Anatel sinaliza que manterá leilão da Banda H só para entrantes

A Anatel realizou nesta quinta-feira, 11, audiência pública para esclarecer dúvidas sobre as regras que vigorarão no processo de venda da Banda H, última fatia de espectro destinada a oferta de serviços 3G disponível no momento. O evento reuniu advogados e representantes das operadoras móveis em funcionamento no Brasil e, principalmente, dos potenciais interessados em se tornar um quinto competidor nesse mercado. Como já era esperado, o principal questionamento das empresas de telefonia móvel foi com relação à possibilidade de a Anatel abrir o leilão para que as empresas que já possuem fatias na faixa de 1,9 GHz e 2,1 GHz poderem disputar o último naco do 3G.

Inicialmente, o presidente da Comissão Especial de Licitação e gerente-geral de Comunicações Pessoais Móveis da Anatel, Nelson Takayanagi, foi lacônico com relação às intenções da agência sobre a abertura do leilão às empresas já consolidadas no setor. Mas, com a insistência dos executivos e advogados das operadoras em questionar o que consideram uma "falta de isonomia" na disputa, Takayanagi aos poucos foi demonstrando simpatia em manter o leilão restrito a novos competidores no mercado de telefonia móvel.

"Na consulta pública foi definida a regra do jogo. Naquela ocasião é que deveria ter sido feita a pergunta. Não adianta quatro anos depois vir com algo novo; dizer que não quer mais um entrante no mercado", reclamou o gerente ao responder uma pergunta do representante da Vivo sobre a possibilidade de abertura do leilão à empresas que já adquiriram faixas de 3G. Takayanagi informou que o assunto ainda será decidido pela agência reguladora e que a decisão constará do edital de licitação.

"Excesso de competição"

As operadoras do SMP não pouparam argumentos para tentar convencer a Anatel de que é justo que a agência permita que elas entrem novamente na disputa, apesar de a Banda H estar dividida de tal maneira que a compra dessas radiofrequências por uma empresa já consolidada no 3G inevitavelmente excederá o limite de blocos permitido pela regulamentação do setor (de 85 MHz por empresa). Os argumentos mais amplos partiram da LCA Consultoria, contratada pela Oi para fazer uma avaliação da venda da faixa.

O diretor da área de Economia do Direito da consultoria, Bernardo Macedo, fez uma apresentação na audiência pública alegando que o serviço exige investimentos intensivos, as empresas de telefonia móvel tem baixa rentabilidade e que a política da Anatel de inserir um quinto competidor no mercado pode gerar um "excesso de competição". "A competição não é um fim em si mesmo. O importante é chegar ao consumidor com mais eficiência", argumentou o analista. "Os supostos benefícios de um entrante parecem incertos e improváveis."

Takayanagi não se sensibilizou com os dados apresentados pela LCA. Na visão do gerente, a decisão de entrar em um mercado que supostamente é tão pouco concentrado – o que reduziria, em tese, as possibilidades de rentabilidade de um entrante – deve ser empresarial e não regulatória. "Se o HHI (índice de concentração do mercado) é tão baixo assim, cabe ao empresário decidir se vale a pena investir nesse negócio", afirmou.

Nextel na disputa

Para o vice-presidente jurídico e regulatório da Nextel, Alfredo Ferrari, não há dúvidas de que o mercado de telefonia móvel no Brasil comporta um quinto competidor. "O Brasil é uma mina de ouro de investimento", afirmou, citando as projeções de que, em três anos, a telefonia móvel no país pode chegar aos 230 milhões de usuários. "O mercado não é maduro ainda porque falta muito a avançar em qualidade do serviço. Eu posso dizer que nós da Nextel temos interesse na Banda H e vamos investir nisso", garantiu.

A segunda potencial candidata à quinta posição no mercado de telefonia móvel é a GVT, que não se pronunciou formalmente na audiência pública, embora tenha enviado representantes ao evento. A empresa ainda faz mistério sobre sua participação no leilão, mas uma disputa entre GVT e Nextel pela Banda H é tida como certa para empresários e membros da Anatel.

Estabilidade regulatória

O último pronunciamento da audiência foi feito pelo presidente da Acel, Luiz de Melo Júnior, que cobrou uma justificativa por escrito da Anatel para o que chamou de "privilégio" às empresas entrantes. "A Acel acha fundamental que seja publicada a justificativa dessa decisão; que ela mostre a insuficiência da competição que explique essa decisão regulatória", declarou Melo, reclamando que as operadoras móveis já consolidadas estão sendo "alijadas" do novo leilão.

A resposta da Anatel ao protesto da associação veio em tom de brincadeira. "Parece que a Acel não quer novas associadas, né?", comentou Nelson Takayanagi arrancando risos da platéia. E complementou, pondo um fim às críticas: "Estamos mantendo aquilo que o Ferrari (da Nextel) falou: a estabilidade regulatória". A manutenção das regras estabelecidas desde o primeiro leilão do 3G e a iniciativa da Anatel de ampliar a competição foram elogiadas pelo presidente da Telcomp, Luiz Cuza, que aproveitou a ocasião para pedir atenção da Anatel com relação às regras de compartilhamento de infraestrutura. "Vai ser muito difícil para uma entrante ter preços competitivos se não houver esse fomento ao compartilhamento", alertou.

Anatel aprova ato de concentração Oi/BrT

Reproduzido de Tele.Síntese

O Conselho Diretor da Anatel acaba de aprovar o ato de concentração da compra da Brasil Telecom pela Oi. O relator da matéria foi o conselheiro João Rezende. O processo será agora enviado para o Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica).

A anuência prévia para a compra foi aprovada em 18 de dezembro de 2008 e estabeleceu uma série de condicionantes, como a modernização e expansão da rede de fibra óptica nacional (expansão das redes de fibra óptica para interligar cidades não atendidas); expansão da oferta comercial de Banda Larga (em todas as sedes de município que forem interligadas ao backhaul); investimento em Pesquisa e Desenvolvimento (equivalente a 50% do que recolhe ao Funttel); manutenção de Postos de Trabalho (até 25 de abril de 2011) e encerramento de litígios judiciais e administrativos (Amazônia Celular).

A compra do controle da empresa foi concluída em 9 de janeiro de 2009, por R$ 5,3 bilhões. A Oi passou a ter mais de 53 milhões de clientes, receita de R$ 40 bilhões, 54% do mercado de telefonia fixa e 19% da telefonia móvel.

Os detalhes da aprovação serão divulgadas em coletiva à imprensa no final desta tarde.
(Lúcia Berbert)

Mais de 66 milhões de internautas brasileiros

Reproduzido de Tele.Síntese

O Brasil registrou 66,3 milhões de internautas em potencial em 2009, considerando acesso em casa, no trabalho e em locais públicos, informa o Ibope Nilsen Online. Os brasileiros se mantêm na liderança em horas mensais navegadas, em relação aos outros países pesquisados pela Nielsen. Em dezembro de 2009, o Brasil registrou uma média de 44 horas navegadas, superando Estados Unidos (40 horas mensais), Austrália (39 horas) e França (38 horas).
(Fonte: agências nacionais).

Autoridades dos EUA aplaudem entrada da Google nas telecomunicações

Autoridades dos Estados Unidos vêem de forma positiva a entrada da Google nas telecomunicações. Segundo Julius Genachowski, diretor do Comitê Federal das Telecomunicações (FCC, na sigla em inglês), o ensaio da Google na oferta de banda larga será “um teste para novas gerações de inovações, com aplicativos e serviços de alta velocidade”. Genachowski assegura que o Plano de Banda Larga norteamericano  prevê a participação de empresas privadas e facilidades para acelerar os investimentos no setor, básico para criar emprego e melhorar a competitividade da economia.

Alguns analistas  começaram a fazer cálculos sobre quanto custará para a Google o projeto de lançar uma rede de alta velocidade em uma zona dos EUA. As cifras vão desde 60 milhões de dólares a 1,6 bilhão. Vários comentaristas recordam a necessidade que a empresa tem de uma conexão rápida à Internet para consolidar sua aposta na cloud computing (computação em nuvem), programas que rodam na internet e não nos computadores dos usuários. O sistema operativo Chrome, que a Google lançará este ano, está baseado neste princípio.

A Google abriu uma nova frente de negócios e competirá diretamente com as operadoras. No seu blog corporativo, anunciou esta quarta-feira uma experiência para oferecer conexão à uma velocidade cem vezes maior que a média oferecida as operadoras dos EUA. Afirma que, neste piloto, a velocidade será de 1 gigabyte por segundo, por meio de fibra ótica. "Planejamos oferecer esse serviço, com preços competitivos, a um mínimo de 50.000 pessoas. Esse número pode aumentar para meio milhão de pessoas".

Segundo a empresa, seu objetivo é experimentar novos caminhos para uma internet melhor e mais veloz para todos. O texto registra que a Google pediu às autoridades federais que contemplem novos métodos de conexão no Plano Nacional de Banda Larga.

Até 26 de março, a Google receberá ofertas de possíveis interessados, por exemplo governos locais, em oferecer seus territórios para o experimento.

Ontem, o CEO Eric Schmidt, publicou um artigo no Washington Post sobre os déficits de inovação dos EUA e uma das políticas que recomendava era um acesso mais amplo à banda larga. Segundo Schmidt, a banda larga promove novos trabalhos e novos negócios e considera crítico que o Governo apóie a implementação.

Carta ao governo

Em junho de 2009, a Google remeteu uma carta à comissão federal responsável por regular o mercado das telecomunicações com suas reflexões sobre o futuro da banda larga nos EUA. As autoridades tem previsto apresentar ao Congresso norteamericano um plano sobre esse assunto no mês de fevereiro. Na carta, a Google apresenta suas opiniões sobre como o país deveria enfrentar esse desafio.

Em 2012, afirma o texto, os estadunidenses deveriam poder se conectar a uma velocidade de, pelo menos, 5 Mbps, tanto em upload como em download. Se trataria de um primeiro passo exequível.

A implementação da fibra ótica deveria aproveitar a construção ou reparação de vias de comunicação, já que 90% do custo de instalação está associado à abertura de conduções, ou reparação. Um primeiro objetivo seria dotar de acesso as bibliotecas, centros escolares, sanitários e da comunidade, que atuariam como núcleo difusor da mesma, tanto para oferecer conexão veloz como para incentivar a implementação das redes nas comunidades do entorno.

O plano, sempre segundo a Google, deveria dar incentivos àqueles que instalaram a fibra ótica para que, a seu tempo, aluguem ou vendam a capacidade de rede a outros operadores. Isso aumentaria a competitividade do setor.

Telefônica em contradição

[Título original: Telefônica: em contradição ataca a neutralidade de rede e promove a Campus Party]

A poucos dias tivemos acesso a seguinte notícia pela lista do CGiBr: “Telefônica abre fogo contra buscadores ” .

A matéria mostra a atitude da Telefônica que além de ser um ataque gigantesco a liberdade da Internet, demonstra claramente a contradição1 da Empresa  ao defender a responsabilidade social no Campus Party pelo “compartilhamento de conhecimentos e troca experiências”, e por outro lado conforme o noticiado, querer rever a neutralidade da rede, elemento fundamental na garantia da liberdade na internet. Sem a prática da neutralidade teremos grandes limitações em divulgar e trocar informações livremente. “A neutralidade da rede significa que todas as informações que trafegam na rede devem ser tratadas da mesma forma, navegando a mesma velocidade.” Wikipedia (AQUI).

Seguindo adiante esse projeto da Telefônica, a internet não será mais como conhecemos até hoje. Com o fim da neutralidade da rede, será possível as operadoras discriminarem o livre tráfego de conteúdos de blogs e redes sociais, o trafego e acesso aos blogs com conteúdos livres poderão ficar com velocidades menores que os sites com conteúdos comerciais que estejam pagando a empresa por esse serviço. Diante disso, no Brasil, por exemplo todas as ações da culturadigital.br e dos pontos de cultura poderão ser prejudicadas caso a neutralidade chegue ao fim, afinal se esses não quiserem pagar taxas excedentes, poderão não ter serviço veloz de acesso e entrega de conteúdos, o que poderá levar o usuário(a) da internet a pagar pelo menos duas vezes o serviço, uma vez para ter acesso a rede, outra para distribuir e receber determinado conteúdo. E tudo isso sob gestão de empresas privadas contraditórias como a Telefônica.

A Telefônica há 3 anos produz a CAMPUS PARTY no Brasil, evento que defende a liberdade da Rede, melhora a imagem da empresa e amplia seus negócios na América Latina. Frente essa notícia é preciso que os(as) entusiastas da CParty fiquem atentos à verdadeira face da empresa, que com um estratégia profundamente monopolista passa por aumentar seu tamanho com a compra de outras empresas do setor como a GVT: (AQUI) e promover mudanças na internet que venham a lhe convir economicamente. Vale ainda lembrar que o IDEC e o CGiBr testaram os serviços de internet banda larga da Telefônica recentemente, o resultou é a pior opção de serviços na área: (AQUI).

Boa conexão e respeito ao usuário é só durante o Campus Party.

Frente essa realidade e outras tantas que atingem o setor, como a necessária ampliação de cobertura da Banda Larga no país, o Governo Federal entrou recentemente em cena para garantir o Plano Nacional de Banda Larga e Inclusão Digital no Brasil, ao contrário do Governo anterior que entregou todo o sistema de telecomunicações ao setor privado, o novo plano nacional de banda larga pretende investir na infra-estrutura de telecomunicações de forma pública, o que se tornado realidade poderá em certa medida coibir iniciativas que lesam a liberdade e o bolso do usuário. É preciso igualmente que o governo federal do presidente Lula, compreenda que essa atitude recente da Telefônica é mais uma demonstração que o mercado não vai oferecer internet de qualidade e amplamente acessível. Se depender do mercado, a internet será inacessível a cada dia, e a idéia de banda larga como um direito básico cairá nos cofres dos monopólios empresariais.  É verdade que infra-estrutura pública no Brasil não resolve o problema como um todo, já que dependemos de 2 backbones privados internacionais, mas certamente diminuiria muito nossas dependências em território nacional.

* Everton Rodrigues, 33 anos, educador popular, produtor cultural, técnico e consultor em tecnologias livres. Faz parte do Projeto Software Livre Brasil, do movimento de economia solidária e Música Para Baixar – MPB.

Sugestões de leituras:

* O fim da neutralidade da rede
* Tudo ligado: controle, cultura e neutralidade da rede.
* Internet e sua normatividade no contexto da cultura hacker

NOTA
1 Na verdade não existe contradição, no capitalismo a unidade básica prossegue sendo a empresa privada, que realiza-se no mercado através da concorrência, sendo assim tudo que provir diminuição de custo ou aumento dos lucros é rapidamente inserido ao plano de negócios.