MPF acusa Globo e Clube dos Treze por prática de cartel

O Ministério Público Federal (MPF) divulgou nesta terça-feira (14) parecer emitido contra a TV Globo e o Clube dos Treze por prática de cartel em processo que tramita no Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade). Para o MPF, a emissora deve ser condenada por se unir a TV Bandeirantes para cobrir proposta do SBT, além de exercer influência direta sobre o formato de venda dos direitos de transmissão do Campeonato Brasileiro. Já o Clube dos Treze é acusado de executar contratos sob regime de exclusividade.

Em defesa a emissora alega que a preferência é competitivamente neutra, uma vez que não impede o acirramento da concorrência a cada fase de renovação de contrato. Já o Clube defende que a exclusividade não implicaria dano à concorrência, mas apenas uma garantia da transmissão a quem compra o produto.

Segundo a Secretaria de Direito Econômico (SDE), responsável pela investigação de práticas anticoncorrenciais, os direitos de transmissão devem ser vendidos em três pacotes separados, evitando a venda conjunta. Além disso, a SDE sugere que seja proibida a cláusula de direito de preferência na renovação em todos os contratos.

Para o MPF, a emissora e o clube de futebol compactuaram na venda da transmissão de partidas com exclusividade. A Globo Comunicações teria atuado de maneira anticompetitiva junto ao Clube ao exigir a preferência na hora de renovar os contratos.

"A prática teve efeitos anicompetitivos. O Clube dos Treze e a Globo limitaram e prejudicaram a livre concorrência ao usar a cláusula de preferência”, explicou procurador regional da República e representante substituto do MPF junto ao Cade, Marcus da Penha Souza Lima.

A TV Globo ainda teria desrespeitado a Constituição Federal, que determina que “os meios de comunicação social não podem, direta ou indiretamente, ser objeto de monopólio ou oligopólio”. A emissora e os clubes são acusados de impedir o acesso de novas empresas no mercado e criar dificuldades ao desenvolvimento de concorrentes.

O MPF pede que seja instaurado novo processo administrativo para investigar e avaliar melhor as condutas de venda de transmissão e os possíveis efeitos anticompetitivos.

Apenas 20% da população mundial acessa a internet, diz fundador da web

LONDRES – Apenas 20% da população mundial de 6,9 bilhões de pessoas usa a internet, enquanto os 80% restantes tem acesso ao sinal, mas não conseguem utilizá-lo, afirmou nesta quarta-feira o fundador da web, Tim Berners-Lee.

Isso significa dizer que 1,38 bilhão de pessoas estão conectadas, ao passo que 5,52 bilhões estão de fora da rede mesmo em localidades com algum tipo de sinal, capaz de ser acessado por telefone celular ou computador.

"Existem bilhões de pessoas no mundo com necessidade de acesso a água, vacinas e uma lista de outras assistências em saúde. A internet tem um papel instrumental muito importante e pode ser uma ferramenta chave para manter essas pessoas informadas", disse durante o Nokia World, evento da fabricante finlandesa que acontece nesta semana em Londres.

No ano passado, Berners-Lee criou a World Wide Web Foundation, uma organização não-governamental destinada a disseminar o acesso à internet pelo mundo. Entre os programas está auxiliar operadoras de telefonia celular ou provedores de acesso a desenvolver pacotes de acesso a internet viáveis para populações carentes.

Ao mesmo tempo, os esforços envolvem discussões com fabricantes de telefones celulares para a criação de aparelhos de baixo custo e com navegadores de internet para facilitar o acesso.

"É importante que se criem programas de acesso baratos, especialmente em telefones celulares que devem ser os principais vetores de acesso à rede", disse.

A criação de alternativas de conexão baratas, especialmente para os países emergentes, foi um dos temas do evento, que termina nesta quarta. Um dos exemplos apresentados foi o da operadora Telkomsel, da Indonésia.

"O país tem uma base de telefones pré-pagos grande e a alternativa foi criar pacotes diários e baratos de acesso a dados para quem precisar de conexão", disse a Folha Rachel Goh, vice-presidente de produtos. Os pacotes de dados diários custam a partir de US$ 0,05 e podem variar até US$ 0,20. Já o pacote mensal custa em média US$ 5.

A alternativa já existe no Brasil, onde algumas operadoras já oferecem o modelo de internet pré-pago, embora o serviço diário a partir de 10 vezes o valor cobrado na Indonésia por modelos de conexão semelhantes. Parte da explicação está na carga tributária de 44% incidente sobre o serviço. O volume de impostos no Brasil é o segundo maior do mundo, atrás apenas da África do Sul, com 49%.

Livro propõe indicadores para se medir o direito à comunicação

Indicador, do latim “indicare” (apontar), significa aquele que indica, revela, propõe, sugere, expõe, menciona, aconselha. Todos esses significados explicam o porquê do lançamento de uma proposta de indicadores do direito à comunicação por parte do Intervozes – Coletivo Brasil de Comunicação Social. Indicadores são usados para construir, medir e monitorar a aplicação de políticas públicas. Quanto àquelas que visam implementar o direito à comunicação, o novo livro Contribuições para construção de indicadores do direito à comunicação está cheio de propostas para se avaliar em que pé está o Brasil em relação a esse direito.

Lançado na semana passada em São Paulo, o Indicadores traz um modelo de pesquisa para monitorar a garantia do direito à comunicação no país. São 23 questionamentos divididos em sete dimensões: [1] perfil do sistema, [2] meios de comunicação e poder político, [3] diversidade de conteúdo, [4] acesso aos meios de comunicação, [5] participação social, monitoramento e gestão democrática, [6] financiamento da comunicação, [7] percepção da representação e do direito à comunicação.

O livro é o resultado de uma proposta que surgiu em 2004, no relatório que o Intervozes fez sobre o Brasil para o Global Governance Project da Campanha Communication Rights in the Information Society (CRIS), feito em mais quatro países. O Indicadores colabora com propostas relativamente completas principalmente para a área de rádio e TV, cujo estudo não é tão tradicional no país quanto aqueles sobre a internet (realizados pelo Centro de Estudos sobre Tecnologias da Informação e da Comunicação) e liberdade de expressão (Repórteres sem Fronteiras, Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo).

O critério de desenvolvimento dos indicadores propostos foram aqueles que mais estão atrasados, e são importantes para o Brasil, no caso os meios de comunicação eletrônicos tradicionais, por serem os mais utilizados.

Segundo o livro, o estudo se concentrou nos indicadores que demonstram apropriação de fato de aspectos do direito à comunicação, que podem não estar garantidos por lei, e pretende ser referência servindo como base comparativa, ponto de partida. “Não tratamos no livro sobre internet e liberdade de expressão por já existirem iniciativas significantes nesse aspecto. Mas existem buracos. Não tratamos da questão da criança e adolescente, por exemplo. Porque não pretende encerrar o assunto, mas abrir a discussão”, afirmou João Brant, um dos organizadores da publicação.

Aplicação

A parceria entre o Intervozes, a Unesco, o Laboratório de Políticas de Comunicação da UNB, e o Núcleo de Estudos Transdiciplinares de Comunicação e Consciência da UFRJ é que definirá os próximos passos no desenvolvimento e aplicação de indicadores no Brasil. “Ainda esse ano queremos no reunir com setores da sociedade civil e governo para criar ambiente propicio à aplicação dos indicadores, e discutir prioridades. Ao longo do ano que vem, fazer aplicação”, disse João sobre a continuidade do projeto.

Provavelmente os setores citados coordenarão a aplicação que terá por base os indicadores da Unesco (Indicadores de Desenvolvimento da Mídia: Marco para a avaliação do desenvolvimento dos meios de comunicação. UNESCO, PIDC – programa internacional para o desenvolvimento da comunicação. Março 2008), usando referências práticas acumuladas na pesquisa do Intervozes para fazer aplicação piloto, que poderá ser nacional ou regional – e assim aplicada em algumas cidades piloto.

Desse modo, o livro foi lançado mais para dar uma continuidade ao trabalho que já estava sendo feito do que servir como modelo definitivo. Até por que já existe o modelo da Unesco, que apesar de não aprofundar em alguns temas que são interessantes para o Brasil – que o Intervozes aprofundou mais, acredita João -, tem legitimidade internacional. “Tem duas maneiras do livro ser utilizado. Ao aplicar os indicadores da Unesco podemos acrescentar alguns que fizemos, deixando claro até onde vão os deles e começam os nossos. Ou eles podem servir de métrica para indicadores da Unesco, que estão muito genéricos, e estão mais detalhados na nossa proposta”.

Quanto à importância que se tem dado ao tema em geral, João é otimista. Ele conta que aconteceram três eventos ano passado (em São Paulo, Brasília e Rio de Janeiro). “As organizações do setor estão atentas ao debate, buscando pensar especificidades de cada setor, e internacionalmente é um momento bom”. O Equador, por exemplo, também lançará um documento com indicadores.

Direito à comunicação e democracia

Acompanhar o desenvolvimento do direito à comunicação é acompanhar o grau de desenvolvimento da democracia, afirma o Indicadores. “O grau de desenvolvimento da democracia depende diretamente da pluralidade e diversidade de idéias e valores que circula pelo espaço público. Pelo papel central que cumprem os meios de comunicação nessa esfera pública, a acessibilidade a eles com a garantia de efetiva liberdade de expressão e direito à informação é determinante para esse resultado” (pg. 16).

O termo surgiu na década de 60. Pela necessidade de transformar a liberdade de expressão em prática, era necessário ir além desse conceito. “A declaração universal dos direitos humanos reivindica a liberdade de expressão, mas na prática ela é para poucos”, afirma o livro. Os poderosos e os excluídos deveriam ter a mesma liberdade para procurar, receber e transmitir informações. Mas, “de acordo com a lei, uma pessoa pobre que busca dar visibilidade à injustiça que sofre tem a mesma proteção de seu direito à liberdade de expressão, de expressar seus pontos de vista, do que um poderoso magnata dos meios de comunicação. Porém, na prática, ela carece de recursos de toda ordem – econômica, política, técnica, cultural e social para fazer ouvir sua voz, enquanto o dono de um veículo possui todos os meios paras garantir que sua mensagem seja ouvida”.

Assim, o direito à comunicação pode ser um garantidor das condições para o exercício da liberdade de expressão em uma sociedade altamente midiatizada, onde o poder e o controle dos recursos são mal distribuídos. O termo nos obriga a compreender de forma mais ampla a liberdade de expressão enquanto liberdade “que não apenas requer a ausência de limitações sobre os indivíduos, mas também a eliminação das restrições que pesam sobre setores inteiros da sociedade e, em paralelo, a criação de instrumentos e recursos para construir o acesso dos grupos excluídos aos meios de comunicação” (pg.25).

Para promover a superação dessas desigualdades, é necessária a atuação do Estado. A abordagem da pesquisa não se limitou às ameaças desse à prática do direito à comunicação. Consideram que os impedimentos podem também estar no setor privado, “pelo efeito negativo que a concentração de propriedade exerce sobre a pluralidade e diversidade do conteúdo” (pg. 29). É preciso olhar tanto o Estado quanto o setor privado como potenciais algozes, e possíveis promotores da liberdade de expressão.

 

******

Propostas de Indicadores:

 

1- Perfil do sistema (quantidade de veículos, grau de complementaridade entre os sistemas, concentração de mercado)

 

2 – Meios de comunicação e poder político (número de concessões outorgadas a detentores de cargos eletivos, números de detentores de cargos eletivos que são concessionários)

 

3 – Diversidade de conteúdo (regional, independente, concessões de rádio e TV, diversidade demográfica, diversidade de tipos de programa/formato, origem dos programas veiculados)

 

4 – Acesso aos meios de comunicação (acesso privado, acesso público à internet, preços e tarifas dos serviços de comunicação)

 

5 – Participação social, monitoramento e gestão democrática (mecanismos de monitoramento ativo do conteúdo, gestão democrática dos veículos públicos e comunitários, participação social nos processos sobre as outorgas, participação social nas políticas de comunicação)

 

6 – Financiamento da comunicação (recursos públicos para a comunicação, investimentos em publicidade, investimentos no sistema público de comunicação)

 

7 – Percepção da representação e do direito à comunicação (percepção geral do direito à comunicação, percepção da representação de grupos sociais)

 

 

Anatel marca para dia 20 audiência pública sobre PGMU

A Anatel marcou para o próximo dia 20 a audiência pública destinada a possibilitar à sociedade o direito de manifestação sobre a proposta de novas metas de universalização para o Serviço Telefônico Fixo Comutado (STFC). A matéria está em consulta pública desde 1º de setembro de 2010, e trata sobre a "Atualização da proposta relativa ao Plano Geral de Metas para a Universalização do Serviço Telefônico Fixo Comutado prestado em regime público (PGMU) para o período de 2011 a 2015.

A audiência será realizada em Brasília, das 14h às 18h, no Espaço Cultural da agência. E a consulta pública está prevista para ser encerrada no dia 22. Mas há um forte movimento das concessionárias para ampliação desse prazo.

Metas

A proposta do novo PGMU introduz a criação de um Acesso Individual Classe Especial (Aice), com uma metodologia reformulada, destinado à população de baixa renda, que faz parte do cadastro unificado do Bolsa-Família. A meta é o atendimento de até 13 milhões de famílias, com tarifa inferior à cobrada atualmente pelo serviço, em torno de R$ 25, com impostos. O regulamento ainda está em fase de elaboração e deve ser posto em consulta pública nas próximas semanas.

O plano prevê também a instalação obrigatória de telefones públicos em mais de 79 mil escolas públicas rurais e mais de 14 mil postos de saúde pública em áreas rurais. E ainda

o atendimento por solicitação em:

• 209 postos da Policia Rodoviária Federal;

• 8.923 assentamentos de trabalhadores rurais;

• 4.366 aldeias indígenas;

• 741 aeródromos públicos;

• 498 populações tradicionais e extrativistas fixadas nas unidades de conservação de uso sustentável;

• 1.622 organizações militares das Forças Armadas;

• 841 comunidades remanescentes de quilombos ou quilombolas.

Orelhões

Fica mantida a alteração da densidade de orelhões, propondo a implantação de 4,5 aparelhos por mil habitantes por município, ao invés de seis por mil habitantes por setor do PGO (Plano Geral de Outorga). Ou seja, a expectativa é de que até sejam reduzidos os números de orelhões, mas eles serão distribuídos de forma mais eficaz. O entendimento da superintendência de Universalização da agência é de que a nova metodologia atende mais às necessidades observadas nos municípios, além do que a adequação se reverterá em mais uma fonte de receita para financiamento das novas metas.

Há ainda a previsão de instalação de Postos de Serviços Multifacilidades (PSM) para atendimento de cooperativas rurais legalmente cadastradas, em substituição aos Postos de Serviços de Telecomunicações (PST). A diferença é que, agora, poderão ser instalados computadores, ao invés de máquinas dedicadas, antes conhecidas como TAPs.

Backhaul

Outra meta ambiciosa é o aumento de pelo menos quatro vezes a capacidade de transporte do backhaul implantada em todas as sedes de municípios e a expansão de metas de implantação para as localidades com mais de mil habitantes, desde que tenham 50 acessos individuais de serviço de telecomunicação em operação. Com essa nova obrigação, as velocidades mínimas serão de 2 Mbps para localidades com dois mil habitantes e de até 256 Mbps, para cidades com mais de 60 mil habitantes. O preço de venda da capacidade do backhaul será estipulado pela Anatel posteriormente.

O aviso de audiência pública foi publicado na edição desta terça-feira (14) do Diário Oficial da União.

Instituto ligado à extrema direita premia jornalistas com bolsas de milhares de dólares

Reproduzido do Correio do Brasil

 

Jornalistas contratados pelos diários conservadores do país recebem bolsas de estudo do Instituto Millenium, integrado por empresas e pessoas físicas ligadas à extrema direita no país. O Programa de Bolsas de Estudos Jornalista de Visão encerrou o ciclo da sua primeira edição com a seleção de cinco jornalistas que receberão bolsas de estudos para patrocinar cursos de Mestrado em Jornalismo e de Liderança Competitiva em universidades norte-americanas.

O programa, segundo nota distribuída pelo próprio Instituto, recebeu as inscrições de 22 candidatos indicados por diretores de redação, editores e colunistas dos principais veículos conservadores de comunicação do país. A primeira colocada, Mariana Sanches, receberá uma bolsa no valor de US$ 55 mil. Formada pela Cásper Líbero, ela atua como repórter da editoria de Brasil e Política da revista Época. Diego Escosteguy, autor da reportagem sobre a atuação de Israel Guerra, filho da ministra-chefe da Casa Civil, Erenice Guerra, como lobista, é repórter da sucursal de Brasília da revista Veja. A reportagem foi integralmente desmentida pelas fontes ouvidas pelo jornalista, que receberá uma “bolsa” de US$ 45 mil. Carolina Pires, repórter da editoria de Política Nacional da Agência Estado, também receberá quantia semelhante.

Ainda segundo o Millenium, o repórter do jornal Zero Hora, Cauê Vargas, e Felipe Seligman, jornalista da sucursal de Brasília da Folha de São Paulo, receberão uma bolsa de US$ 15 mil (cada um) destinada a patrocinar o Programa de Liderança Global Competitiva da Universidade de Georgetown. Com duração de três meses, o curso é coordenado pela Latin American Board da Universidade e tem como objetivo qualificar líderes a entender as tendências globais que afetam a América Latina e, dessa forma, promover a competitividade, o progresso e a inserção internacional da região. (Da Redação)