Rádios comunitárias geram debate em João Pessoa

O eixo temático Meios de distribuição, principalmente no que se refere às rádios comunitárias, foi o assunto que gerou o maior número de debates neste sábado, dia 21, na Conferência Estadual de Comunicação da Paraíba (Conecom-PB). O evento é preparatório para a 1ª Conferência Nacional de Comunicação (1ª Confecom), que acontece de 14 a 17 de dezembro, em Brasília.

Entre os temas mais discutidos neste segundo dia de Conecom-PB destacaram-se o papel das rádios comunitárias e seus meios de financiamento. Os debates aconteceram, principalmente, entre representantes da sociedade civil e da sociedade civil empresarial.

Para Ricardson Dias, da Rádio Diversidade, a Conferência é uma boa oportunidade para defender as propostas feitas nas conferências municipais. "Encontramos muitos representantes do segmento empresarial na Conecom. Temos muito para avançar ainda, principalmente em questões relacionadas à municipalização das concessões e anistia dos processos contra as rádios comunitárias", observou.

O presidente da Associação Nacional de Inclusão Digital (Anid), Percival Henriques, fez uma avaliação das discussões nos grupos de trabalho. "O debate foi bem encaminhado, com tolerância de opiniões divergentes e ambiente bastante democrático", observou.

As propostas relacionadas a órgãos reguladores e fiscalização dos meios de comunicação também geraram discussões entre os segmentos presentes na Conferência. A Conecom-PB termina neste sábado, após dois dias de trabalho, com a apresentação das propostas à plenária e eleição dos 36 delegados que irão à Confecom representando o estado (16 representando sociedade civil, 16 pela sociedade civil empresarial e quatro do poder público).

Entrosamento entre os três setores é destaque em Roraima

A importância da união entre sociedade civil, sociedade civil empresarial e poder público para a construção de políticas públicas foi um dos destaques da Conferência Estadual de Comunicação de Roraima (Conecom-RR), que termina neste sábado, 21, em Boa Vista. As propostas formuladas na Conecom-RR, como as que visam a estimular a inclusão digital, serão encaminhadas à Comissão Organizadora Nacional (CON) da 1ª Conferência Nacional de Comunicação (1ª Confecom), programada para o Centro de Convenções Ulysses Guimarães entre os dias 14 e 17 de dezembro, em Brasília.

Evilene Paixão, inscrita pela sociedade civil empresarial, destacou a importância da integração entre todos os segmentos. “Este é um momento histórico dessa união para que se possa construir políticas públicas que atendam a todos os seguimentos”, disse. Laucides de Oliveira, jornalista e presidente do Conselho de Cultura do Estado, comemorou o nível de interação alcançado no debate e na formulação de propostas. “Estão juntos aqui o princípio, a solução e o fim da Comunicação Social”.

Adriana Cruz, presidente do Comitê Organizador Estadual, lembrou que este é o momento para se refletir sobre a democratização da comunicação. “Que as propostas produzidas aqui se tornem ações concretas para a comunicação comunitária e popular no Estado e no Brasil e que elas não sirvam de instrumento que atendem a interesses de poucas classes”. Ruy Figueiredo, Secretário de Comunicação do Estado de Roraima, também comentou a importância da 1ª Confecom. “A comunicação que queremos é a comunicação que represente a liberdade de manifestação do pensamento e a do direto das pessoas de serem informadas”.

Entre as propostas apresentadas pela Conecom-RR, estão as relativas à inclusão digital. Há sugestões de disponibilizar e garantir equipamento, criando uma rede digital sociocultural em espaços públicos, e de utilizar a rede de telecentros de inclusão digital como ambientes de capacitação profissional através de educação à distância.

Diversidade dá o tom em Belém

Criação de fundos estaduais e nacional de comunicação para subsidiar rádios comunitárias; reserva de programação para conteúdo regional, levando em consideração a diversidade cultural existente no Brasil; instalação de infocentros nas regiões mais afastadas da Amazônia, como colônias de pescadores e centros de pecuária. Esses foram os principais destaques entre as propostas que a Conferência Estadual de Comunicação do Pará (Conecom-PA) vai encaminhar à Comissão Organizadora Nacional (CON) da 1ª Conferência Nacional de Comunicação (1ª Confecom), programada para o Centro de Convenções Ulysses Guimarães entre os dias 14 e 17 de dezembro, em Brasília.

Para o Secretário de Comunicação do Pará, Paulo Roberto Ferreira, é natural que haja entre as propostas questões que tratam das peculiaridades locais. “Nosso estado tem 1,2 milhão de metros quadrados. Por isso, por exemplo, tivemos uma proposta que trata do aumento de potência nos sinais de radiodifusão e outra que pede o aumento do número de concessões de rádios para municípios mais remotos”, explicou.

Ferreira defende que a comunicação deve ser pensada e trabalhada desde as questões mais básicas. “É primordial, pelo menos no entendimento do Governo do Pará, que possamos atender os pescadores onde estiverem e as tribos indígenas mais remotas”, explicou. “Esta Conferência parecia uma caixa preta que nunca seria aberta, mas agora ela está aí para que possamos realmente deixar um legado para as futuras gerações”, disse.

Para Manoel Messias Melo, da Comissão Organizadora Nacional (CON) da 1ª Confecom, as Conferências Estaduais foram fundamentais para construir um novo modelo a partir de diferentes formas de expressão e cultura. “O futuro da comunicação brasileira será inevitavelmente diferente. Sabemos que será um processo lento. Mas construímos as bases políticas para um novo modelo de comunicação”.

Conteúdo regionalizado e acesso à internet são destaque em Sergipe

A regionalização na programação e a democratização do acesso à banda larga foram temas exaustivamente discutidos ao longo da Conferência Estadual de Comunicação (Conecom-SE), em Aracaju, Sergipe. As plenárias terminam no final da tarde desta sexta-feira, 20 de novembro, com a participação de 403 inscritos. As 181 propostas elaboradas na Conecom-SE serão enviadas à Comissão Organizadora Nacional (CON) da 1ª Conferência Nacional de Comunicação (1ª Confecom), que acontece entre os dias 14 a 17 de dezembro, em Brasília.

Os grupos de trabalho foram divididos pelos três eixos temáticos pré-estabelecidos pela CON. O grupo “Produção de conteúdo” apresentou 47 propostas, com ênfase maior na elaboração de políticas públicas que garantam o acesso à internet de banda larga, especialmente no caso de comunidades rurais.

Os participantes do grupo Meios de distribuição, portadores de 40 propostas, debateram sobre a importância de uma maior regionalização do conteúdo da grade de programação da TV aberta e da criação de uma Lei Geral de Radiodifusão, inédita no Brasil.

"O que há hoje em dia é uma espécie de sistema de franquia, onde as filiais apenas reproduzem o conteúdo da matriz. Defendemos um Brasil com sotaque gaúcho, baiano, mineiro, não apenas paulista e carioca", ponderou José Soter, coordenador executivo da Associação Brasileira de Radiodifusão Comunitária (Abraço).

As discussões do eixo “Cidadania: direitos e deveres” renderam 94 propostas, com ênfase na urgência de uma Lei Geral de Radiodifusão que funcione como marco regulatório para meios de comunicação públicos, privados e estatais.

Os participantes da Conecom-SE elegeram ainda os 23 delegados que representarão Sergipe durante a 1ª Confecom, sendo 10 representantes da sociedade civil, 10 da sociedade civil empresarial e três do poder público.

Sociedade civil pede controle social na conferência potiguar

Nem parecia uma conferência. O Auditório da Assembléia Legislativa do Rio Grande do Norte estava acima da sua capacidade na manhã da quarta-feira (18), mas os ânimos pareciam tranqüilos demais entre os representantes da sociedade civil empresarial, do poder público e dos movimentos sociais. A etapa potiguar da Conferência Nacional de Comunicação iniciava os debates dos eixos temáticos com uma metodologia simples: cada um anunciava sua proposta ao plenário, não havia discussão e quase não havia disputa. Afinal, todas as propostas seriam enviadas à etapa nacional, conforme definido pelo regimento da Confecom estabelecido pela Comissão Organizadora Nacional.

Aberta na noite da terça-feira (17), com uma solenidade que contou com falas rápidas de representantes de diversas entidades – entre elas, a Comissão Estadual Pró-Conferência, a Associação Brasileira de Emissoras Públicas, Educativas e Comunitárias (Abepec), a Federação dos Interestadual dos Trabalhadores em Telecomunicações (Fittel), a Associação Brasileira de Telecomunicações (Telebrasil) e Associação Brasileira de Radiodifusores (Abra) – a etapa potiguar da Confecom optou por uma programação também simplificada: a manhã da quarta-feira ficou reservada para a apresentação de propostas, sem divisão de grupos; à tarde, seriam eleitos os delegados.

Abertos os microfones, cada segmento tratou de demarcar o seu território. Enquanto os representantes das operadoras de telefonia celular reivindicavam a participação no recém-anunciado Plano Nacional de Banda Larga, representantes dos movimentos sociais e da Academia defendiam a criação em uma de uma infra-estrutura pública para a prestação do serviço. Os radiodifusores apresentaram proposta pela garantia da multiprogramação às emissoras de televisão digital. Os movimentos sociais cobraram critérios democráticos para a concessão ou renovação de outorgas, proibição de monopólio ou oligopólios, garantia de diversidade e respeito aos direitos humanos e aos princípios constitucionais no rádio e na televisão brasileiros.

Controle social

O controle social da comunicação foi um ponto de confluência nas falas de boa parte dos representantes dos movimentos sociais e do poder público. O coordenador de Direitos Humanos e Defesa das Minorias e coordenador da etapa estadual da Confecom Marcos Dionísio Caldas apontou o tema como central no processo. “Parece haver uma unanimidade no movimento social em discutir mecanismos de controle social da comunicação. A conferência tem que aprofundar esse debate e formular sobre ele”, afirmou. Rudson Soares, do Intervozes – Coletivo Brasil de Comunicação Social, resumiu a questão: “Controle Social não tem nada haver com censura, tem haver com democracia. Controle Social é fundamental para a democracia.”

Os participantes da etapa potiguar da conferência também discutiram questões locais. A situação da TV Comunitária de Natal foi denunciada. Ocupada por um grupo religioso, os grupos propuseram que ela passe a funcionar conforme previsto na Lei da TV a Cabo e de forma democrática. Outra proposta foi a democratização das emissoras legislativas do Estado, com a realização de concursos públicos para a contratação de pessoal e a instalação de conselhos de participação popular para a gestão dos canais.

A situação das rádios comunitárias também foi debatida na conferência. Emissoras da capital e do interior do Estado denunciaram a ação da Polícia Federal em conjunto com a Anatel no fechamento e apreensão dos equipamentos, além da lentidão no processo de autorização. Íbero Hipólito conta a história da Rádio Alternativa de Mossoró. “Nossa emissora já foi fechada cinco vezes e teve seus equipamentos roubados pela Polícia Federal. Vários ativistas respondem a ações judiciais e nosso pedido de autorização tramita no Ministério das Comunicações há quase doze anos”, lembra.

O processo do processo

As mobilizações para a realização da Confecom começaram tarde no Rio Grande do Norte. Somente em abril, cerca de trinta entidades da sociedade civil não-empresarial iniciaram as discussões que garantiriam a realização da primeira Conferência Estadual de Comunicação. O grupo reunia estudantes, grupos de mulheres, sindicatos e centrais sindicais, profissionais da área de comunicação, psicólogos, professores e pesquisadores do tema. Foram realizadas cinco conferências livres em Natal e Mossoró, além de debates e audiências públicas.

Graças à mobilização da sociedade civil, o governo do estado convocou a Conferência Estadual de Comunicação no último dia do prazo regimental. Apesar de o texto do decreto afirmar que a conferência seria presidida pelo Secretário de Comunicação Rubens Lemos Filho, o processo foi todo operacionalizado pela Coordenadoria de Direitos Humanos e Defesa de Minorias da Secretaria de Justiça e Cidadania. Lemos não apareceu em nenhum momento do processo.

Delegação potiguar

Após o intervalo do almoço, o segmento empresarial já estava com seus delegados escolhidos: 3 representantes da Telebrasil, 3 da Acel, 2 do Sindtelebrasil e 2 da Abra. O poder público elegeu, em uma rápida discussão, representantes da Assessoria de Comunicação do Governo do Estado, do Departamento de Comunicação Social da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) e do Poder Legislativo.

Os movimentos sociais levaram mais tempo para chegar a um consenso sobre sua representação. Representantes dos movimentos de mulheres defendiam a eleição de ao menos três delegadas, os estudantes de comunicação e o representante do movimento LGBT também reivindicaram uma vaga cada. Por alguns minutos, o plenário da conferência, agora ocupado somente pelos representantes dos movimentos sociais, viveu momentos de discussão e disputa.

A chapa eleita por maioria contemplou o pleito das mulheres, com três delegadas representando a Marcha Mundial de Mulheres, o Fórum de Mulheres do RN e a Federação da Umbanda e Candomblé. A Central Única dos Trabalhadores e a Central dos Trabalhadores Brasileiros terão um representante cada. O interior do Estado será representado por delegados do Instituto Anatália de Melo Alves, de Mossoró, e pelo representante dos blogueiros, do município de Lajes do Cabugi. O Intervozes, o Sindicato dos Jornalistas e a recém-fundada Associação Brasileira de Saúde Mental (Abrasme) completam a delegação.

O balanço

Terminada a conferência, a coordenadora de Políticas para Mulheres do governo do estado, Amélia Freire, destacou o caráter do evento e o papel dos movimentos sociais. “A conferência foi um espaço muito forte de poder e a sociedade civil foi a mola que impulsionou nossos debates”, afirmou. Já quem viu o processo de fora garante que o tempo foi curto. Para Edson Pedro Lima, representante da Fittel, “o processo foi bom, mas as discussões ficaram prejudicadas pelo pouco espaço de debates, ainda assim, tocamos em pontos importantes nas propostas locais e nacionais”.