Trololó na TV Cultura

A bola queimou para a TV Cultura, com as demissões dos jornalistas Heródoto Barbeiro e Gabriel Priolli. Explicações complicadas terão que ser dadas pelo candidato à presidência José Serra – acusado de ter pedido a cabeça dos jornalistas – e pelo vice-presidente de conteúdo da emissora, Fernando Vieira de Mello, recém-chegado por lá, após ter sido afastado da Band.

Como já é amplamente sabido, as duas demissões supostamente têm na base questionamentos feitos pelos jornalistas ao alto preço dos pedágios nas estradas de São Paulo – Barbeiro no Roda Viva, onde Serra considerou a questão um "trololó petista"; Priolli em reportagem para o Jornal da Cultura, e que sequer estava editada.

Barbeiro era um nome importante do jornalismo da Cultura havia muitos anos; foi editor, repórter, apresentador e âncora. Priolli teve várias passagens pela emissora, mas tornou-se diretor do Jornalismo apenas cinco dias antes de ser demitido. É possivelmente um recorde mundial, que deixa para a TV Cultura uma questão que ela tem que responder com urgência: ou o novo diretor de Jornalismo, que a emissora conhecia bem em várias outras funções, demonstrou uma inadequação meteórica para o cargo, ou a emissora cedeu mesmo, como escreveram Luis Nassif e outros jornalistas, às exigências do candidato tucano.

Diálogo de répteis

Se isso não é envaidecedor para José Serra, é muito menos para a emissora. Menos ainda para a utopia de se construir uma televisão pública livre no Brasil. O incidente deixa a TV Cultura numa situação visivelmente constrangedora, mas impacta enormemente o debate que vinha acontecendo – especialmente desde a criação da Empresa Brasil de Comunicação (EBC) – sobre a possibilidade de sobrevivência do jornalismo independente numa televisão pública.

A principal razão para isso é que a própria Cultura vinha ironicamente sendo apontada como um modelo bem sucedido dessa possibilidade. Isso em oposição à EBC, que como empresa alegadamente ainda não conseguiu decolar, cujo jornalismo foi esfacelado há tempos, onde essa história de independência é uma balela.

Em vista do experimentado pela EBC – e à luz do que acontece neste momento na TV Cultura –, televisão pública e jornalismo independente parecem ser no Brasil expressões mutuamente excludentes. Mas se o jornalismo não é independente numa televisão pública, não ofenderá perguntar:

– A quem interessa, então, uma televisão pública, e por que os governos investem tanto dinheiro nelas?

A possibilidade de construção de uma televisão pública livre, original e relevante é inversamente proporcional ao nível de promiscuidade que possa existir entre governos e seus partidos e os mecanismos de gestão dessas emissoras. Se for comprovado que o PSDB demitiu dois jornalistas da Cultura por terem feito perguntas sobre os pedágios das estradas paulistas, isso autorizará a EBC a afastar quem se posicione criticamente a qualquer ação do governo Lula. Tal quadro estaria alguns pontos abaixo de um diálogo de répteis – subvencionado pelo dinheiro da sociedade brasileira.

Fundo do poço

A sociedade tem que saber imediatamente se Heródoto Barbeiro e Gabriel Priolli foram de fato demitidos por ordem de José Serra. Se não, por que o foram, que tipo de erros contundentes ambos cometeram – até porque são nomes conhecidos pelo público e respeitados no ambiente profissional.

A sociedade tem também que saber quem está ganhando dinheiro público nas emissoras públicas para não lutar por sua independência e, pelo contrário, torná-las mais e mais subservientes aos interesses dos políticos.

Relações promíscuas com vários setores estão no DNA de muitos políticos – não refiro a qualquer um em especial – e isso talvez não possa ser combatido com tanta facilidade. Mas "laranjas" que são postos nas televisões públicas que o povo está pagando – e que as colocam a serviço do atraso, que as lançam ostensivamente no descrédito público –, estes devem ser combatidos e denunciados por quem quer que defenda a possibilidade de uma imprensa equilibrada, de uma televisão pública independente e voltada para o interesse público.

Ser conivente com isso é jogar a televisão brasileira no fundo do poço, é trair os mais elementares ideais libertários.

* Nelson Hoineff é jornalista, cineasta e diretor de TV.

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ENTRE ASPAS

Sayad nega ingerência política na TV Cultura
Sonia Racy e Jotabê Medeiros # reproduzido de O Estado de S.Paulo, 12/7/2010

O presidente da Fundação Padre Anchieta, João Sayad, negou ontem [domingo, 11/7] ter havido motivação política no afastamento de Gabriel Priolli da Diretoria de Jornalismo da TV Cultura. Ele alegou que Priolli não tinha o perfil adequado para o cargo na emissora, gerida pela fundação.

"Foi uma escolha equivocada", afirmou Sayad. Jornalista experiente, com passagem por alguns dos principais jornais e televisões do Brasil, Priolli trabalha para a TV Cultura há mais de uma década e permaneceu apenas uma semana no cargo.

Seu afastamento alimentou a suspeita de ingerência política na emissora pública ligada ao governo de São Paulo. Segundo versão amplificada pela internet, Priolli foi afastado do posto por orientar a produção de uma reportagem sobre as tarifas de pedágio nas estradas estaduais, tema abordado com insistência pela campanha do PT ao governo paulista.

O jornalista preferiu não se manifestar sobre o episódio: "Vou manter silêncio, pois ainda sou funcionário da TV Cultura". O destino de Priolli dentro da emissora deve ser definido hoje, em reunião com o vice-presidente da fundação, Ronaldo Bianchi. Tanto a nomeação quanto a destituição de Priolli foram comunicadas a ele pelo diretor de Conteúdo da TV Cultura, Fernando Vieira de Mello.

O seção paulista do PT anunciou que vai pedir ao Ministério Público Eleitoral que investigue o afastamento de Priolli. O candidato do partido ao governo de São Paulo, Aloizio Mercadante, foi entrevistado para a reportagem sobre pedágios, assim como o candidato do PSDB, Geraldo Alckmin.

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Pedágio na Cultura
Fernando de Barros e Silva # reproduzido da Folha de S.Paulo, 12/7/2010

Começou mal, muito mal, a gestão de João Sayad à frente da TV Cultura de São Paulo.

Na quarta-feira da última semana, confeccionava-se, para o jornal noturno da emissora, uma reportagem sobre os pedágios paulistas, aos quais o próprio candidato tucano ao governo, Geraldo Alckmin, havia feito reparos. No início da noite, o diretor de jornalismo da TV Cultura, Gabriel Priolli, foi chamado à sala de Fernando Vieira de Mello, vice-presidente de conteúdo.

Ali ouviu a bronca: a TV não poderia se ocupar de assunto tão delicado sem o seu conhecimento prévio. Vieira de Mello ecoava um protesto que tinha origem em algum escaninho da burocracia tucana.

A reportagem não foi ao ar naquela noite. E Priolli foi afastado de suas funções na tarde de quinta-feira. Durou uma semana no cargo.

Consta que a reportagem sobre os pedágios foi exibida na noite de sexta, feriadão de 9 de julho. E alega-se que foi derrubada na antevéspera porque estava "mal feita". Ninguém deve ter visto o resultado final. Como quase ninguém teria visto se fosse exibida na quarta.

A verdade é que a Cultura é uma TV mais lida do que assistida. Os próprios conselheiros da Fundação Padre Anchieta acompanham a emissora pela imprensa.

A saída de Heródoto Barbeiro do "Roda Viva" nada tem a ver com a pergunta que ele fez no programa a José Serra uma semana antes -justamente sobre pedágios. A sua substituição por Marília Gabriela já estava acertada pela direção. Mas, ao enviar Priolli para a Sibéria, os tucanos conseguiram transformar uma mentira em algo verossímil.

O episódio escancara a ingerência política do tucanato na TV pública de São Paulo. Quando uma reportagem sobre pedágios vira questão de Estado, então é melhor fechar o departamento de jornalismo e exibir "Cocoricó", onde ao menos as crianças são levadas a sério.

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Diretor de jornalismo da Cultura é afastado
Ana Paula Sousa # reproduzido da Folha de S.Paulo, 10/7/2010

Após uma semana no posto, o jornalista Gabriel Priolli deixou de ser diretor de jornalismo da TV Cultura. A decisão, tomada pelo jornalista Fernando Vieira de Mello, vice-presidente de conteúdo da emissora, alimentou boatos a respeito da ingerência política sobre o canal.

No final da tarde de quinta-feira [8/7], Mello chamou Priolli à sua sala para comunicá-lo do afastamento. Priolli, que já era funcionário da Cultura, disse, à Folha, que preferia não falar sobre o episódio.

Nos corredores da emissora e na blogosfera, circula a informação de que, por trás da saída de Priolli, está uma reportagem sobre problemas e aumento nos pedágios.

A reportagem teria sido "derrubada" – jargão para o que não é veiculado – por Mello. "A reportagem não foi ao ar na quarta-feira por uma razão simples: não estava pronta", diz Mello.

"Eram ouvidos só [Geraldo] Alckmin e [Aloísio] Mercadante. Em período eleitoral, somos obrigados a ouvir todos os candidatos. Foi isso que fizemos", acrescenta.

De acordo com ele, o material iria ao ar ontem [9/7] à noite, no Jornal da Cultura.

Dias antes, outra dança de cadeiras originou rumores sobre a influência do governo estadual sobre a TV.

Segundo estes, Heródoto Barbeiro teria sido substituído por Marília Gabriela no Roda Viva por ter feito uma pergunta incômoda a Serra.

A TV atrela a mudança à busca de uma "nova cara" para o canal. Mello observa, ainda, que nem Priolli nem Barbeiro foram demitidos. Ambos devem assumir novas posições na emissora.

Congresso deve discutir limite a capital estrangeiro

A aplicação do Artigo 222 da Constituição aos sites jornalísticos voltou a tomar conta da agenda do setor nesta quarta-feira (7), em audiência pública realizada na Câmara dos Deputados. O referido texto constitucional cria limites à participação de capital estrangeiro na mídia brasileira. Apesar da pressão dos radiodifusores, os deputados presentes enfatizaram que a polêmica sobre a questão deve ser tratada pelo Congresso e que o debate ainda precisa amadurecer. Como não existem projetos de lei sobre a pauta, a tendência é que uma conclusão a respeito do tema fique para a próxima legislatura.

Isso só não acontecerá se a Justiça ou o Executivo anteciparem algum movimento sobre a questão. O governo federal não deve fazer isso, já que o Ministério das Comunicações foi mais uma vez enfático em afirmar que só compete ao órgão verificar os limites impostos no Artigo 222 quanto às empresas de radiodifusão, que diferentemente de jornais impressos e sites, são concessões públicas.

O assunto, porém, tem chances de ser definido pela Justiça. Em maio deste ano, a Associação Brasileira das Emissoras de Rádio e TV (Abert) e a Associação Nacional dos Jornais (ANJ) entraram com duas representações junto à Procuradoria Geral da República pedindo que o Ministério Público emita um parecer em relação a atuação de empresas estrangeiras em sites noticiosos brasileiros. A depender do tipo de resposta, a Abert cogita até dar entrada em uma Ação Direta de Inconstitucionalidade (Adin).

Mas não é assim que os deputados mais envolvidos com o imbróglio pretendem que seja resolvida a questão. Para o deputado federal Eduardo Gomes (PSDB-TO), o problema está posto e a audiência é o princípio de uma discussão mais propositiva. Ele foi o autor do requerimento para a realização do debate desta quarta-feira, convocado pela Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática da Câmara.

Polêmica

O Artigo 222 da Constituição Federal diz que a “propriedade de empresa jornalística e de radiodifusão sonora e de sons e imagens é privativa de brasileiros natos ou naturalizados há mais de dez anos, ou de pessoas jurídicas constituídas sob as leis brasileiras e que tenham sede no País”. No parágrafo 1º, há uma definição do limite de participação de capital estrangeiro: “pelo menos setenta por cento do capital total e do capital votante das empresas jornalísticas e de radiodifusão sonora e de sons e imagens deverá pertencer, direta ou indiretamente, a brasileiros natos ou naturalizados há mais de dez anos, que exercerão obrigatoriamente a gestão das atividades e estabelecerão o conteúdo da programação”.

A polêmica é que as organizações que representam os radiodifusores interpretam o texto constitucional de forma diferente do Portal Terra, que foi diretamente acusado na representação da Abert. Para eles, o sentido desse artigo deve valer para todos os veículos de comunicação, mesmo que não cite diretamente todos eles, como é o caso da internet. O Terra pertence à empresa Telefónica, da Espanha, e é um dos principais concorrentes dos sites Globo.com e G1, ambos do grupo Globo, que é um dos associados da Abert.

A divergência central passa por desvelar se os sites noticiosos, como o Terra, são ou não empresas jornalísticas, já que não há nem na Constituição e nem em outras leis essa definição. Para o consultor da Abert Gustavo Binenbojn eles são. “A menção a empresa jornalística não se confunde com veículos”, defendeu. Para ele, se enquadram nessa categoria todos os veículos que apuram e divulgam notícias com vistas à obtenção de lucro. Ou seja, aquilo que se transforma em uma atividade empresarial.

A lógica do argumento da Abert é que é preciso entender o espírito daquilo que diz o texto constitucional. Como a Constituição foi promulgada em 1988, faria sentido que não se citasse a internet porque ainda não era uma ferramenta presente no cotidiano da sociedade. “Mas a finalidade constitucional é preservar a formação de opinião pública independente. Não há como imaginar a formação de uma nação por cidadãos estrangeiros despreocupados com a realidade brasileira”, disse Gustavo Binenbojn, apelando para o risco à soberania nacional que sites controlados por empresas internacionais poderiam causar.

O posicionamento atual da Abert destoa com o que a associação defendeu em 2002, quando foi aprovada a Proposta de Emenda Constitucional que liberou a participação de estrangeiros em até 30% nos veículos do país. Antes disso, apenas brasileiros poderiam deter o capital dos meios de comunicação. Na época, as Organizações Globo e outras emissoras foram a favor da mudança porque passavam por problemas financeiros provocados, entre outros motivos, pela crise econômica do final dos anos 90. Em 2002, estima-se que a Globopar, holding das Organizações Globo, somava cerca de R$ 5 bilhões em prejuízos.

O superintendente da Rede TV! e representante da Abra, Kalled Adib, tem o mesmo entendimento das outras associações. “Com o advento da internet a convergência é grande e não tem lei que protege isso”, diz Kalled. Ele também avalia que o assunto é dos mais importantes já que, segundo suas projeções, “daqui a um tempo o maior portal do país vai faturar mais do que a maior emissora de TV.”

O deputado federal Paulo Teixeira (PT-SP) também se inclinou a essa tese, embora tenha afirmado que ainda não fechou posição sobre o assunto. Para ele, o constituinte deve ter criado a limitação às empresas estrangeiras porque entendia que os meios de comunicação representavam uma instância de poder na sociedade. Por isso, segundo ele, foi colocada a tarefa de reservar aos brasileiros a obrigatoriedade de serem donos majoritários nos veículos nacionais. “Me parece que a Constituição já regula”, opinou.

Conceito

Já a defesa do Portal Terra se sustenta na tese de que um site noticioso não é um jornal e, portanto, a empresa não pode ser considerada jornalística. O advogado Floriano Peixoto Marques Neto, que defendeu o Terra, fez uma diferenciação conceitual entre os veículos. Para ele, a ideia de jornal pressupõe conteúdo noticioso previamente selecionado com alguma periodicidade. “Nos portais, a informação não é editada no sentido jornalístico. Ela também não é empacotada. Além disso, a periodicidade do instante não é periodicidade”, elaborou.

O advogado também rebateu o argumento dos radiodifusores de que os portais sem a restrição ao capital estrangeiro estariam competindo desigualmente com os outros tipos de veículos de comunicação. Para ele, a reserva de mercado é que limita a liberdade de competição. “Isso vai contra o Artigo 220 da Constituição, que proíbe o oligopólio”, citou Floriano Peixoto, que afirmou que o Terra deixará de produzir notícias se for entendido que os sites também devem se enquadrar ao Artigo 222.

A soberania nacional, segundo o advogado do Terra, também não pode ser evocada nessa questão. “A proteção do conteúdo não tem relação com a detença do capital”, disse Peixoto, lembrando que existem empresas de mídia controladas por brasileiros que transmitem produções de outros países. Marques defendeu que se mude a Constituição, caso queira se estabelecer isonomia comercial entre os sites noticiosos e as empresas jornalísticas tradicionais.

Foi também nessa tecla que bateu o deputado federal Jorge Bittar (PT-RJ). O parlamentar avalia que, se o objetivo é preservar a cultura nacional, deve-se partir para outros caminhos. “No caso da TV por assinatura, introduzimos uma política de cotas”, exemplificou, reconhecendo que o mesmo artifício é dificilmente aplicável à internet. Para o parlamentar, mais importante que observar a propriedade dos veículos é questionar se as empresas estão produzindo conteúdos brasileiros e gerando empregos para brasileiros.

Já a deputada federal Luiza Erundina (PSB-SP), enfatizou o atual vazio legal que existe sobre a comunicação no país e lamentou que as entidades da sociedade civil não foram convocadas para opinar sobre a questão. Segundo a deputada, três princípios precisam ser considerados na elaboração de novas leis para o setor: a democratização dos meios de comunicação, o acesso universal à informação e o interesse público. “Sem isso, estamos mancos nessa tarefa de um novo marco legal.”

UE derruba veto do governo na Portugal Telecom

Caminho livre para a venda da Vivo. O Tribunal de Justiça da União Europeia considerou ilegal o governo português deter ações especiais que permitem vetar movimentações da Portugal Telecom. A decisão foi tomada nesta quinta-feira (8/7) pela corte, em Luxemburgo.

A lei portuguesa prevê que, em casos de privatização, o governo pode manter ações especiais, as chamadas golden shares. Em posse delas, o Estado pode vetar alterações do pacto social da empresa e ainda outras deliberações. Mas, ainda segundo a lei de Portugal, essas ações são excepcionais e só podem ser conferidas ao governo em prol do interesse nacional.

Em 1994, com a privatização das telecomunicações no país e a consequente criação da Portugal Telecom, o governo manteve golden shares. Foram elas que garantiram, na semana passada, que o governo barrasse tentativa da empresa de vender parte da Vivo para a espanhola Telefonica, que ficaria com 60% das ações da brasileira.

Ao analisar a disputa comercial, no entanto, o Tribunal de Justiça da União Europeia considerou que o governo português, ao fazer uso dos direitos especiais garantidos pelas golden shares, violou a livre circulação de capitais. Para os julgadores, as ações privilegiadas dão ao Estado uma influência não justificada pela amplitude da sua participação acionária e, consequentemente, pode desencorajar investimentos financeiros vindos de outros países da UE.

A corte lembrou que, de acordo com as regras do grupo econômico e político, medidas nacionais que restrinjam a livre circulação de capitais só são aceitas em determinados casos, por exemplo, para garantir a segurança pública. O caso da Portugal Telecom não se encaixa em nenhuma das exceções previstas, concluiu o tribunal.

Portugal, agora, deve cumprir a determinação da corte e abrir mão das golden shares o mais breve possível. Se a Comissão Europeia enxergar qualquer desrespeito à decisão por parte do governo português, pode recorrer ao tribunal pedindo a aplicação de sanções.

Empresas de telecom se unem mirando rede do PNBL

As empresas nacionais fornecedoras de soluções para o mercado de telecom Parks, Gigacom, CPqD, ASGA, WXBR, Datacom, Trópico, Icatel, Padtec e Digitel se uniram para formar o Gente – Grupo de Empresas de Tecnologia. O objetivo é prover ao governo uma solução tecnológica brasileira com competitividade global, que permita o fornecimento de hardware e software. O alvo é o Plano Nacional de Banda Larga (PNBL), que prevê ações para fomentar o desenvolvimento de tecnologia nacional em TIC e promover inovações na área de serviços de banda larga, com produtos de alto valor agregado.

Segundo Roque Versolato, coordenador do Gente, representante da Associação Brasileira das Empresas de Desenvolvimento Tecnológico de Telecomunicações (ABTec) e participante do Comitê Gestor do Programa de Inclusão Digital (CGPID), a união de empresas brasileiras com alto nível tecnológico, que investem, ao ano, mais de R$ 150 milhões s em pesquisa e desenvolvimento, trará benefícios à indústria brasileira, ao governo, à geração de empregos altamente qualificados e a retenção dos talentos no país, permitindo a colaboração mútua entre as empresas, universidades e centros de pesquisa, para obter ganhos de produtividade dentro do conceito de Arranjo Produtivo Local (APL).

A rede do PNBL atenderá, além da população, órgãos do governo federal, como Serpro, Caixa Federal, INSS e outros. “Sendo assim, circulará pela rede informações sigilosas do cidadão, que se encontram nesses órgãos. A tecnologia a ser fornecida pelas empresas do Gente será robusta, aberta e com domínio tecnológico nacional, de forma a inibir ataques, quedas e vulnerabilidades. Somente tecnologias desenvolvidas localmente podem garantir esta segurança”, disse Versolato.

*com assessoria de imprensa.

Entidades formalizam posição contra a Anvisa

O que era um descontentamento inicial se transformou em indignação formalizada. Entidades da indústria alimentícia e também do setor de publicidade publicaram uma carta manifestando o seu descontentamento em relação a regulamentação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) publicada na semana passada que prevê a obrigatoriedade da inserção de mensagens de alerta nos anúncios publicitários de alimentos considerados pouco saudáveis.

Conforme a reportagem de M&M Online apurou na semana passada, a medida não foi recebida com bons olhos por praticamente nenhum dos setores envolvidos. A Associação Brasileira das Indústrias de Alimentos (Abia) logo afirmou que irá contestar legalmente a decisão da Anvisa, que estabeleceu um prazo máximo de 180 dias para que anunciantes e agências de publicidade se enquadrem nas novas regras. A Anvisa alega que a interferência na publicidade de alimentos se deve a uma tentativa de coibir o consumo abusivo de produtos de baixo valor nutricional ou de alto teor de gordura e açúcar, que fomentam os índices crescentes de obesidade no Brasil, sobretudo entre as crianças.

Na edição desta quarta-feira 7 dos principais jornais do País, as entidades publicaram um comunicado oficial, contestando a Anvisa. Leia o texto na íntegra:

Em Defesa do Estado de Direito

A Agência Nacional de Vigilãncia Sanitária (Anvisa) acaba de exorbitar sua competência mais uma vez, ao tentar agora impor regras para a publicidade de alimentos e bebidas não alcoólicas. Em medida administrativa, na Resolução nº 24/2010, a agência cria regras para a propaganda comercial de alimentos e bebidas.

Não é a primeira investida dessa agência. Em outras oportunidades, já tentou se substituir ao Congresso Nacional criando regras para a propaganda de outros produtos, como bebidas alcoólicas, em 2007, e medicamentos populares, em 2009.

Em ambas, a Anvisa foi desautorizada pela Advocacia-Geral da União e, na última delas, também na Justiça. Sempre que perdeu, foi porque ficou claro que não tinha competência para legislar sobre propaganda comercial. Novamente a agência reincide ao legislar em seara que não lhe compete. O artigo 22, inciso 29 da Constituição Federal, diz que é competência privativa da União (Congresso Nacional e Presidência da República) legislar sobre propaganda comercial. O artigo 22 é claro ao dizer que compete à lei federal dispor sobre propaganda de produtos, práticas e serviços que possam ser noviços à saúde.

A propaganda brasileira é submetida a um sistema misto de controle que funciona muito bem. Fazem parte dele o severo arcabouço legal no qual avulta o Código de Defesa do Consumidor e, do lado da sociedade civil, o Conar. Este já julgou mais de 7 mil casos em seus trinta anos de existência. Estabelece um sistema considerado dos mais evoluídos do mundo para regular eticamente mensagens comerciais e é respeitado por anunciantes, agências de propaganda e veículos de comunicação.

As entidades abaixo-assinadas reiteram sua confiança no Estado democrático de Direito, na primazia da Constituição Federal e confiam que o Congresso Nacional saberá fazer uso da competência constitucional que lhe foi atribuída pela Carta Magna de 1988. Temos certeza, portanto, que a usurpação de poder ora em curso não há de prosperar.

Assinam esta declaração:

ABA – Associação Brasileira dos Anunciantes
Abap – Associação Brasileira das Agências de Propaganda
Abert – Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão
Abia – Associação Brasileira das Indústrias de Alimentação
Abir – Associação Brasileira das Indústrias de Refrigerantes e Bebidas Não Alcoólicas
Abta – Associação Brasileira de TVpor Assinatura
Aner – Associação Nacional de Editores de Revistas
ANJ – Associação Nacional de Jornais
Central de Outdoor
Feneec – Federação Nacional das Empresas Exibidoras Cinematográficas
Fenapro – Federação Nacional das Agências de Propaganda
IAB – Interactive Advertising Bureau
Instituto Palavra Aberta