SindiTelebrasil pede reunião com Abert para discutir dividendo digital

O SindiTelebrasil já solicitou formalmente uma reunião com a diretoria da Abert, associação que representa os radiodifusores, quando apresentará sua proposta para a liberação da faixa de 700 MHz e sua disponibilização para os serviços móveis. A reunião poderá acontecer ainda no mês de dezembro.

A proposta do SindiTelebrasil é a seguinte: um eventual edital de venda da faixa de 700 MHz poderia conter mecanismos de financiamento da aceleração da migração da TV analógica para a digital. Assim, as operadoras móveis interessadas na faixa pagariam a migração para a TV digital daqueles radiodifusores que estejam ocupando esta parte do espectro. O presidente do sindicato patronal, Eduardo Levy, entende que, construído o consenso entre os dois setores, fica mais fácil convencer o governo a antecipar a destinação da faixa para os serviços móveis. Diferentes representantes do Ministério das Comunicações já disseram que o governo não tem intenção de fazer qualquer alteração na faixa antes de 2016, que é o prazo previsto para a migração completa da TV analógica para a digital.

Eduardo Levy lembra que estratégia semelhante já será usada pela Anatel. No leilão da faixa de 2,5 GHz, previsto para abril do ano que vem, as empresas vencedoras deverão pagar uma indenização para a desocupação da faixa às prestadoras de MMDS.

A faixa de 700 MHz, por ser uma banda baixa, é ideal para prestar o serviço móvel de quarta geração em áreas grandes e com baixa densidade populacional. Já a faixa de 2,5 GHz tem uma característica oposta: é ideal para áreas pequenas e densamente povoada. "Estamos brigando pelos 700 MHz porque achamos que é o melhor negócio para todo mundo. O 4G em 2,5 GHz não vai dar mais cobertura. Será mais para aqueles que já têm. Estão fazendo todo esse barulho para dar o serviço para uma parcela pequena da população", afirma ele.

SindiTelebrasil acredita em confederação do setor em 2012

Redação – Teletime

O SindiTelebrasil está confiante nas conversas para a criação de uma confederação nacional que reunirá federações das áreas de informação e comunicação. Provisoriamente, a confederação foi batizada de Confederação Nacional de Informação e Comunicação Multimídia (Conica), e reuniria, além da Febratel (federação de telecomunicações), também as federações das áreas de radiodifusão, informática, software, cinema, entre outras. As negociações já acontecem há dois anos, mas a expectativa é de que o projeto seja viabilizado em 2012.

A confederação poderá ter acesso aos recursos do chamado Sistema S para treinamento e qualificação de profissionais, o que representaria cerca de R$ 600 milhões por ano. Hoje os recursos são destinados ao Sesi e ao Senai, cujo interesse não está na capacitação de pessoal ligada a área de comunicação e informação.

A confederação daria também mais peso às negociações setoriais e permitiria o ingresso com ações de inconstitucionalidade junto ao Supremo.

Capacidade do Gesac está esgotada, Minicom estuda remanejamentos de antenas

Em todos os debates realizados na programação de atividades da 10ª Oficina de Inclusão Digital, que acontece no Centro de Convenções de Vitória (ES), não faltam reclamações sobre a qualidade do serviço do programa Gesac, do Ministério das Comunicações (Minicom). "O sinal é de péssima qualidade. Como eles querem que a gente implante cursos, faça ensino a distância?", protestou uma monitora da região Norte.

Durante a Plenário de Cidades Digitais, realizada hoje, Heliomar Medeiros, diretor de Infraestrutura do Minicom, disse que para promover essa melhoria seria necessário ter mais banda de satélite disponível e mais recursos para custear uma expansão da cobertura por satélite. "Não temos nem um, nem outro. Estamos utilizando tudo o que a Embratel oferece", relatou, acrescentando que, para 2012, deverão ser lançados mais dois satélites, mas "haverá enorme concorrência".

O diretor contou que, para tentar minimizar o problema a curto prazo, o Minicom está negociando com o Ministério da Educação, que dispõe de recursos para conexão de escolas rurais, dentro do programa Pronacampo. No próximo ano, adiantou, será lançado um edital para renovação dos atuais contratos. "Vamos aproveitar para fazer um remanejamento. Hoje temos lugares como Rio e Janeiro, São Paulo e Vitória sendo atendidos por satélite, quando poderiam ter outras tecnologias, como ADSL.  

Heliomar informou que o ministério pretende mapear os pontos Gesac que poderiam ser substituídos por outras formas de conexão e migrar as antenas para a zona rural. A situação só ficará estabilizada, de acordo com o diretor do Minicom, no final de 2014, quando será lançado um satélite banda K, que tem capacidade equivalente a 50 satélites de banda KU.

Mães da Praça de Maio farão julgamento ético e político do Grupo Clarín

Está marcado para o próximo dia 22, às 19h, na Praça de Maio, um julgamento ético e político do maior conglomerado de comunicação da Argentina – o Grupo Clarín. A iniciativa é da Associação Mães da Praça de Maio com o objetivo de informar sobre a investigação que se está fazendo sobre o diário Clarín, a Rádio Mitre, o canal de TV a cabo TN, o Canal 13, a Cablevisión e a empresa que fabrica o papel para os jornais, a Papel Prensa. Todas as empresas fazem parte dos mais de 300 meios de comunicação e empreendimentos pertencentes ao Grupo.
O processo é simbólico e representa um pedido de liberdade de expressão, de espaço, de voz para defender a Lei de Meios, a liberdade sindical dos trabalhadores e pedir justiça, memória e igualdade, assinalou Hebe de Bonafini, presidente das Mães de Maio, em coletiva de imprensa na Universidade Popular das Mães.

"Vamos fazer um julgamento ético e político ao Grupo Clarín. Julgamento ao Grupo que rouba crianças, verdades e esperanças. Vão dizer que é caça às bruxas, vão dizer que é contra a liberdade de expressão, vão dizer que é uma escalada do governo, mas não é nada disso. É por nossa própria liberdade, a liberdade dos sem voz”, manifestou Hebe.

O julgamento terá a duração de duas horas com a participação de advogados, defensores, promotores, reclamantes e o povo como juiz. Para as Mães da Praça de Maio, o ideal seria que o julgamento fosse feito pela Justiça, contudo, como esta chega tarde, será o próprio povo que irá julgar e condenar o Grupo Clarín.

No momento, o julgamento será apenas contra este grupo de comunicação, pois, por ter cerca de 300 veículos no país a repercussão de suas notícias é grande.

"(…) dizem uma mentira no Clarín ou no Canal 13 e sai por todo o país. Então quando te difamam e arrastam pelo chão e te colocam como querem todo o país lê, escuta e vê isso que não é certo. E isso é o que queremos mostrar às mães, e o que queremos comparar. O que passavam e o que diziam. O que se diz e o que se passa”, explicou Hebe.

O julgamento ético e político marcado para o dia 22 não será o primeiro organizado pela Associação das Mães. Médicos vinculados a crimes da ditadura foram julgados publicamente, assim como aconteceu no ano passado com juízes e jornalistas.

Participarão do julgamento: trabalhadores despedidos do Clarín; a ex-ministra de Economia Felisa Miceli, o titular da Sindicatura Geral da Nação – Sigen, Daniel Reposo, entre outros. Caso não seja possível fazer o julgamento na Praça de Maio, em virtude do tempo, a atividade será transferida para o Espaço Cultural Nossos Filhos, que funciona na ex Escola de Mecânica da Armada (Esma).

Comunicadores e pesquisadores discutem a imagem do índio na mídia

Um grupo de jornalistas, pesquisadores e indígenas reuniu-se no último fim de semana, no Núcleo de Atividades Múltiplas (NAM) da Aldeia Jaguapiru, em Dourados (MS), para discutir a imagem do índio na mídia, noticia o site gdnews.com. O evento faz parte do projeto de extensão "Diálogos em Comunicação", desenvolvido pela Universidade Federal da Grande Dourados (UFGD).

Participaram do debate a presidente do Sindicato dos Jornalistas Profissionais da Grande Dourados (Sinjorgran), Karine Segatto, o jornalista e antropólogo Spensy Pimentel, pesquisador do Centro de Estudos Ameríndios da Universidade de São Paulo (USP), e outros comunicadores da região e membros da comunidade indígena local.

Para os pesquisadores, o índio é retratado erroneamente como "vagabundo" e "preguiçoso" por não refletir as formas de produção da cidade. A imprensa prioriza a cobertura do "exotismo" do índio e o costuma retratá-lo nu, "com arco e flecha na mão", ressaltou o professor Ñandeva Aguilera de Souza, da tribo Guarani. "E hoje, já temos índio doutor", destacou.

"Os outros países vêem o Brasil como se tratasse bem do índio. Isso quem faz é a mídia", opinou Nilcimar Morales, indígena da tribo Terena.

O pesquisador e professor Spensy Pimentel afirmou que as críticas são generalizadas "em todo o território nacional". Para ele, a realidade vivida em Mato Grosso do Sul reflete um senso comum concebido pelo jornalismo de um modo geral.

Pimentel entende que o desafio do comunicador "é fazer a diferenciação cultural para valorizar as especificidades dos índios a fim de promover a conscientização e o respeito às diferenças e à pluralidade cultural. Aquilo que não tem pluralidade definha. É preciso pensarmos em como desmontar essas concepções", argumentou.