Lindbergh: criação de órgão de regulação para direitos autorais é inevitável

O relator da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Escritório Central de Arrecadação e Distribuição (Ecad), senador Lindbergh Farias (PT-RJ), afirmou nesta quinta-feira (20) que o sistema de arrecadação e distribuição de direitos autorais no país caminha para um modelo sob supervisão estatal. Ele adiantou que o relatório da CPI, com entrega prevista para a segunda de semana de novembro, deverá incluir proposta para criação de um órgão público com essa atribuição.

As sugestões deverão ser encaminhadas para exame na Casa Civil, como contribuição para uma nova Lei de Direitos Autorais. Independentemente do teor de anteprojeto que está em debate no Ministério da Cultura, Lindbergh disse que sua visão em relação ao assunto corresponde à posição do governo. O senador aproveitou para pedir que as associações de autores participem do debate e apresentem sugestões.

– Acho que o melhor é entrar no diálogo e não se opor à idéia, pois acaba piorando – disse.

Lindbergh esclareceu que não se trata de defender uma intervenção estatal no setor, nem de sugerir mecanismos burocráticos. Porém, disse que o sistema necessita de fiscalização e acompanhamento. Lembrou que a crise no sistema financeiro internacional atual decorre de falta de regulação, o que se aplica ainda a outros campos de atividade. Disse que essa visão é compartilhada pelo governo brasileiro.

– Neste país tem um governo com postura clara quanto a isso. Portanto, sugiram que tipo de regulação pode ser adotada e como fazer – apelou.

Além de investigar indícios de fraudes no pagamento de direitos autorais e denúncias de atuação em cartel pelas sociedades autorais, a CPI foi constituída para examinar a eficácia do atual sistema, baseado na existência de uma única sociedade arrecadadora – o Ecad, que reúne nove sociedades de autores, intérpretes e músicos, entre outros segmentos.

Poder para definir preço

O presidente da Associação Brasileira de Música e Arte (Abramus), Roberto Corrêa de Mello, e o superintendente da União Brasileira de Compositores (UBC), José Antônio Perdomo, não se manifestaram contra um órgão de fiscalização. Porém, foram enfáticos ao condenar algumas idéias, como retirar dos autores o poder de definir o preço dos direitos sobre suas obras, um sistema em que as sociedades tenham que trabalhar com tabelas de preços concorrenciais e o funcionamento de mais de uma entidade arrecadadora.

A explicação é de que o sistema atual é o único que permite pagar com equanimidade os direitos autorais sobre "repertório compartilhado", ou seja, que abrangem obras com mais de um autor. Do contrário, conforme argumentaram, uma música em que um autor fosse associado a uma sociedade e o parceiro a outra, estes poderiam receber valores diferentes pela mesma obra.

– Essa é a inteligência do sistema brasileiro, que é a gestão coletiva de direitos. Os preços são uniformes para que todos compartilhem igualmente os direitos – explicou Roberto de Mello, da Abramus.

Participaram ainda da audiência os professores Pedro Mizukami, da Fundação Getúlio Vargas, e Allan Rocha Souza, da Universidade Federal do Rio de Janeiro, que atuam em pesquisas na área de direito autoral.

 

PL que acaba com assinatura básica já recebeu apoio de mais de 2 milhões de pessoas

Redação – Tele.Síntese

O PL 5476/2001, que acaba com a assinatura básica da telefonia fixa, já recebeu o apoio de mais de 2 milhões de pessoas que acessaram os serviços de participação popular da Câmara. No último mês de setembro, 38.460 ligações (72,6%) de um total de 53.374 consultas ao Disque-Câmara (0800 619 619) também se referiam à proposta.

Ao longo dos anos, o projeto tem sido o campeão no ranking de acessos ao serviço. Das ligações do mês passado relacionadas à proposta, apenas uma é contrária a sua aprovação. As informações foram divulgadas nesta quinta-feira (20), pela Câmara.

Demora

Os deputados justificam a lentidão na tramitação do projeto pelo fato de existirem outros temas igualmente importantes e também pelo lobby praticado pelas operadoras de telefonia.

“Acho difícil conseguirmos votar em Plenário ainda neste ano”, afirma o deputado Dimas Ramalho (PPS-SP), integrante da Comissão de Defesa do Consumidor, a única até o momento a ter analisado a proposta. Para ele, outros temas como a distribuição dos royalties do petróleo devem ter preferência na pauta neste ano.

PL do Marco Civil da Internet será apresentado na ONU

Redação – Tele.Síntese

A experiência brasileira de elaboração do projeto de lei que define direitos e responsabilidades no uso da web, o chamado Marco Civil da Internet, será apresentada durante a 66ª Assembleia Geral da ONU, em Nova York. Nesta sexta-feira (21) representantes da Secretaria de Assuntos Legislativos do Ministério da Justiça participarão do painel Internet Access for All? (Acesso à Internet para todos?), organizado pelo embaixador da Suécia para Direitos Humanos na organização, no âmbito do Terceiro Comitê da Assembleia Geral, que trata de temas sociais, humanitários e culturais.

Essa não será a primeira vez que o Marco Civil da Internet será apresentado a outros países. Em 2010, foi tema abordado no III Diálogo Brasil – União Européia em Sociedade da Informação, em Bruxelas, na Bélgica, e também no workshop de melhores práticas mundiais do Fórum de Governança da Internet da ONU, em Vilnius, na Lituânia.

O Marco Civil da Internet foi elaborado em conjunto com a sociedade, a partir de debates realizados na própria internet. O projeto de lei busca compatibilizar os avanços das novas tecnologias com o reconhecimento de direitos dos cidadãos, a definição clara das responsabilidades dos diversos intermediários na prestação de serviços relacionados à rede e a definição de premissas para as políticas públicas para a área.

Atualmente, o projeto de lei do Marco Civil da Internet está parado na Câmara, à espera da designação de comissão especial para apreciação da matéria.

Sociedade civil se manifesta em defesa do caráter público da EBC

Enquanto os jornais tentam antecipar o nome do próximo presidente da Empresa Brasil de Comunicação (EBC), 51 entidades da sociedade civil divulgaram uma carta avaliando os quatro anos de funcionamento da empresa e sugerindo ações para a melhoria dela e do sistema público de comunicação como um todo.

Para os signatários do documento, o projeto de um sistema público no país corre riscos. Alguns vindos da própria mídia comercial e outros construídos dentro do Congresso e Judiciário – esses dois últimos ligados ao caso da discussão dos programas religiosos na TV Brasil. Além da TV, a EBC gerencia oito emissoras de rádio, uma rádioagência e uma agência de notícias na internet. 

A carta expõe dez propostas das entidades, como a universalização do sinal da TV Brasil, a construção de redes de TV e rádio públicas nacionais e o desenvolvimento de metodologia e mecanismos de aferição de audiência. O documento é assinado por organizações de peso, como o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), Central Única dos Trabalhadores (CUT), Congresso Brasileiro de Cinema (CBC) e Movimento Nacional de Direitos Humanos (MNDH).

 

No dia 31 de outubro expira o mandato da jornalista Tereza Cruvinel na presidência da empresa. Ela pode ser reconduzida, mas já adiantou que não gostaria de seguir no cargo. O jornalista Nelson Breve, que está no Executivo desde o governo Lula, é o mais cotado para assumir a vaga. 

Confira a íntegra da nota:

 

 

Em defesa do caráter público da EBC

Criada há pouco menos de 4 anos, a EBC – Empresa Brasil de Comunicação – está concluindo a primeira fase de uma longa caminhada no sentido da consolidação e fortalecimento da comunicação pública brasileira. Diversos atores sociais, tanto da sociedade civil como dos poderes públicos, envolveram-se nos debates iniciais que deram origem à criação da empresa, em particular durante o I Fórum Nacional de TVs Públicas, o que deu uma grande legitimidade ao processo de criação da EBC, embora ela continue sofrendo críticas por parte da mídia comercial privada e de setores da oposição, que ainda não compreendem a relevância e a necessidade de se garantir a complementaridade entre os sistemas público, privado e estatal, prevista em nossa Constituição, para o fortalecimento de nossa democracia.

Infelizmente, o projeto da uma comunicação pública forte no Brasil, representado em grande medida pela criação da EBC, não se pode considerar consolidado e ainda corre sérios riscos – evidenciados nas últimas duas semanas por dois exemplos de atentado contra sua autonomia. Primeiro, a Justiça Federal conferiu liminar ao pedido da Arquidiocese do Estado do Rio de Janeiro a fim de garantir a permanência dos programas religiosos nas grades de programação das mídias da EBC. Os programas deveriam ter sido retirados das grades da TV Brasil e das rádios por decisão do Conselho Curador.

No dia 29, em audiência no Senado Federal para se debater a mesma decisão do Conselho Curador, parlamentares de vários partidos colocaram em xeque o próprio Conselho, atentando contra aquela que é uma das principais conquistas democráticas do processo da criação da EBC. Chegou a ser apresentada proposta de decreto legislativo anulando a decisão do Conselho Curador.

A despeito do mérito da discussão – e da dúvida sobre a legalidade das ações da Justiça e do Senado – as duas tentativas representam uma séria ameaça à autonomia da EBC e a seu caráter público, que tem no Conselho Curador seu principal fiador. Cabe ao Conselho justamente o papel de zelar pelos princípios e objetivos da empresa, opinar sobre matérias relacionadas ao cumprimento desses princípios e objetivos, deliberar sobre a linha editorial de produção e programação proposta pela Diretoria Executiva da EBC e manifestar-se sobre sua aplicação prática. No momento em que instituições do Legislativo e do Judiciário tentam interferir na construção da programação da emissora, seu caráter público fica evidentemente em risco.

Os próximos quatro anos


Neste momento, a EBC entra numa fase delicada, mas ao mesmo tempo oportuna, de reafirmar seu caráter público e republicano, ao aproximar-se do final do mandato da atual Diretora-Presidente. Nestes quase quatro anos de existência, a atual gestão da EBC promoveu avanços em alguns aspectos importantes, como investimentos no parque tecnológico de suas emissoras, com obras e reformas em suas instalações, e a melhoria e diversificação no conteúdo de suas programações – não só através de novos conteúdos de produção própria, mas também da produção independente –, além de dar os passos iniciais para a criação de uma Rede Nacional de TVs Públicas e garantir importantes ferramentas de governança e controle público, como as Audiências Públicas e o trabalho da Ouvidoria.

No entanto, há ainda um longo caminho a percorrer para que a EBC e seus veículos de comunicação (TV Brasil, Agência Brasil, 08 emissoras de rádios e Radioagência Nacional) se aproximem de fato dos objetivos e metas traçados no I Fórum Nacional de TVs Públicas, espaço que deu o pontapé inicial no processo de criação desta nova empresa pública de comunicação em nosso país. Entre eles, destacamos alguns que consideramos sejam estratégicos para orientar o novo período de gestão que se aproxima:

  1. A universalização do sinal da TV Brasil (e das emissoras de rádio da EBC), por meio de infraestrutura única e pública (Operador de Rede), compartilhada com os demais atores do campo público da comunicação;

  2. A construção de verdadeiras redes nacionais públicas de TV e de Rádio, com a EBC assumindo seu papel de espinha dorsal do sistema público, mas sempre dialogando com as demais emissoras públicas de TV e rádio, universitárias, educativas e culturais, de caráter federal, estadual ou municipal e com suas entidades representativas.;

  3. A Consolidação da Contribuição para o Fomento da Comunicação Pública como fonte contínua e não contigenciável de um fundo para a comunicação pública, que possa ser acessado por todos os veículos públicos mas também, e principalmente, pela própria EBC;

  4. A transição para as transmissões digitais de rádio e televisão, bem como o protagonismo no uso de ferramentas interativas digitais e de linguagem inovadora;

  5. O fortalecimento das ferramentas de governança e de controle público de gestão da EBC, em particular do Conselho Curador, das Audiências Públicas e da Ouvidoria, no sentido de garantir uma máxima participação da sociedade na definição das diretrizes de gestão, programação e investimentos nos veículos da EBC;

  6. O desenvolvimento de metodologia e mecanismos de aferição de audiência e qualidade da programação condizentes com os objetivos da comunicação pública.

  7. Uma gestão interna que seja cada vez mais democrática, republicana e colegiada, condizente com a missão institucional de comunicação pública da EBC;

  8. A presença cada vez maior de produção local na programação da TV Brasil nas praças onde exista geradora própria do canal;

  9. A valorização do corpo de concursados da empresa, através de políticas justas de salários e condições de trabalho adequadas.

  10. A efetivação de parcerias com a produção independente e com as emissoras regionais que possibilitem a diversificação e regionalização do conteúdo da programação.

Esses são alguns dos desafios que uma nova gestão da EBC terá que enfrentar. O atual processo de sucessão na Presidência da EBC pode ser uma oportunidade valiosa para a consolidação do caráter público e republicano da empresa. Nomes de possíveis candidatos à sucessão começam a ser ventilados na mídia, certamente profissionais com currículos qualificados e competência comprovada em suas áreas. Sabemos que a Lei 11.652/08, em seu artigo 19, determina que o Diretor-Presidente e o Diretor-Geral da EBC sejam nomeados diretamente pelo Presidente da República. Mas entendemos como fundamental que esse processo de indicação seja precedido de publicização do debate e do envolvimento da sociedade, em torno de ideias e projetos para o futuro da comunicação pública e da EBC, tomando como referência os objetivos estratégicos acima elencados. Um amplo debate no âmbito da sociedade civil e do Parlamento certamente irá contribuir ainda mais para consolidar o projeto da EBC em nossa sociedade.

17 de outubro de 2011

ACMUN – Associação Cultural de Mulheres Negras

AMB – Articulação de Mulheres Brasileiras

AMNB – Articulação de Organizações de Mulheres Negras

AMARC – Associação Mundial de Rádios Comunitárias

ANDI – Comunicação e Direitos

ARPUB – Associação das Rádios Públicas do Brasil

Assessoria de Comunicação do Instituto Federal do Paraná

Associação Ilê Mulher/RS

CBC – Congresso Brasileiro de Cinema

CCLF – Centro de Cultura Luiz Freire/PE

Centro de Estudos da Mídia Alternativa Barão de Itararé

Centro de Promoção da Cidadania e Direitos Humanos Padre Josimo – Imperatriz/MA

Cipó – Comunicação Interativa/BA

Ciranda – Central de Notícias dos Direitos da Infância e Adolescência/PR

CNC – Conselho Nacional de Cineclubes

Coletivo do Mandato da Vereadora Professora Josete (PT-Curitiba/PR)

Coletivo Soylocoporti

Comunidade Bahá'í do Brasil

COMULHER – Comunicação Mulher

CCM – Conselho Comunitário de Maricá/RJ

CUT – Central Única dos Trabalhadores

FALE RIO – Frente Ampla pela Liberdade de Expressão e pelo Direito à Comunicação – RJ

FAMMAR – Federação das Associações de Moradores de Maricá/RJ

Federação Pernambucana de Cineclubes – FEPEC

Fopecom – Fórum Pernambucano de Comunicação

Fórum de Comunicação Democrática do Sul Fluminense

Fórum Goiano de Mulheres

FRENAVATEC – Frente Nacional de Valorização das TVs do Campo Público

GAJOB – Gabinete de Assessoria Jurídica às Organizações Populares

Griô Produções

Grupo Cactos, Gênero e Cidadania – Paulista/PE

Grupo Curumim/PE

Grupo de Teatro Loucas de Pedra Lilás/PE

Grupo Feminista Autônomo "Oficina Mulher"/GO

IDEC – Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor

Instituto Patrícia Galvão – Mídia e Direitos

Instituto Telecom

Intervozes – Coletivo Brasil de Comunicação Social

MNDH – Movimento Nacional de Direitos Humanos

MPB – Movimento Música para Baixar

MST – Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra

NPC – Núcleo Piratininga de Comunicação

ODDPM – Organização de Defesa dos povos e das Missões/RJ

ONG Sentinela Ambiental

Partido Comunista Revolucionário – PCR-Brasil

Pretas Candangas

Rede Mulher e Mídia

REDHMC – Rede Estadual de Direitos Humanos e Moderadores de Conflitos/RJ

SINDEPPERJ – Sindicato dos Empregados em Previdência Complementar Privada do RJ

Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Distrito Federal

Sindicato dos Jornalistas do Estado do Rio de Janeiro

 

 

 

Manifestação por democracia na mídia acontece na Paulista

Nesta terça-feira (18), a Avenida Paulista foi palco de uma manifestação que fez parte do Dia Mundial Pela Democratização da Comunicação. A Frente Paulista Pelo Direto à Comunicação e Liberdade de Expressão (Frentex) e diversos movimentos sociais, instituições, sindicatos e estudantes participaram do ato, que começou ao meio-dia.

Em tom animado, os cerca de 50 participantes vestiram óculos simbólicos, parodiando a realidade unilateral transmitida pelos grandes veículos de comunicação, e distribuíram panfletos para os pedestres que passavam pela avenida. Em analogia ao monopólio da grande imprensa, o microfone do ato foi aberto ao público, para todos terem o direito de se expressar.

Segundo os manifestantes,  o principal problema está na concentração dos meios de comunicação nas mãos de pequenos grupos, que reflete o monopólio da informação veiculada diariamente e de fundamental importância para a sociedade.

São canais de televisão, rádios, jornais, revistas e portais reproduzindo opiniões parecidas e de acordo com interesses próprios. Portanto, é urgente trazermos esse debate à tona, já que a situação é extremamente prejudicial à consolidação da democracia no país. E para falarmos disso, é imprescindível que falemos, também, de democratização da comunicação.

Entre as principais bandeiras que o movimento levanta para democratizar a comunicação estão a luta por um novo marco regulatório para o setor, a regulamentação dos artigos da Constituição que tratam da comunicaçao e defesa da liberdade na internet.