Intervozes – Levante sua voz

Vídeo sobre direito à comunicação produzido pelo Intervozes Coletivo Brasil de Comunicação Social com o apoio da Fundação Friedrich Ebert Stiftung retrata a concentração dos meios de comunicação existente no Brasil.

Roteiro, direção e edição: Pedro Ekman
Produção executiva e produção de elenco: Daniele Ricieri
Direção de Fotografia e- câmera: Thomas Miguez
Direção de Arte: Anna Luiza Marques
Produção de Locação: Diogo Moyses
Produção de Arte: Bia Barbosa
Pesquisa de imagens: Miriam Duenhas
Pesquisa de vídeos: Natália Rodrigues
Animações: Pedro Ekman
Voz: José Rubens Chachá

CC – Alguns direitos reservados
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Apressado, plano pode não atender demandas sociais para banda larga

A pedido do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a equipe do governo trabalha contra o relógio para finalizar um Plano Nacional de Banda Larga, que consiga levar para a maioria da população – ou toda ela – o acesso à internet de alta velocidade. O prazo estipulado pela Presidência para que os ministérios envolvidos apresentassem suas propostas terminou hoje (11), mas a reunião com Lula foi remarcada para a próxima semana.

A pressa na iniciativa, porém, dificulta a colaboração das entidades que lutam pelo direito à comunicação no projeto. Muitas delas já captaram a importância da pauta da universalização da banda larga. Evidência disso são os resultados de encontros que estão sendo realizados pelo país como preparação para a 1ª Conferência Nacional de Comunicação (Confecom).

No entanto, toda essa contribuição pode cair no vazio. Mesmo com o adiamento da reunião ministerial, a definição do plano deve acontecer a cerca de um mês da realização da etapa nacional da Confecom, que acontece entre os dias 14 e 17 de dezembro.

O trabalho está sendo feito por uma equipe interministerial, dividida em dois grupos: um para tratar de infra-estrutura e outro para avaliar mudanças no marco regulatório. Os donos das empresas de telefonia tem tido acesso direto ao governo para apresentar suas propostas. Nesta terça-feira (10), por exemplo, eles estavam reunidos com o ministro Hélio Costa.

Neste encontro, deveriam apresentar uma sugestão sobre fazer do PNBL uma parceria entre governo e setor privado, mas o que surgiu no encontro foram demandas como a desoneração do serviço e liberação de verbas do Fundo de Universalização dos Serviços de Telecomunicações (Fust). A legislação atual diz que o Fust deve ser usado para a universalização dos serviços de telefonia fixa – hoje o único prestado em regime público e, portanto, sujeito a metas de universalização –, mas já há um projeto sendo discutido no Congresso para liberar investimentos também para a internet.

Além das dúvidas a respeito do conteúdo do plano, a falta de abertura das discussões para a sociedade civil não-empresarial tem instigado críticas à metodologia adotada. “Se há a intenção de construir um processo de participação social que tenha impacto na politicas públicas com a Confecom, parece ilógico construir uma proposta dessa magnitude às vésperas de um processo que deveria propor as diretrizes desse plano. É só mais uma cereja no bolo que evidencia o quão desvalorizada está a conferência”, opina Diogo Moyses, consultor técnico do Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec).

Para alguns analistas, a proposta de um plano nacional de banda larga já vinha sendo gestada dentro do governo. No entanto, ela ainda não havia sido fechada por divergências internas. “O Ministério das Comunicações vinha elaborando a proposta, só que ela atraía as empresas privadas de telecomunicações. Na Casa Civil, seria alavancada pelo setor público-estatal”, situa o coordenador do Laboratório de Políticas de Comunicação (LapCom) da Universidade de Brasília, Murilo Cesar Ramos. O acadêmico acredita ser difícil acabar com essas diferenças neste pouco tempo que foi dado para a elaboração do plano, cerca de 45 dias entre a primeira e a segunda reunião dos ministérios com Lula. Mesmo assim, ele ressalta que a iniciativa do governo merece todo o apoio.

Rede pública

Apesar da pouca informação que se tem sobre o PNBL, alguns temas já circulam pela mídia especializada. Um deles é a vontade que alguns membros do governo federal teriam em constituir uma rede pública de fibras óticas a partir da interligação de algumas redes existentes de empresas do governo, como as da Petrobras, Eletronorte, Furnas e Chesf. De acordo com declarações do secretário de Logística e Tecnologia da Informação do Ministério do Planejamento, Rogério Santanna, essa estrutura federal somaria mais de 31 mil quilômetros de cabos, o que atenderia 4.245 municípios (76% do total) em 23 estados mais o Distrito Federal. Uma das propostas aventadas é que a gerência dessa rede seria da Telebras.

“A hipótese não pode ser desconsiderada. O exemplo maior é da proposta do governo da Austrália, que mostra claramente que pensar numa rede pública estatal não é absurdo. Mas ela implica alta responsabilidades”, afirma o professor Murilo Ramos.

Opinião semelhante tem o secretário executivo do Instituto Nupef (Núcleo de Pesquisa, Estudos e Formação), Carlos Afonso. “A melhor proposta parece ser a que combinará redes já existentes com lançamento de novas fibras para assegurar pontos de presença de espinhas dorsais de alta velocidade em todos os municípios brasileiros. A rede operada por uma estatal (no caso, a Telebras) servirá como agente regulador de preços na prática, ao oferecer mais banda por menor preço que os atualmente praticados pelo 'mercado' – na verdade, o cartel das operadoras privadas”, acredita ele. O Nupef é ligado à Rede de Informação para o Terceiro Setor (Rits).

O Nupef também avalia que a rede pública poderia ser associada a um plano de apoio à implantação de redes municipais, em parcerias com prefeituras, entidades e empresários locais. “Seria uma forma de 'furar' o cerco do cartel das operadoras e provavelmente a única maneira de efetivamente universalizar o acesso de qualidade para toda a população. Ainda não vimos isso mencionado nas discussões do plano nacional de banda larga”, diz Carlos Afonso.

Regime público

Uma iniciativa que independe da construção da rede pública é citada pelos analistas ouvidos pelo Observatório do Direito à Comunicação como uma das principais maneiras de se massificar o acesso à banda larga. Trata-se de classificar a internet em alta velocidade como um serviço a ser prestado em regime público. Hoje, apenas a telefonia fixa é assim categorizada. A implantação de tal medida levaria ao estabelecimento de metas de universalização da banda larga, além de obrigações referentes a preços e tarifas.

O coordenador do LapCom Murilo Ramos é taxativo: “Só vamos ser considerados socialmente justos se [a banda larga] for serviço em regime público com obrigações de universalização.”

Assim também pensa Carlos Afonso, do Nupef. “Estamos de acordo com a necessidade de garantir infra-estrutura de alta velocidade para todos os municípios em regime público. Creio que isso não elimina as muitas possibilidades de prestação de serviço a partir dessa rede democratizada, por parte de provedores comerciais ou não, provedores de vários tipos, especialmente no nível local.” Não há nenhum sinal, porém, que indique disposição do governo em concretizar a reivindicação dos analistas.

Isenção fiscal

Surge também nas discussões uma possibilidade de massificar o acesso por meio de isenções fiscais oferecidas às atuais empresas provedoras de internet. Para elas, poderia ser uma forma interessante de levar suas redes a locais onde hoje não o fazem por falta de retorno financeiro. É o que recentemente fez o governador de São Paulo, José Serra, por meio da isenção do Imposto sobre Circulação de Mercadoria e Serviços (ICMS). A proposta paulista pretende oferecer uma velocidade de 200kbps por R$ 29,80. A redução dos impostos é uma das principais bandeiras das teles.

A medida aplicada em São Paulo, porém, não pode servir de referência nacional. Pelo menos é a opinião do secretário executivo do Nupef. “A desculpa do imposto é uma mentira deslavada: o
preço da banda pseudolarga e pseudopopular oferecida pela Telefônica com desconto de imposto em São Paulo (R$30 por 200 kb/s, ou 0,2 Mb/s) é 65 vezes mais alto que o preço por Mb/s oferecido pela mesma empresa em Londres, por exemplo”, relata Carlos Afonso. “Não há imposto que justifique tal absurdo de preço com a péssima qualidade praticada pelas operadoras. Isso sem falar que só garantem 10% da banda.”

A Telefônica deveria começar a vender a alardeada banda larga popular esta semana, mas não o fez. Segundo o noticiário especializado Teletime News, quem procura informações sobre a compra do serviço recebe como resposta que a empresa ainda vai “concluir em breve as atividades adicionais necessárias para a comercialização do produto”.

Instituições ligadas aos direitos do consumidor denunciam que a Telefônica estaria promovendo a venda casada de produtos, o que é vedado pelo Código de Defesa do Consumidor. Isso porque a empresa quer vender a banda larga popular apenas para quem for assinante do seu serviço de telefonia fixa. “Que família de menores recursos pode pagar R$70 para ter essa banda miserável em casa? São R$40 da assinatura básica de telefonia mais R$30 da banda pseudolarga Speedy, que deveria chamar-se Slowly”, critica Carlos Afonso, do Nupef.

Avaliação das teles

Para o representante do Idec, Diogo Moyses, a falta de participação popular na construção do plano pode fazer com que ele não leve em consideração as necessidades da sociedade. “Muitos locais ainda não têm o serviço disponível. A imensa maioria do país vive dependente do monopólio (Oi e Telefônica). Os preços são altíssimos e a qualidade do serviço é precária, com problemas de cobranças indevidas, cláusulas abusivas nos contratos, publicidade enganosa, serviço contratado e não oferecido e sinal de baixa qualidade”, resume o consultor, sobre algumas questões que, segundo ele, devem ser consideradas na elaboração do Plano Nacional de Banda Larga.

Embora tenham sido cogitadas na mídia maneiras diferentes de se universalizar a banda larga, os analistas defendem que, em todas elas, deve ser considerada a presença do Estado na regulamentação do serviço. “Do modo que está hoje, com o avanço do setor privado, vamos levar décadas para um acesso massificado da banda larga. Não há como fugir de uma intervenção estatal forte nesse momento”, enfatiza Murilo Ramos.

Controle público e social é debate central na Confecom

Tema que inspirou debates acirrados desde a convocação da Conferência Nacional de Comunicação (Confecom) e teria, inclusive, sido usado como desculpa para a saída das entidades empresariais da Comissão Organizadora Nacional, o controle público e social da mídia é bandeira fundamental das organizações e movimentos sociais. O conjunto das propostas apresentadas por diversas entidades e os debates já realizados nas conferências livres e estaduais apontam a preocupação em estabelecer regulamentações, mecanismos de acompanhamento e órgãos regulatórios participativos que lidem tanto com os conteúdos midiáticos como as políticas públicas do setor.

O Conselho Federal de Psicologia (CFP) defende a instituição de mecanismos de controle social em suas propostas apresentadas como contribuição aos debates da Confecom e justifica afirmando que “a comunicação desempenha um papel central na formação da subjetividade e da coletividade”. O CFP mostra-se preocupado, especialmente, com a existência de instrumentos que possibilitem o acompanhamento crítico, o ajustamento e a reparação, quando necessário, dos conteúdos veiculados pela mídia, sobretudo em relação à imagem da mulher, do homem, das crianças e adolescentes e também à publicidade.

“O papel de homens e mulheres que se diferenciam apenas pela sensualidade ou por possuir algo, nos comerciais, desconhece lutas sociais de séculos, como a da emancipação feminina, ou mostra homens superficiais que não reconhecem valores éticos ou outras transformações culturais e comportamentais", critica o CFP. Os psicólogos também se mostram preocupados com o fato de o único órgão regulador da publicidade no Brasil seja uma entidade privada, o Conselho Nacional de Autorregulação Publicitária (Conar), que ainda por cima é organizado por publicitários com financiamento de anunciantes.

São propostas defendidas pelos psicólogos, além dos mecanismos de controle social, o fim da publicidade dirigida às crianças e o fim da publicidade de bebidas alcoólicas, além de uma avaliação dos conteúdos que relacionam trânsito e mídia.

O movimento de mulheres também indica as questões relacionadas ao conteúdo veiculado pelas mídias como central nos debates da Confecom. Assim como outros movimentos de minorias historicamente desprestigiadas pela mídia, as mulheres também defendem o controle social. Fazem parte da plataforma das mulheres propostas como a garantia de que “a imagem da mulher será veiculada sempre com pluralidade, diversidade e sem reprodução de estereótipos, inclusive na promoção do combate ao racismo e à violência contra a mulher”; a criação de espaços públicos dentro das rádios e TVs para os movimentos de mulheres; a fiscalização do conteúdo e punição de abusos.

A proposta consta da Plataforma das Mulheres para a 1ª Conferência Nacional de Comunicação. O documento traz as contribuições debatidas pelo conjunto dos movimentos que participaram em março do Seminário Nacional A Imagem da Mulher na Mídia, realizado em São Paulo pela Articulação Mulher e Mídia e a Secretaria Nacional de Políticas para as Mulheres.

O Intervozes – Coletivo Brasil de Comunicação Social aborda a questão pelo viés da diversidade na mídia e respeito aos direitos humanos. Entre as propostas elaboradas pelo coletivo para a Confecom encontra-se, por exemplo, a previsão de punição a veículos que violem os DDHH. “A veiculação de informações que violem os direitos humanos deve incorrer em um sistema de punição, nos moldes daquele previsto no Código Brasileiro de Telecomunicações, que varie da correção ao cancelamento da licença concedida ao prestador do serviço, em caso de múltiplas reincidências”, propõe o Intervozes.


Ao mesmo tempo, o coletivo reforça a necessidade de se estabelecer uma regulamentação que estabeleça mecanismos de defesa do público, garanta o direito de resposta e que proíba a veiculação de conteúdos que promovam ou pratiquem todo e qualquer tipo de discriminação.

Empresários contra

Os empresários seguem investindo na estratégia de barrar qualquer debate sobre regulação, controle de conteúdo e participação popular. As reivindicações dos movimentos e organizações sociais têm sido tachadas como censura nos espaços em que as representações do empresariado têm falado sobre a conferência. “Para a viabilização da Confecom, é crucial que não haja o controle social do conteúdo, que significa censura e interferência política”, ameaçou Walter Ceneviva da Associação Brasileira de Radiofusores (Abra) em seminário sobre regulação da convergência tecnológica chamado pelo Instituto de Defesa do Consumidor (Idec).

Defendeu a mesma linha o diretor de Relações Institucionais das Organizações Globo, Evandro Guimarães, também representante da Associação Brasileira de Rádio e Televisão (Abert). Durante seminário sobre a Confecom realizado pela Escola de Comunicações e Artes da USP, afirmou inclusive que a pauta de controle social teria sido um dos motivos que levaram a Abert e outras entidades empresariais a abandonarem a comissão organizadora da Conferência. Sobre participação popular, limitou-se a dizer que a existência de TVs comunitárias não era contraditória a programação das TVs abertas.

Participação

Ao mesmo tempo em que se mostram preocupadas em estabelecer regras que estabeleçam parâmetros e formas de regulação dos conteúdos midiáticos, as diversas entidades que defendem medidas em favor do exercício do controle público e social das comunicações apontam a necessidade de criação de estruturas específicas para este fim. Em todos os casos, a premissa principal é a garantia da participação popular nestes órgãos, além da transparência.

A plataforma elaborada pelo conjunto das entidades do movimento de mulheres prevê a criação de "Conselhos de Comunicação municipais, estaduais e regionais para fiscalização do conteúdo e controle dos horários de veiculação das produções”. “Tais conselhos devem ser gestores, fiscalizadores e deliberativos, com configuração tripartite. Em nível nacional, o Conselho de Comunicação será o órgão fiscalizador dos meios de comunicação, de modo a dar maior impacto as ações e demandas propostas pela sociedade”, diz o documento.

Tanto o documento do Intervozes como a plataforma das mulheres indicam a criação de alguma espécie de ouvidoria do consumidor/telespectador. O Intervozes defende a implantação de uma comissão sobre violações dos direitos humanos. Seria composta por sujeitos indicados pelo CNC, “com a função de receber reclamações e denúncias e encaminhar sugestões de reparação ou punição aos órgãos responsáveis pela aplicação de sanções aos prestadores de serviços”.

 

Já o Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação (FNDC) aponta a necessidade dos concessionários públicos de rádio e TV também contarem com obrigações neste sentido. O fórum propõe “a inclusão na estrutura das empresas de Rádio e TV de mecanismos que estimulem e permitam o controle público sobre a programação, como conselhos com participação da sociedade, conselhos editorais e serviços de ouvidoria”.

Políticas públicas

Além de defenderem o controle de conteúdo, as organizações e movimentos sociais mobilizados no processo da Confecom fazem propostas de criação de instrumentos de participação popular e controle das políticas públicas para o setor das comunicações.

O Intervozes defende a instituição de mecanismos “de incidência e participação da população sobre as políticas no âmbito do Estado”. O pilar desta proposta seria a interação entre os órgãos reguladores do setor e instâncias e mecanismos de participação direta e indireta em todas as áreas do setor. Especificamente, o coletivo propõe a criação de um órgão federal – o Conselho Nacional de Comunicação – aberto à participação popular em suas diversas instâncias e sujeito a exigências rigorosas de transparência. De acordo com o coletivo, a composição deste órgão “deveria seguir o exemplo do Conselho Nacional de Saúde, reservando 50% das cadeiras a representantes dos usuários, 25% aos trabalhadores do setor, 25% aos prestadores de serviço”.

O CNC seria responsável pela regulamentação específica e a regulação do setor, pelo processamento das outorgas relativas aos diversos serviços, pela fiscalização e pelas ações de fomento. A função do conselho abrangeria os serviços, a infra-estrutura e o conteúdo, assumindo funções que hoje estão sob responsabilidade de agências reguladores (a Agência Nacional de Telecomunicações e a Agência Nacional do Cinema).

Além do CNC, o Intervozes avalia ser importante estabelecer conselhos municipais e estaduais que assumam o papel de espaços de participação e decisão sobre as políticas locais e regionais, notadamente em relação a políticas de acesso aos meios, à criação de veículos públicos de comunicação e ao fomento à diversidade da mídia. Além disso, tais conselhos deveriam assumir também também funções em relação ao processamento dos pedidos de outorgas e concessões de serviços de comunicação.

O FNDC defende a criação de um conjunto de mecanismos de controle público, entre eles “conselhos de comunicação municipais e estaduais, agências reguladoras, ombudsman e Conselho Federal dos Jornalistas”. Para a entidade, estas estruturas também teriam como função dar conta da aplicação do “princípio constitucional da proibição do monopólio e oligopólio na área da comunicação”. Para isso, segundo o FNDC, é “imprescindível aprofundar o debate entre o setor privado e a sociedade” para se formular uma legislação que garanta a efetivação deste princípio.

Especificamente, o fórum pede “a redefinição do papel do Conselho Nacional de Comunicação Social, independente do Senado, com caráter deliberativo e autônomo”, além da criação de “uma comissão no Ministério das Comunicações, com a presença de representantes da sociedade civil, para participar da avaliação das outorgas e, ainda, a obrigação dos processos serem apreciados no Conselho de Comunicação Social quando de sua tramitação no Senado”.

*** NA BIBLIOTECA DO OBSERVATÓRIO DO DIREITO À COMUNICAÇÃO você encontra a íntegra das propostas das entidades envolvidas no processo da Conferência Nacional de Comunicação. Clique aqui.

Governo do Amazonas realiza Conferência Estadual de Comunicação

A Conferência Estadual de Comunicação do Amazonas será realizado nos dias 17 e 18 de novembro, em Manaus. Reunirão-se no auditório da Secretaria Municipal de Educação jornalistas, comunidade acadêmica, empresários e comunidade em geral, com o objetivo de ampliar o debate sobre os direitos do cidadão à comunicação.

O evento é realizado pelo Governo do Amazonas, Assembléia Legislativa, Prefeitura de Manaus, Sindicato dos Jornalistas, entre outros. Segundo o Sindicato dos Jornalistas dos Jornalistas Profissionais no Estado do Amazonas, a conferência estadual é importante para abrir possibilidade concreta para a sociedade civil apresentar e votar em propostas que possam se transformar em políticas públicas.

Os municípios que realizaram as Conferências Municipais têm até a próxima quarta-feira (11) para enviar os relatório e propostas para a Comissão Organizadora da Conferência Estadual de Comunicação. A 1ª Conferência Nacional de Comunicação será realizada de 14 a 17 de dezembro, em Brasília.

Paraná formula propostas para serem apresentadas na Confecom

A Conferência Estadual de Comunicação do Paraná encerrou suas atividades no último domingo (8) com a eleição dos delegados que representarãoo o Estado na 1ª Conferência Nacional de Comunicação, que será realizada entre 14 e 17 de dezembro em Brasília.

No denate estadual, foram formuladas pelos grupos de trabalho 177 propostas para serem encaminhadas à 1ª Confecom sobre os três eixos de discussão: produção de conteúdo (23 propostas); meios de distribuição (104); e Cidadania: direitos e deveres (50 propostas).

Para Aniela Almeida, do Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Paraná e representante da sociedade civil, os dias de reuniões foram produtivos. "Nós dialogamos nos grupos de trabalho de uma forma bastante tranquila. Os paineis de debates foram bastante esclarecedores e deram um bom embasamento nas discussões das propostas".

Eleita delegada para representar o estado na Confecom, Aniela afirmou que a conferência nacional "pode gerar debates em relação à abertura de outros espaços de mídia para que outros grupos tenham a sua voz ouvida e a sua fala representada".

Para Benedito Pires, secretário estadual de Comunicação do Paraná, eleito delegado para representar o poder público, é importante destacar o papel da comunicação no Brasil. "A Comunicação é um assunto muito grave e essencial para a sociedade. Estamos há 30 anos da anistia e, desde os primeiros sinais de democratização do país, nunca foi debatida a questão da comunicação de uma forma oficial. A Confecom pode ser o embrião de uma nova consciência no modo de fazer comunicação no Brasil", disse.

Um dos delegados da sociedade civil empresarial, Alberto Luís Fava, ligado à Acel (Associação das Empresas Celulares), também enxerga na Confecom uma chance para um debate amplo e que há fortes indícios de que todos querem ajudar da melhor forma possível.

"É uma grande oportunidade de debater a atual situação de uma forma organizada, de toda a gama de serviços que o público recebe do setor. Se a conferência do Paraná for uma mostra da estatística do Brasil, o que a sociedade civil pleiteia está razoavelmente de acordo com que as empresas têm proposto. É um processo de responsabilidade mútua", acredita.