TV Cultura nega conflito político por afastamento de jornalista da direção

A TV Cultura negou a informação que o afastamento de Gabriel Priolli da direção de jornalismo da emissora tenha motivação política. Segundo informações veiculadas no O Estado de S. Paulo e Folha de S. Paulo de domingo e desta segunda-feira (12/07), o jornalista teria sido afastado do cargo por sugerir uma pauta sobre os problemas nos pedágios das rodovias paulistas, na última quinta-feira (08/07). A TV Cultura desmentiu a informação e afirmou que Priolli foi remanejado para a vice-presidência de gestão da emissora.

De acordo com a emissora, Priolli apenas prestava apoio à direção de jornalismo, logo após a saída repentina de Paulo Fogaça. A partir de agora, o jornalista assessora a vice-presidência de gestão da TV Cultura, dirigida por Ronaldo Bianchi. Priolli atuou por dez dias como coordenador de jornalismo da emissora, antes ele exercia o cargo de coordenador de expansão e rede da TV Cultura.

Sobre a reportagem a respeito dos pedágios, a emissora informou que a matéria não foi exibida na quinta-feira (08/07) por não ter ouvido todos os candidatos ao governo de SP, mas disse que foi veiculada normalmente no dia seguinte.

A suspeita de que o afastamento do cargo tenha ingerência política foi motivada pelo fato do tucano José Serra ter influência na emissora, já que indicou seu ex-secretário de Cultura, João Sayad, para assumir a presidência da TV Cultura.

Segundo Sayad, a escolha de Priolli para a direção de jornalismo foi “equivocada” e por isso a emissora agiu rapidamente no remanejamento, informou ao Estadão. O presidente da emissora negou qualquer influência política na escolha.

O PT-SP anunciou que irá pedir ao Ministério Público Eleitoral que apure o afastamento de Priolli.

PT pede investigação sobre afastamento de diretor da Cultura

O PT paulista pedirá ao Ministério Público Eleitoral que sejam investigadas as razões do afastamento do diretor de jornalismo da TV Cultura, Gabriel Priolli. Na última quinta-feira, o vice-presidente de conteúdo da emissora, Fernando Vieira de Mello, avisou a Priolli que ele deixaria o cargo que tinha assumido havia uma semana.

Sites e blogs relacionaram o afastamento à produção de uma reportagem sobre as tarifas de pedágio nas estradas de São Paulo, tema que vem sendo explorado com constância pela campanha petista ao governo estadual. Em entrevista ao jornal Folha de S. Paulo, Vieira de Mello afirmou que veiculação da reportagem fora suspensa porque a apuração não tinha sido concluída.

Para a reportagem, produzida originalmente para o Jornal da Cultura, haviam sido entrevistado os dois principais candidatos do Palácio dos Bandeirantes, Geraldo Alckmin (PSDB) e Aloizio Mercadante (PT). A cúpula da emissora recomendou, então, que os candidatos de outros partidos também fossem ouvidos. Nem a direção da TV Cultura nem Priolli até agora se manifestaram oficialmente sobre o caso.

Campanha

O episódio serviu de mote ontem para a campanha do PT. Mercadante, que comandou caminhada em Guarulhos, criticou: "A matéria é feita com critérios jornalísticos. Os dois candidatos são ouvidos. E depois a matéria não vai ao ar, o jornalista é afastado e a mídia brasileira nem sequer se manifesta. Esse episódio é muito grave e atenta contra a liberdade de imprensa".

Já Alckmin evitou comentar o caso. "É assunto interno da emissora", disse ele, que participou do Festival da Tainha, em Caraguatatuba.

Outro que será afastado de suas funções na Cultura é o apresentador Heródoto Barbeiro, que deixará o comando do programa de entrevistas Roda Viva, um dos mais importantes da emissora. Ele será substituído por Marília Gabriela.

Senado quer discutir fim da limitação de outorgas no cabo

A Comissão de Ciência, Tecnologia, Inovação e Informática (CCT) do Senado Federal quer esclarecer as motivações da Anatel para ter suspendido a eficácia do planejamento de TV a cabo no país e seus impactos no mercado. Nessa quarta-feira, 7, a CCT aprovou dois requerimentos para a realização de audiências públicas sobre o assunto. Os requerimentos são de autoria dos senadores Sérgio Zambiasi (PTB/RS) e Antônio Carlos Júnior (DEM/BA).

Ambos pedem que o ministro das Comunicações, José Arthur Filardi, compareça à comissão para esclarecer o caso. Um outro requerimento já havia sido aprovado pela CCT em reunião anterior para que a Anatel explicasse sua decisão aos senadores. Além do Minicom e da agência reguladora, Zambiasi pede que a Abert também seja convidada a participar da audiência.

As emissoras de televisão estão preocupadas de que o fim do limite de expedição de outorgas para operadoras de cabo possa afetar o pacto federativo. O motivo seria a ampliação do número de operadores de cabo locais, que acabariam "concorrendo" com as retransmissoras locais ao cumprir a regra do must carry, carregando os sinais das geradoras de televisão.

Provavelmente os requerimentos serão atendidos com a realização de uma única audiência sobre o tema, mas ainda não foi definido formalmente o procedimento que será adotado, nem a data do debate. A lista de convidados também pode ser ampliada a pedido dos senadores, incluindo outros interessados no assunto.

Telefônica cumpriu plano de reforço do Speedy, confirma Anatel

O Conselho Diretor da Anatel validou nesta quinta-feira, 8, o cumprimento pela Telefônica do plano de expansão proposto pela companhia para evitar novas falhas no serviço de banda larga do grupo, o Speedy. Entre 2008 e 2009 foram registradas quatro grandes panes no sistema de oferta de Internet, o que fez com que a Anatel determinasse a suspensão da comercialização do serviço no ano passado e exigisse a implantação de um plano de reforço da rede. De acordo com as averiguações técnicas, o projeto de reforço foi completamente executado pela Telefônica, dentro do prazo de 180 dias estipulado pela própria empresa.

A execução do projeto de curto prazo (180 dias), aprovada nesta quinta, 8, custou à companhia R$ 17,525 milhões, segundo as informações prestadas pela Anatel, aproximadamente R$ 900 mil a menos do que o previsto inicialmente pela empresa. A diferença de valor, no entanto, não comprometeu a execução das medidas de reforço da rede, de acordo com a análise dos técnicos. A análise da implantação do plano de reforço é apenas um de diversos processos abertos contra a Telefônica por conta das panes no Speedy.

Entre as melhorias de rede feitas pela Telefônica estão a ampliação do core e segmentação da rede IP, a implementação de ferramentas de segurança, o aumento do Call Center responsável pelo atendimento de problemas em contas (mais 200 funcionários) e a implementação de um sistema de redundância nas conexões da rede de banda larga. A avaliação detalhada do plano está no voto da relatora, conselheira Emília Ribeiro, que pode ser conferido na home page da TELETIME.

Possível auditoria

O relatório aprovado hoje também determina que a Superintendência de Serviços Públicos (SPB) da Anatel, em conjunto com a Superintendência de Radiofrequência e Fiscalização (SRF), avalie a possibilidade de aceitar as manifestações apresentadas pela Associação dos Engenheiros de Telecomunicações (AET) feitas ao longo do processo como "denúncia". Se isso ocorrer, as suspeitas levantadas pela AET serão analisadas separadamente, em um processo específico.

Desde 2009, a associação encaminha cartas à Anatel colocando em dúvida a real aplicação de recursos pela Telefônica na rede de banda larga e telefonia fixa no estado de São Paulo. A AET alegar ter consultado informalmente fornecedores de equipamentos, que teriam revelado uma discrepância entre os dados divulgados publicamente pela empresa como "investimentos" feitos na rede e as reais contratações realizadas no mercado. A associação pede que a Anatel faça uma auditoria na empresa para apurar os fatos.

Campinas: a pior situação de rádios comunitárias do Brasil

A região de Campinas concentra cerca de 20% do PIB do estado de São Paulo, com cerca de 15% da produção industrial do País. Com uma população de seis milhões e 500 mil habitantes e 91 municípios, a região é considerada uma das mais importantes do país.

Declarações de alguns ministros que ocuparam a pasta do Ministério das Comunicações, ao dizer por diversas vezes que “As Rádios Comunitárias são importantes instrumentos para as pequenas cidades onde não possuem rádios convencionais”, mostra que estas declarações não são apenas declarações, mas sim decisões políticas que norteiam a situação das Rádios Comunitárias em todo o Brasil.

Em pesquisa realizada pela ABRAÇO – Regional Campinas no site do Ministério das Comunicações, constatou-se que o serviço de radiodifusão comunitária nesta região é um grande obstáculo para o desenvolvimento social destas comunidades. Após a promulgação da Lei 9612, que instituiu o serviço de Radiodifusão Comunitária no Brasil, a região de Campinas, mostrou-se disposta a buscar o reconhecimento do serviço, com a participação de 471 entidades, sendo que 51% das entidades estão com seus processos arquivados, 9% das entidades estão com seus processos em andamento, e ainda constam 27 % de entidades aguardando aviso de habilitação. Desse total, apenas 63 entidades tiveram seus pleitos autorizados.

Apesar de 63 entidades conseguirem obter licença, a ABRAÇO realizou o cruzamento destas entidades com a pesquisa do Professores Venício Lima e Cristiano Aguiar Lopes, intitulado “Coronelismo Eletrônico de Novo Tipo” e os dados foram alarmantes: das emissoras de rádios comunitárias autorizadas na região, 65% possuem vínculo político ou religioso, um dado muito maior do que o total nacional, que apontou 50,2% de emissoras com vínculo político e religioso em todo o país.

Segundo o Coordenador Sudeste da Associação Brasileira de Radiodifusão Comunitária, Jerry de Oliveira, a pesquisa “aponta a decisão política das grandes emissoras comerciais de impedirem que a comunicação no Brasil troque de mãos, pois o pequeno número de emissoras autorizadas e o uso particular destas emissoras por relações promíscuas entre parlamentares ainda é um dos maiores obstáculos para que o serviço atenda seus objetivos sociais. Torna-se necessário uma alteração significativa da postura do Ministério das Comunicações ao tratamento dado para as rádios comunitárias no Brasil”.

Segundo Oliveira, “os agentes públicos nomeados pelos ministros no Departamento de Outorgas e Serviços do Ministério das Comunicações dão uma atenção maior aos pleitos das Rádios Comerciais e obstam a regularização do serviço”. Oliveira aponta ainda as péssimas condições de trabalho dos funcionários de carreira que analisam os processos, “São apenas 16 servidores para analisar mais de 20.000 processos, isso causa stress e até problemas de saúde, nós constatamos diversos servidores que se afastam por licença médica o que demonstra a situação caótica deste departamento que prejudica a radiodifusão comunitária em todo o Brasil.

Para solucionar a questão, Jerry Oliveira aponta algumas propostas que buscam amenizar a situação, como a criação da Subsecretaria de Radiodifusão Comunitária, desvinculando-a do Departamento de Outorgas e Serviços, a realização de concurso público para a contratação de novos servidores, e a criação de uma comissão de acompanhamento de análises de processos, formado por entidades do setor. “Isso também é necessário porque tornaria mais difícil a ação de parlamentares nos pleitos de radiodifusão Comunitária”, avalia Oliveira.

As regras para os avisos de habilitação

Jerry Oliveira faz uma denúncia grave sobre os critérios de seleção dos avisos de habilitação do Ministério das Comunicações: “Existe um departamento especial no Ministério das Comunicações que precisa ser investigado pelo Ministério Público, que é a Assessoria de Assuntos Parlamentares, cuja função Constitucional é providenciar o atendimento às consultas e aos requerimentos formulados pelo Congresso Nacional; esta atribuição é para atendimento institucional com o congresso, como requerimentos e indicações, que devem ser discutidas no plenário ou nas comissões do Congresso. Ações particulares de parlamentares como ofícios, por exemplo, são ações particulares e seu atendimento configura práticas questionáveis, que necessitam de um debate aprofundado”.

Segundo Oliveira, neste departamento são definidos os critérios de escolha para as localidades que aguardam os avisos de habilitação. “Os critérios são bastante técnicos” ironiza Oliveira, “cada parlamentar tem direito a indicar três localidades, desde que naquela região não exista nenhuma entidade com processo em andamento”. Segundo Jerry Oliveira, esta constatação se deu numa conversa com um funcionário de carreira deste departamento, que inclusive apresentou um software interno do departamento que apontou a demanda de um deputado na região de Bauru, cuja solicitação da localidade fora indicada por um parlamentar da base de sustentação do Governo.

Enquanto isso, muita repressão

Com todas estas dificuldades enfrentadas pelas entidades, Oliveira aponta um dado alarmante: muitas entidades, que estão há vários anos buscando suas outorgas e não consegue visualizar mudanças nesta situação, estão entrando no ar sem permissão, o que agrava a situação, pois além de não verem seus pleitos atendidos, estas emissoras são duramente reprimidas pela ação do estado brasileiro, que ao invés de promover transparência e celeridade nos processos de outorgas, se utiliza do aparato policial para reprimir e macular suas responsabilidades sobre esta situação. Para Oliveira, “o estado brasileiro está reprimindo lideranças comunitárias que lutam na prática para cumprir uma das atribuições constitucionais do estado brasileiro, ou seja, combater o monopólio das comunicações”.

Além disso, Oliveira aponta o desperdício de dinheiro público nas ações de fechamento de emissoras: “o que se gasta para reprimir uma emissora comunitária é cerca de 100 vezes mais o que se gastaria para autorizar, pois um grande número de agentes públicos é mobilizado, como agentes da Anatel, policiais federais, servidores do poder judiciário e muitas horas de burocracia para uma possível condenação ou absolvição dos comunicadores sociais. É muito dinheiro público jogado no ralo para garantir o monopólio da comunicação. Em suma, o estado brasileiro deveria utilizar seus agentes de repressão para causas mais nobres, como combater o tráfico de drogas no país”.

Jerry de Oliveira aponta que as ações de fechamento de rádios comunitárias no país é maior do que o combate ao tráfico de drogas e lembra uma entrevista do Secretário Nacional anti-drogas do Ministério da Justiça José Vicente para a Rádio CBN, na qual ele disse “que o Brasil é hoje considerado um dos maiores consumidores de cocaína do mundo, com o consumo de quase 100 toneladas de drogas, e que a Polícia Federal apreende apenas 0,5% desse total”, segundo Jerry Oliveira “isso mostra que a preservação do monopólio da comunicação deste país é mais importante que a desgraça de uma família que possui um viciado em drogas, é lamentável que se pense desta maneira: os agentes de repressão são hoje os capitães do mato do monopólio da comunicação deste país”.

ABRAÇO fará denúncia sobre estes fatos

Com a realização da pesquisa e a comprovação destes casos apresentados, pela ABRAÇO – SP, Oliveira comenta: “não há outra situação a ser feita,a não ser recorrermos a justiça e colocar o povo na rua, com manifestações e passeatas. Já tentamos várias negociações políticas e apelos, o que conseguimos até agora foi tomar centenas de cafezinhos e promessas de mudanças, e até agora, depois de 12 anos de promulgação da Lei, nada foi mudado, então não nos resta outra coisa a fazer, senão as ações jurídicas no Poder Judiciário para alterar esta situação, é necessário desbaratar este consórcio de agentes públicos, parlamentares e representantes da mídia privada, responsabilizando o Estado Brasileiro e se possível, colocar seus chefes na cadeia”. Para isso, a ABRAÇO – SP fará mobilizações junto à Comissão de Direitos Humanos da Assembléia Legislativa do Estado de São Paulo, Ministério Público e Atos Públicos.