Ministério autoriza retransmissoras de TV

Reproduzido do Ministério das Comunicações

Brasília – O Ministério das Comunicações publicou no Diário Oficial da União autorização para a Fundação Século Vinte e Um, geradora de televisão sediada em Campinas (SP), a retransmitir seus sinais para a cidade de Amparo (SP). A decisão foi publicada na edição desta quarta-feira, 11 de novembro, no Diário Oficial, que traz ainda a renovação por dez anos da outorga da Central Sistema de Radiodifusão, a rádio CSR FM, que funciona na cidade de Formosa (GO).

Ainda no Diário Oficial foi publicada a autorização para a Globo Comunicação e Participações transmitir em caráter científico e experimental sinais de TV Digital para a cidade do Rio de Janeiro (RJ). Com isso, em todo país, sobe para 137 o número de emissoras de televisão que estão com portarias de consignação do Ministério das Comunicações para a transmissão aberta de sinal digital.

Na última terça-feira, 10 de novembro, o Ministério das Comunicações publicou dez portarias no Diário Oficial da União com autorizações para retransmissoras de televisão. Quatro outorgas são para a geradora Fundação Nossa Senhora Aparecida, com sede em Aparecida (SP), que retransmitirá seus sinais para as cidades de Valparaíso, Tietê, Cruzeiro e Piquete, todas no estado de São Paulo.

Também seis retransmissoras do Sistema TV Paulista obtiveram do ministério autorização para retransmitir a programação da Fundação Nossa Senhora Aparecida, de Aparecida (SP). As cidades contempladas são Bocaiúva do Sul (PR), Arujá (SP), Uberaba (MG), São Luís (MA), Campina Grande e João Pessoa na Paraíba.

(Eider Moraes)

Idec apresenta carta contra a compra da GVT pela Telefônica

[Título Original: Idec envia carta à Anatel e ao Ministério Público Federal contra a compra da GVT pela Telefônica ]

O Idec enviou hoje (11) à Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações) e ao Ministério Público Federal carta se posicionando contra a compra da GVT pela Telefônica e pedindo para que os dois órgãos atuem de forma a impedir a concretização da operação.

Para o Instituto, a transação viola os princípios da Lei Geral de Telecomunicações – que busca regular o mercado e evitar concentrações. Na prática, a operação eliminará um novo e potencial competidor, mantendo o quadro de péssima qualidade dos serviços prestados e de preços abusivos.

A GVT divulgou recentemente planos para a atuação nos mercados dos estados de São Paulo e Rio de Janeiro, o que pode torná-la uma nova opção de escolha para os consumidores dessas regiões.

Além de prejudicar a concorrência no setor de telefonia e telecomunicações, o Idec entende que "não é aceitável que a Telefônica empenhe aproximadamente R$ 7 bilhões na aquisição da GVT sem a comprovação de que os investimentos já realizados são suficientes para a garantia da qualidade dos serviços.

A concessionária enfrentou graves problemas na oferta dos serviços de telefonia fixa e banda larga – que levaram à interrupção temporária das vendas do Speedy. Para minimizar esses transtornos, a companhia afirma ter investido cerca de 2,4 bilhões em infraestrutura e na melhoria do atendimento aos consumidores, valor bem aquém do pretende desembolsar para a aquisição da GVT.

Na carta, o Idec alerta ainda que, além de precários, os serviços prestados pela Telefônica são extremamente caros para o consumidor. "Com a eliminação de um potencial competidor e a conseqüente manutenção do monopólio da empresa em São Paulo, os consumidores permanecerão reféns da empresa, que poderá, inclusive, repassar os custos da aquisição da GVT aos seus clientes, radicalizando o já inaceitável quadro atual", diz o documento.

Minicom recicla Telefone Social e sugere celular gratuito no Bolsa Família

Quatro anos depois da última iniciativa do Ministério das Comunicações de criar um plano específico de telefonia voltada à baixa renda, o ministro Hélio Costa anunciou nesta terça-feira, 10, que está encampando uma proposta para incluir a distribuição de celulares para as 11 milhões famílias atendidas pelo Bolsa Família. O projeto teria sido sugerido pelas empresas de telefonia móvel, em especial a TIM, e incluiria um aparelho celular gratuito e mais um vale mensal de R$ 7. O plano do telefone seria pré-pago.

Para viabilizar o plano, o governo asseguraria uma isenção do Fistel cobrado no momento da habilitação dos celulares, de R$ 26,83 e, anualmente, com taxa de funcionamento de R$ 13,42. "O governo poderia desconsiderar essa receita porque ela ainda não existe", argumentou o ministro Hélio Costa. O ministro, no entanto, não falou de outras opções que poderiam ser usadas para equilibrar as contas além da renúncia fiscal sobre os aparelhos habilitados dentro do projeto.

O plano ainda não tem nome oficial e tem sido chamado informalmente de "Bolsa Celular". Costa contou que já teria apresentado o projeto ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva e que ele teria gostado da ideia. A TIM admitiu em nota que tem discutido com o governo sobre o plano. "O detalhamento da proposta, inclusive das contrapartidas de parte a parte, está em discussão com o Ministério das Comunicações.

A Vivo, também em nota, disse que "vê com interesse qualquer proposta que beneficie a universalização do acesso às telecomunicações móveis do Brasil", mas pondera sobre a necessidade de que o programa tenha sustentabilidade econômica, ainda que por meio da desoneração tributárias. Fonte da Oi disse ainda não ter conhecimento da proposta, mas que a empresa também vê com bons olhos iniciativas que ajudem a expandir a telefonia móvel. A Claro não se pronunciou oficialmente sobre o projeto.

A primeira vez que o Minicom tentou implantar um programa desse tipo o objetivo não foi alcançado por conta de problemas legais. O projeto, batizado na época de "Telefone Social", previa o estabelecimento de um plano mais barato – com assinatura em torno de R$ 30 – onde o Bolsa Família serviria como parâmetro para a concessão do benefício. O plano fracassou depois que a Casa Civil interpretou que a LGT não permite discriminação de qualquer forma entre os consumidores de telecomunicações, mesmo que a diferenciação seja por meio de um plano de atendimento da baixa renda.

Com o impedimento legal, o Minicom criou uma proposta de anteprojeto de lei alterando a LGT para permitir a criação do Telefone Social. O PL 6677/2006 está paralisado na Câmara dos Deputados desde 2006 sem deliberação. O próprio ministro Hélio Costa concedeu entrevistas ao longo deste ano reclamando sobre a necessidade de tramitação da proposta. Costa rememorou o projeto em entrevista nesta terça e comparou-o à nova proposta. "Acho que a nossa proposta de usar o celular é mais inteligente", afirmou o ministro.

Em princípio, o impedimento legal de discriminação dos usuários permanece intacto, a não ser que a Casa Civil revise sua interpretação da LGT ou um projeto alterando a lei seja aprovado. Com relação à renúncia do Fistel, também pode ser necessária a atuação do Poder Legislativo, uma vez que o encargo é estabelecido em lei própria, com uma tabela específica das contribuições. Reduções do Fistel para a criação de novos encargos já foram feitas pelo Congresso Nacional, como foi o caso do estabelecimento da Contribuição de Fomento para a Radiodifusão Pública, em benefício da EBC.

Conclusão do Plano Nacional de Banda Larga fica para a próxima semana

Não será nesta semana que o país conhecerá oficialmente o comentado Plano Nacional de Banda Larga do Governo Federal. A reunião onde o presidente Luiz Inácio Lula da Silva bateria o martelo sobre a proposta, em gestão há mais de um mês na Casa Civil, deveria ocorrer nesta semana, mas foi adiada para a próxima. O motivo é a agenda do próprio presidente, que estaria ocupada por várias audiências, restringindo o espaço para um encontro longo como deverá ser o de discussão do projeto.

Foi Lula quem estipulou o prazo que espira nesta semana para a finalização da proposta. O presidente deu 45 dias para que a Casa Civil organizasse um grupo de trabalho para executar a tarefa. A estratégia foi organizar dois subgrupos, um de regulação e outro de infraestrutura para discutir o tema. É o material deste segundo grupo que deve ser apresentado mais detalhadamente ao presidente em data ainda a ser agendada entre os dias 17 e 23. Por tratar de eventuais reformas mais amplas, não há a mesma premência para a conclusão do trabalho do grupo de regulação.

O adiamento assegura mais alguns dias para os arremates finais da proposta, mas fontes asseguram que o projeto está bem encaminhado e continua seguindo a linha do que já vem sendo divulgado nos últimos meses pela imprensa. A ideia de usar a Telebrás como gestora de uma nova rede pública de banda larga, composta especialmente por fibras óticas de grandes estatais de energia como Furnas, Eletronorte, Chesf e Petrobras continua firme, apesar das críticas e propostas alternativas de membros do próprio governo.

Na visão defendida dentro do grupo de trabalho de infraestrutura, o alvo é a rede e não a oferta direta de serviços ao consumidor final. Assim, os defensores dessa linha de ação acreditam que a proposta que vem sendo desenhada pelo Ministério das Comunicações é "complementar" e não uma nova opção para o projeto, como defendem empresas e membros do próprio ministério.

A proposta em elaboração no Minicom está calcada em uma parceria com as concessionárias de telefonia, com alvo em uma oferta de banda larga mais barata para a população a partir da redução de impostos e incentivos públicos. Parte da defesa dessa proposta está no fato de que as redes já existentes devem ser aproveitadas para levar o serviço a todos os cantos do país e que um projeto dessa magnitude não pode ser arcado somente pela administração pública. Dentro da Casa Civil, pouco se sabe oficialmente sobre a sugestão do Minicom, mas a visão geral é de que um projeto não inviabiliza o outro.

O adiamento também deve ser benéfico ao ministério, que ainda não arrematou sua proposta. O trabalho tem sido feito em conjunto com as concessionárias, que ainda não apresentaram ao ministro Hélio Costa uma oferta acabada para o projeto. A expectativa dos empresários é de realizar um encontro com o ministro nesta semana para tratar do assunto. O custo total do projeto também não foi divulgado pelas companhias, que dizem ainda estar trabalhando no fechamento destes números.

De volta ao projeto da rede pública, o processo de convencimento das estatais do setor elétrico a participar do projeto não tem sido tão simples quanto parece. Comenta-se que algumas empresas têm reagido mal à ideia de "ceder" suas fibras para o projeto. O caso mais falado é o da Eletronorte, que teria montado um grupo só para tratar do assunto e não estaria satisfeita com o projeto. A interpretação dos negociadores é que partes do setor elétrico gostariam de entrar no projeto como "provedores" oficiais do governo, garantindo a esse segmento o papel estratégico de cobrar das teles pelo acesso à nova rede. Essa hipótese não ganhou guarida dentro da Casa Civil até agora.

Confecom é destaque em seminário na Câmara

Brasília – A modernização da legislação que trata do setor de telecomunicações é fundamental para acompanhar o processo de convergência tecnológica. A afirmação é do consultor jurídico do Ministério das Comunicações, Marcelo Bechara. Durante seminário realizado na Câmara dos Deputados sobre “As Leis da Comunicação e sua Consolidação”, o presidente da Conferência Nacional de Comunicação disse que a Confecom será um espaço fértil para aprofundar esse debate.

“O marco legal vigente para o setor é ainda o mesmo de 1962, com o Código Brasileiro de Telecomunicações. Não é uma lei ruim, mas merece reparos. A ordem legal vigente não dá conta plenamente das novas realidades, em que está cada vez mais difícil delimitar as fronteiras entre serviços de transmissão de dados, sons e imagens. A convergência atinge toda a comunicação”, destacou Marcelo Bechara.

Para ilustrar como a legislação não acompanhou os avanços tecnológicos, Bechara apresentou um panorama das principais estatutos que regem o setor, como o Código Brasileiro de Telecomunicações, de 1962, e a Lei Geral de Telecomunicações, de 1997. Ele também citou iniciativas do Ministério das Comunicações que se apóiam no processo de convergência tecnológica, como a TV Digital e o programa de Inclusão Digital. Essa última iniciativa do governo inclui, entre outras ações, a instalação de telecentros comunitários em todos os municípios brasileiros e a conexão gratuita à internet em banda larga de todas as escolas públicas urbanas até o fim de 2010.

Além do tema da modernização, também esteve na pauta do seminário realizado pela Câmara dos Deputados a possibilidade de se consolidar em um só documento a legislação do setor, hoje considerada esparsa. Esse é o objetivo do Projeto de Lei nº 3.516/2008, que tramita na Câmara dos Deputados, de autoria do deputado Bruno Rodrigues (PSDB-PE). Para Bechara, essa consolidação seria importante por organizar de forma mais objetiva a legislação.

O consultor jurídico do Ministério das Comunicações ressaltou o papel da Conferência Nacional de Comunicação (Confecom) para colocar em pauta todas essas questões. A etapa nacional da conferência será realizada entre 14 e 17 de dezembro, em Brasília, e contará com a participação do governo, sociedade e empresários. “Espero que a conferência possa dar contribuições importantes. Lá, serão discutidas todas as possibilidades de serviços que efetivamente atendam os anseios desse novo usuário, que tem sede de informação e quer ser protagonista do processo de produção de conteúdos”, disse.

O seminário “As Leis da Comunicação e sua Consolidação” é uma iniciativa do Grupo de Trabalho de Consolidação das Leis, coordenado pelo deputado José Mentor (PT-SP). Segundo o parlamentar, que abriu as discussões da manhã, o objetivo é dar espaço para que a sociedade, empresas e órgãos do setor possam analisar em conjunto as oportunidades de atualizar a legislação.

O painel realizado na manhã desta terça-feira também contou com a participação da advogada especialista em radiodifusão, Vanda Jugurtha Bonna Nogueira. O seminário vai até o fim do dia e inclui debates sobre o papel do Legislativo no processo de modernização da legislação e também sobre a visão empresarial diante do tema.