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Teles têm até o dia 18 para levar ao governo proposta para infra-estrutura

A reunião realizada entre a ministra Dilma Rousseff, da Casa Civil, com os presidentes das três concessionárias de telefonia fixa nesta quinta, 13, serviu para passar um recado às empresas: o governo quer que as teles apresentem uma proposta viável para ajudar o governo a ter a sua “infovia” digital, ligando todas as escolas do País com banda larga e criando uma infra-estrutura de backhaul em todos os municípios.

A ministra Dilma, segundo apurou este noticiário, se disse insatisfeita com as propostas feitas até agora, ressaltou que não é intenção do governo criar uma empresa estatal para explorar o serviço e que a prioridade vai ser dada às teles que já estão no mercado. Mas, caso não se chegue a um acordo, cada um seguirá o seu caminho: do lado das teles fixas, elas seguirão implantando os PSTs (Postos de Serviços de Telecomunicações), previstos nos contratos e no PGMU (Plano Geral de Metas de Universalização), e o governo buscará uma alternativa. A ênfase, agora, está em uma possível licitação internacional que seria aberta para a implantação desta infra-estrutura e prestação dos serviços. O que anima o governo é o suposto interesse de uma grande empresa norte-americana que tentou entrar no Brasil na época da privatização, sem sucesso (poderia ser a AT&T, por exemplo). Mas a licitação seria aberta a todos os interessados, inclusive empresas móveis e as próprias teles.

Do lado das empresas, existe um certo desconforto, que ficou evidenciado durante a reunião. A preocupação é com um comportamento aparentemente desorientado do governo, com vontades diferentes, manifestadas por interlocutores diferentes. Afinal, perguntou um dos participantes, qual é o objetivo: conectar escolas, dotar todas as cidades de backhaul, ter uma rede própria ou criar uma empresa de telecomunicações? A pergunta está baseada, apenas, na compilação de todos os vários projetos que saíram de diferentes ministérios e do Planalto ao longo dos últimos meses.

Prazo curto

A expectativa do governo é que seja apresentada uma proposta das teles mais viável na próxima semana. Se isso acontecer, haverá, apostam, tempo para que se tome as medidas legais (como um novo adiamento na implantação dos PSTs ou a mudança no PGMU) ainda em 2007. Se atrasar, a coisa fica mais complicada e o governo poderá partir para um plano B, deixando as teles com as obrigações atuais de instalação dos postos de serviço. O governo acha que tem maior poder de barganha, já que as teles estão obrigadas a instalar PSTs, e que isso só representará gastos, e nenhum potencial de receitas para elas.

As teles de fato pretendem apresentar até a próxima terça-feira, 18, uma proposta final para a conexão de banda larga em todas as escolas. Será, sem dúvida, uma proposta mais agressiva do que a que foi colocada até aqui (pela qual as concessionárias conectariam 14 mil escolas gratuitamente), mas não deve incluir a cessão de capacidade de rede (o governo pedia a cessão de lâmbda das fibras ópticas). A preocupação das empresas é que a última reunião do conselho da Anatel será na próxima semana, dia 19, e dificilmente esse seria um assunto resolvido em circuito deliberativo, de modo que há, na prática, apenas o final de semana para que a proposta seja concluída.

CCS e Conselho Consultivo da Anatel passam 2007 em branco

Em praticamente todas as áreas de governo, a sociedade brasileira, por meio de suas organizações e movimentos, participa de instâncias de controle social das políticas públicas respectivas a cada setor. Apesar de inúmeros problemas e contradições, conselhos, conferências e outros instrumentos articulam, em cada área, processos que buscam suprir as limitações da democracia representativa formal.

Na Comunicação, tais processos não existem, sendo a regulação e as políticas do setor historicamente pautadas pela ótica dos interesses empresariais. E dois dos espaços que poderiam contribuir para uma alteração deste quadro encontram-se hoje desativados.

O primeiro deles é o Conselho Consultivo (CC) da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), instância formada por representantes dos poderes públicos, do mercado e da sociedade, que não se reúne desde fevereiro de 2007. O segundo é o Conselho de Comunicação Social (CCS), órgão auxiliar do Congresso Nacional, que passou o ano de 2007 sem realizar uma reunião sequer, mesmo com crescente interesse pelo tema tanto na Câmara quanto no Senado Federal.

Órgão alienígena?

Dentre as principais funções do Conselho Consultivo, segundo o portal da própria Anatel, está a de "opinar, antes do encaminhamento ao Ministério das Comunicações, sobre o Plano Geral de Outorgas, o Plano Geral de Metas de Universalização de serviços prestados em regime público e demais políticas governamentais de telecomunicações". Criado em 1998, o CC, em tese, encontra-se no mesmo nível hierárquico do Conselho Diretor e da Ouvidoria da agência. A realidade, porém, é bem distinta do que sugere o organograma oficial.

Luiz Fernando Liñares, advogado, assessor especial da Câmara dos Deputados e representante desta no Conselho Consultivo, afirma que o órgão está inativo por ações deliberadas da direção da agência. "É como se o Conselho Consultivo fosse um órgão alienígena, como se seus membros não tivessem sido nomeados pelo Presidente da República", considera. Liñares vai além e responsabiliza o Conselho Diretor pela inanição da instância consultiva. "Ao que parece, o projeto da direção da agência, em médio ou longo prazo, é dissolver o Conselho Consultivo, que teve a sua autonomia seriamente ferida quando passou a produzir opiniões que contrariavam os interesses predominantes do mercado", diz.

Empossado na função de presidente do Conselho Consultivo em abril de 2006, com mandato de um ano, Liñares também enxerga na ausência de estrutura mínima para seu funcionamento – recursos humanos e materiais – uma violação à autonomia do órgão. A isso se soma a insuficiência de critérios técnicos e a falta de transparência no processo de nomeação dos seus integrantes, cuja decisão é competência única e exclusiva do Presidente da República.

A opinião acerca da ingerência do Conselho Diretor no trabalho do CC é corroborada pelos fatos. Após a última reunião do órgão, então presidido por Liñares, em fevereiro passado, o Conselho Diretor negou a liberação de verbas para a realização de novas reuniões. A justificativa, segundo Liñares, foi a falta de quorum mínimo que legitimasse os encontros. Entretanto, o advogado diz que a falta de quorum impediria atos deliberativos por parte do conselho, mas não a realização de reuniões.

A dificuldade de aproximação entre o CC e a Ouvidoria da agência também é alvo de cobrança de Liñares. "Funcionários da Ouvidoria participaram de todas as nossas reuniões na minha gestão enquanto presidente. No entanto, jamais tivemos retorno quanto às proposições feitas, quanto ao posicionamento e quanto à sua acolhida ou não por parte da Ouvidoria", expõe o representante da Câmara.

Atualmente, passados quase três meses da nomeação dos membros para as vagas que completam, na ótica da direção da agência, o quorum mínimo para reuniões, o CC não se reuniu, embora Liñares tenha feito a solicitação ao Conselho Diretor no mesmo dia em que foram nomeados Igor Vilas Boas de Freitas, para a vaga do Poder Executivo, e Amadeu de Paula Castro Neto, para a do Senado.

A assessoria parlamentar e a assessoria de imprensa da Anatel foram procuradas reiteradas vezes pela reportagem, por telefone e email. Até o fechamento da matéria, porém, ambas não responderam às questões formuladas.

CCS: um ano sem se reunir

No último dia 11 de dezembro completou-se um ano da última reunião do Conselho de Comunicação Social, órgão auxiliar do Congresso Nacional para questões desta área. Enquanto isso, foram intensamente debatidas na Câmara e no Senado matérias que propõem mudanças no campo da comunicação: modificações no marco legal da TV paga, alterações nos procedimentos de renovação de concessões de rádio e televisão, criação da TV pública, entre outros temas.

Inscrito na Constituição de 1988 – de forma bastante limitada em relação aos anseios da sociedade civil naquele momento, – o CCS, cujos conselheiros têm mandatos de dois anos, foi criado em 1991 pelo então presidente Fernando Collor. A sua instalação, no entanto, ocorreu apenas onze anos depois, em 2002, no contexto da aprovação da emenda constitucional que possibilitou a entrada de capital estrangeiro nas empresas de radiodifusão e de imprensa.

A segunda gestão do órgão se encerrou em dezembro de 2006 e caberia à Mesa Diretora do Senado a nomeação de seus novos integrantes, o que até hoje não ocorreu. Na Secretaria-Geral da Mesa Diretora do Senado não há qualquer informação sobre perspectivas para as nomeações ou sobre as possíveis justificativas para a omissão. Tampouco há informações a respeito na Secretaria de Apoio a Conselhos e Órgãos do Parlamento, instância à qual é vinculado o CCS.

Elefante branco

Para a deputada federal Luiza Erundina (PSB-SP), o CCS sofre com a sua natureza limitada. "O conselho, da forma como está hoje, não tem peso nenhum. Não tem autonomia, não consegue exercer o controle social, é um grande elefante branco", critica a parlamentar.

Berenice Mendes, integrante do Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação (FNDC) e conselheira integrante das duas gestões do órgão representando a categoria profissional dos artistas, critica duramente a situação. "Chegar ao final do ano sem que os membros do seu conselho tenham sido nomeados nos deixa em estado de perplexidade. Não há qualquer justificativa para que o Senado deixe de cumprir a lei, principalmente num ano em que a comunicação social está em debate no Congresso", protesta.

Berenice também aponta distorções em relação ao CCS. “Na segunda gestão do conselho houve manipulação por parte da representação patronal, tanto que houve usurpação das cadeiras da sociedade civil, com empresários ocupando estas vagas. Além disso, pessoalmente acredito que as entidades da sociedade civil nunca souberam reconhecer a importância do CCS, nunca o utilizaram e o defenderam como deveriam ter feito", pondera a conselheira. A opinião é partilhada pela deputada Luiza Erundina (PSB-SP). "A sociedade ainda não se apropriou devidamente dessas conquistas, desses espaços de luta", lamenta a parlamentar.

Para o professor Fernando Paulino, da Universidade de Brasília (UnB), a questão se insere num cenário histórico de escassa atenção às políticas públicas de comunicação. "Deveriam ser criados mecanismos para que, efetivamente, os meios de comunicação social cumprissem com as suas responsabilidades constitucionais. Mas o primeiro destes mecanismos hoje definha e passa por um processo de inanição que o torna praticamente inexistente", avalia o pesquisador.

A deputada Erundina afirma que pretende realizar audiência pública em 2008 para tratar do aperfeiçoamento do CCS, assunto sobre o qual já há projetos de lei em tramitação no Congresso. Resta saber o que pensam os senadores, especialmente o novo presidente da casa, Garibaldi Alves (PMDB-RN), cuja família é proprietária do maior grupo de comunicação do Rio Grande do Norte. 

Miro Teixeira submete anteprojeto a discussão

O anteprojeto de uma nova Lei de Imprensa proposta pelo deputado Miro Teixeira (PDT-RJ) já foi encaminhada às lideranças da Câmara e entidades jornalísticas. Miro quer colher opiniões da classe antes de encaminhar o projeto para votação.

O anteprojeto se concentra no direito de resposta e na responsabilidade civil dos veículos de imprensa sobre os envolvidos na reportagem, incluindo os autores. O texto exclui a possibilidade de condenação criminal do jornalista. E crimes de injúria, difamação e calúnia passam a ser regulados somente pelo Código Penal.

Os artigos 5 e 220 da Constituição Federal dispõem sobre direito de resposta proporcional ao agravo. A lei determina parâmetros do conteúdo da resposta, que não poderá ter caráter de tréplica, bem como prazos de acordo com a periodicidade dos veículos. Da responsabilidade civil, são delineados os critérios para dano moral e dano material, e é dada ao jornalista a opção de se recusar a assinar artigos, sem chance de punição.

A proposta leva em conta propostas anteriores, e revoga a atual Lei de Imprensa, Lei 5250/67.

Entidades

A Associação Nacional dos Jornais (ANJ) já recebeu o anteprojeto, mas ainda está avaliando o texto antes de emitir qualquer parecer. A Associação Brasileira de Imprensa (ABI) tem posição semelhante. “Entre as questões previstas, o direito de resposta protege as pessoas atingidas de forma negativa como protege os veículos, dando tempo hábil”, adianta Maurício Azêdo, presidente da ABI.

“Acho bom promover o debate, e o Miro classificou bem a atual lei como entulho autoritário. Mas já há um projeto pronto há dez anos, esperando a votação. Ele contou com participação da Fenaj e da ANJ, e é infinitamente melhor que a atual lei”, diz Sérgio Murillo, presidente da Federação Nacional dos Jornalistas.

Parceria entre governo do Rio e Ancine visa atrair empresas de audiovisual

Rio de Janeiro – A Secretaria Estadual de Cultura do Rio firmou hoje (12) uma parceria com a Agência Nacional de Cinema (Ancine), ligada ao Ministério da Cultura, para estimular as produções audiovisuais locais. O setor, conforme a secretaria, movimenta no estado cerca de R$ 9 bilhões por ano.

Segundo o coordenador do projeto, o subsecretário cultural Carlos Guimarães, atualmente o Rio é o maior produtor do setor audiovisual, concentrando cerca de 60% do total das produções brasileiras.

'As produtoras do Rio precisam ser mais bem equipadas, pois estamos perdendo terreno para São Paulo, principalmente nas produções voltadas ao mercado publicitário. Então a gente precisa de ações que desonerem a carga tributária para incentivar outras empresas a virem para cá e para que as empresas que já estão aqui se fortaleçam com recursos'.

A idéia do convênio também é permitir a troca de experiências, de informações e de tipos de tecnologia entre os profissionais da Ancine e do setor cultural fluminense.

O acordo prevê, ainda, a criação de um grupo de trabalho com oito profissionais do setor, entre cineastas, produtores e distribuidores. Eles vão elaborar um plano que deve ser apresentado à secretaria em março de 2008.

Hoje, as produções audiovisuais no Rio têm a Lei do ICMS, que garante a isenção de uma porcentagem do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Prestação de Serviços (ICMS), recolhido pelos governos estaduais, às empresas que patrocinarem projetos no setor. No ano passado, a lei garantiu cerca de R$ 3 milhões para a área.

Minicom oferece software gratuito para deficientes visuais

O Ministério das Comunicações já disponibiliza, em sua página na internet, o software leitor de telas desenvolvido pelo CPqD (Centro de Pesquisa e Desenvolvimento em Telecomunicações) com recursos do Funtell (Fundo para o Desenvolvimento Tecnológico das Telecomunicações). A ferramenta, de grande importância para os deficientes visuais, pode ser baixada gratuitamente.

'Prestar esse serviço aos portadores de deficiência é um grande orgulho para o Ministério das Comunicações. Os recursos do Funttell e do Fust (Fundo de Universalização dos Serviços de Telecomunicações) devem ser direcionados a projetos nobres como esse. No caso do Fust, conseguimos utilizar os recursos pela primeira vez e os primeiros beneficiados foram os deficientes auditivos em todo o país', ressalta o ministro Hélio Costa.

O software leitor de telas permite a narração automática dos textos e ações dos usuários, facilitando o dia-a-dia de pessoas cegas ou com baixa visão. O objetivo do MC é utilizar a ferramenta em todos os seus programas de inclusão digital.

O aplicativo foi desenvolvido para ser utilizado mesmo em computadores bem simples, com processador de 500MHz, Windows 2000 ou XP, memória de 256MB e mínimo de 30MB de disco livre para instalação. Para fazer o download, basta clicar no banner disponível na página do MC no endereço www.mc.gov.br .