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Governo americano se opõe a proposta de lei de proteção a jornalistas

O governo do presidente George W. Bush continua a se opor à aprovação de uma lei federal de proteção da atividade jornalística, que tramita atualmente na Câmara e no Senado dos EUA. O projeto visa evitar que profissionais de imprensa sejam obrigados a revelar suas fontes confidenciais à Justiça. Atualmente, 32 estados americanos e o distrito de Columbia têm leis próprias de proteção de fontes.

"A história mostra que as proteções já existentes, incluindo a rigorosa revisão interna de intimações a jornalistas, são suficientes", afirma a procuradora Rachel Brand. Para ela, as leis estaduais desencorajam os promotores a pedir a quebra do sigilo de fontes, exceto em casos especiais – desde 1991, a Justiça aprovou intimações a apenas 19 repórteres. Além disso, Rachel diz que a definição de "jornalista" exposta no projeto é muito vaga – incluindo até blogueiros –, o que traria problemas significativos para investigadores federais.

Os senadores republicanos de Indiana Richard Lugar e Mike Pence, redatores do projeto de lei, afirmaram que foram incluídas exceções para ameaças iminentes à segurança nacional. Desta forma, o governo federal não poderá alegar que a proteção do direito do público a informações sobre atividades governamentais prejudicaria a segurança do país. "A lei não serve para proteger os jornalistas, mas para proteger o direito do público de se manter informado", explica Pence.

Judith Miller

O debate sobre sigilo de fontes ganhou força nos EUA após a repórter Judith Miller, que trabalhava para o diário New York Times, ter ficado presa por quase três meses por se recusar a depor em uma investigação sobre vazamento de informação confidencial – o que é crime nos EUA. Judith foi intimada a revelar quem teria informado a ela a identidade secreta da agente da CIA Valerie Plame. O segredo de Valerie vazou na mídia após seu marido, o diplomata Joseph Wilson, publicar um artigo em que questionava uma das justificativas para o governo Bush entrar em guerra com o Iraque: a suposta existência de armas de destruição em massa nas mãos de Saddam Hussein.

A não aprovação do projeto federal preocupa profissionais da mídia. "O movimento força jornalistas a revelar suas fontes, em uma tentativa de tornar a imprensa um braço da lei", afirma William Safire, jornalista da New Yorker. "Cidadãos comuns e funcionários públicos vão pensar duas vezes antes de confiar em um repórter".

 

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De forma nebulosa, rádio comunitária é fechada em Campinas

Em uma operação obscura, noticiada pela Rádio CBN antes mesmo da ação policial ser efetivada, foi fechada mais uma rádio comunitária, desta vez no distrito de Souzas, em Campinas, SP. A ação, instruída pela Anatel e executada pela Polícia Civil local, é mais um exemplo da morosidade na legalização e, por outro lado, da agilidade na repressão às rádios comunitárias.

Segundo relato do diretor da Abraço – Associação Brasileira de Rádios Comunitárias em Campinas, Jerry Oliveira, a rádio, mantida pela Associação Comunitária Tropical, se encontrava fora do ar, pois aguardava processo de outorga pelo Ministério das Comunicações e já contava com aval de viabilidade técnica. Assim mesmo, o delegado responsável pela apreensão dos equipamentos alegou que esta seria uma medida de “precaução”, ignorando que os equipamentos são perfeitamente legais e que a emissora se encontra em processo de regularização, que só não se efetivou ainda por conta da ineficiência do Ministério das Comunicações.

A seguir, trecho da denúncia enviada por Jerry Oliveira:

“A polícia constatou que a emissora não estava no ar. Alegamos para o delegado que estávamos esperando a outorga, pois o processo da entidade (Associação Comunitária Tropical) encontra-se instruído e tecnicamente viável. O delegado, mesmo assim, levou o transmissor por ‘precaução’, alegando que a emissora poderia entrar no ar assim que ele ‘virasse as costas’. Acabou levando o transmissor, homologado pela Anatel”.

 

Templos religiosos centenários já utilizam leis de fomento à cultura

A polêmica provocada pelo controverso Projeto de Lei do senador Marcelo Crivella [PRB-RJ] prossegue gerando indignação entre a classe artística e em grande parte do setor cultural. Uma petição virtual que reuniu na internet cerca de 25 mil assinaturas de pessoas contrárias à proposta deve ser entregue nesta semana ao deputado federal Fernando Gabeira (PV-RJ). Em trâmite no senado federal, a emenda propõe a inclusão de templos religiosos entre os beneficiários da Lei Rouanet de incentivo à cultura e ancora-se no argumento de que as religiões representam parte fundamental da cultura brasileira, e que, portanto, deveriam ser também contempladas na lei de fomento.

A defesa do senador, porém, sugere uma contradição, afinal, conservação e restauração do patrimônio histórico e cultural brasileiro, incluindo o de templos de qualquer religião, reconhecidos como patrimônio, já são atendidas não apenas por leis de fomento à cultura, mas também em fontes específicas de recursos, como o programa Monumenta, executado pelo MinC [Ministério da Cultura] com recursos do Banco Interamericano de Desenvolvimento [BID] e apoio da Unesco.

Desde 2000, o programa tem promovido obras de restauração e recuperação de bens tombados buscando conciliar ações estratégicas de desenvolvimento econômico e social que garantam a sustentabilidade do patrimônio. Atualmente 26 cidades participam do Programa, segundo o coordenador-adjunto do programa, Robson Almeida, “todas escolhidas de acordo com sua representatividade histórica e artística levando ainda em consideração a urgência das obras”.

“O Monumenta é implementado nas cidades a partir da assinatura de convênios firmados entre o MinC, prefeituras e Estados, nos quais se estabelecem as atribuições de cada uma das partes, valores a serem repassados e os prazos de execução das obras”, explica Almeida. De acordo com informações obtidas junto ao MinC e ao Iphan [Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional], o volume de recursos aplicado em 2006 foi de R$ 34,3 milhões e o montante previsto para 2007 é de R$ 70 milhões.

A coordenadora do programa em São Paulo, a arquiteta Edmeia Fioretti, informa que a cidade recebeu R$ 9,7 milhões, utilizados desde 2002 em diversas obras como o restauro de um coreto no Jardim da Luz e a reforma da capela do Mosteiro da Luz, ambos na região central da cidade. Embora não tenha uma opinião formada sobre a emenda do senador Crivella, observa que, no âmbito do programa Monumenta, “não há nenhuma restrição para templos religiosos”.

Marcio Oliveira, responsável pela Comissão de Bens Culturais da Igreja de São Paulo, também prefere não opinar sobre o projeto em trâmite no senado, mas defende que o debate deveria focar outras questões relacionadas à Lei Rouanet, como a burocracia em casos de patrimônio histórico. “Sei que é uma tramitação necessária, mas alguns órgãos demoram muito para dar um parecer”. Oliveira cita como exemplo o caso típico das igrejas em São Paulo. Em geral, são tombadas pelo Estado, mas algumas, por sua localização, precisam também de aprovação do município, gerando com isso, claro, mais lentidão.

Via crucis

Os imóveis tombados em São Paulo que podem ser inscritos na Lei Rouanet no segmento de patrimônio histórico, em sua maioria, são de igrejas católicas. “São preservados os edifícios centenários que tenham importância arquitetônica. Como a colonização foi católica, e o Império patrocinava as instituições da Igreja Católica, até a proclamação da República igrejas e capelas aparecem como quase a totalidade dos imóveis utilizados como local de culto”, explica Regina Célia Sasso Pereira, arquiteta responsável pelo projeto de restauro e reforma da Igreja de Nossa Senhora da Conceição de Santa Ifigênia, centro de São Paulo, aprovado na Lei Roaunet.

O exemplo da igreja de Santa Efigênia exibe a dimensão da via crucis burocrática que um projeto de restauração de patrimônio histórico enfrenta em certos casos. Localizada em uma região deteriorada da capital paulista, a igreja foi tombada em 1992, pelo Conselho Municipal de Preservação do Patrimônio Histórico, Cultural e Ambiental da Cidade de São Paulo [CONPRESP] em nível total de proteção, ou seja, deve ser integralmente preservado. No entanto, segundo Regina, o calvário que enfrenta para viabilizar a restauração do templo já completou oito anos. “É tudo muito demorado, só na Secretaria da Habitação foram dois anos para a aprovação”, desabafa Regina.

Ela conta que, após muita labuta, o projeto foi aprovado pelo Minc em janeiro de 2006. Apesar de comemorar o resultado, foi só o início de mais um desafio: conseguir junto à iniciativa privada os recursos para a obra orçada em R$ 8 milhões. Conhecedora dos desafios da cultura no Brasil, em especial do patrimônio histórico, adverte para os riscos da proposta do senador Crivella. “É preciso tomar cuidado para não confundirmos o escopo das leis de fomento à cultura, afinal, se o templo religioso, seja ele de qualquer religião, tiver valor histórico e cultural, já pode utilizar a lei”.

A arquiteta explica que apesar de São Paulo contar com um grande número de templos de outras religiões devido à presença dos imigrantes, ainda não houve destaque desses prédios religiosos para abertura de processos de tombamento. No entanto, os órgãos de preservação [CONPRESP, CONDEPHAAT e IPHAN] também se voltam para o tombamento da cultura imaterial, que inclui tradições, folclore e memória, abrangendo alguns cultos, como o candomblé.

Em São Paulo, existem diversas edificações tombadas, ligadas a cultos. Entre eles, Igreja de São Cristóvão, Igreja da Ordem Terceira de Nossa Senhora do Carmo, Mosteiro e Igreja de São Bento, Capela dos Aflitos, Igreja Nossa Senhora do Rosário dos Homens Pretos, Igreja Evangélica Luterana de São Paulo, edifício da Congregação Israelita Templo Beth-El, Terreiro de Candomblé Aché Ilê Oba, Colégio Batista Brasileiro, Círculo Esotérico e o Instituto Mackenzie.

 

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Após descumprir a lei, Net terá que digitalizar canais públicos

Na última quinta-feira, dia 14 de junho, a Net, maior operadora de TV paga do país, assinou um Termo de Compromisso de Ajustamento de Conduta (TAC), em que fica obrigada a digitalizar os sinais dos canais públicos, como TVs Câmara e Senado, comunitários e universitários. 

Nas praças onde iniciou a digitalização de seu sinal (São Paulo, Rio de Janeiro e Porto Alegre), a operadora vem descumprindo a Lei de TV a Cabo e "escondendo" esses canais dos assinantes do serviço digital, já que não ficam disponíveis na mesma seleção dos demais canais. Para assisti-los, é preciso desligar o decodificador digital e usar o controle remoto do próprio televisor, o que desestimula o telespectador. Por terem sinal analógico, a qualidade de imagem e som desses canais também é inferior.  

O termo foi proposto pelo Ministério Público Federal, após representação movida pelo Intervozes – Coletivo Brasil de Comunicação Social, FNDC – Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação e pelas TVs Comunitárias do Rio de Janeiro e de Brasília, no final de 2005.

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STJ isenta Kajuru de cumprir pena por calúnia e difamação

De acordo com a assessoria do STJ, em 2001 Kajuru foi condenado a cumprir pena em regime aberto e pagar uma multa por ter dito, em uma rádio de Goiânia (GO), que a Organização Jaime Câmara teria “relações promíscuas” com o governo do Estado de Goiás. O jornalista teria acusado também que o grupo obteve privilégios fazendo chantagem e ameaças para conseguir anúncios publicitários na rádio.

A empresa J. Câmara e Irmãos e o presidente da Organização Jaime Câmara, Jaime Câmara Júnior, apresentaram queixa-crime contra Kajuru por calúnia e difamação previstos na Lei 5250/67 (Lei de Imprensa). A sentença foi confirmada pelo TJ-GO (Tribunal de Justiça de Goiás). Em 2005, a defesa do jornalista recorreu alegando que a pena já estaria prescrita e conseguiu, no STJ, suspender a execução da pena.

Em 2006, o advogado de Kajuru novamente recorreu, alegando novamente a prescrição. Segundo o artigo 41 da Lei de Imprensa, a condenação prescreve no dobro do prazo em que for fixada. Como a sentença condenatória foi publicada em 17 de maio de 2001, a aplicação da pena prescreveu em maio de 2006.

Com esse entendimento, a 6ª Turma concedeu habeas corpus ao jornalista para reconhecer a prescrição da pena e isentá-lo do cumprimento da condenação. (Última Instância).