Sociedade defende nova lei de TV por Assinatura

Após a operadora Sky promover uma campanha massiva contra a Lei nº 12485/11, que regulamenta e unifica os serviços de TV por assinatura, entidades da sociedade civil iniciaram uma série de manifestações em defesa das cotas de conteúdo nacional e da produção independente presente na lei.

O Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação (FNDC) rechaçou a "estratégia desonesta e chama atenção dos usuários da Sky para que não sejam ludibriados pela propaganda enganosa da empresa", em nota publicada nesta quarta (29/2). Já o Congresso Brasileiro de Cinema (CBC), em abaixo-assinado disponível na interne t, repudiou a tentativa da Sky de "liminarmente desqualificar a qualidade dos conteúdos audiovisuais produzidos por empresas brasileiras". Para a Associação Brasileira de Produtoras Independentes de Televisão (ABPI-TV ), a "Sky virou as costas para o debate democrático e passou a defender seus interesses".

Em comerciais veiculados nos grandes veículos de comunicação, a Sky utiliza de seus atletas patrocinados para divulgar a ideia que a liberdade de escolha dos consumidores está sendo atacada pela nova lei. A empresa distorce os fatos ao afirmar que a legislação é uma "grave intervenção nos meios de comunicação". O CBC afirma que "ao contrário do que equivocada e mentirosamente afirma a Sky, em nada (a lei) fere a legítima e democrática liberdade de escolha de programação dos assinantes de serviços de TV por Assinatura, já que promoverá apenas a ampliação dos conteúdos e programas oferecidos atualmente". Para o FNDC, em todos os países democráticos existem instrumentos de regulação que garantem mais pluralismo e diversidade de conteúdo nos meios de comunicação, como é o caso da Lei nº 12.485.

Nos comerciais os atletas afirmam em nome da operadora que a Agência Nacional de Cinema (Ancine) estaria querendo "controlar o conteúdo" e "impor canais e conteúdos brasileiros" nos pacotes das operadoras, além de não considerar esporte conteúdo nacional. O FNDC esclarece que a "lei considera sim esses conteúdos (esportivos) como nacionais, mas não impõe cotas de veiculação de esportes". Para o Fórum, a lei não interfere em nada na quantidade de conteúdo esportivo na programação.

O FNDC aponta que "a Sky não defende o interesse do usuário nem do esporte nacional. O problema para a empresa é que, ao permitir a entrada das empresas de telecomunicações no mercado de TV a cabo, a lei cria concorrência em vários locais em que a Sky é hoje a única opção do usuário. O que está em jogo, portanto, são os interesses comerciais da empresa."

Já o Congresso Brasileiro do Cinema conclama em seu manifesto a defesa do cinema, do audiovisual, das identidades e diversidades culturais brasileiras, bem como a liberdade de expressão e escolha da população. E pede a população para subscrever, apoiar e participar desta mobilização contra os interesses da SKY assinando o manifesto da entidade .

A ABTI-TV solicita a classe audiovisual brasileira a apoiar "a vigência da lei em contrapartida à ação despropositada da Sky, que ao final terá que se render às evidências de novos tempos para todos, sem o abuso do poder econômico e desinformação junto ao público consumidor".

Leia a íntegra da manifestação do FNDC, CBC e ABPI-TV:
http://www.fndc.org.br/internas.php?p=noticias&cont_key=771365
http://www.peticaopublica.com.br/?pi=P2012N21427
http://abpitv.com.br/samba/index.php/br/component/content/article/1230-abpitv-convoca-associados-e-classe-audiovisual-brasileira-contra-campanha-despropositada-da-sky

Consultoria foi contra regulamento de qualidade criado pela Anatel

A consultoria PricewaterhouseCoopers International, anunciada hoje (28) pela Anatel como "Entidade Aferidora de Qualidade" da banda larga brasileira – com o suporte técnico da britânica SamKnows – foi contra o Regulamento de Gestão da Qualidade do Serviço de Comunicação Multimídia (RGQ-SCM) criado pela agência reguladora. O mesmo que agora terá de cumprir à risca, para garantir qualidade no serviço prestado ao consumidor.

A confusão começou quando a Anatel colocou em janeiro deste ano em consulta pública o "Pedido de Anulação interposto pela TNL PCS S/A (Oi), a alguns dispositivos dos Regulamentos de Gestão da Qualidade do Serviço de Comunicação Multimídia (RGQ-SCM) e de Gestão da Qualidade do Serviço Móvel Pessoal (RGQ-SMP)". O objetivo da agência reguladora foi colher sugestões do mercado sobre eventuais mudanças ao texto.

No dia 1º de fevereiro deste ano, o representante da PricewaterhouseCoopers International Ltda, Anderson Carlos Santos Ramires, apresentou as considerações desta consultoria internacional, que foram contrárias à adoção do regulamento de SCM.

"Boas Práticas Regulatórias"

No entender da PricewaterhouseCoopers "a utilização de medidas regulatórias deve ser adotada quando existir uma questão específica cuja resolução não possa ser obtida através de mecanismos de mercado".

Embora considere que a adoção de regulamento seja uma "ferramenta legítima e eficiente" para fornecer à Anatel as informações necessárias para o bom desempenho de suas funções, a consultoria defende a tese de que a agência deveria ter levado em conta "o tamanho, nível de maturidade e estrutura do mercado brasileiro". Sem estudar esse problema, a consultoria entende que a Anatel poderia exceder "em custo", o benefício que pretenderia dar aos consumidores "do ponto de vista regulatório".

A PwC informou que em agosto de 2011, por solicitação do SindiTelebrasil – entidade que defende os interesses das empresas de telefonia – realizou um estudo internacional e avaliou em 10 países o nível de regulamentação existente para a aferição da qualidade da banda larga. Esse estudo foi realizado nos Estados Unidos, Coréia do Sul, Alemanha, Reino Unido, Austrália, Nova Zelândia, Espanha, Chile, Índia e Itália. Levou em conta que esses 10 países representariam 40% do todal de assinantes mundiais do serviço. Buscou responder as seguintes queswtões:

(i) o entendimento da abordagem adotada pelos Órgãos Reguladores para a Qualidade dos Serviços de Banda Larga;

(ii) o entendimento dos parâmetros utilizados na medição e transparência dos resultados da Qualidade da Banda Larga,

(iii) o entendimento das penalidades adotadas;

(iv) a percepção dos consumidores: e

(v) a eficácia da abordagem adotada.

"O estudo demonstrou que nenhum dos 10 países avaliados implementou uma regulamentação específica e, principalmente, determinou metas de qualidade para Banda Larga a serem seguidas. Ao contrário, as medidas utilizadas pelas Agências Reguladoras foram no sentido de aumentar a transparência para os Consumidores em relação à qualidade e preço oferecidos, por meio da publicação de informações comparativas sobre os serviços entre as Operadoras", informou a PwC, contrariando justamente o regulamento para obrigar as empresas a cumprirem metas de qualidade na banda larga.

Segundo a consultoria, as medidas adotadas por esses países vão na direção de estabelecer "variações na qualidade do serviço", de forma a que os próprios consumidores possam fazer suas escolhas, criando com isso uma pressão concorrencial que obrigue as prestadoras a melhorarem o seu desempenho.

A PwC também constatou que existem ainda países onde não há "nenhuma evidência de intervenção" e que neles organismos de defesa dos consumidores são encarregados pela medição e divulgação dos resultados sobre a qualidade do serviço prestado pelas Operadoras.

"Desta forma, não se pode estabelecer uma relação clara e direta entre o nível de regulamentação, sua eficácia e o impacto sobre a concorrência, bem como sobre a melhoria dos padrões de qualidade da banda larga oriundos da adoção de regulamentações específicas de metas de qualidade nos países analisados. Nesses mercados, apenas a Índia implementou a obrigatoriedade de divulgação do desempenho do serviço, não representando uma regulamentação específica dos níveis de qualidade do mesmo", concluiu a consultoria.

A Anatel encerrou a consulta pública do pedido da TNL/PCS (Oi) no último dia 1º de fevereiro, sem ter divulgado até o momento se aceitará ou não o pedido de anulação do regulamento de qualidade da banda larga que ela mesmo criou, com base nos argumentos da concessionária e das empresas que encaminharam sugestões.

Essa questão e mais a decisão tomada hoje, de escolher a PricewaterhouseCoopers como "Entidade Aferidora de Qualidade", sugerem que o orgão regulador está totalmente perdido com relação aos rumos que tomará em relação à fiscalização dos serviços prestados futuramente pelas operadoras na banda larga brasileira.

Polícia espanhola prende quatro hackers do grupo ‘Anonymous’

Homens são acusados de publicar dados confidenciais na web. Prisões de hackers fazem parte de uma operação da Interpol

A polícia espanhola anunciou nesta terça-feira (28) a prisão de quatro hackers membros do grupo “Anonymous”, acusados de publicar dados confidenciais. As prisões fazem parte de uma operação da Interpol que se estende à Argentina, Chile e Colômbia.

“Dois dos presos (na Espanha) foram detidos por ordem judicial, outro ficou em liberdade sob fiança e o quarto, menor de idade, sob a custódia de seus pais”, afirma o comunicado. A operação, chamada "Thunder", faz parte de uma ação internacional da Interpol, "Exposure", que conduziu ao indiciamento de 10 pessoas na Argentina, seis no Chile e cinco na Colômbia.

As quatro pessoas detidas na Espanha foram acusadas de ter publicado on-line os dados pessoais dos guarda-costas que trabalhavam para o presidente do governo espanhol e de agentes da polícia nacional. Também são suspeitas de ter atacado sites oficiais, bloqueando-os e modificando-os.

"Um dos detidos que foram presos, do qual a polícia só deu as iniciais F.J.B.D, conhecido como 'Thunder' ou 'Pacotron', estava encarregado, supostamente, de administrar e gerir a infraestrutura informática utilizada pelo 'Anonymous' na Espanha e na América Latina, principalmente", acrescentou o comunicado. Ele foi preso em Málaga, no sul da Espanha.

Os detidos são suspeitos de ter cometido "crimes de associação ilícita, danos informáticos e descoberta e revelação de segredos", segundo o texto. As informações são do G1.

Produtoras se mobilizam contra campanha da Sky

Redação – TeleTime

O CBC (Congresso Brasileiro de Cinema) divulgou nesta terça, 28, nota de repúdio à Sky. A associação que congrega diversas entidades setoriais do cinema e do audiovisual afirma no documento que a Sky "lançou e está massivamente divulgando junto aos seus assinantes e ao público em geral uma sórdida e caluniosa campanha contra a Lei 12.485/2011".

O CBC diz que a quota mínima prevista de conteúdo nacional nos canais estrangeiros (de 3h30 minutos semanais) "ainda deixa muito a desejar, já que está muito aquém das reais necessidades, da capacidade, da potencialidade de desenvolvimento econômico do setor audiovisual brasileiro".

Na nota, a associação pede que os assinantes cancelem suas assinaturas na Sky.

ABPI-TV

A ABPI-TV, associação dos produtores independentes, também lançou um comunicado solicitando a seus membros que se manifestem em apoio à Lei 12.485, em contraposição à campanha lançada esta semana pela Sky contra a lei, que está em fase de regulamentação pela Ancine e pela Anatel.

Segundo o comunicado, a Sky, "valendo-se de todos os expedientes regimentais protelatórios possíveis (…) virou as costas para o debate democrático para defender seus interesses e passou a investir em campanhas de desinformação do público". A associação cita como exemplos, na campanha em questão, o questionamento da inconstitucionalidade da lei e a interferência no direito do consumidor e na liberdade de expressão.

A ABPI-TV termina o comunicado dizendo que a Sky "no final terá que se render às evidências de novos tempos para todos, sem o abuso do poder econômico e desinformação junto ao público consumidor".

‘Opção pelas teles condena Norte, Nordeste e Centro Oeste à desconexão eterna’, afirma ex-presidente

Durante sua participação no Festival Internacional de Cultura Livre, em Porto Alegre, o ex-presidente da Telebrás Rogério Santanna criticou a atual política para a implantação do Plano Nacional de Banda Larga (PNBL). “O papel da Telebrás era intervir neste mercado. Hoje isto está enfraquecido por não ser prioridade no governo Dilma”, afirmou Santanna, em entrevista à TVSul21.

“Trabalhei sete anos e meio como secretário de Logística da Informação do governo do presidente Lula para propor uma política pública que garantisse o acesso à internet no Brasil, sobretudo a internet banda larga. E, em função disso, o governo entendeu que deveria recriar a Telebrás e o fez e eu fiquei lá até junho do ano passado”, declarou.

De acordo com Santanna, após sua saída da estatal, houve mudança de rumo, “na medida em que se optou por apostar mais nas empresas de telecomunicações, que, diga-se de passagem, no Brasil, são as empresas mais odiadas por seus clientes, por seus usuários, pelos maus serviços que prestam. Passados um bom tempo das privatizações no Brasil, o que nós estamos vendo é um serviço de má qualidade, que conseguiu superar os bancos e os cartões de crédito em termos de reclamações nos Procons”.

Santanna disse que o governo aposta mais nas relações com as teles para implantar a banda larga do que com a Telebrás. “É preciso compreender que 95% do acesso à internet no Brasil são providos por quatro empresas: Telefónica, Net/Embratel, Oi e GVT. As três maiores respondem por 85%. E se olharmos os 18 milhões de acesso fixo de banda larga, o último dado divulgado pela Anatel, veremos que cinco estados da federação – São Paulo, Rio, Minas, Paraná e Rio Grande do Sul – respondem por 75% do acesso fixo de banda larga vendido no Brasil. Isso significa dizer que o Centro-Oeste, o Nordeste e o Norte estão condenados à desconexão eterna pelo atual modelo”.

E ele esclareceu o motivo: “Porque essas empresas controlam os meios de distribuição. Elas controlam o backbone, a espinha dorsal da rede, controlam o backhaul, eu diria as costelas da rede. Então, isso impede que mais de 2 mil pequenos provedores possam fazer o serviço em regiões onde elas não têm interesse comercial. Por quê? Porque elas controlam o preço. E o papel da Telebrás, decidido no governo do presidente Lula, era intervir nesse mercado, baixando o preço do backbone e do backhaul. Hoje está enfraquecido, porque os investimentos não se deram como foi previsto, o projeto perdeu prioridade no governo da presidente Dilma”.