Mercadante: Banda Larga e inclusão digital escolar serão feitas com produção local

Luiz Queiroz – Convergência Digital

O ministro da Ciência, Tecnologia e Inovação, Aloízio Mercadante, reafirmou nesta quarta-feira,10/08, que o governo usará o seu poder de compra para exigir da indústria de TICs a produção local. Essa estratégia já havia sido anunciada, na semana passada, pela presidenta Dilma Rousseff, durante o lançamento do programa "Brasil Maior".

Segundo o ministro, além dos grandes eventos como Copa do Mundo e Olimpíadas, a indústria de hardware software deve prestar a atenção para as futuras compras do governo em programas como, Banda Larga e Inclusão Digital nas escolas. A regra nas compras será dar prioridade para quem esteja produzindo no Brasil.

"Nós poderemos pagar até 25% à mais, para produtos que gerem empregos e inovação no país", alertou Mercadante, durante evento promovido pelo IDC e pela Brasscom sobre TI e Telecomunicações na Copa e nas Olimpíadas.

Com retomada das contratações, Telebras calcula chegar a 150 cidades em 2011

Apesar do atraso no cronograma de implantação da rede de fibras ópticas do Plano Nacional de Banda Larga, a Telebras calcula que ainda será possível conectar cerca de 150 cidades até o fim do ano, graças a acordo para o uso de infraestrutura de terceiros – no caso, empresas do setor elétrico nas regiões Norte e Sul do país.

Liberada pelo Tribunal de Contas da União a retomar as contratações de instalações, a estatal está refazendo seu planejamento – a ser concluído até a próxima semana – de forma a orientar os fornecedores e informar o Ministério das Comunicações. “Agora estamos trabalhado com carga máxima”, diz o presidente da empresa, Caio Bonilha.

"Essa paralisação que o TCU nos solicitou causou um atraso de aproximadamente 75 dias no nosso cronograma. Não ficamos parados e buscamos acordos e alternativas para usar outras redes para mitigar esse atraso. A região Norte será atendida e também vamos chegar no Sul, inicialmente com rede de terceiros, depois fechando o anel com a nossa rede", explica Bonilha.

O TCU aceitou os resultados das negociações da estatal com fornecedores para a redução dos preços apresentados no pregão 2/2010, realizado no fim do ano passado, com relação a infraestrutura básica – um ajuste de aproximadamente R$ 40 milhões. A exceção se deu na região Norte, onde a ata de registro de preços foi anulada.

O cancelamento da ata, porém, se deu a pedido do próprio fornecedor – nesse caso, a redução do valor chegaria a R$ 8 milhões. Mas lá a Telebrás não chegou a fazer nenhum pedido e, agora, cogita desistir de uma nova licitação. “Fizemos um acordo com a Eletronorte e pode ser que não façamos novo pregão”, explica Caio Bonilha.

Já na região Sul, pelo menos parte das aquisições deverá ser contratada, exatamente como mencionou o executivo, para fechar o anel de fibras ópticas. “Estimamos que, mesmo com o atraso, podemos chegar a 150 cidades este ano, além das capitais, não necessariamente com a nossa rede”, avalia. Para isso, os aportes que estão sendo feitos pelo Tesouro Nacional, que somam R$ 300 milhões, serão suficientes.

Velocidades

Os consumidores que acessarem a internet indiretamente pelas redes da Telebrás – ou seja, contratando conexões de provedores que adquirem da estatal os links no atacado – serão os primeiros a experimentar as novas regras de qualidade, conforme previstas na proposta de regulamento que a Anatel colocou nesta semana em consulta pública.

No novo regulamento de qualidade do Serviço de Comunicação Multimídia, a agência estabelece que as velocidades dos acessos deverão garantir, no mínimo, 20% daquela que foi contratada, sendo que a média mensal não poderá ser inferior a 60%, percentuais que, em dois anos, serão elevados para 40% e 80%, respectivamente.

Embora a Anatel preveja um prazo de “carência” de nove meses a partir da aprovação final da norma, na Telebrás o critério já faz parte dos contratos firmados com os provedores. Em ambos os casos, a base é o trabalho realizado pelo Comitê Gestor da Internet, Inmetro e a própria Anatel.

"Os contratos que nós fizemos com os provedores já prevêem o atendimento daquela metodologia desenvolvida pela Anatel, NIC.br e Inmetro, que é velocidade mínima de 20% e média de 60%. Todos os contratos que nós assinamos têm essa premissa", lembra o presidente da estatal, Caio Bonilha.

 

TCU aprova renegociação de preços feita pela Telebras com empresas vencedoras de leilão do PNBL

O Tribunal de Contas da União (TCU) aprovou, hoje (10), a renegociação de preços feita pela Telebras com as empresas vencedoras do pregão para a contratação de infraestrutura para os pontos de presença da rede nacional de telecomunicação que atenderá o Programa Nacional de Banda Larga (PNBL).

Segundo a estatal, o acordo resultou em uma redução de R$ 43,9 milhões no fornecimento de infraestrutura para os anéis Sudeste, Nordeste e Sul.

Com a decisão, a Telebras pode realizar novos contratos para equipar os pontos de presença, que são as estações que abrigam a infraestrutura e os equipamentos para o funcionamento das fibras ópticas do PNBL.

Por determinação do TCU, a Telebras ainda não havia realizado novas contratações e nem emitiu novas ordens de serviços para os dois contratos em vigor, relativos a essa licitação. Segundo a estatal, o impedimento se refletiu em um atraso de pelo menos 75 dias no cronograma de implantação do plano.

A previsão do presidente da empresa, Caio Bonilha, é retomar imediatamente o plano de negócios e os trabalhos de implementação da rede nacional de telecomunicação e a interligação de 3.045 municípios. Segundo ele, ainda neste ano, será possível ligar 250 cidades nos anéis Nordeste e Sudeste.

Em audiência pública no Senado, Alvarez defende articulação governamental na área de TICs

Durante audiência pública na Comissão de Ciência e Tecnologia (CCT) do Senado Federal na manhã desta quarta-feira, em Brasília, o secretário-executivo do Ministério das Comunicações, Cezar Alvarez, destacou a importância de que os órgãos de governo trabalhem em conjunto, de forma articulada, para o desenvolvimento de políticas para o setor de tecnologias da informação e comunicação (TICs).

 

 

Segundo Alvarez, organismos governamentais como o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, o Ministério das Comunicações e a Finep já trabalham conjuntamente no desenho de políticas governamentais voltadas para as TICs. “As empresas, que devem realizar investimentos em pesquisa e desenvolvimento tecnológicos, também precisam se articular e trabalhar para que o objetivo de termos tecnologias nacionais bem desenvolvidas seja alcançado”, defendeu o secretário-executivo.

Cezar Alvarez destacou ainda a necessidade de implementação de mais políticas públicas e de se atualizar a legislação de ciência e tecnologia no país. O secretário citou como exemplo de desenvolvimento de tecnologia nacional na área de comunicações a plataforma trópico, uma das poucas patentes brasileiras competindo a nível internacional. "Hoje, essa tecnologia está absolutamente defasada. Evidente que não por incompetência, mas por falta de sinergia entre público, privado, sistema de encomenda, indústria e centro de pesquisa e desenvolvimento e necessidade de permanente atualização e antecipação do desenvolvimento desses equipamentos", explicou Alvarez.

Outro assunto abordado com destaque pela comissão foi o uso da faixa de freqüência de 450 MHz para levar serviços de telecomunicações à zona rural brasileira. De acordo com Cezar Alvarez, o governo pretende usar o espectro para levar internet e telefone a áreas mais remotas, conectando, inclusive, cerca de 85 mil escolas rurais à internet.

“Hoje, as conexões feitas nas escolas rurais são caríssimas, porque são realizadas por meio de satélite. Mesmo com as conexões do Gesac, não conseguimos atender a toda a demanda”, disse o secretário-executivo.

Também participaram da audiência a chefe da Assessoria de Acompanhamento e Avaliação do Ministério de Ciência e Tecnologia, Fernanda Negri; o diretor-presidente do Serpro, Marcos Vinícius Ferreira Mazoni; o gerente de Desenvolvimento de Projetos do Setor de Tecnologia e Inovação da Siemens, Wikings Marcelo Machado; e o professor do Instituto de Economia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), José Eduardo Cassiolato.

O evento foi parte da Jornada pela Inovação, série de debates promovidos pela CCT para criação de um marco regulatório para o setor, eleito pelo Governo Federal como uma das bases da sustentabilidade do desenvolvimento do país.

Anatel vai rever mercado relevante de TV paga

Miriam Aquino – Tele.Síntese

Até que o Plano Geral de Metas de Competição (PGMC) seja aprovado, a Anatel terá reavaliado o mercado de TV por assinatura, que identificou 94 cidades onde a NET exerce poder de mercado. Segundo o assessor do conselho diretor, Carlos Baigorri, para analisar este mercado a agência usou os dados de 2009, e ele reconhece que o cenário mudou nos últimos três anos, na medida em que novos players ingressaram no mercado com a tecnologia do DTH (via satélite). "Não quero antecipar nada, mas é possível que esse quadro mude", completou.

Invetimentos

Arthur Barrionuevo, professor da Fundação Getúlio Vargas, assinalou que o PGMC da Anatel traz alguns conceitos errados. Entre eles, apontou o professor, a agência, ao invés de estabelecer critérios para a transparência, não discriminação e acesso a infraestrutura direcionada a  custos, acaba obrigando as empresas a fazerem investimentos extras. "Na Europa, houve a exigência de oferta de acesso da capacidade disponível. Aqui, a Anatel está obrigando a que as empresas cheguem a dobrar a capacidade de sua rede," afirmou.

Baigorri discordou da avaliação de Barrionuevo e explicou que, para a agência, a definição das empresas com Poder de Mercado Significativo deve ficar restrita à defesa da concorrência, não devendo ser reproduzida para outros regulamentos da Anatel. "Empresa grande não é sinônimo de empresa com poder de mercado", afirmou.