Anatel diz em relatório que deixou de arrecadar mais de R$ 2 bilhões para fundos

Reproduzido do TeleTime News

 

O Relatório de Gestão 2009 da Anatel, divulgado nesta quinta-feira, 15, traz um dado surpreendente sobre a arrecadação para os dois principais fundos de fomento do setor. Auditorias feitas pela agência revelaram que as empresas deixaram de recolher R$ 1,467 bilhão para o Fundo de Universalização dos Serviços de Telecomunicações (Fust) entre os anos de 2005 e 2006. O recolhimento para Fundo para o Desenvolvimento Tecnológico das Telecomunicações (Funttel) também apresentou uma diferença, a menor, de R$ 1,266 bilhão nos dois anos.

Ao todo, a diferença de arrecadação é de R$ 2,733 bilhões apenas em 2005 e 2006. A Anatel ainda não auditou os anos subsequentes. "A previsão é de que em 2010 a fiscalização atue com base nos exercícios financeiros de 2007 e 2008 das prestadoras de serviços de telecomunicações. Desta forma, em breve será totalmente eliminado o passivo acumulado de anos anteriores e as auditorias passarão a ocorrer sobre o exercício imediatamente anterior", informa a Anatel no relatório.

A auditoria da agência analisou o recolhimento dos encargos de 500 empresas do setor no ano de 2005 e 482 no ano-base 2006. O recolhimento a menos do Fust em 2005 foi de R$ 698,439 milhões e, em 2006, de R$ 769,131 milhões. No caso do Funttel, a diferença foi de R$ 601,706 milhões em 2005 e de R$ 664,063 em 2006. A título de comparação, o déficit de recolhimento no Fust nesses dois anos é maior do que todo o giro do fundo em 2009, de R$ 1,436 bilhão de acordo com o relatório da Anatel. (Mariana Mazza)

Professor argentino enaltece a “Ley de Medios” de seu país

A aprovação, pela Câmara dos Deputados argentina, da Lei de Serviços de Comunicação Audiovisual foi um grande marco na comunicação desse país. Ela representa uma mudança na forma de encarar prestadores e consumidores de serviços de radiodifusão. Embora não esteja ligada ao Brasil, a chamada “Ley de Medios” gerou debates não apenas por aqui, mas em vários outros Estados americanos. Devido a essa repercussão, o professor da Universidade de Buenos Aires (UBA), Damián Loreti, foi convidado ao III Seminário de Legislação e Direito à Comunicação para expôr as diretrizes da nova regulamentação. O evento foi organizado pela Associação Mundial de Rádios Comunitárias (Amarc) e terminou nesta quinta-feira (15).

Durante a palestra, Loreti esclarece os principais objetivos da lei. O primeiro é garantir que não ocorram monopólios ou oligopólios, que haja pluralidade tanto de prestadores de serviços quanto de conteúdos oferecidos. O segundo é assegurar a participação da sociedade civil, por meio de conselhos. Os membros devem ter origens diferentes e devem fiscalizar, além do sistema em geral, os conteúdos produzidos. No caso da nova lei argentina, é proposto também uma diretoria de sete pessoas indicadas pelo Executivo, que conduzirá a aplicação da lei no sistema de mídia do país. Atualmente a “Ley de Medios” encontra-se paralisada no Congresso devido a uma sentença judicial questionando a forma com que tramitou no parlamento.

A respeito do primeiro ponto são considerados os três atores do sistema de radiodifusão argentino: o comercial, o público e o “sem fins lucrativos” (entre eles os comunitários). Dentre eles, o único setor que tem uma porcentagem garantida é o “sem fins lucrativos”, aos quais são reservados 33% do espectro. Segundo ele, existe muita transparência: “Está nas notas (da lei) que o espectro é patrimônio comum da sociedade. No texto, no entanto, isso não aparece. Deixamos claro que é o Estado que administra. O que marca a pluralidade é o grau de participação da sociedade”.

Quanto ao segundo, ele relata que foi um ponto que gerou polêmica. Segundo o professor, os setores empresariais sustentam que a “Ley de Medios” deveria regular apenas questões técnicas e que as questões de conteúdo deveriam ser resolvidas pela Justiça. O setor privado também defende que não deveria haver agentes reguladores e que as emissoras comunitárias deveriam ser tratadas de forma apartada. “Os empresários criticam que não há parâmetros objetivos porque só conhecem o parâmetro dinheiro”, provoca.

De acordo com o professor, a participação da sociedade argentina não está em discussão, ela ocorrerá e é algo que está presente desde a elaboração da referida lei. Segundo Loreti, a mobilização em torno do tema já mobilizou cerca de 20 mil pessoas. Um movimento que teve destaque foi formado por diversas entidades civis, a Coalición por una Radiodifusión Democrática (Coalizão por uma Radiodifusão Democrática). A partir da Coalizão foram firmados 21 pontos que deveriam estar presentes no documento. De acordo com ele, duas mil organizações assinaram a declaração pelos pontos. O governo os analisou e eles de fato foram incorporados.

Elaboração

A "Ley de Medios" foi formulada a partir de diretrizes do Sistema Internacional de Direitos Humano, Sistema Interamericano de Direitos Humanos e de declarações conjuntas de organismos internacionais como OEA, ONU, Cooperação Européia e Sistema Africano. “A princípio procuramos um molde de regulação inovador. Diante de um modelo disperso como o americano, optamos pelo do Parlamento Europeu (Diretiva 65/2007), que ratifica que os serviços de comunicação audiovisual não são apenas econômicos, mas formam uma atividade que deve estar incorporada e protegida pela Unesco”, explica Loreti.


Segundo ele, trata-se de uma das leis mais modernas e melhor elaboradas no país. “Depois do Código Civil, é a primeira com notas. Nelas, se explica onde estão localizados os 21 pontos e as influências de outras diretrizes, especialmente a europeia”. Para a consolidação da regulamentação foram realizadas diversas reuniões. Os nomes dos presentes e as respectivas contribuições também se encontram no documento final. De acordo com ele, esses procedimentos conferem uma maior clareza.

Segundo Damián, outra conquista da lei de audiovisual argentina foi a influência que ela teve em países vizinhos. Ele cita, por exemplo, que no Chile as rádios comunitárias aumentaram o limite de seus transmissores de 1W para 25W, além de terem a permissão para a publicidade local. Uruguai, Colômbia, México e Guatemala também se espelharam na Argentina para revisar parte de seus marcos legais para a área.

TV Globo esteve imune ao ICMS entre 1997 e 1998

A 2ª Turma do Superior Tribunal de Justiça concluiu que a Rede Globo de Televisão esteve imune à cobrança do ICMS no período de 1997 a 1998. O STJ acolheu Embargo de Declaração da TV Globo contra decisão da própria corte que havia determinado a anulação de acórdão do Tribunal de Justiça do Distrito Federal. O voto da ministra Eliana Calmon, que reviu seu entendimento inicial, foi confirmado por unanimidade.

O governo do Distrito Federal entrou na Justiça contra a emissora de televisão para cobrar o ICMS do período. Alegou que a imunidade ao tributo, consagrada pela aprovação da Emenda Constitucional 42/2003, não seria aplicável aos fatos geradores pretéritos. De acordo com o governo, o Convênio 80/2000 — que autorizou a imunidade da emissora — seria apenas autorizativo, sem uma lei formal que concedesse o benefício. O TJ concedeu ganho de causa à Rede Globo e o DF recorreu.

Em seu primeiro voto, a ministra relatora, Eliana Calmon, decidiu que o convênio tinha apenas o caráter autorizativo, sem uma lei complementar que confirmasse seu efeito. Por isso, determinou a anulação do acórdão do TJ e a realização de um novo julgamento.

A Globo  apresentou Agravo Regimental, que foi negado, e Embargos de Declaração. Neste último recurso, a emissora argumentou que o Convênio 80/2000 era concessivo, ou seja, não precisaria de lei formal para produzir efeitos. A empresa também alegou que o convênio havia sido autenticado pelo Decreto Legislativo 677/2001. Esse foi o mesmo entendimento que norteou a decisão do TJ. O governo confirmou a existência do Decreto Legislativo, mas considerou que um mero decreto não seria suficiente para validar o convênio.

Essa explicação não convenceu a ministra Eliana Calmon, que reviu seu entendimento. “Verifico que aquilo que me pareceu imprescindível em um primeiro momento, e serviu de estímulo para a nova e despropositada argumentação do Distrito Federal, foi inteiramente equivocado, equívoco que agora corrijo, afirmando não haver como retornarem os autos para uma declaração que já está explicitada e inquestionável nos autos, ou seja: o Convênio 80/2000 é meramente autorizativo, mas houve lei local concedendo-o”, ressaltou a ministra em seu voto.

 

*com informações da Assessoria de Imprensa do STJ.

 

 

Novo adiamento coloca em risco votação do PL do Fust antes das eleições

Novo adiamento na votação do PL que altera o uso dos recursos do Fust (Fundo de Universalização dos Serviços de Telecomunicações), o Pl 1491/07, pelo plenário da Câmara, deixou preocupados os deputados que veem no projeto uma ferramenta para massificação da banda larga no país. Há quem duvide até que o projeto seja votado antes das eleições, tal a disposição dos parlamentares em apreciar matérias de interesse do executivo.

O deputado Paulo Henrique Lustosa (PMDB-CE), relator da proposição na Comissão Especial, é um dos que pensam assim. Ele disse que não há mais nenhum óbice à votação, o governo garante os votos, mas a matéria não anda. Ainda por cima, relata, o presidente da Câmara, deputado Michel Temer (PMDB-SP), adiantou que dedicará as próximas quatro semana para votação de PECs (Propostas de Emendas à Constituição) e MPs (Medidas Provisórias).

Menos pessimista, o deputado Júlio Semeghini (PSDB-SP), ainda espera que o projeto seja votado este mês. Mas admite que ainda falta amarrar melhor o acordo sobre a criação do comitê gestor dos recursos do fundo, previsto no projeto. O seu partido defende que a gestão do Fust fique mesmo com o Ministério das Comunicações e a Anatel, como prevê a lei atual. “Agora, se o Minicom decidir criar um comitê, que o faça por portaria, ou que o governo baixe um decreto, sem que isso seja necessário de constar na nova lei”, defende.

O deputado Gustavo Fruet (PSDB-PR) concorda com Semeghini. Ele acha que a criação do comitê, que ficaria sob a responsabilidade da Casa Civil, é dar poder demais a este ministério. “Em ano eleitoral, decisões desse tipo sempre encontram dificuldades”, disse. Mas também acredita que o projeto ainda possa ser votado antes das eleições. No momento, contudo, vê problema na pauta do plenário, recheada de temas sensíveis, como o reajuste dos aposentados.

O deputado Miro Teixeira (PDT-RJ), mais otimista, ainda espera que a votação do PL do Fust possa acontecer amanhã. Ele é autor de uma emenda que prevê a contrapartida em igual valor dos recursos obtidos do fundo por empresas privadas que prestam serviços de telecomunicações em regime privado. “Essa alteração visa reduzir o impacto sobre as contas públicas”, explica.

Já o deputado Walter Pinheiro (PT-BA) prevê a votação da matéria na semana que vem. Ele disse que a oposição continua implicando contra a criação do comitê gestor do fundo, mas não oferece uma alternativa para que o acordo seja efetivamente fechado. “O governo não vê na questão um motivo para guerra”, avalia.

O PL 1481, de origem do Senado, permite o uso dos recursos do Fust no financiamento de serviços como a internet banda larga, por isso, sua aprovação é considerada fundamental para o financiamento do Plano Nacional de Banda Larga (PNBL), que está em elaboração pelo governo. Após aprovado na Câmara, o projeto terá que voltar ao Senado em função das alterações. 

Sai resultado da consulta pública para indicação de nomes ao Conselho Curador da EBC

A consulta pública que faz parte do processo de escolha de três novos membros do Conselho Curador da Empresa Brasil de Comunicação (EBC) resultou na indicação de 46 nomes de representantes de diversos setores sociais. Ao todo, 65 entidades participaram do processo. Cada uma pôde fazer até três indicações.

Agora, o resultado da consulta servirá de base para que os atuais conselheiros montem listas tríplices para cada uma das três vagas em aberto. A escolha final dos novos membros do Conselho Curador será feita pelo presidente da República.

A reunião do conselho que deve fechar as listas tríplices está marcada para o dia 20 (terça-feira).

O Conselho Curador, composto por 22 membros – sendo 15 representantes da sociedade, 4 do goveno federal, 1 do Senado, 1 da Câmara dos Deputados e 1 dos trabalhadores da EBC -, é o órgão responsável pelo cumprimento dos princípios e objetivos da empresa, criada para ser catalisadora da constituição de um Sistema Público de Comunicação.

Em sua primeira gestão, todos os 15 representantes da sociedade no CC foram indicados pelo presidente da República. Em dezembro, expiraram os mandatos de oito dos representantes da sociedade no conselho. Destes, cinco expressaram o desejo de seguirem como conselheiros e sua recondução foi avalizada pelas assessorias jurídicas da Secretaria de Comunicação Social da Presidência, órgão ao qual a EBC está ligada. Abriu-se, então, o processo de consulta para as três vagas remanescentes. A consulta pública para a renovação está prevista na lei que criou a EBC.

Veja a lista dos candidatos a uma vaga no Conselho Curador da EBC, com o respectivo número de indicações recebidas:

(15) Ana Maria da Conceição Veloso
(12) Francisco Pereira da Silva
(12) Takashi Tome
(10) Jacira Silva
(8) Regina Lúcia Alves de Lima
(7) Celso Augusto Schroder
(7) Nilza Iraci Silva
(7) Renata Vicentini Mielli
(7) Sérgio Murillo de Andrade
(4) Rosane Mara Bertotti
(3) Antonio Sérgio Pires Miletto
(3) Elias Mingoni
(3) José Eduardo de Oliveira
(3) Lara Valentina Pozzobon da Costa
(3) Renato Ribeiro da Silva
(3) Roseli Goffman
(2) Antônio Carlos Fontoura
(2) Caio Plessmann de Castro
(2) Carlos Alberto Almeida
(2) Ícaro Martins
(2) José Joffily
(2) Newton Guimarães Cannito
(2) Valci Regina Mousquer Zucoloto
(1) Ana Maria Mendes do Bonfim
(1) Alba Regina Souza Liberato de Mattos
(1) Alexandre Machado de Sá
(1) Celso Antunes Horta
(1) Danilo Rothberg
(1) Edilson Soares da Silva
(1) Francisco Cláudio Correa Meyer Santana
(1) Geraldo Golçalves Guerra Junior
(1) Jorge Luiz Saes Moreno
(1) Laércio Rodrigues da Silva
(1) José Lourenço Pechtoll
(1) Julio Cesar Campos Silva
(1) Lilian Romão
(1) Márcio Alexandre da Silva Pinto
(1) Maria Luiza da Costa
(1) Mário Augusto Jakobskind
(1) Ney Hugo Jacinto Silva
(1) Rafael Rolim Rodrigues
(1) Rosana Grinberg
(1) Tania Anaya
(1) Tássio Pereira Lopes
(1) Regina de Assis
(1) Valmir José de Pontes Silva
(1) Vicente de Paulo Pereira Lima