Anatel em xeque pelas licenças de TVA

Depois de uma omissão de mais de cinco anos, a agência resolve renovar as outorgas de 25 licenças do desconhecido Serviço Especial de TV por Assinatura, justamente quando o tema está em discussão no Legislativo. E, mais uma vez, vai conceder a licença sem decidir quanto vai cobrar pela nobre frequência de UHF.  As 25 licenças de um quase desconhecido Serviço Especial de TV por Assinatura (TVA) voltaram a expor o dúbio papel da Anatel frente a essas outorgas. Neste caso, o comportamento da agência – em todas as gestões, desde a sua criação – foi a de se render à pressão dos detentores das licenças (grupos políticos locais, como Sarney, Magalhães, entre outros, e grandes grupos de mídia, como Globo, Abril, RBS), embora na lista disponível, os nomes fantasias dessas empresas sejam outros. E mais uma vez, a agência repete este ritual.

Há duas semanas, sem mais nem menos, o conselho diretor da Anatel decide aprovar um ato para a renovação destas licenças. A decisão foi de tão afogadilho, que, passados mais de 15 dias, o documento não havia se tornado público porque ainda estava sendo discutido nas esferas técnicas da agência.

Essa “pressa”, depois de uma omissão de mais de quatro anos, foi motivada pelo fato de o relator do PL 29 na comissão de Constituição e Justiça da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha, (PMDB/RJ), ter cassado essas outorgas em seu relatório final. A pressão foi toda para a agência reguladora, que não aguentou o rojão.

 O deputado Paulo Lustosa (PMDB/CE), que manteve essas licenças no substitutivo aprovado na comissão de Ciência e Tecnologia, argumentou que o PL29, para ser fruto do maior consenso possível, não poderia simplesmente eliminar estas outorgas. Já para Cunha, essas licenças simplesmente não têm qualquer razão de continuar a existir. Mesmo com a renovação dessas licenças pela agência, o deputado não parece disposto a mudar o seu voto, iniciativa que não pode ser feita mais por meio de emenda parlamentar.

Para aprovar a renovação das outorgas, a decisão da Anatel será calcada em argumentos tão confusos quanto a própria regulamentação do serviço. Isso porque, para justificar a renovação, será usado o decreto que regulamentou o serviço de radiodifusão, como se essas emissoras fossem de TV abertas. Por este decreto, as concessões de TV são “prorrogáveis” a cada 15 anos.  

Mas o Ministério das Comunicações e própria Anatel já chegaram à conclusão de que esse é um serviço de telecomunicações, e, por isso, está subordinado lei geral de telecomunicações. Ora, se fosse um serviço de TV aberta, muitos dos licenciados estariam ferindo abertamente legislação de radiodifusão, que proíbe que uma mesma emissora tenha mais de uma licença de TV na mesma cidade. Então, são licenças de telecomunicações. Ou seja, é um serviço que se transforma conforme os argumentos para justifica-lo.

As TVAs são empresas de telecom, mas transmitem sinais de radiodifusão. Elas começaram erradas desde o início. O serviço foi criado em 1988, no então governo Sarney para transmitir sinais codificados de TV, numa espécie de TV paga de um só canal. Em 89 e 90, as outorgas foram distribuídas, sem licitação. Começaram as pressões para que os sinais fossem liberado sem codificação.

Após a criação da Anatel, em 2004, a agência resolvou perguntar ao Minicom  se aquele bicho era radiodifusão (na esfera do governo) ou telecom, na sua esfera. Passados alguns anos, concluiu-se que era telecom. E mesmo a poderosa agência não sucumbiu à pressão, permitindo a ampliação dos sinais abertos de TV, que começaram com 25% e foram ampliados para 45% do dia na gestão Guerreiro, e passou incólume na gestão Pedro Jaime Ziller até os dias atuais.

Bom, mas o serviço é também de TV paga. Alguém conhece algum assinante dessas operadoras? Mas se não cliente, e não tem programação de qualidade, porque se briga tanto para a perpetuação dessas outorgas?

Ora, a mina de ouro está no fato de que essas 25 licenças estão localizadas em uma das mais cobiçadas faixas de frequência do planeta: a banda de UHF (que abrange as faixa de menor potência, que vai de 450 MHz a 700 MHz). Por essas bandas, os norte-americanos pagaram bilhões de dólares, e os europeus se batem para acelerar a transição da TV analógica para a digital. Tudo porque o consumo de dados pela telefonia celular tem crescimento exponencial.

Um dos argumentos da Anatel para autorizar a renovação dessas licenças é que, pela regra vigente, ela teria que ter se manifestado até três meses depois de expirado o primeiro prazo de concessão, o que não o fez. Na verdade, a agência se omite sobre este assunto há quase cinco anos. Assim, por omissão, teve que referendar agora essas licenças.

Novo regulamento

Esta será a segunda vez que a Anatel vai conceder licença de serviço que ocupa um bem tão escasso e valioso, sem dizer quanto terá que ser pago pela banda disponível. A primeira foi do MMDS, na qual a maioria das primeiras 15 licenças acabou pagando o preço mínimo, porque eram deficitárias.

Talvez o único consolo para essa situação é que pelo parece que, agora, a Anatel resolveu que vai criar um regulamento para este serviço. Vamos aguardar quanto tempo a mais?

Pontos de Mídia Livre se reunem na Teia 2010

Além de várias atividades ligadas à Cultura, a Teia Brasil 2010: Tambores Digitais também reuniu em Fortaleza, entre os dias 25 e 28 de março, os projetos de comunicação premiados pelo primeiro edital de Pontos de Mídia Livre do Ministério da Cultura (MinC). Apesar de apenas 40 dos 82 pontos terem comparecido ao encontro, foi possível discutir todas as questões previstas e produzir um documento que sintetiza as propostas que surgiram na capital cearense.

Assim como ocorreu nos outros dois encontros dos pontos de mídia livre promovidos pelo MinC (em Pernambuco e Espírito Santo), a conversa centralizou-se em torno de alguns interesses comuns entre os projetos, como a importância de uma constante formação técnica e política dos midialivristas e a necessidade de tornar a prática da mídia livre mais sustentável.

Os debates também giraram em torno dos eixos de políticas públicas, plataformas digitais, articulação em rede e mapeamento das iniciativas. “Acho que o encontro foi positivo, mesmo que algumas questões precisariam de mais tempo para serem aprofundadas”, avaliou o consultor de Mídias Livres do MinC, Zonda Bez.

Edital

Pensando em ampliar o número de projetos contemplados, o MinC lançou o segundo edital de Pontos de Mídia Livre. Serão 20 prêmios, no valor de R$ 100 mil cada, destinados às iniciativas que alcançarem repercussão regional e nacional, e 40 prêmios, de R$ 50 mil cada, para as iniciativas de visibilidade local e estadual. No total, o recurso destinado ao prêmio é de R$ 4 milhões. As inscrições se encerram em 9 de abril.

Segundo o edital, “são consideradas iniciativas de mídia livre toda e qualquer iniciativa que articule comunicação e outras áreas do conhecimento, fazendo uso de suportes analógicos e/ou digitais, não possuindo financiamento direto e subordinação editorial a empresas de comunicação legalmente constituídas, e que agreguem e priorizem ações colaborativas e participativas, interatividade e atuação em rede na produção e difusão de conteúdos em formato livre, através de diferentes suportes de mídia (áudio, imagem, texto, vídeo e multimídia)”.

A diferença deste edital para o primeiro é basicamente os valores dos prêmios. “Ampliamos o valor do prêmio local pra 50 mil, acreditando na necessidade de chegar mais junto dos pequenos projetos, e diminuímos o valor do prêmio nacional para 100 mil, pois são organizações com maior capacidade de articulação para a sustentabilidade”, explica Zonda.

Para Zonda, um passo importante a ser dado para proliferar a política adotada pelo MinC deve ser o de descentralizar as ações, como aconteceu com os Pontos de Cultura, que passaram a ter uma relação de conveniamento com os estados. “Os Pontos de Mídia Livre devem utilizarem-se do selo/chancela que receberam para também atuarem junto aos governos estaduais e municipais afim de incluírem a comunicação e a mídia livre como área essencial a ser fomentada nos editais de incentivo à cultura. Afinal, como podemos desligar cultura e comunicação?”

Brasil registra 58 casos de violência contra jornalistas em 2009

No ano de 2009 foram registrados 58 casos de violência contra jornalistas no Brasil, segundo estudo realizado pela Federação Nacional dos Jornalistas. O número é similar aos anos anteriores. O último levantamento, realizado no biênio 2007/2008, registrou 115 casos.

“O relatório 2009 revela que o jornalismo e os jornalistas ainda sofrem em consequência dos desmandos cometidos, da violência e da falta de compreensão do significado de uma imprensa livre, regulamentada em bases democráticas”, diz o estudo.

O perfil dos casos também se manteve semelhante aos anos anteriores. A agressão física ou verbal é o tipo de violência mais comum, muitas vezes cometida por agentes do Estado ou a mando deles.


As ações judiciais ocupam o segundo lugar no ranking de tipificação de casos de violência. O relatório destaca o episódio do Estadão, que foi proibido judicialmente de publicar informações sobre uma operação da Polícia Federal que investiga o empresário Fernando Sarney.

O estudo mostra ainda que as vítimas são, em sua maioria, homens, que trabalham em veículo impresso e cobrem temas ligados à política e administração pública ou realidade urbana, rural e social.

Grupo português compra o diário carioca O Dia

Reproduzido do TeleTime News

 

Não deve passar despercebida a mais nova investida do grupo português Ongoing sobre o setor de mídia brasileiro. O grupo acaba de adquirir o grupo O Dia, do Rio de Janeiro. A Ongoing é o maior acionista individual da Portugal Telecom, com cerca de 8% do capital da empresa, tem participação de 3% no Banco Espírito Santo, é controladora do jornal Brasil Econômico, que faz concorrência direta ao jornal Valor (controlado por Globo e Folha de S. Paulo), controla a Zon Multimídia (maior operadora de TV a cabo de Portugal) e até recentemente pretendia adquirir a emissora de TV aberta portuguesa TVI, emissora de TV aberta que concorre com a SIC e com a RTP. O negócio não foi fechado por restrições concorrenciais, mas a Ongoing mantém a diretriz de se associar a grupos de mídia de língua portuguesa.

No ano passado, Nuno Vasconcellos, presidente da Ongoing, veio ao Brasil e chegou a sondar a possibilidade de adquirir uma participação na Oi. Aliás, dois detalhes da estratégia da Ongoing são especialmente interessantes para o setor de telecomunicações. O primeiro é que o grupo O Dia, agora adquirido, é controlador de uma das licenças do Serviço Especial de TV por Assinatura (TVA), que opera em um único canal de UHF mas que é apontado como o principal caminho para a introdução da TV paga móvel no País. Outro detalhe importante é que o CEO do grupo no Brasil é Carmelo Furci, ex-presidente da Telecom Italia na América Latina e profundo conhecedor do setor de telecom no Brasil. (Samuel Possebon)

Defesa do Consumidor discute reativação da Telebrás

Reproduzido da Agência Câmara

 

A Comissão de Defesa do Consumidor realiza audiência pública nesta terça-feira (6) para discutir a situação atual da Telebras, sob o ponto de vista de seus acionistas e dos usuários dos serviços de telecomunicações. A audiência será realizada às 15 horas. O local ainda não foi definido.

A audiência foi proposta pelo deputado Índio Da Costa (DEM-RJ). Ele citou informações veiculadas pela imprensa segundo as quais as ações da Telebrás valorizaram 35.000% no atual governo. “Essa acentuada valorização teria sido provocada por rumores e vazamento de informações privilegiadas sobre a criação de uma estatal para comercializar serviços de acesso à banda larga. O governo federal vem reiteradamente confirmando o interesse em recuperar a estatal Telebrás para levar a prestação de serviços de internet por banda larga. No entanto, as notícias sobre a reestatização da empresa não são oficiais, o que pode ter gerado uma valorização falsa de suas ações.

O deputado também cita reportagem publicada pela Folha de S.Paulo segundo a qual "o ex-ministro José Dirceu recebeu pelo menos R$ 620 mil do principal grupo empresarial privado que será beneficiado caso a Telebrás seja reativada”.

Foram convidados:
– a ministra-chefe da Casa Civil, Erenice Guerra;
– o representante do Ministério das Comunicações Roberto Pinto Martins;
– o presidente da Telebrás, Jorge a Motta e Silva;
– o secretário de Logística e Tecnologia da Informação do Ministério do Planejamento, Rogério Santanna dos Santos;
– o proprietário da Star Overseas, Nelson dos Santos;
– a presidenta da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), Maria Helena Santana;