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Substitutivo de Bittar manterá restrição ao capital estrangeiro

O deputado Jorge Bittar (PT/RJ) propôs nesta quinta-feira, 27, o fim da limitação ao capital estrangeiro nas empresas que distribuem conteúdo no Brasil, abrindo a possibilidade de entrada das teles neste mercado. A idéia constará no substitutivo que o parlamentar apresentará sobre os quatro projetos de lei sobre produção, distribuição e comercialização de conteúdo na TV por assinatura. Para isso, será revogada a Lei do Cabo – e suprimidas as referências presentes na Lei Geral de Telecomunicações (LGT) sobre o tema – e alterados os contratos do STFC (telefonia fixa comutada) em vigor. Porém, a entrada plena das teles no mercado de conteúdo pára por aí.

Na prévia do substitutivo apresentada pelo deputado, será mantida a restrição ao capital estrangeiro no segmento de empacotamento dos conteúdos, ou seja, nas operadoras de TV por assinatura. Também será exigido que a gestão das empresas responsáveis pela programação e empacotamento dos canais seja feita por brasileiros natos ou naturalizados há mais de dez anos.

Sendo assim, no caso da compra da TVA pela Telefônica, aprovada há poucos meses pela Anatel, a concessionária de STFC não poderá gerir diretamente a nova operadora de TV por assinatura por meio da maioria em seu conselho de administração pelas novas regras, caso a proposta de Bittar seja aprovada. “Claro que ela poderá participar do conselho de administração, mas terá que ser com uma participação minoritária”, reforçou o deputado.

O futuro relator dos projetos justificou sua decisão de manter a restrição ao capital e a gestão nacional alegando que é importante reforçar a presença de brasileiros nas decisões da TV por assinatura. “Eu estou transferindo essa responsabilidade para as áreas mais nobres. Eu quero que os brasileiros estejam à frente dessa questão”, argumentou.

Desverticalização

Na proposta de substitutivo, o setor de conteúdo será composto de quatro partes: produção, programação, empacotamento e distribuição. Apenas as áreas de produção e distribuição são livres para a aplicação plena de capital estrangeiro e sem restrições à gestão. Os grupos de telecomunicações e radiodifusão têm liberdade de entrada em todos os quatro setores, ficando à mercê, porém, do limite de capital no caso do empacotamento. A imposição à gestão por brasileiros está prevista para os ramos de programação e empacotamento.

Para Bittar, esse novo desenho poderá estimular o crescimento do mercado de TV por assinatura, ainda limitado a 8% da população brasileira. “A idéia é que, em um ambiente de crescimento do mercado de TV por assinatura, possam todos ganhar”, resumiu ele.

Novo serviço

Para facilitar a entrada das teles e padronizar o serviço, Bittar propõe que sejam unificadas as quatro licenças existentes hoje para a operação de TV paga. Dessa forma, as concessões de Serviço de Televisão a Cabo e de Serviço de TV por Assinatura, assim como as autorizações para Serviço de MMDS e Serviço de DTH serão fundidas em uma única autorização. O nome proposto para o novo licenciamento é Serviço de Acesso Condicionado, que será qualificado como um serviço de telecomunicações em regime privado.

Futuro

Com a proposta, o deputado acredita que é possível criar um ambiente mais favorável a um licenciamento unificado para todos os serviços, de modo que as autorizações sejam condizentes ao mercado convergente que está surgindo no mundo. “O sentido é ter um marco regulatório convergente que caminhe para a licença única.” Ficará à cargo da Anatel definir como será feita essa transição das quatro licenças para o Serviço de Acesso Condicionado, segundo os planos de Bittar. Mas o deputado afirmou que não há intenção de “rasgar os contratos vigentes”.

Texto da MP chega a Lula, mas momento político atrapalha

A equipe da Secretaria de Comunicação Social apresentou ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, nesta quinta-feira, 27, a minuta da provável Medida Provisória (MP) que criará a TV pública. Pela agenda do presidente, o encontro com o ministro-chefe Franklin Martins ocorreu às 10h15. O plano é preparar a proposta validada por Lula para envio à Imprensa Nacional na sexta-feira, 28, e conseqüente publicação na segunda-feira. Mas algumas pequenas mudanças no texto da proposta podem atrasar por mais alguns dias a divulgação. Mesmo assim, a secretaria acredita que a MP será encaminhada à publicação e à mesa do Congresso Nacional ao longo da próxima semana.

A reunião foi bastante positiva e os pontos-chave do projeto foram aprovados por Lula e demais ministros que participaram do encontro. Enquanto a Casa Civil providencia as correções no texto da proposta, também será feita uma avaliação do timing político para o envio de mais uma MP ao Congresso, especialmente após a derrota do governo com a medida que criava a Secretaria de Planejamento de Longo Prazo. Em votação realizada nessa quarta, o Senado Federal rejeitou a proposta, extinguindo a secretaria encabeçada por Mangabeira Unger. Como se trata de um projeto sem perfil político, o Palácio do Planalto não acredita que a criação da TV pública passará pelo mesmo problema, mas as intempéries com o Congresso justificam a cautela.

A motivação para criar a TV pública por meio de uma MP é a necessidade de se fazer a transição da maneira mais rápida possível, uma vez que envolve a fusão de duas empresas já existentes – Radiobrás e Associação de Comunicação Educativa Roquette Pinto (Acerp). A avaliação da Secretaria é que, caso o processo seja feito por projeto de lei, o debate pode se estender por vários meses, afetando a gestão dessas entidades. “A Radiobrás, por exemplo, correria o risco de ficar acéfala por quatro, cinco meses, enquanto o projeto é debatido no Congresso”, conta uma fonte no Palácio do Planalto.

Fusão paulatina

O texto tem a previsão de fusão da Radiobrás e da Acerp, responsável pela TVE. Além disto, a medida também trará todo o mecanismo de constituição dos conselhos que comandarão a nova empresa e de aconselhamento sobre a política editorial.

Com relação à incorporação das empresas já existentes, apenas a estrutura da Radiobrás será absorvida imediatamente pela TV Brasil, nome provisório da TV pública.

A inclusão da Acerp será paulatina, por motivos legais. Hoje, a TVE tem um contrato assinado com a União para a produção de conteúdos educativos, documento este que vence em dezembro. No momento do vencimento, a secretaria fará uma repactuação dos termos do contrato, transportando parte das funções da Acerp para a TV pública. Mas a transferência não será completada de uma só vez.

Por se tratar de uma entidade de direito privado, com uma relação contratual com a União, a incorporação de todas as funções da associação poderia ser entendida como uma quebra de contrato. Assim, o cronograma da secretaria prevê que, ao longo dos próximos anos, as funções pouco a pouco serão transferidas para a TV Brasil, até que o papel da TVE como produtor de conteúdos para o governo seja extinto.

O assessor especial da Presidência, Delcimar Pires, contou a este noticiário que o enxugamento da Acerp não afetará os empregos. A MP permitirá que, em um primeiro momento, a seleção para a TV Brasil seja feita por análise de currículos, abrindo espaço para que os profissionais da Acerp se habilitem para os cargos. A proposta é que esse sistema vigore por 36 meses, tempo suficiente para que a maior parte das funções da TVE já tenham sido repassadas para a TV pública. Após esse prazo, as contratações serão feitas por meio dos tradicionais concursos.

Cruvinel na presidência

A decisão de nomear a colunista política Tereza Cruvinel para a presidência da TV Brasil ainda não foi anunciada, mas a definição já tem sido confirmada nos bastidores do Palácio do Planalto e pela própria jornalista. “Digamos que ela já pode ser cumprimentada como presidente”, brincou uma outra fonte do Planalto. Como a MP ainda não foi encaminhada, a crença é que o ministro-chefe Franklin Martins confirme a nomeação apenas após a criação da TV pública ser um fato consumado.

Quanto às demais nomeações para os conselhos diretor e curador da nova empresa, a secretaria ainda faz mistério. Diversos nomes estão em estudo e há a intenção de convidar os demais ministérios envolvidos no desenvolvimento da TV Brasil, como Fazenda e Planejamento, para opinar sobre as nomeações.

Tereza Cruvinel, do jornal O Globo, vai presidir nova emissora

Governo mantém proposta para modelo de gestão da futura empresa mantenedora da TV Brasil, que terá conselho indicado pelo Executivo federal. Tereza Cruvinel, jornalista da Globo há vinte anos, será a primeira presidente da empresa, que terá sede no Rio de Janeiro.

Em dois dias, o governo federal voltou a decepcionar as organizações que atuam no campo das comunicações, repetindo erros anteriores, como no abandono do projeto da Ancinav (Agência Nacional do Audiovisual), na manutenção da repressão às rádios comunitárias e nas decisões acerca da implementação da TV digital. Na terça, 25/09, em encontro reservado às entidades representativas das emissoras do campo público (educativas, legislativas, universitárias e comunitárias), a Secretaria de Comunicação Social (Secom) apresentou o modelo de gestão da empresa que nascerá da fusão da Radiobrás e da TVE. No dia seguinte, jornais e blogs anunciavam que a presidência da empresa será exercida por Tereza Cruvinel, colunista do jornal O Globo e funcionária da família Marinho há vinte anos.

Pelo modelo de gestão apresentado às entidades do campo público, a Secom manteve a essência da proposta anteriormente divulgada por este Observatório, em que o conselho curador da nova empresa será indicado diretamente pelo presidente da República, sem a necessidade de aprovação por órgão independente. A diretoria-executiva da empresa também será indicada pelo chefe do Poder Executivo federal, igualmente sem a necessidade de referendo por instância autônoma em relação ao governo.

Com a consolidação da proposta, que deve ser publicada no Diário Oficial em forma de Medida Provisória (MP) na próxima semana, o governo despreza integralmente as propostas de diversas organizações da sociedade civil, que no final de agosto divulgaram manifesto com críticas ao modelo de gestão anunciado pela Secom. Segundo o texto [que pode ser acessado clicando aqui], “com um conselho indicado pelo presidente, a TV pode já nascer sem autonomia e independência, objetivo maior de uma emissora que se pretende pública. Não é a mera existência de um órgão gestor que confere à emissora este caráter. É preciso que ele seja plural e representativo, preservando a independência em relação a governos e ao mercado, funcionando com base na gestão democrática e participativa”.

O conselho da nova empresa terá 19 membros e um presidente, sendo 15 deles indicados pelo presidente da República, quatro membros natos dos ministérios da Educação, Cultura, Ciência e Tecnologia e Secom, e um representante dos funcionários da empresa. Ainda não estão claras quais serão as atribuições do conselho e se o órgão terá realmente poder para interferir na gestão da empresa. Segundo assessores da Secom, a partir da primeira renovação do conselho haverá um mecanismo de "consulta pública ", mas ainda não está decidido como esta consulta será feita e se seus resultados serão meramente indicativos ou se terão incidência real na indicação dos novos membros do conselho.

Já a gestão cotidiana da empresa será exercida por uma diretoria operacional, indicada pelo diretor-presidente e pelo diretor-geral, estes, por sua vez, escolhidos pelo presidente da República. A diretoria será composta por até seis membros, dentre eles um diretor de conteúdo, um de jornalismo e um administrativo-financeiro. A sede da empresa será no Rio de Janeiro, com emissoras também em São Paulo, Maranhão e Brasília.

Repercussão negativa

Algumas das principais organizações da sociedade civil criticam duramente o anúncio de que a gestão da nova empresa será feita exclusivamente por pessoas indicadas pelo Executivo federal. Para o FNDC (Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação), o modelo de gestão compromete a essência da TV pública, além de ser uma ruptura com a Carta de Brasília aprovada no Fórum de TVs Públicas. “Não quer dizer que a iniciativa não seja importante e que não possa vir a ser uma alternativa às TVs comerciais, mas compromete a adoção de uma gestão verdadeiramente democrática. Um conselho de ‘notáveis’ vai contra a história recente da esquerda que é de inclusão dos movimentos nos espaços institucionais. As ‘personalidades’ podem até ser pessoas íntegras, mas a proposta reproduz uma lógica negativa”, afirma o coordenador da entidade, Celso Schröder.

Para o Intervozes, a adoção de um conselho de notáveis indicado pelo presidente da República consolida a percepção de que a TV Brasil está se tornando uma reforma do sistema estatal, e não a efetiva promoção do embrião de um sistema público, autônomo em relação ao governo. “Não é a existência de um órgão curador o que confere à emissora um caráter público. É preciso que ele seja plural e representativo. A idéia de um governo que indica, em nome da sociedade, quem a representa, é paternalista e anti-democrática, independentemente de quem sejam estes indicados”, afirma João Brant, um dos coordenadores da organização.

A Abepec (Associação Brasileira das Emissoras Públicas, Educativas e Culturais) foi a única a manifestar apoio à proposta do governo. Por meio de sua página na Internet, a entidade afirma que seus representantes no encontro “receberam com satisfação o resultado de todo o processo de consultas e a estrutura jurídica e conceitual da nova televisão pública nacional”.

Já os representantes da ABTU (Associação Brasileira de Televisão Universitária) e da Astral (Associação Brasileira de Televisões e Rádios Legislativas), afirmam não estarem satisfeitos tanto com a proposta do governo quanto com a forma como foi conduzido o processo pela Secom. Ambas as organizações dizem que não foi possível discutir com o governo as questões essenciais da criação da nova empresa. Segundo os dirigentes das entidades, somente questões de menor importância foram colocadas em debate pela Secom, como a possível remuneração dos conselheiros e a presença de um representante do conselho curador no conselho administrativo.

Segundo o presidente da ABTU, Gabriel Priolli, em mensagem enviada ao blog de Jorge da Cunha Lima, “o processo foi limitado, falho e meramente referendatório de decisões tomadas intra-Governo. E a estrutura [da TV Brasil], embora tenha avanços, está longe de atender aos anseios por uma efetiva televisão pública”. Já o vice-presidente da entidade, Cláudio Magalhães, contesta a ausência, no conselho gestor, das entidades representativas e “o número excessivo de indicados pelo próprio governo”. Segundo Magalhães, “o formato original do Fórum [de TVs Públicas] tinha a fórmula híbrida de entidades e profissionais e, pelo seu sucesso, não havia motivo para não ser repetida”. Rodrigo Lucena, presidente da Astral, é ainda mais enfático: “o que desanima é a sensação de termos sido usados para respaldar a criação da TV do Lula, por meio do Fórum de TVs Públicas”.

Cruvinel na Presidência


Não foi só o anúncio do modelo de gestão que deixou as organizações da sociedade civil com a impressão de que os rumos do projeto iniciado com a realização do Fórum Nacional de TVs Públicas estão sendo desprezados pelo governo federal. A escolha pelo presidente Lula de Tereza Cruvinel, colunista de O Globo e comentarista da Globonews, segundo as organizações, simboliza que a intenção da Secom não é criar uma empresa de comunicação que implemente um projeto diferenciado em relação às emissoras comerciais.

De acordo com Brant, do Intervozes, “não é possível de antemão dizer o que será a gestão de Tereza Cruvinel à frente da empresa, mas dá para dizer o que essa escolha simboliza. O governo demonstra não ter a menor intenção de que a TV pública rompa com um modelo consolidado pela mídia comercial, e busca referências num modelo de jornalismo que é muito diferente do que acreditávamos que poderia ser adotado”. Ainda segundo Brant, “o fato de a nova presidente da TV pública ser uma jornalista que por vinte anos trabalhou nas Organizações Globo nos parece muito representativo do que pretende o governo com a nova TV pública”.

Schröder, do FNDC, classifica a escolha de Cruvinel como lamentável, “não pelo nome em si e apesar de seu possível alinhamento político com as Organizações Globo, mas em função da origem da proposta, centralizada e vertical”. Segundo ele, “é ruim a escolha de profissionais da grande mídia, não por motivos ideológicos, mas pelos vícios que trazem. A escolha deveria contar com outros critérios, não só a notoriedade”.

TCU constata irregularidades no uso de verbas de inclusão digital

O Tribunal de Contas da União realizou em 2006 uma série de auditorias para investigar as aplicações de recursos por parte do governo em programas de inclusão digital. As conclusões dos técnicos do TCU colocam o governo em situação difícil. Para o tribunal, há políticas sendo executadas, mas do ponto de vista de gestão, elas são mal formuladas ou implementadas levando, no final, aos desvios de recursos e finalidades.

As auditorias foram realizadas no Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT); Ministério das Comunicações (MC); Financiadora de Estudos e Projetos (Finep/MCT); Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão (MPOG); Caixa Econômica Federal (CEF).

Os auditores do TCU apoiaram a tese da Fundação Getúlio Vargas, que quando publicou o seu 'Mapa da Exclusão Digital' no Brasil, explicou que o problema não estaria na ausência de recursos. O que faltaria, apurou a FGV, era a capacidade de mobilização dos mesmos.

O TCU, em suma, comprovou aquilo que a FGV preconizava lá atrás: 'A maior parte das políticas adotadas não mira nos desvalidos; aquelas que miram não acertam o alvo ou quando acertam, não proporcionam efeitos duradouros em suas vidas'. O TCU foi claro no relatório: Os órgãos federais miram na promoção e implantação das políticas de inclusão, mas não deixam clara, como será a sustentabilidade do projeto.

Auditoria

A auditoria de conformidade, realizada em 2006 sob a sistemática de 'Fiscalização de Orientação Centralizada (FOC)', se baseou nas transferências voluntárias do Governo Federal, e englobou uma amostra de 30 convênios, em 11 unidades da federação e 27 órgãos/entidades beneficiários, envolvendo recursos no montante de R$ 82,7 milhões.

A auditoria do TCU atuou com dois focos definidos. Avaliou a celebração de contratos e a execução dos mesmos, através do trabalho de investigação feito pelas Secretarias de Controle Externo nos Estados do Ceará, Minas Gerais, Pará, Paraíba, Paraná, Pernambuco, Rio de Janeiro, Rio Grande do Norte, Rio Grandedo Sul e São Paulo.

Os técnicos, ao final da auditoria, repleta de exemplos de desperdícios de dinheiro público, constataram que aproximadamente 20% do volume de recursos fiscalizados não foram regularmente aplicados, configurando-se num débito potencial de cerca de R$ 16,5 milhões. Para os técnicos, esse montante seria suficiente para se implementar cerca de 275 telecentros fixos, considerando-se um custo unitário de R$ 60 mil.

Em seu relatório, o TCU constatou que diversas ações não foram devidamente avaliadas e justificadas como, por exemplo, às que previam a implantação de unidades móveis de inclusão digital. 'Verificou-se que tal objeto constou em diversos ajustes sem que fossem efetuadas as devidas análises de economicidade, não obstante o fato de que, em geral, uma unidade móvel custa cerca de cinco a sete vezes mais que uma unidade fixa'.

Esse assunto chegou a ser tratado na CPI das Sanguessugas, pelo deputado Fernando Gabeira (PV-RJ), mas terminou abafado pelo PSB e a bancada do governo. A CPI preferiu apenas se deter no problema da compra de ambulâncias pelo Ministério da Saúde 'Em 48% dos ajustes celebrados pelos diversos órgãos/entidades fiscalizados foi constatada a ocorrência de preços acima dos praticados no mercado, o que em termos monetários significou um débito potencial de aproximadamente R$ 3,5 milhões', informa o relatório do TCU.

Em outros 28% dos casos, segundo os técnicosdo tribunal, houve 'incompatibilidade entre o que foi efetivamente realizado e as especificações ajustadas no plano de trabalho. Além disso, em 20% dos acordos houve a inexecução ou execução parcial do objeto e o não atingimento dos objetivos propostos'.

'Saltam aos olhos, também, os dados relativos às Organizações Não-Governamentais que constaram da amostra selecionada. As equipes de auditoria constataram que aproximadamente 57% dos valores recebidos não foram aplicados de forma adequada, perfazendo um débito potencial dos recursos geridos por essas instituições em torno de R$ 6,5 milhões', informa o relatório do TCU.

Para os auditores, tal quadro gera perplexidade porque estaria demonstrando que o modelo atual adotado para a execução das ações governamentais – por meio das transferências voluntárias – não seria 'consistente e apresentadiversas falhas que propiciam a prática de irregularidades e desvios que prejudicam a consecução dos objetivos das políticas públicas'.

Os ministros do TCU julgaram na última quarta-feira (20/09) os resultados desta auditoria, mas decidiram que o tribunal já mandou os órgãos federais adotarem uma série de procedimentos e cabe agora ao governo tratar de implementar essas ações.

A decisão tomada pelos ministros foi na direção de alertar aos ministérios que desenvolvem tais ações, para que as tornem mais transparentes e que cumpram os resquisitos básicos da Administração Federal. Os gestores públicos que não cumprirem esses requisitos, após essa auditoria, serão punidos pelo TCU.

ABNT coloca normas técnicas em consulta pública até novembro

A Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) colocou em Consulta Nacional a segunda série de projetos de normas para o Sistema Brasileiro de Televisão Digital, que deverá ser implantado até dezembro, conforme determinação do governo federal. Os interessados em apreciar os documentos devem acessar: http://www.abntnet.com.br/consultanacional/, até dia 5 de novembro próximo.

Os projetos de normas foram elaborados pela Comissão de Estudo Especial Temporária de Televisão Digital, constituída na ABNT por demanda do Fórum do Sistema Brasileiro de Televisão Digital Terrestre, criado por meio do Decreto Federal 5.820 de 29 de junho de 2006. São os seguintes:

– Projeto 00:001.85-003/3 – Televisão digital terrestre — Multiplexação e serviços de informação (SI) — Parte 3: Sintaxe e definição de informação estendida do SI;

– Projeto 00:001.85-006 – Televisão digital terrestre – Especificações de codificação e transmissão de dados para radiodifusão digital 

– Parte 1: Codificação de dados;

– Parte 2: Ginga-NCL para receptores fixos e móveis – Linguagem de aplicação XML para codificação de aplicações;

– Parte 3: Especificação de transmissão de dados;

– Parte 4: Ginga-J – Ambiente para a execução de aplicações procedurais.

A primeira série de projetos ficou em Consulta Nacional até o dia 28 de agosto e recebeu apenas votos de aprovação, sem restrições. Os engenheiros Paulo Henrique Castro e Aguinaldo Silva ocupam, respectivamente, os cargos de Coordenador e Vice-coordenador da Comissão, da qual participam representantes de fabricantes de televisores e de equipamentos, de emissoras de TV, de universidades, centros de pesquisa e do Inmetro, além da ABNT, encarregada da secretaria.

O texto-base dessas normas é o conjunto de especificações estabelecidas pelo Módulo Técnico do Fórum, responsável pela harmonização dos requisitos do Sistema Brasileiro de Televisão Digital com o padrão ARIB (Association of Radio Industries and Business), do Japão, e de outras entidades nacionais e internacionais.

Essas especificações possibilitam todos os modos de transmissão previstos no decreto presidencial: transmissão digital em alta definição (HDTV) e em definição padrão (SDTV), transmissão digital simultânea para recepção fixa, móvel e portátil e interatividade.