Conselho Curador da EBC rejeita planejamento para 2011

A análise do planejamento da Empresa Brasil de Comunicação (EBC) para 2011 pelo Conselho Curador da empresa teve um desfecho surpreendente. Pela primeira vez nos três anos de existência da EBC, o Conselho Curador se recusou a deliberar sobre o Plano de Trabalho para os Canais Públicos da estatal, entendendo que o documento não é claro sobre os planos da empresa. Na prática, o silêncio das câmaras setoriais que compõem o conselho significa a rejeição da proposta apresentada pela diretoria técnica da empresa. A decisão de não deliberar foi unânime. Segundo Tereza Cruvinel, presidente da EBC, novas informações serão encaminhadas ao conselho para sanar as dúvidas que tenham ficado.

Uma das grandes falhas apontadas pelas câmaras sequer têm relação com a operação esperada da EBC neste ano, mas toca em um ponto crucial em relação aos princípios que norteiam a constituição da estatal: a transparência. Boa parte dos membros do conselho ficou incomodada com a ausência de um balanço sobre os resultados obtidos na gestão 2010 da empresa. O documento enviado pela diretoria não faz uma avaliação específica sobre as metas estipuladas para o ano passado, omitindo-se sobre o cumprimento dos objetivos ou não. O texto concentra-se nos novos desafios da EBC, restritos aos assuntos envolvendo "programação e serviços conexos oferecidos pelos canais públicos", considerados os temas "afetos" ao conselho na visão da diretoria.

A restrição do documento a apenas alguns temas envolvendo a operação da EBC, escolhidos pela diretoria, é motivo de discórdia dentro do conselho curador desde a criação da empresa pública. Na visão de alguns conselheiros, a estatal nem sempre tem garantido a participação do conselho em debates considerados relevantes, como é o caso da contratação de empresa para atuar como operador do futuro sistema público de televisão, e de fato existe uma área de sombra sobre se temas gerenciais deveriam ou não ser debatidos pelo colegiado.

Mas, com relação ao planejamento das atividades de 2011, a maior crítica é bastante objetiva: a ausência de um cronograma específico para o cumprimento das metas propostas pela direção da empresa. O único prazo citado no documento é o tempo de vigência do mandato da atual presidente Tereza Cruvinel, que expira em outubro deste ano. Assim, por uma questão prática, a diretoria se compromete a atingir os objetivos descritos durante a gestão da presidente. Os prazos internos para a execução de cada uma das metas, no entanto, não existem. E, o próprio comando da EBC faz um mea culpa logo no início do documento sobre este aspecto.

Segundo o relatório da diretoria da EBC, o "alto grau de imprevisibilidade" da operação de comunicação é o motivo da inexistência de uma previsão temporal sobre quando serão executadas as mudanças propostas na programação da EBC. "A gestão de canais de comunicação é regida por alto grau de imprevisibilidade, que se eleva no setor público em função dos regramentos jurídicos. Assim, evitaremos apresentar aqui um cronograma de mudanças na grade ou de estréias, embora tais movimentos devam acontecer, mediante conhecimento prévio do Conselho Curador", afirma a diretoria da estatal na apresentação do planejamento.

O Conselho Curador entende que a operação no ramo das comunicações é bastante imprevisível, mas a experiência das grandes empresas desse ramo mostra que há um esforço contínuo em tentar reduzir essas incertezas e que a fixação de um prazo continua sendo possível apesar das características peculiares desse mercado. Por isso, os conselheiros entenderam que o documento precisa ser reformulado, expondo um mínimo do plano concreto de trabalho que a EBC pretende adotar. O próprio documento indica que a estatal está produzindo um planejamento mais robusto, embora não esteja previsto o encaminhamento desta nova versão ao Conselho Curador.

Demanda atendidas

Procurada por esta reportagem, a presidente da EBC esclareceu que pretende atender as demandas do Conselho Curador, especialmente com relação aos prazos. Tereza Cruvinel, presidente da estatal, explicou que as informações solicitadas já estão sendo compiladas para a formulação do Relatório de Gestão e do Plano de Metas 2011, documentos que inicialmente seriam encaminhados apenas para os conselhos de administração e fiscal da EBC. "Nós temos todas as informações e só não colocamos (no Plano de Trabalho) porque não achamos pertinente no momento. Mas, se o Conselho Curador acha que é importante, nós encaminharemos. Eles mandam, nós cumprimos", afirmou Tereza.

Esses dois outros documentos devem ser finalizados até março deste ano, quando ocorrem as próximas reuniões dos conselhos. A EBC tem trabalhado para enviá-los aos conselheiros até o dia 14 de março, dez dias antes das reuniões agendadas para o mês, dando tempo para que os detalhes sejam analisados antes da deliberação. Com relação aos custos dos projetos, Tereza insistiu que essas informações, em princípio, não são relevantes para o debate no Conselho Curador. Na visão da presidente, a análise exaustiva feita desses dados pelos conselhos de administração e fiscal é mais do que suficiente para dar transparência à atuação da estatal. Esses dados são encaminhados e avaliados, inclusive, pelo Tribunal de Contas da União.

Tereza esclareceu ainda que a diretoria da EBC fez um balanço das atividades realizadas em 2010 para o Conselho Curador em setembro do ano passado, a pedido dos conselheiros. E, depois disso, não houve mais nenhuma solicitação de informações sobre o resultado das ações planejadas. "Se eles queriam uma segunda prestação de contas, deveriam ter pedido. Nós nunca nos recusamos a apresentar qualquer informação."

Saia justa

A rejeição da proposta anual da EBC ocorreu em uma ocasião delicada: durante a posse dos ministros Aloizio Mercadante (Ciência e Tecnologia), Helena Chagas (Comunicação Social) e Anna de Hollanda (Cultura) no Conselho de Administração da empresa. Apesar do clima ruim, conselheiros ouvidos por este noticiário fizeram questão de dizer que o posicionamento adotado na última terça-feira não representa qualquer tipo de desabono com relação à diretoria.

Tereza Cruvinel também entende que o episódio não gera efeitos nocivos à EBC, por estar centrado apenas em uma questão de procedimento administrativo. "O que seria negativo para a empresa é se houvesse algum questionamento sobre o conteúdo. Isso seria grave", ponderou a presidente. "Mas ninguém jamais apontou até hoje um conteúdo inadequado em nossa programação", complementou.

Para Tereza, o episódio revela a necessidade de deixar mais claro qual é o escopo de atuação do conselho curador da EBC. A lei de criação da empresa não entra em detalhes sobre até onde os conselheiros devem deliberar sobre a gestão da estatal. E esse perfil legal é compreendido pelos conselheiros como uma intenção do legislador de dar a mais ampla liberdade ao grupo. Mas, pelo que se pode perceber, o entendimento da diretoria não é o mesmo, tornando praticamente inevitável que conflitos dessa natureza continuem ocorrendo.

Projeto de lei que prevê unificação de regras para TV paga volta ser discutido no Senado

A polêmica votação do projeto de lei (PL) que unifica a legislação para as TVs pagas no país pode estar próxima de um desfecho. Segundo a coluna "Outro Canal", da Folha de S. Paulo, agora que o Senado aprovou o novo salário mínimo de R$545, a votação do PL116 (anitga PL29) volta a ser prioridade na mesa de discussão.

O PL vinha sendo discutido e contestado por muitas das partes envolvidas, que não haviam chegado a um consenso para votá-lo. Algumas das propostas feitas como derrubar o limite de capital estrangeiro, introduzir uma cota de produção regional e nacional e passar para a Agência Nacional de Cinema (Ancine) papel de fiscalizador foram alguns dos impasses enfrentados durante as discussões.

Defenderam o adiamento da apreciação do PL 116 os representantes da Associação Brasileira de Radiodifusores (Abra), da Sky e dos Programadores Estrangeiros de Televisão por Assinatura. Para eles, dar novas competências à Ancine e implantar cotas de produção nacional e regional são ações inconstitucionais,e que a implantação destas medidas elevariam custos operacionais, informa o site da Abert segundo o jornal O Globo.

O presidente Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), Ronaldo Sardenberg, argumentou que o projeto contribui para organizar o setor de TV por assinatura. Segundo ele, os novos operadores de TV a cabo poderão prestar outros serviços, como a banda larga, o que aumenta a competição e reduz os preços.

O diretor-geral da Associação Brasileira das Emissoras de Rádio e TV (Abert), Luiz Antonik, disse que não existe uma posição única na entidade em relação ao projeto.

"As Organizações Globo são favoráveis à aprovação com ajustes de redação, o SBT é contrário, e a Record é a favor."

O projeto passa a ser pauta no Senado ainda esta semana e com maior possibilidade de ser aprovada, pois a relatoria em uma das comissões em que é discutido não é mais da oposição (exercida por Demóstenes Torres-DEM).O novo presidente da Comissão Constitucional e Justiça é Eunício Oliveira.

Alvarez confirma o abandono das metas de backhaul no PGMU

O secretário executivo do Ministério das Comunicações, Cezar Alvarez, confirmou que as metas de backhaul do Plano Geral de Metas de Universalização (PGMU 3) estão “acostadas” das negociações com as teles para que elas apresentem propostas consistentes de oferta de banda larga no atacado e no varejo, a preços já acordados no âmbito do Plano Nacional de Banda Larga (PNBL). Mas rebateu as críticas de ilegalidade da inclusão dessas metas, afirmando que em 2008, quando foi assinado o PGMU 2, a implantação do backhaul foi aceita sem discussão.

Alvarez, que participou de debate no 9º Seminário de Políticas de Telecomunicações, nesta quinta-feira (24) em Brasília, disse que a convergência tecnológica requer um debate mais profundo sobre a universalização incluída na Lei Geral de Telecomunicações (LGT). Ele disse que seria muito fácil a presidente da República transformar, por decreto, a banda larga em serviço prestado em regime público, mas acha que essa decisão deve ser precedida de amplo debate.

Política estruturante

O senador Walter Pinheiro (PT-BA), que também participou do debate, disse que não há como fazer a inclusão social sem a participação direta do setor de telecomunicações, gerando capacidade para oferta de serviços de saúde, educação e de conhecimento a toda a população brasileira. Para isso, defende a simplificação da legislação e da regulação do setor, para evitar que discussões longas envelheçam as propostas.

“Não é possível fazer novo marco regulatório sem o entendimento, por parte do Congresso e do executivo, que essa é uma ferramenta estruturante, a peça central para promover o desenvolvimento do setor”, disse. Na opinião do senador, sem essa compreensão, as telecomunicações continuarão concentradas e os serviços não chegarão às pequenas cidades do interior do país. “É preciso que essa ferramenta estruturante permita que o serviço chegue às pequenas comunidades e que encontre possibilidade de renda, sem adotar o corte de outros tempos, entendendo que só uma determinada faixa de renda tinha acesso a ele”, disse.

Pinheiro defendeu que as alterações sejam feitas ao longo do caminho, sem necessidade de se escrever “tratados e manifestos”, que não chegam a lugar nenhum. “Esse é o ajuste da regulação que acho que é possível”, disse. Mas, ao mesmo tempo, reconheceu que a LGT está ultrapassada, apesar de alguns de seus mecanismos importantes, como o unbundling, jamais ter sido implantado.

Dilma pede que Paulo Bernardo reveja projeto de Franklin Martins que regula a mídia

A presidente Dilma Rousseff determinou ao ministro das Comunicações, Paulo Bernardo, que faça um "pente-fino" no projeto do ex-ministro Franklin Martins que regulamenta o setor de comunicações e telecomunicações. "É um texto que eu não tenho domínio total e que tem grandes chances de ter uma besteira no meio", disse o ministro Paulo Bernardo, nesta quinta-feira (24), num seminário sobre políticas de telecomunicações.

De acordo com depoimento de Bernardo, a presidente não quer no projeto qualquer termo que lembre uma tentativa de controle do conteúdo dos meios de comunicação.

"É preciso deixar claro que esse projeto vai tratar apenas da regulamentação dos meios de comunicação eletrônicos. Jamais o governo apresentará um texto que tenha qualquer intenção de promover qualquer tipo de controle de mídia. Isso nunca sairá do governo", afirmou.

Bernardo sublinhou ter dúvidas quanto à melhor forma de tratar o projeto. "Não tenho ainda certeza se vamos mandar ao Congresso um ou mais projetos. Acho que mais de uma proposta tornaria mais fácil a aprovação dos pontos da Constituição (artigos 220, 221 e 222) que precisam ser regulamentados. Pode evitar que as discussões de uma gama muito grande de interesses inviabilizem a proposta", pontuou o ministro, segundo informa o Estadão.com.

Ainda que haja diversas manifestações favoráveis a rápida aprovação do texto do projeto, Bernardo sublinhou que o governo jamais irá enviar a proposta ao Congresso em regime de urgência. "É um grande erro recorrer a esse expediente. Esse projeto precisa do máximo de debate possível, até esgotar o assunto. Senão, o projeto vai ser considerado uma peça de censura, e nós não vamos deixar isso acontecer", disse.

Jornalista do Pará é proibido pela Justiça de publicar reportagem

Redação – Folha de S.Paulo

O jornalista paraense Lúcio Flávio Pinto recebeu uma intimação da Justiça Federal do Estado declarando que ele poderá ser preso em flagrante caso publique em seu jornal informações sobre um processo sigiloso.

O documento recebido anteontem diz que, por "qualquer notícia publicada a esse respeito", o jornalista ficará sujeito a responsabilidade criminal e multa de R$ 200 mil. A intimação é assinada pelo juiz Antônio Carlos Almeida Campelo, da 4ª Vara Federal.

A Justiça Federal confirmou o envio do documento, mas disse que não poderia confirmar seu conteúdo. Também afirmou que o juiz não daria entrevista e não informou quem pediu a proibição da publicação à Justiça.

O jornalista afirmou que desconhece o autor da ação, mas diz que pode ter sido o próprio juiz. Numa edição do "Jornal Pessoal", Pinto relatou a audiência de um processo referente a suposta fraude para receber recursos públicos da Sudam (Superintendência do Desenvolvimento da Amazônia).