Circulação de jornais cresce 1,5% no Brasil

Reproduzido do Comunique-se

A circulação média de jornais no Brasil cresceu 1,5% nos primeiros quatro meses do ano em comparação com o mesmo período de 2009. Em relação a 2008, o crescimento foi de 1,7%. O destaque foi o mês de março, com média diária de 4.375.803 exemplares, maior índice de circulação da história.

“No período de comparação dos dados, não tivemos o registro de filiação de nenhum grande jornal. Portanto, a alta no índice de circulação total representa efetivamente a recuperação dos títulos filiados, configurando uma notícia positiva para todo o mercado brasileiro”, explica o presidente-executivo do IVC, Pedro Martins Silva.

A média diária de circulação no período foi de 4.279.482 exemplares. O resultado demonstra o reaquecimento do setor, que registrou queda nas vendas em 2009, como reflexo da crise econômica. (Redação)

Diretriz para e-gov é o tema menos comentado no Marco Civil para a Internet

As diretrizes para a atuação governamental são um dos temas menos comentados na consulta pública sobre o Marco Civil para a Internet no Brasil e esse foi um dos motivos da prorrogação, por uma semana, do prazo da consulta pública que termina no próximo domingo, dia 30. A informação foi dada hoje, no Conip 2010, por Guilherme Almeida, chefe de Gabinete da Secretaria de Assuntos Legislativos do Ministério da Justiça e responsável pelo projeto do Marco Civil no ministério. Na segunda fase da consulta pública, a página do Marco Civil, dentro do Fórum da Cultura Digital, teve 52 mil acessos e, até ontem, mais de 1050 comentários. Deles, somente 46 dizem respeito aos artigos que estabelecem diretrizes para o poder público e somente quatro foram registrados no artigo 30, que fala sobre a relação entre a internet e a educação pública.

Os pontos mais debatidos são a guarda de registros de conexão e uso de serviços dos internautas; a remoção de conteúdo a pedido de terceiros e a relação entre direito ao anonimato e liberdade de expressão. “Minha expectativa é que saiam, do Conip, comentários sobre as diretrizes para o poder público”, disse Almeida. O Conip – Congresso de Inovação e Informática na Gestão Pública é o evento que apresenta tendências e melhores casos de inovação na gestão pública com o uso de tecnologia da informação.

O interessante é que os artigos 28 a 30 do Marco Civil, que estabelecem esse papel, não tenham atraído o interesse dos internautas, em um momento em que o país debate a necessidade de ampliar o acesso a banda larga; a aprovação de uma lei de acesso a informação pública e mesmo iniciativas de uso da internet como ferramenta educacional, em projetos como o Um Computador por Aluno e o Proinfo Integrado. É nesses artigos, também, que se define como diretriz o uso de sistemas e formatos abertos e a maneira com devem ser feitos os sites de governo.

Veja o que dizem os artigos 28 a 30 da Minuta do Marco Civil sobre o papel da esfera pública na internet:

Art. 28
Constituem diretrizes para a atuação da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios no desenvolvimento da Internet no Brasil:
I – estabelecimento de mecanismos de governança transparentes, colaborativos e democráticos, com a participação dos vários setores da sociedade;
II – promoção da racionalização e da interoperabilidade tecnológica dos serviços de governo eletrônico, nos diferentes níveis da federação, para permitir o intercâmbio de informações e a agilização de procedimentos;
III – promoção da interoperabilidade entre sistemas e terminais diversos, inclusive entre os diferentes níveis federativos e diversos setores da sociedade;
IV – adoção preferencial de tecnologias, padrões e formatos abertos;
V – adoção de modalidades de licenciamento que reflitam ponderação adequada entre os direitos patrimoniais previstos na legislação autoral e os direitos e interesses mais amplos da sociedade brasileira[, observadas as restrições da Lei de Inovação].
VI – otimização da infraestrutura das redes, promovendo a qualidade técnica, a inovação e a disseminação dos serviços de Internet, sem prejuízo à abertura, neutralidade e natureza participativa;
VII – desenvolvimento de ações e programas de capacitação para uso da internet;
VIII – promoção da cultura e da cidadania, inclusive pela prestação mais dinâmica e eficiente de serviços públicos;
IX – uso eficiente de recursos públicos e dos serviços finalísticos disponibilizados ao cidadão; e
X – prestação de serviços públicos de atendimento ao cidadão de forma integrada, simplificada e por múltiplos canais de acesso.

Art. 29
Os sítios e portais de entes do Poder Público devem buscar:
I – compatibilidade dos serviços de governo eletrônico com diversos terminais, sistemas operacionais e aplicativos para seu acesso;
II – acessibilidade a todos os interessados, independentemente de suas capacidades físico-motoras, perceptivas, culturais e sociais, resguardados os aspectos de sigilo e restrições administrativas e legais;
III – compatibilidade tanto à leitura humana como ao tratamento por máquinas;
IV – facilidade de uso dos serviços de governo eletrônico; e
V – fortalecimento da democracia participativa.

Art. 30
O cumprimento do dever constitucional do Estado na prestação da educação, em todos os níveis de ensino, abarca a capacitação para o uso da Internet como ferramenta de exercício de cidadania, promoção de cultura e desenvolvimento tecnológico.
§ 1º. Sem prejuízo das atribuições do poder público, o Estado fomentará iniciativas privadas que promovam a Internet como ferramenta educacional.
§ 2º. A capacitação para o uso da Internet deve ocorrer integrada a outras práticas educacionais.

ONU pede banda larga mundial para 2015

A União Internacional de Telecomunicações, UIT, lançou nesta terça-feira um relatório com a revisão dos progressos realizados para a criação de uma sociedade global de informação até 2015.

Segundo o relatório, o número de usuários de internet mais do que dobrou desde 2003. Porém ainda está longe do ideal. De acordo com a UIT, 75% das residências possuem televisão e apenas 25% tem internet.

O texto cita a importância de investimento no acesso público à internet e à conexão rápida. No México, por exemplo, quase 40% das 7 mil bibliotecas públicas oferecem o serviço.

O documento, apresentado na Conferência Mundial de Desenvolvimento das Telecomunicações, que acontece em Hyderabad, na Índia, mostra crescimento e evolução na área de tecnologia celular móvel.

Segundo o secretário-geral da UIT, Hamadoun Touré, hoje quase 90% da população global está coberta por uma rede celular móvel, incluindo áreas rurais e remotas.

A agência da ONU afirma que, em muitos países em desenvolvimento, linhas de telefone fixas são limitadas aos centros urbanos. Por outro lado, mais da metade das famílias rurais tem celular.

Apesar dos avanços, o documento conclui que grandes esforços serão necessários nos países em desenvolvimento para alcançar os objetivos e metas até 2015, como a ampliação do conteúdo online e aplicativos.

O compromisso foi acordado entre governos durante a Cúpula Mundial sobre a Sociedade da Informação, realizada em Genebra em 2003 e em Túnis em 2005.

Instalada comissão sobre curso superior de jornalismo

A comissão especial da PEC sobre a obrigatoriedade de curso superior em jornalismo foi instalada há pouco. A comissão analisará a Proposta de Emenda à Constituição 386/09, do deputado Paulo Pimenta (PT-RS).

A comissão elegeu para presidente o deputado Vic Pires Franco (DEM-PA); para primeira vice-presidente, Rebecca Garcia (PP-AM); segundo vice, Francisco Praciano (PT-AM); e terceiro vice, Colbert Martins (PMDB-BA).

O relator indicado é o deputado Hugo Leal (PSC-RJ). Ele pretende apresentar seu relatório até 24 de junho, mantendo o texto da PEC 386/09. Leal informou que deve organizar duas ou três audiências públicas para ouvir os donos de empresas de comunicação e um jurista para analisar o julgamento do Supremo Tribunal Federal (STF).

No dia 17 de junho do ano passado, o STF decidiu que o diploma não é obrigatório para essa atividade. Isso gerou protestos de entidades como a Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj) e a Associação Brasileira de Imprensa (ABI).

A admissibilidade da proposta foi aprovada pela Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania em novembro do ano passado.

Relatório aponta projetos que têm relação com propostas da Confecom

Um estudo feito pelo deputado Paulo Henrique Lustosa (PMDB-CE) mostra que cerca de 35% das 641 propostas aprovadas na 1ª Conferência Nacional de Comunicação (Confecom) implicam em alguma forma de ação legislativa no Congresso Nacional. Além disso, o relatório informa que, deste percentual, que representa 222 propostas, dois terços (148) já são motivo de alguma ação, como projetos de lei, em pelo menos uma das casas legislativas do país (Câmara e Senado).

O relatório seria votado nesta quarta-feira (26) durante reunião da Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática (CCTCI) da Câmara. No entanto, ele foi retirado de pauta devido a um pedido de vistas da deputada Luiza Erundina (PSB-SP). Ele é o resultado da subcomissão que foi criada para acompanhar o andamento da Confecom. Quem presidiu os trabalhos foi a deputada Cida Diogo (PT-RJ).

O documento relaciona todas as propostas aprovadas na Confecom com as iniciativas correlatas que existem na Câmara. Além disso, traz algumas informações importantes com relação aos conteúdos do que foi aprovado. Ele informa, por exemplo, que “as várias formas de acompanhamento e de controle social sobre o conteúdo veiculado pela mídia são objeto de 117 propostas.”

O documento também observou que a radiodifusão pública foi um dos grandes temas da Confecom. O assunto é tratado em 105 propostas, das quais 56 tratam da televisão pública, tendo várias destas oferecido sugestões específicas quanto ao funcionamento da Empresa Brasileira de Comunicação (EBC) e de seu canal público, a TV Brasil.

Por fim, a avaliação que a subcomissão faz da Conferência é positiva. “A Confecom deixa uma lição de cidadania, pela promoção de um debate aberto e democrático, com o confronto público, franco e transparente de visões distintas sobre o futuro da comunicação social brasileira”, diz o relatório.

Contradições

Apesar disso, o caderno final com todas as resoluções da Conferência ainda está sob revisão. Nele, foram encontrados problemas como ausência e erros de redação de propostas que foram aprovadas na Confecom.

Passados mais de cinco meses da Conferência, a Comissão Organizadora Nacional sequer se reuniu para encerrar os trabalhos. A própria informação sobre o número de diretrizes aprovadas é desencontrada. O site oficial da Confecom informa que foram 665 enquanto o relatório da subcomissão da CCTCI afirma serem 641.

A sociedade civil está cobrando agilidade do governo e deve fazer um seminário nacional em breve para tratar dos encaminhamentos a serem dados a partir de agora. A CCTCI vai realizar uma audiência pública para discutir os desdobramentos da Confecom em 10 de junho, às 9h30, no plenário 13 da Câmara dos Deputados.

O relatório completo pode ser baixado aqui.