Sindicato diz que compra do grupo O Dia pela Ongoing acontece em momento ‘propício’

O Sindicato dos Jornalistas da cidade do Rio de Janeiro mostrou-se atento à compra do grupo O Dia pela empresa portuguesa Ongoing Strategy Investments, responsável pelo jornal Brasil Econômico. Em nota, a entidade afirma ter esperança de que a situação financeira e dos profissionais da empresa brasileira melhorem após a concretização do negócio.

"É essencial que adotem uma política de pleno emprego, capacitada a gerar postos de trabalho a curto, médio e longo prazo. O mercado carioca de jornalismo não pode ficar restrito apenas a um grande empregado", informa o sindicato.

Além do jornal O Dia, o grupo brasileiro também é responsável pelos jornais Meia Hora e Campeão. O negócio resultou na aquisição de 100% das ações da empresa. O valor da transação gira em torno de R$ 75 milhões.

Segundo o sindicato, a compra acontece em um momento "propício à adoção de ações voltadas para o reposicionamento do jornal", em referência aos dois principais eventos do calendário brasileiro deste ano: a Copa do Mundo da África do Sul e as eleições presidenciais.
 
"O Sindicato acredita ainda que os novos donos do grupo O Dia têm condições para firmar, em caráter definitivo, um compromisso inequívoco e transparente com uma linha editorial capaz de contemplar a pluralidade de informação. É obrigação e dever dos veículos de comunicação garantir a divulgação de notícias com qualidade para os seus leitores, sem favorecer interesses que não sejam aqueles de caráter público", conclui o sindicato.

Decisão sobre o plano de banda larga é novamente adiada

A reunião entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva com os ministros envolvidos no Plano Nacional de Banda Larga (PNBL), prevista para hoje (5), foi novamente adiada. Segundo o ministro das Comunicações, José Artur, o tema sequer foi tratado hoje durante o primeiro encontro convocado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva desde a reforma da semana passada, provocada pela saída dos ministros que disputarão as eleições em outubro. José Artur disse que ainda não sabe a data da nova reunião do PNBL, mas aguarda uma confirmação para breve.

O secretário de Logística e Tecnologia da Informação do Ministério do Planejamento, Rogério Santanna, disse que a data da reunião sobre o PNBL ainda não foi divulgada, mas acredita que acontecerá ainda esta semana. Ele participa amanhã de audiência pública na Comissão de Defesa do Consumidor da Câmara, sobre a situação atual da Telebrás, sob o ponto de vista de seus acionistas e dos usuários dos serviços de telecomunicações.

Santanna também disse desconhecer o motivo da movimentação das ações da Telebrás registrada hoje, com alta de 10,29%. “O governo ainda não decidiu nada sobre a estatal”, disse. Ele acredita que a oscilação das ações se deve ao noticiário ainda da semana passada. A reunião com o presidente Lula irá definir se a Telebrás será a gestora do PNBL, qual o tamanho do plano e se haverá a participação da iniciativa privada.

Eleições

Na reunião de hoje com os novos ministros, o presidente Lula recomendou que os projetos em andamento em cada pasta deve ter continuidade célere e que os ministros devem se manter afastados da política eleitoral. Além disso, houve apresentação da cartilha de Condutas Vedadas aos Agentes Públicos Federais, editada pela Advocacia-Geral da União (AGU), e dos números do governo, pelo ministro da Fazenda, Guido Mantega.

Deputado quer mudar conceito de ‘canal qualificado’ no PL-29

Reproduzido da coluna Outro Canal, da Folha de S. Paulo

Relator do projeto de lei que redefine as regras para o mercado de TVs por assinatura (PL-29) na Comissão de Constituição e Justiça da Câmara, o deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ) quer fazer uma alteração no texto que, se aprovada, modificará radicalmente a proposta que tramitou de 2007 até agora.

Ele pretende mexer no conceito de Canal de Espaço Qualificado. Segundo uma tendência internacional, essa definição é feita por exclusão.

Pelo texto atual, programas jornalísticos, de auditório ou religiosos, por exemplo, não podem ter seu tempo de exibição computado para efeito de caracterização de um canal como de Espaço Qualificado.

A ideia de Cunha é suprimir esses três itens da lista de ressalvas registradas no projeto, já que nessa fase da tramitação o regimento não permite fazer modificações de mérito.

"Há uma inconstitucionalidade nisso, porque o PL define o que é o canal e depois o conteúdo dele. É a definição da definição", diz o deputado, que dará início aos debates sobre o tema na comissão amanhã.

Ao impedir que a exibição de jornalismo, de cultos religiosos e de programas de auditório caracterizasse um canal como sendo de conteúdo qualificado, a inteligência do PL era induzir o desenvolvimento da indústria audiovisual mais elaborada. Uma estratégia que passa a navegar em águas turbulentas. (Andréa Michael)

Minicom publica portarias sobre Gesac e TV digital

O Ministério das Comunicações firmou termo de cooperação com o CNPq para avaliar a transferência das Tecnologias de Informação e Comunicação (TIC) para as comunidades atendidas pelo Gesac – Governo Eletrônico Serviço de Atendimento ao Cidadão. O contrato prevê a transferência de R$ 4,05 milhões de recursos orçamentais do Minicom para a execução da pesquisa, no período de um ano, por meio de contratação de implementadores, que atuarão nos pontos de presença do programa.

Atualmente, o Gesac mantém mais de 12 mil pontos de conexão à internet via satélite em escolas, órgãos públicos, sindicatos, aldeias indígenas, sedes de organizações não-governamentais e onde já existam outros projetos de inclusão digital do governo federal. O objetivo do Minicom é obter subsídios para aprimorar o Gesac.A portaria que aprova o termo de cooperação foi publicada na edição de hoje do Diário Oficial da União.

TV digital

O Minicom também publicou hoje portaria disciplinando a operação das estações de TV digital. A norma técnica é a legislação que faltava para esclarecer os critérios de instalação, licenciamento e operação das estações; as características dos sinais e padrões de emissão do sinal de televisão digital; assegurar a qualidade do sinal transmitido, propiciando um serviço adequado na área do município a ser atendida; prevenir interferências prejudiciais sobre estações de serviços de radiodifusão e de telecomunicações autorizadas e regularmente instaladas; e auxiliar na apresentação de documentação, visando à análise do projeto de instalação da estação destinada à transmissão digital.

A expectativa do ministério é de que boa parte das solicitações das emissoras que migraram para o novo padrão seja resolvida com a norma. Um exemplo disso, são os pedidos de reforço do sinal, enviados por muitas emissoras por meio de ofícios, que agora poderão ser enviados por meio de formulário.

‘Eixo da esperança’ enfrenta a grande mídia, diz pesquisador

Bolívia, Equador e Venezuela formam o “eixo da esperança”, com seus erros e acertos, na mudança do sistema de comunicação, redimensionando o campo em bases mais pluralistas a fim de permitir a inclusão de vozes silenciadas na história.

A reportagem é de Edelberto Behs e publicada pela Agência Latino-Americana e Caribenha de Comunicação (ALC), 05-04-2010.

“Percebi que uma outra mídia é possível, que é possível enfrentar os monopólios midiáticos”, disse o professor e pesquisador da Universidade Federal Fluminense (UFF), Dênis de Moraes, em palestra, na segunda-feira, 29 de março, para alunos de Comunicação Social da Universidade do Vale do Rio dos Sinos (Unisinos).

Dênis viajou por países da América Latina para pesquisar como governos da região estão operando mudanças no campo da comunicação.

Ele levantou, na pesquisa, câmbios na legislação para alterar o sistema de concessão de canais de rádio e de televisão, apoio à produção nacional, apoio aos meios comunitários alternativos de comunicação e criação de emissoras públicas ou estatais.

O processo de mudança é lento, árduo e difícil, definiu o pesquisador, mas ele vem carregado de esperança e coragem na promoção das mudanças. A título de exemplos do paradigma que não seja o midiático, Dênis arrolou iniciativas que estão sendo desenvolvidas nos países do “eixo da esperança”.

No Equador, uma nova legislação não permite a concentração de mídias nas mãos de uma empresa. O governo equatoriano está apoiando, também com recursos, a constituição de redes culturais itinerantes, envolvendo comunidades que desenvolvem um sistema de informação alternativa, fugindo do monopólio informativo da grande mídia.

Na Bolívia, o governo de Evo Morales financiou a criação de cadeia de 30 emissoras de rádio comunitárias voltadas aos povos originários, para a transmissão de sua cultura, valores e tradições. A programação das emissoras é decidida em assembléias comunitárias.

O governo do presidente Hugo Chávez é o que vem sofrendo ataques da “mídia burguesa”, não só do seu país, mas de toda a imprensa da América Latina, porque decidiu enfrentar o problema da concentração da mídia, afirmou Dênis.

Rádio e televisão, lembrou, são concessões do Estado, na Venezuela, no Brasil, em qualquer país do continente, e como tal são passíveis de renovação. O governo Chávez não renovou a concessão para a RCTV, que apoiou o golpe de Estado em 2002.

A Venezuela aprovou uma nova lei de cinematografia com o intuito de incentivar produções locais e combater o cartel de Holywood, que controla a produção e a distribuição de 85% dos filmes que são assistidos em salas de cinema da América Latina. Agora, o Estado quer saber o que é exibido e determinou patamares para a margem de lucro das empresas exibidoras.

O palestrante defendeu uma comunicação “desemercantilizada”, criticou a concentração da mídia nas mãos de “dinastias familiares”, que “vendem sonhos e informações”, e defendeu o fortalecimento da sociedade civil.

No Brasil, disse, os avanços no campo da comunicação são tímidos. Ele aplaudiu a realização da Conferência de Comunicação, em dezembro do ano passado, a coragem do governo Lula na implantação da TV Brasil, mas lamentou a vigência, ainda, de uma legislação de radio e teledifusão totalmente anacrônica, a omissão do Congresso Nacional nas aprovações quase que automáticas das concessões de rádio e televisão no país.

“Não se trata de não renovar as concessões, mas de avaliar como essas redes de rádio e de televisão se comportaram no período de vigência da concessão que receberam do Estado”, explicou o pesquisador da UFF. O que as empresas de comunicação menos querem é prestar contas de suas ações, agregou.

Também não se trata, enfatizou, de não contar com empresas comerciais de mídia, mas de ter um leque de alternativas, como a implantação de fortes redes de TVs públicas, estatais e comunitárias, que traduzam a pluralidade da sociedade brasileira.

“Não se trata de alijar o contraditório, mas de colocar os interesses sociais e comunitários acima dos interesses comerciais”, definiu. Denis. Ele frisou que, apesar de alguns parcos avanços no sistema de comunicação do país, o governo Lula foi o que, paradoxalmente, mais perseguiu rádios comunitárias e renovou, quase que automaticamente, as concessões de rádio e TV para empresas de comunicação nas capitais brasileiras.