São Paulo fecha Estadual com mais de mil propostas

A Conferência Estadual de Comunicação de São Paulo (Conecom-SP) fechou neste domingo, dia 22, o ciclo de etapas estaduais preparatórias para a 1ª Conferência Nacional de Comunicação (1ª Confecom), que acontece em Brasília entre os dias 14 e 17 de dezembro. Ao longo de três dias, na Assembleia Legislativa de São Paulo, representantes da sociedade civil, sociedade civil empresarial e poder público discutiram e formalizaram mais de mil propostas baseadas nos três eixos temáticos propostos pela Comissão Organizadora Nacional (CON) da 1ª Conecom (Produção de conteúdo, Meios de distribuição e Cidadania: direitos e deveres) que serão encaminhadas ao evento nacional. O enorme número de propostas fez com que sua consolidação prosseguisse mesmo após o encerramento da plenária final.

Para Marcelo Bechara, presidente da Comissão Organizadora Nacional (CON) da 1ª Confecom, o trabalho foi longo, mas produtivo. “Foram dias muito intensos, com um pico de nove Conferências Estaduais acontecendo simultaneamente, e tudo saiu como era o esperado. É uma grande vitória para uma conferência que tem tantas especificidades, características muito próprias. Passamos pelas 27 unidades da Federação com muito sucesso. Mas as etapas estaduais foram apenas o começo.”

Bechara advertiu que ainda há um longo percurso a ser percorrido.  “Temos muito trabalho pela frente agora que voltamos nossa atenção para o debate nacional. Vamos receber 2.100 pessoas durante quatro dias, cerca de 1.700 delegados de todo o país, e mais de 300 observadores. Do ponto de vista da estrutura, já é uma tarefa complexa, e a sistematização das propostas é um desafio maior ainda. Mas estamos preparados”.

Entre os temas discutidos ao longo do fim de semana em São Paulo, a regulamentação do artigo 221 da Constituição Federal, que trata dos princípios da produção e programação das emissoras de rádio e TV, foi um dos pontos altos das discussões nos grupos de trabalho. Mas foi o processo de concessão e renovação de outorgas de rádio e TV que ocupou a maior parte do debate.

“Estabelecer critérios claros para a concessão e a renovação de rádios e TVs é um passo fundamental incluindo a regionalização da produção e o conteúdo da grade de programação. O espaço para a produção independente e o fortalecimento do sistema público e comunitário de comunicação também são aspectos importantes”, disse Lourdinha Rodrigues, socióloga e representante da sociedade civil. “Queremos transparência e critérios objetivos no processo de concessão e precisamos lutar pelo fim do monopólio na comunicação”.

Neste domingo também foi eleita a delegação que representará São Paulo na 1ª Confecom. O estado mandará 84 representantes da sociedade civil, 84 da sociedade civil empresarial e 21 do poder público.

Ao fim da conferência, Marcelo Bechara destacou o sucesso da organização e creditou o sucesso à preparação do estado, que levou a discussão a quase 10% de seus municípios, unificando o debate durante o fim de semana.

“Nunca tive dúvidas de que São Paulo realizaria esta conferência com êxito total. O estado fez o dever de casa completo, o debate passou por mais de 60 municípios entre conferências municipais e conferências livres, e durante a etapa estadual esse amadurecimento ficou claro. São Paulo chegou a realizar uma conferência infanto-juvenil, com crianças de até 12 anos discutindo comunicação, uma iniciativa brilhante que deu um toque ainda mais especial ao trabalho do estado. Houve muita discussão durante o fim de semana, muitas propostas acerca de temas muito diversos surgiram, como era esperado de um estado em que existe uma pluralidade tão grande, com uma indústria de comunicação tão forte. São Paulo cumpriu sua missão com louvor”, elogiou Bechara.

Mais de 500 pessoas participam da conferência gaúcha

A 1ª Conferência Estadual de Comunicação do Rio Grande do Sul, realizada nos dias 17 e 18 de novembro no Auditório Dante Barone da Assembléia Legislativa, reuniu cerca de 500 pessoas, entre jornalistas, comunicadores, estudantes, militantes dos movimentos sociais, empresários e representantes do poder público. Antes disso, foram realizadas 20 conferências livres e municipais entre os meses de setembro e novembro. As propostas discutidas nestas etapas serão somadas às apresentadas pelos participantes da conferência estadual e enviadas à Conferência Nacional de Comunicação (Confecom), que se realizará entre os dias 14 e 17 de dezembro.

A ausência de debates em torno das proposições marcou a etapa gaúcha. Além da imposição do regimento elaborado pela Comissão Organizadora Nacional, que estabeleceu que as conferências estaduais não votassem mas apenas reunissem propostas, a programação destinou pouco tempo aos grupos de trabalho.

Com os atrasos na aprovação do Regimento Interno e na realização dos painéis, o espaço destinado aos Grupos de Trabalho, inicialmente previsto para 1h15, acabou reduzido para um tempo máximo de 40 minutos. Não houve debates em torno das propostas apresentadas e sequer as propostas foram lidas, já que o tempo disponível permitiu apenas a citação das entidades que as encaminharam. Entre as propostas apresentadas, está a da criação do Conselho Nacional de Comunicação, apoiada por toda a sociedade civil.

Com isso, a realização dos grupos de trabalho teve caráter simbólico. Ao longo da conferência, houve apenas dois momentos de debates públicos: por ocasião da definição da delegação do setor empresarial e durante a apresentação de moções na Plenária Final.

Abertura

A conferência gaúcha foi convocada pelo presidente da Assembléia Legislativa, deputado Ivar Pavan (PT), dada a ausência de manifestação da governadora Yeda Crusius (PSDB) no prazo determinado pelo regimento. A mesa de abertura do encontro contou com a presença de Ottoni Fernandes Júnior, subchefe executivo da Secretaria de Comunicação da Presidência da República. Em sua manifestação, ele criticou a ausência de cobertura das etapas preparatórias à Confecom pela grande mídia. “Mas o debate ocorre mesmo assim”, afirmou Ottoni.

O representante da Secom defendeu em seu pronunciamento a oferta de internet em banda larga para as pessoas mais pobres e a criação de um marco regulatório capaz de atender às necessidades atuais de regulação da comunicação pública e de participação social sobre o monitoramento da mídia. “Nossa legislação é toda fragmentada. A internet e a transmissão digital, inclusive, não têm regulação”, lembrou.

Ottoni defendeu o modelo inglês de controle público sobre a mídia, no qual se destaca a figura do OfCom (Office of Communications – Escritório de Comunicação), entidade que acompanha “desde a concessão até o conteúdo veiculado”. O jornalista também citou o modelo francês de monitoramento como outra alternativa de estruturação deste controle, com a diferença que, neste, o controle se dá em cada área das comunicações por um órgão separadamente.

“O Brasil tem uma lei que não é cumprida. Ela diz que não podemos deixar de estimular os programas de jornalismo e de entretenimento produzidos regionalmente, mas não é cumprida porque ninguém controla quem define as macro-políticas. Esta conferência tem que ajudar a preencher este vazio. Temos que ter um organismo e regras claras. Hoje, o processo [de concessões] é muito lento. E quanto mais a gente diversificar as fontes de informação, mais vai democratizar este processo”, afirmou Ottoni na noite de terça, no primeiro dia da conferência.

O representante da Secretaria de Comunicação do governo federal enfatizou ainda a necessidade de mecanismos de controle sobre a propriedade privada. “Os Estados Unidos têm este controle. Colocar limites à propriedade cruzada significa investir na qualidade da informação recebida”, declarou, antes de abordar também o tema das rádios comunitárias: “O Ministério das Comunicações tem que ser mais ágil. Não pode continuar tratando as rádios comunitárias como caso de polícia. No Brasil, 44% das rádios são comunitárias.”

Ottoni ressaltou que ainda está em vigência uma portaria da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) que proíbe a veiculação de anúncios publicitários nas rádios comunitárias, o que não ocorre com as TVs comunitárias. Ainda assim, desde a posse do presidente Luís Inácio Lula da Silva, o governo teria aumentado de 400 para 2,5 mil o número de rádios que recebem verbas relacionadas à publicidade federal. “É dinheiro público, tem que ser distribuído com critério. E o critério é a audiência. É um critério transparente, de mídia técnica”, observou ele.

Grupos de trabalho

No segundo e último dia da conferência, foram realizados painéis tratando dos temas ligados aos três eixos propostos para a Confecom: Produção de Conteúdo; Meios de Distribuição; Cidadania: Direitos e Deveres.

Entre os painelistas, estavam o professor da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (Ufrgs) Pedrinho Guareschi; a coordenadora do programa de pós-graduação em comunicação da Universidade do Vale do Rio dos Sinos (Unisinos), Christa Berger; e Roseli Goffmann, integrante do Conselho Federal de Psicologia. Em praticamente todos os painéis, o setor empresarial foi representado por advogados contratados e não por diretores das companhias.

Trabalhadores-empresários

Seguindo a determinação do regimento nacional, que estipulou o número de delegados por estado e a divisão destes por segmento, o Rio Grande do Sul terá 86 representantes do estado à Confecom, sendo 38 da sociedade civil empresarial, outros 38 da sociedade civil não-empresarial e 10 do poder público.

Para garantir o quórum mínimo que dá direito às vagas de delegado, cada segmento deveria credenciar no mínimo duas pessoas na conferência para cada vaga de delegado do setor. No segmento empresarial, este quórum foi garantido com o credenciamento de vários trabalhadores de empresas de radiodifusão e telecomunicações, que foram liberados de seus horários de trabalho para participarem do encontro. Entre estes participantes, quase todos eram jornalistas e outros profissionais que são contratados por estas empresas como pessoa jurídica. Esta situação pode ser constatada na nominata da delegação do segmento: a maior parte são jornalistas em função de direção ou chefia.

Todos estes participantes negaram-se a assinar as moções apresentadas pelos movimentos sociais, com afirmações do tipo “prefiro não me comprometer”.

Outra particularidade registrada no segmento empresarial foi a negativa das empresas de radiodifusão e de telecomunicações em aceitar a inscrição de microempresários como candidatos a delegados. Um grupo de cinco empreendedores resolveu apresentar uma chapa com cinco nomes para concorrer com os jornalistas, engenheiros e administradores que representavam as empresas. Com a inscrição de duas chapas, o grupo esperava que fosse considerado o critério da proporcionalidade na eleição dos delegados eleitos.

Houve debate em plenário, defesa da representação dos microempresários na delegação e pedidos de consideração pela pluralidade. Entretanto, a presidência da Comissão Organizadora Estadual encaminhou o pedido à comissão eleitoral do segmento empresarial, que rejeitou a inscrição da segunda chapa. A comissão eleitoral em questão estava representada na outra chapa, formada pelos representantes das grandes empresas.

Não empresários

Na chapa da sociedade civil não empresarial, formada pelos movimentos sociais, a delegação foi formada por consenso e eleita em plenário. As representações dos movimentos e organizações sociais do estado já vinham sendo discutidas nas etapas e reuniões do segmento realizadas antes da conferência e houve um esforço entre os diversos movimentos para garantir a representação dos diversos setores envolvidos na construção da conferência no estado, o que garantiu a unidade em torno da composição da chapa antes da realização da plenária final.

Foi estabelecido como critério para a formação da chapa única a representação de uma pessoa por entidade envolvida no processo de construção da Confecom-Etapa RS, assim como a representação de uma pessoa para cada conferência livre ou municipal realizada no Estado e presente no encontro estadual. A maior parte dos delegados da sociedade civil são jornalistas, representando entidades sindicais, e membros de organizações de defesa da democratização da comunicação, além de comunicadores com atuação em emissoras comunitárias.

A delegação do poder público também foi apresentada em consenso e aprovada em plenário. Como havia apenas 19 pessoas inscritas no segmento e presentes no momento da votação, garantiu-se o mínimo necessário para preencher as dez vagas previstas.

Moções

Além da disputa pelos critérios que definiram a eleição da delegação empresarial, o outro momento de debate na Confecom-Etapa RS também se deu na plenária final, mas durante a votação das moções, todas apresentadas pelos movimentos sociais. No total, quatro textos foram apreciados. Apenas uma delas foi aprovada sem que houvesse manifestações em contrário ou restrições, justamente a primeira a ser apresentada em plenário. Foi ela a moção de repúdio pelo fim da exigência de diploma para o exercício da profissão de jornalista, apresentada pelo Sindicato dos Jornalistas do Rio Grande do Sul.

A partir daí, houve alguma discussão e desentendimento na apresentação das moções. Todas foram submetidas a voto. Por duas vezes, houve tentativa de contagem manual dos crachás erguidos, mas alguns representantes do setor empresarial não aceitaram o placar, o que criou tumulto no plenário. Ficava nítido, pela primeira e única vez em toda a conferência, o antagonismo entre os movimentos sociais e os trabalhadores que estavam ali representando as empresas.

Ao final, por contraste, ou seja, a partir da comparação entre o número de crachás erguidos a favor e contra as propostas, os movimentos sociais aprovaram as outras três moções: de repúdio à criminalização dos movimentos sociais pela mídia e em favor da reforma agrária, apresentada pelo Intervozes – Coletivo Brasil de Comunicação Social; em favor da agilização do processo de outorga de uma rádio comunitária gaúcha que teve sua sede invadida recentemente pela polícia, apresentada pela Abraço/RS; e de repúdio ao monopólio de propriedade da mídia, proposta pelo Conselho Regional de Radiodifusão Comunitária (Conrad).

Avaliações

Para Bruno Rocha, integrante da Coordenação Estadual da Associação Brasileira de Radiodifusão Comunitária (Abraço/RS), a etapa gaúcha da Confecom representou um avanço dos movimentos sociais em direção à unidade, pois suas disputas internas estariam se dando de forma “menos personalista e mais ética”. “Se este ambiente continuar, e houver luta direta, a conferência para nós foi uma vitória”, enfatiza ele.

Bruno destaca que é preciso reconhecer as rádios comunitárias como um sistema de comunicação que existe de fato e que está sob controle direto da população. E que, portanto, é necessário regular e subsidiar o funcionamento deste sistema como um sistema público. “É melhor que esta verba venha por um fundo do que venha como fatia do bolo publicitário. O ideal é que tirem dinheiro do bolo publicitário e coloquem no fundo. Assim não precisaremos disputar as verbas publicitárias, com as propagandas de governo, e não de Estado, que também são comprometedoras, pois vinculam a mídia pública à chapa-branca”, pondera Bruno Rocha.

O representante da Abraço também afirmou ser necessário separar o sistema estatal em uma mídia pública controlada por um conselho, de caráter independente do governo, e outra do Executivo, como funcionam a TV Justiça e a TV Senado.

Diretor da Regional Sul do Grupo Bandeirantes, o jornalista Leonardo Meneghetti também esteve presente na conferência e a considerou um momento importante para o aprofundamento dos debates em torno da comunicação. “O Grupo Bandeirantes de Comunicação e a Abra [Associação Brasileira de Radiodifusores] não se omitiram e não se negaram a participar. Nós participamos de todas as etapas do processo, não só aqui no Rio Grande do Sul, mas em todo o país. Participamos aqui, inclusive, como integrantes da comissão organizadora”, lembrou ele.

Meneghetti também destacou a presença de equipes de rádio e TV da empresa na cobertura jornalística da Confecom-Etapa RS para demonstrar o que considera ser “um momento delicado da nossa comunicação”. “Estamos às vésperas de uma eleição, estamos com esta questão do diploma dos jornalistas estagnada, decidida mas ainda com a possibilidade de ser revertida”, ponderou ele.

O jornalista qualificou o debate de “muito rico”. “Tivemos aqui opiniões bem contraditórias, bem divergentes. Confronto apenas de idéias, num excelente nível, pelo menos até agora. E acho que estamos todos saindo daqui vencedores e vitoriosos, mas apenas cumprindo uma etapa do processo. Já que a grande etapa, a etapa final e decisiva, acontece em brasília no mês de dezembro”.

O diretor defende a criação de um órgão específico para a fiscalização da mídia e critica a “pulverização” representada pela estrutura atual, com atribuições divididas entre a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), o Ministério da Cultura e o Ministério das Comunicações. “Talvez a gente possa criar, a partir desta Confecom, um órgão com a participação de todos os segmentos – sociedade civil organizada, sociedade empresarial, governo federal, outras entidades relevantes com relação direta com a área – e que possam fiscalizar alguns excessos que são cometidos pela nossa televisão. Nós temos alguns programas que incitam a violência, inclusive no canal a cabo, não só na televisão aberta. Nas emissoras de rádio também. Abusos que são cometidos, até algumas faltas graves, no sentido de críticas que se tornam muito pessoais, que passam completamente a fronteira da responsabilidade e da conseqüência. Acho que isso cabe, isso é importante.”

Também para o superintendente de Comunicação Social da Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul e presidente da comissão organizadora estadual da Confecom, Celso Schröder, a conferência gaúcha correspondeu às expectativas. “Dado o tempo exíguo, o prazo curto entre o último momento de formulação do Regimento Interno, os materiais de divulgação que chegaram tarde no Rio Grande do Sul, em que pese tudo isso, a conferência me parece extremamente satisfatória. Mais do que isso, acho que foi uma boa conferência. Tínhamos contradições no campo empresarial, tínhamos uma politização suficiente no movimento social, tínhamos um governo suscetível a isso. Então a realização da conferência já é uma grande vitória”, avalia.

Schröder reconhece que há limites impostos sobre a representatividade e o aprofundamento do debate em um modelo de conferência como o construído para a Confecom, mas destaca que há também aspectos bastante positivos na sua realização. “A capacidade de representação é obviamente limitada pela novidade do tema, pela inexistência anterior deste debate, pela não organicidade dos movimentos – diferente da saúde, diferente da cultura, onde há uma organicidade do município à instância federal que nós não temos na comunicação. Mas eu confesso que fiquei surpreendido, por exemplo, pela quantidade de conferências municipais que pipocaram pelo Rio Grande do Sul, o que demonstra, primeiro, a sintonia e o acerto da proposta da conferência, e também a necessidade da população brasileira discutir isso”. Para o presidente da comissão organizadora estadual, não há mais como questionar a necessidade de debate sobre o tema das comunicações, porque os debates até agora retratam “uma demanda reprimida”.

Ceará debate de convergência digital a envio de cartas pelos Correios

Os jovens tiveram presença maciça na Conferência Estadual de Comunicação do Ceará (Concecom-CE) por causa da divulgação que o evento teve, utilizando todas as ferramentas disponíveis de internet. Mas também houve em Fortaleza espaço para o debate sobre uma antiga forma de comunicação: a carta. Um claro exemplo da pluralidade de propostas que serão encaminhadas à Comissão Organizadora Nacional (CON) da 1ª Conferência Nacional de Comunicação (1ª Confecom), programada para o Centro de Convenções Ulysses Guimarães, em Brasília, entre os dias 14 e 17 de dezembro.

Representantes dos trabalhadores dos Correios se mostraram contra um projeto de lei do deputado federal Régis de Oliveira (PSC-SP), que pretende quebrar o monopólio da Empresa de Correios e Telégrafos (ECT) no serviço de correspondência no país. Apesar de todo o avanço na tecnologia e o surgimento das novas ferramentas de comunicação, eles fizeram questão de lembrar da importância dos Correios. “O ECT faz um serviço que nenhuma empresa privada se disporia a fazer. Nós levamos qualquer correspondência, das pessoas mais humildes e moradoras dos lugares mais distantes do Brasil, a outros tão distantes quanto. Uma empresa privada só iria a um lugar onde o lucro é garantido, coisa que não interessa ao Correios", defendeu Cláudio Cruz, representante do Sindicato dos Trabalhadores em Correios do Ceará.

Segundo o sindicalista, com uma quebra de monopólio, as empresas privadas descartariam a entrega de simples cartas e ficariam apenas com a parte que lhes interessa, como o serviço de correspondências em massa, que daria um retorno garantido e imediato. “E mesmo nas capitais, cobrariam mais caro. Estamos aqui em defesa, principalmente, da população carente, que seria deixada de lado caso isso ocorra”, disse Cláudio.

Assim como em Brasília, a Conecom-CE também teve na sua agenda de debates acessibilidade e inclusão como questões importantes na comunicação. Especialmente durante o segundo painel (“Comunicação, sistema público e controle social”). O destaque foi o publicitário Xico Teóphilo, que é tetraplégico. Bem humorado, ele emocionou os participantes do evento com histórias pessoais e ao mostrar o quanto a mídia deixa de lado as pessoas com deficiência. Para alterar esse quadro, segundo ele, é preciso que sejam criadas leis específicas voltadas para pessoas com deficiência e que se cobre um comprometimento maior da mídia nacional. Para o publicitário, aceitar as diferenças é uma coisa, mas é preciso mais, é preciso um compromisso maior. “A inclusão promove a diferença e propõe uma nova visão da sociedade. Uma sociedade será inclusiva quando todas as pessoas estiverem realmente integradas e com seus direitos reconhecidos. Veja bem: uma sociedade excludente resulta em uma mídia excludente, que influencia numa escola excludente, e por aí vai. As diferenças, assim, vão sempre soar estranho para as pessoas. São 509 anos de exclusão!”, desabafou Teóphilo.

O publicitário chamou atenção também para a acessibilidade à mídia, que, em sua opinião, não dá espaço às pessoas com deficiência. “Acessibilidade à mídia é importante, pois é ela quem traça um retrato da sociedade. Não falo só de inserções pontuais, como programas específicos, mas de uma forma que trate as pessoas com deficiência como algo normal, e que resulte em uma mudança no olhar das pessoas. Vocês querem ver uma coisa: a mídia costuma nos tratar como uns coitadinhos, mas eu, por exemplo, não sou isso não. Sou até meio galinha”, disse Teóphilo, arrancando risos da platéia.

Qualificação profissional é debatida em Goiás

A proposta de criação de centros regionais de qualificação para profissionais da área do audiovisual foi objeto de consenso no último dia de debates da Conferência Estadual de Comunicação de Goiás (Conecom-GO), neste domingo, dia 22. O evento estadual vai encaminhar propostas à Comissão Organizadora Nacional (CON) da 1ª Conferência Nacional de Comunicação (1ª Confecom), programada para o Centro de Convenções Ulysses Guimarães, em Brasília, entre os dias 14 e 17 de dezembro.

Apresentada pelo segmento da sociedade civil empresarial, a proposta foi defendida de maneira unânime por todos os outros segmentos presentes no evento (sociedade civil e poder público). Para Alberto Carlos, diretor de expansão do Sistema Fonte de Comunicação, a falta de técnicos no mercado local afeta diretamente a qualidade da programação regional. “Não adianta estabelecer uma cota para a produção local e não investir na qualidade desses produtos”.

Ele lembra que são altos os custos para investir em um profissional. “Não temos centros de formação profissional nessa área em nosso estado. As grandes escolas estão todas no eixo Rio-São Paulo. Enviar uma pessoa para lá encarece muito o investimento”.

Maria José Braga, secretária-geral da Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj), concordou, mas fez uma ressalva. “Em vez de criar uma nova estrutura, o governo poderia fomentar a criação e ampliação desses cursos em espaços que já existem, como as universidades e escolas públicas”.

No entanto, Maria José reconhece o impacto que a medida teria na produção regional. “Uma maior presença de profissionais atuando no mercado geraria um grande estímulo à produção e veiculação de conteúdo local”.

A Conecom-GO encerrou ontem as suas atividades elegendo um corpo de 50 delegados (22 da sociedade civil, 22 da sociedade civil empresarial e seis do poder público) que irão em dezembro a Brasília representar o estado na 1ª Confecom.

Maior visibilidade para TVs universitárias é defendida no Distrito Federal

Com a proposta de incluir as TVs Universitárias na grade de transmissão da televisão aberta, a Conferência Distrital de Comunicação do Distrito Federal, terminou neste domingo, dia 22. O evento em Brasília é preparatório à 1ª Conferência Nacional de Comunicação (1ª Confecom), programada para Brasília, entre 14 e 17 de dezembro.

A proposição de dar maior visibilidade às TVs universitárias surgiu em uma conferência livre organizada pela Universidade de Brasília (UnB) como evento preparatório à Conferência Distrital de Comunicação. Neste fim de semana, ela foi apresentada e novamente aprovada, sendo incluída entre as propostas a serem encaminhadas à Comissão Organizadora Nacional (CON) da 1ª Confecom.

Em Brasília, outra proposta que atraiu atenção foi a que propôs incentivo à criação de meios de comunicação comunitários com financiamento público sob o argumento de garantir sua autonomia editorial. Também foram eleitos os 23 delegados que representarão o Distrito Federal na 1ª Confecom, sendo 10 pela sociedade civil, 10 pela sociedade civil empresarial e três pelo poder público.