MinC coloca revisão dos direitos autorais novamente em consulta pública

O Ministério da Cultura (MinC) colocou novamente em consulta pública nesta segunda-feira (25) o anteprojeto que modifica a Lei de Direitos Autorais. O prazo para contribuições da sociedade vai até 30 de maio. A previsão é que o texto final vá para a Casa Civil em 15 de julho. Depois disso, o texto será enviado ao Congresso Nacional. O Ministério está prevendo a realização de algumas audiência públicas no mês de maio também. Veja como participar da consulta aqui.

Segundo a Diretoria de Direitos Intelectuais do MinC existem sete pontos que exigem aperfeiçoamento e consenso: Limitações aos direitos do Autor (Arts. 46,47, 48 e 52-D); Usos das obras na internet (Arts. 5º, 29 e 105-A e 46, II); Reprografia das obras literárias (Arts. 88-A, 88-B, 99-B); Da Obra sob encomenda e decorrente de vínculo (Arts. 52-C); Gestão coletiva de Direitos Autorais (Art. 68 §§ 5º, 6º, 7º e 8; arts.86, 86-A,98, 98-B, 98-C,98-D, 99 §6º, 99-A, 99-B e 100); Supervisão estatal das entidades de cobrança e distribuição de diretos (Arts. 98§2º, 98-A, 100-A, 100-B, 110-A, 110-C) e a Unificação de registro de obras (Arts. 19, 20, 30, 113-A).

TVs a cabo deverão ter produção nacional

O projeto de lei que abre o mercado da TV por assinatura para as empresas de telecomunicações e cria cotas para a produção nacional entra em uma nova fase. Depois de ser aprovado na Câmara, num acordo entre as teles e as emissoras de televisão, serão reiniciadas as audiências públicas no Senado. Esta semana, o líder do governo, Romero Jucá (PMDB-RR), vai pedir a posição do Executivo sobre o PL 116/10. Ele disse ao Congresso em Foco que pediu há alguns dias um parecer à Casa Civil da Presidência da República, comandada pelo ministro Antônio Pallocci.

O relator da matéria e presidente da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), Eunício Oliveira (PMDB-CE), se mostra simpático ao atual texto, que veio da Câmara, mas prefere aguardar o resultado das audiências públicas para não antecipar seu relatório. O senador disse ao site que a proposta regula setores sem fiscalização e, assim, garante um “equilíbrio” nos oligopólios e monopólios, o que traz benefícios à sociedade. “Diz quem pode fazer isso, quem pode fazer aquilo. Quando ele regula setores, bota os setores debaixo dos órgãos fiscalizadores”, contou Eunício, na semana passada.

A proposta prevê que a Agência Nacional de Cinema (Ancine) faça punições às empresas que, por exemplo, não cumprirem a política de 30 minutos diários de produção nacional em suas grades de programação. As punições previstas vão de multas, que podem chegar a até R$ 5 milhões, à própria decisão de tirar o canal do ar. “É melhor ter setores que tenham regulagem. Se você tem a exclusividade e não tem regulagem nenhuma, é ruim para a sociedade”, comentou Eunício, falando genericamente sobre a proposta.

Ele já recebeu emissoras de TV, cinema, empresas de telecomunicações e produtores independentes, partes interessadas no processo. Eunício disse que de todos ouviu críticas ao projeto, embora todos achem que a proposta tenha seus méritos. Nas últimas duas audiências públicas realizadas, em dezembro passado, as emissoras e programadoras, como a Sky, apoiaram a proposta de entrada das teles no mercado, que foi negociada na Câmara, mas reprovaram as cotas de produção brasileira na grade.

Mas, para o relator da matéria, a controvérsia é interessante. “Por desagradar e simultaneamente agradar, ele é um projeto que está equilibrado”, afirmou Eunício. Apesar disso, o ex-ministro e senador enfatiza que ainda está ouvindo as partes e que seu relatório não será, necessariamente, a manutenção do texto que veio da Câmara.

Por isso, ele articula junto com outras comissões uma nova audiência pública com os representantes do mercado de TV paga. A Comissão de Assuntos Econômicos já aprovou reunião conjunta com os senadores da CCJ e das comissões de Ciência e Tecnologia, de Educação e de Defesa do Consumidor.

12 anos de cotas

As cotas de obrigatoriedade de programação nacional previstas no projeto durarão 12 anos. No primeiro ano, deverá haver 1h10 por semana em horário nobre com programação brasileira em canais de “espaço qualificado”, que são os canais de filmes, seriados, animações, documentários, dramaturgia, por exemplo. No segundo ano, 2h20. Depois, serão dez anos com 3h30 por semana – cerca de 30 minutos diários. Metade dos horários de programação brasileira deverá ser criada por produtores independentes, ou seja, sem ligação com teles, emissoras e programadoras de TV.

Há ainda uma cota de canais brasileiros. Para cada três canais “qualificados”, deve existir um nacional. As emissoras e programadoras são contra essa reserva de mercado tupiniquim. “Uma coisa é estimular a cultura nacional; outra é impor às pessoas o consumo da cultura nacional”, disse a advogada Renata Pagy Bonilha, da Sky, em audiência pública no Senado no ano passado.

Interferência estatal

O senador Álvaro Dias (PSDB-PR) é um dos que está contra a política de cotas prevista no PL 116. Ele disse que teme a interferência estatal na produção artística. “Também tem vícios de constitucionalidade e, por isso, não permitimos ir ao plenário”, afirmou ele ao Congresso em Foco. No ano passado, o presidente da CCJ e relator da matéria, Demóstenes Torres (DEM-GO), disse que, se o Senado aprovasse o texto, o Supremo Tribunal Federal (STF) iria derrubá-lo.

Uma das inconstitucionalidades seria delegar poderes de fiscalização à Ancine. Outra, disse Demóstenes no ano passado, é o estabelecimento de cotas de produção nacional. O senador não foi localizado pela reportagem do site.

Repetição de filmes

Ex-deputado que atuou no projeto e hoje senador, Walter Pinheiro entende que o estabelecimento das cotas é benéfico para todos, inclusive para as empresas que vão faturar mais exibindo conteúdo nacional. Ele diz que há “miopia” na visão das emissoras e programadoras de TV. Pinheiro lembra que diversos bons produtores brasileiros não conseguem emplacar suas obras na televisão, mesmo tendo qualidade.

O senador diz que baixa qualidade é não dar espaço para temas diferentes na TV. “Material de baixa qualidade é assistir O diabo veste Prada [filme de David Frankel, com Merryl Streep e Anne Hathaway] sete vezes na semana. É um ótimo filme, mas eu não aguento mais ver. Duro de matar [filme de John McTiernan, com Bruce Willys] é duro de ver, principalmente na época do Natal. É o mesmo filme”, afirmou Pinheiro ao site.

Anatel regulamenta SMS para emergências

Pressionada pelo Ministério Público Federal de São Paulo, que ingressou com ação há um ano, a Anatel publicou nesta terça-feira, 26/4, a primeira parte da regulamentação sobre o uso de mensagens de texto nos celulares para chamadas de emergência. O envio do SMS para a polícia e os bombeiros será gratuito.

De acordo com o cronograma da agência, no entanto, o trabalho de regulamentar o uso das mensagens – e a efetiva disponibilização do serviço – só estará concluído no fim do ano.

Até aqui, a Anatel alterou o regulamento do Serviço Móvel Pessoal sendo a gratuidade das mensagens de emergência o ponto mais relevante. A agência sinalizou que o serviço deverá ser prestado “após solicitação dos responsáveis pelos serviços públicos de emergência” e “respeitadas as limitações tecnológicas”.

No mais, um grupo de trabalho formado pela Anatel, operadoras e os serviços de segurança pública ainda deverá discutir os “aspectos técnicos e operacionais” do envio das mensagens.

Desde maio do ano passado o MPF/SP tenta, na Justiça, forçar a Anatel a regulamentar o envio de SMS à PM e o Corpo de Bombeiros. Em junho, a Justiça determinou que a agência regulamentasse, fiscalizasse e assegurasse o funcionamento do sistema em 60 dias. Mas a agência apresentou cronograma em que prevê o atendimento somente no fim de 2011.

 

Ministro discute na Câmara novo marco regulatório da comunicação

Redação – Agência Câmara

O ministro das Comunicações, Paulo Bernardo, virá à Câmara nesta quinta-feira (28) para discutir o projeto do governo do novo marco regulatório do setor (Plano Nacional de Comunicação) e o Plano Nacional de Banda Larga.

O encontro foi agendado pela Frente Parlamentar pela Liberdade de Expressão e o Direito à Comunicação com Participação Popular.

Segundo a coordenadora-geral da frente, deputada Luiza Erundina (PSB-SP), a mobilização em torno do tema é necessária para que sejam regulamentados os capítulos da Constituição Federal sobre as comunicações.

Para ela, é preciso que o governo invista nos pequenos e microempresários de comunicação, por meio de compra de espaços publicitários, como forma de garantir o funcionamento dessas empresas. "Num debate sobre a democratização das comunicações, é preciso que se questione a socialização, dentro de certos critérios, desses recursos públicos que sustentam uma mídia poderosa, por onde passam as ideias, os valores e, portanto, a cidadania. E essa cidadania passa pela democratização e acesso universal aos meios, inclusive à banda larga”, argumentou Erundina.

A reunião será realizada às 9 horas no plenário 10.

 

Defesa do Consumidor debate Plano Nacional de Banda Larga

A Comissão de Defesa do Consumidor realiza audiência pública, na quarta-feira (27), para discutir a proposta de implementação do Plano Nacional de Banda Larga elaborada pelo Ministério das Comunicações. A reunião foi proposta pelo deputado Weliton Prado (PT-MG). Ele lembra que o objetivo do plano é reduzir os preços dos serviços de banda larga no País, para ampliar a oferta de acessos à internet e a capacidade da infraestrutura de telecomunicações.

Weliton Prado diz que o governo federal pretende acelerar a inclusão digital da população para que ela tenha acesso aos serviços estatais online. A meta é chegar a 2014 com 90 milhões de acessos à banda larga no País. Além disso, o plano também deverá contribuir para o desenvolvimento industrial e tecnológico do País, especialmente do setor de tecnologias de informação e comunicação.

Outro destaque do plano lembrado pelo deputado é a revitalização da Telebrás, que oferecerá serviços de banda larga em áreas com pouca oferta de conexões, como a Região Amazônica. “A intenção é clara: oferecer os serviços de internet de banda larga com preços mais baratos a toda a sociedade, com uma estatal operacionalizando uma política de tarifas que forçaria a redução de preços das outras operadoras”, afirma a deputado.

Segundo dados das Nações Unidas, o brasileiro gasta em média 9,6% da renda com internet, enquanto esse gasto é de 5,3% no México e de apenas 0,7% na Dinamarca.

Foram convidados para a audiência:

– o ministro das Comunicações, Paulo Bernardo Silva;
– o ministro da Ciência e Tecnologia, Aloizio Mercadante;
– o presidente da Telecomunicações Brasileiras S.A., Rogério Santanna dos Santos; e
– a coordenadora-executiva do Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor, Lisa Gunn.

A audiência será realizada às 14h30, no plenário 8.