiam fornecer serviços de valor adicionado, entre eles o acesso à Internet, mas reclamou que nada foi feito. 

Sobrinho observou que muitas empresas de telecomunicações têm provedores gratuitos porque tiram o lucro do tráfego telefônico estimulado pelos próprios provedores. Já o presidente da Associação dos Integrantes do Projeto Global Info, Alberto Jorge de la Rocque Pereira Meireles, enfatizou que os serviços de Internet são atribuições dos provedores e que as empresas de telecomunicações precisam cuidar do meio, da infra-estrutura. 

Liberdade de escolha 

O presidente da Associação Riograndense dos Provedores de Acesso, Serviços e Informações da Rede Internet – Rio Grande do Sul (InternetSul), Fabiano André Vergani, também denunciou a formação de oligopólio nos serviços de comunicações, que, segundo ele, são essenciais para qualquer atividade econômica. 

Vergani disse que, atualmente, os grandes grupos de telecomunicações abrem provedores de fachada e acabam monopolizando o mercado, em total desrespeito à Lei Geral das Telecomunicações. Segundo ele, o acesso gratuito oferecido por essas empresas de fachada é uma farsa, pois a falta de concorrência aumenta o preço do serviço para o usuário final. Além disso, o usuário ficaria impedido de escolher o provedor de sua preferência, pois em muitos mercados só há uma empresa disponível.  

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Markun toma posse, escolhe nova diretoria e corta ‘mordomias’

Mal tomou posse na TV Cultura, e o jornalista Paulo Markun iniciou ampla reformulação na emissora. Cortou diversas mordomias das antigas diretorias, como uma portaria de entrada exclusiva e os carros especiais. Os veículos agora servirão às atividades de produção e a portaria está aberta a todos os funcionários. Ele também mandou fechar o restaurante executivo da TV Cultura, que era exclusivo (embora subsidiado pelo bandejão dos funcionários).

Das oito diretorias que havia anteriormente, só quatro sobraram: Administrativa-Financeira (Celso Barbosa), Direção de Produção (M. Garcia), Direção Técnica (José Chaves) e Marketing e Vendas (Cícero Feltrin). Essas diretorias vão funcionar de forma colegiada, numa única sala, com o presidente.

Francisco Almeida vai acumular a vice-presidência da fundação com a Coordenação do Núcleo de Educação da emissora. O novo coordenador do Núcleo de Jornalismo é Paulo Roberto Leandro. Gioconda Bordon vai dirigir o Núcleo de Rádio, Âmbar de Barros o de Infanto-Juvenis, Fernando Faro o de Música , Hélio Goldjenstein o de Arte e Cultura, Gabriel Priolli o de Eventos e Publicações e Jefferson Del Rios o de Teledramaturgia.

Outra medida: a presidência rescindiu o contrato com os produtores do programa Sumo TV, que considera "inadequado" à programação. No seu discurso de posse, distribuído ontem pela Assessoria de Imprensa da fundação, Markun disse que não pretende "refundar" a TV Cultura, mas promover a "formação crítica" do espectador. Firmou compromisso de buscar mais recursos, públicos e privados, e ampliar a audiência.

Markun estabeleceu sete objetivos da gestão: fortalecer a interação com o espectador; criar novos canais para o funcionamento da TV digital; criar conteúdo para novas mídias; ampliar a prestação de serviços multimídia para parceiros privados ou institucionais; estimular a produção independente; avançar na digitalização do acervo; firmar compromisso com os organismos nacionais de TV Pública.

Além dos documentários sobre a Colômbia, Markun revelou planos de série sobre o Xingu; um especial sobre os 80 anos de Fernando Faro; outro sobre cinema nacional; cobertura da Festa Internacional de Literatura de Paraty (Flip); e um portal, o Roda Viva.

Mídias de conteúdo aberto são destaque em encontro de cultura colaborativa

O trabalho de pessoas que usam novas tecnologias de comunicação para produzir e divulgar mídias livres, com conteúdo em arquivos de formatos abertos, foi destaque hoje (13) no Encontro de Cultura Colaborativa (Ecco). Uma das experiências apresentadas foi a do Estúdio Livre ( www.estudiolivre.org ), um ambiente colaborativo voltado para aprodução e difusão de mídias feitas com software livre e de forma independente.

A cultura colaborativa baseia-se no conceito de informação livre, tanto em termos de acesso como da possibilidade de mudar os conteúdos produzidos. 'Mídias livres são meios de comunição livres. Isso não envolve apenas o produto, mas o próprio software e as próprias ferramentas usadas para fazer esses processos', diz Fabiana Balvedi, uma das pesquisadoras que fazem parte do Estúdio Livre. Segundo ela, todo o conteúdo pode ser acessado, reproduzido e até modificado pelos usuários cadastrados, que também podem editar as páginas do site . 'Se a pessoa está mesmo interessada em trabalhar em mídia livre, vai ter voz lá dentro. A gente usa ferramentas livres justamente para poder utilizar, modificar, mexer no código, personalizar. Ou seja, fazer do jeito que a gente quiser, explica, acrescentando que a edição dos conteúdos é possível por causa do gerenciador, o Sistema de Gerenciamento de Contedo (CMS, na sigla em inglês).

Para Tiago Bulgarin, que também participa do Estúdio Livre, o site configura um espaço importante de debate sobre a informação livre. As dicussões são feitas por meio de listas que contam com mais de cinco mil participantes. De acordo com ele, no mês passado, o site recebeu 59 mil visitas. Bulgarin informa que parte dos acessos vem dos Pontos de Cultura, que buscam no Estúdio Livre suporte para esclarecer dúvidas ou resolver problemas relacionados ao uso de ferramentas livres. É o caso, por exemplo, do Ponto de Cutlura localizado na sede da Organização Não-governamental baiana Centro de Referência Integral de Adolescentes (Cria). A entidade fica no Pelourinho, no centro histórico de Salvador. 'Com essas ferramentas colaborativas, a gente pode furar o cerco da propriedade intelectual de um conhecimento que está muito restrito', destaca a coordenadora de Comunicação do Cria, Scheilla Gumes. O Encontro de Cultura Colaborativa é promovido pelo governo federal e pelo governo da Bahia, em parceria com a prefeitura da capital baiana. O evento começou ontem (11) e termina na sexta-feira (15).

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UOL anuncia criação do cargo de ombudsman

O UOL anunciou, na noite da última terça-feira (12), a criação do cargo de ombudsman. Para a nova função a empresa escolheu a jornalista Tereza Rangel, que está, nos últimos anos, à frente da equipe jornalística do portal. A jornalista assume a função no próximo dia 2 de julho.

Tereza Rangel nasceu em Curitiba e é jornalista formada pela ECA (Escola de Comunicações e Artes) da USP. Tereza teve passagens pela Editora Abril, O Estado de S. Paulo e Folha de S.Paulo , onde foi redatora, repórter, correspondente em Buenos Aires e coordenadora da Agência Folha. Está no UOL desde 1999, onde seu último cargo foi de gerente geral de conteúdo editorial.

O objetivo principal da criação do novo cargo será receber, investigar e encaminhar as queixas e sugestões dos internautas em relação à qualidade, acuidade e isenção dos conteúdos e serviços, jornalísticos ou não, oferecidos pelo portal. 'Ao criar o cargo de ombudsman, o UOL demonstra disposição em tratar com toda a transparência e de forma pública seus problemas e deficiências. Acreditamos que admitir e enfrentar os problemas é a maneira mais objetiva de corrigi-los', diz Márion Strecker, diretora de conteúdo do UOL Segundo Tereza Rangel, 'será muito enriquecedor trocar a posição de quem fala para o público pela posição de quem ouve a voz do internauta..

A atuação da ombudsman será voltada, principalmente, às questões éticas e de conteúdo, como mediadora entre o público e o portal. A empresa esclarece que a função não visa a substituir o atendimento individual e 24 horas, prestado pelo SAC, Serviço de Atendimento ao Consumidor, que atende o assinante do UOL e tira suas dúvidas sobre os serviços prestados pela empresa.

 

Active Image publicação autorizada.