Decisão coloca União como responsável pela regulamentação de volume na TV

A 10ª Vara Federal Cível da Justiça Federal de São Paulo condenou a União a criar uma regulamentação para que as emissoras mantenham o mesmo volume durante a programação, sem elevações injustificadas, em até 120 dias, informa o Terra.

Para o Ministério Público, a elevação de volume nos intervalos afeta principalmente crianças e adolescentes. De acordo com laudos técnicos-periciais, os canais voltados para as crianças têm uma variação sonora maior do que em outras emissoras e, por essa razão, crianças podem ter sofrido danos, destaca a sentença.

Em nota, o Ministério das Comunicações informou que "a elevação injustificada de volume nos intervalos comerciais (…) é conhecida pelo nome técnico de loudness e ocorre não apenas nos intervalos comerciais, mas ao longo de toda a programação".

A União tem o prazo de 120 dias para criar uma regulamentação e a fiscalização deve começar imediatamente. A emissora que descumprir a norma pode ter sua transmissão suspensa por 30 dias.

A juíza Leila Paiva, na decisão, entendeu que a responsabilidade de regulamentação não é da Anatel, mas que cabe à União criar uma norma.

Ministério da Justiça lança projeto sobre mídia e infância

Redação – Observatório do Direito à Comunicação

O Ministério da Justiça, em parceria com a Unesco, lança nesta segunda (19/3) o projeto “Liberdade de expressão, Educação para mídia, Comunicação e os Direitos da Criança e do Adolescente”, com a palestra de Toby Mendel, especialista internacional em direitos humanos e comunicação. Também será divulgado o “Novo Guia Prático da Classificação Indicativa” e a Campanha “Não se engane, tem coisas que seu filho não está preparado para ver”. O evento será às 14h, no auditório Tancredo Neves do Ministério da Justiça.

Assembleia de SP convoca presidente da TV Cultura

[Título original: Presidente da TV Cultura terá que explicar parcerias na Assembleia Legislativa de SP]

Redação – Portal Imprensa

O presidente da TV Cultura, João Sayad, foi convidado pela Comissão de Educação e Cultura da Assembleia Legislativa de São Paulo para explicar as parcerias da emissora com veículos de comunicação privados. O requerimento convidando Sayad foi aprovado por unanimidade pelos deputados do colegiado presidido por Simão Pedro (PT), membro do Conselho Curador da emissora.

Segundo a Rede Brasil Atual, as parcerias vêm sendo feitas pelo presidente da emissora desde 2011 e no início de 2012 a TV Cultura afirmou que iria ceder espaços em sua grade de programação para produções independentes dos jornais Folha de S.Paulo, O Estado de S.Paulo e da revista Veja.

A decisão de Sayad tem gerado discussões, uma vez que as parcerias precisam da aprovação do Conselho Curador antes de serem firmadas. No entanto, Simão Pedro e o presidente da União Estadual dos Estudantes, Alexandre Silva, ficaram sabendo dos acordos pela imprensa.

Pesquisa feita no Natal destaca Hasbro como maior anunciante para crianças Natal

A segunda edição da pesquisa “Monitoramento da publicidade de produtos e serviços destinada a crianças”, realizada nos 15 dias que antecederam o Natal de 2011, revelou uma nova empresa vencedora do Prêmio Manipuladora: a Hasbro. A fabricante de brinquedos teve 6.560 inserções comerciais entre os dias 10 e 24 de dezembro de 2011. O artigo 37 do Código de Defesa do Consumidor já prevê que a publicidade que se aproveita da ingenuidade infantil é abusiva, mas ainda não há uma lei específica vetando o direcionamento para a criança.

A pesquisa mostrou mais uma vez o forte apelo comercial direcionado ao público infantil perto de datas comemorativas: as campanhas voltadas para as crianças ocuparam quase metade (46%) do espaço publicitário dos canais monitorados. Assim como no Dia das Crianças 2011, o produto mais anunciado foi brinquedo, com 37% de todas as publicidades veiculadas nos 15 canais monitorados.

Responsável por mais de 14% das campanhas dirigidas a crianças, a Hasbro – que fabrica produtos como Nerf, Baby Alive, My Little Poney, UNO Monster High e Transformers 3 – ultrapassou a concorrente Mattel, vencedora do Prêmio Manipuladora no Dia das Crianças do ano passado, com o número alarmante de 8.900 inserções comerciais entre os dias 27 de setembro e 11 de outubro de 2011. Na edição de Natal, a Mattel reduziu seu número de inserções e foi responsável por cerca de 3.730 anúncios.

Entre os canais de conteúdo infantil, o Cartoon Network foi o que mais anunciou, com 26% das publicidades veiculadas para o público infantil no Natal. O segundo lugar ficou com Nickelodeon, com 19%, seguido do Discovery Kids, com 18%. O destaque foi a TV Ra Tim Bum, que não veiculou publicidade paga para crianças no período.

Outro ponto da pesquisa que chama atenção é o fato dos canais Cartoon Network e Discovery Kids ultrapassarem, no período monitorado pela pesquisa das 6h às 21h, o limite de publicidade comercial permitida pela Lei 12.485 (http://migre.me/8dhjX). Aprovada no ano passado, a lei estabelece que a veiculação comercial nos canais por assinatura pode ocupar no máximo 25% da programação diária. Essa informação é fundamental no debate sobre a regulação dos canais de TV por assinatura e, nesse sentido, o Projeto Criança e Consumo enviou uma contribuição para a Agência Nacional de Cinema (Ancine) (http://migre.me/8dhkx), órgão responsável por regulamentar a nova regra.  .

Já entre os canais abertos, a rede Globo liderou o ranking, com a veiculação de 38% das publicidades dirigidas a crianças no período que antecede o Natal. Diferentemente do período que antecedeu o Dia das Crianças, quando o SBT foi o líder disparado em publicidade infantil, com 58%.

A pesquisa foi realizada pelo Observatório de Mídia Regional da Universidade Federal do Espírito Santo, em parceria com o Instituto Alana, que monitorou 15 canais durante 15 dias. O monitoramento acontece quatro vezes ao ano, sempre próximo a datas comemorativas relevantes para o comércio nacional. A pesquisa na íntegra está disponível no site do Projeto Criança e Consumo na internet: http://www.alana.org.br/banco_arquivos/arquivos/Relatório-Natal2011.pdf

Bens reversíveis: Anatel adia planos da Telefônica de vender sede em SP

A Telefônica vai ter que adiar os planos de vender a sede da empresa na capital paulista, o prédio de 23 andares na rua Martiniano de Carvalho. A Anatel rejeitou nesta quinta-feira, 15/3, em reunião do Conselho Diretor, alguns dos argumentos da empresa para desvincular o imóvel da lista de bens reversíveis, devolvendo o pedido à área técnica para que sejam feitos uma série de esclarecimentos.

O pedido, na verdade, não menciona o edifício sede, mas duas casas situadas no mesmo terreno. Ao descobrir que todos fazem parte da mesma matrícula, a área técnica questionou o Conselho Diretor sobre o argumento da Telefônica de que os imóveis administrativos não são essenciais à concessão.

O relator, conselheiro Rodrigo Zerbone, lembrou que nas operações de desvinculações de bens da lista dos reversíveis – especialmente para alienação – a concessionária deve comprovar que o mesmo não é aproveitável ou é obsoleto, que não precisa ser substituído, e não há risco a continuidade do serviço.

Além disso, devem ser demonstrados benefícios econômicos para a concessão no curto e longo prazo. E, ainda, o valor e como esses recursos serão investidos em bens reversíveis. “No caso concreto, alguns dados são contraditórios ou não indicam atratividade de longo prazo para a concessão, apenas curto prazo”, concluiu Zerbone.

O plano da Telefônica é vender a sede da Telesp e mudar-se para um prédio alugado. O aluguel foi fechado ainda no ano passado entre a operadora e a Previ – a caixa de Previdência do Banco do Brasil – dona do edifício, que fica na avenida Berrini. A estimativa de mercado é de um contrato de R$ 5 milhões mensais.

A troca de um imóvel próprio por um contrato de aluguel foi um dos pontos levantados pelo relator. Por terem sido feitos questionamentos pela Superintendência de Serviços Públicos, a agência decidiu elaborar uma série de diretrizes para a análise deste e outros casos pela área técnica:

1) A utilização de bens de terceiros deve ser sempre vista como exceção e mesmo temporária;

2) O fato de um bem não estar na Relação de Bens Reversíveis não faz com que ele não seja reversível – se a empresa não inclui na lista, não afasta a reversibilidade (como no caso, onde as duas casas estavam na lista, o prédio-sede, não)

3) Em nenhum momento da regulamentação tirou imóveis administrativos da reversibilidade

4) Atividades que servem ao suporte da operação, como a administração, também são essenciais

Finalmente, o Conselho resolveu reforçar o que já é previsto na LGT: qualquer alienação exige anuência prévia da Anatel e os recursos arrecadados devem ser reinvestidos na concessão. Daí a diretriz que só devem ser aceitas alienações com aprovação, conjunta, do plano de investimentos que a concessionária prevê aplicar com esses recursos, inclusive o cronograma.

Ou, como resumiu o relator ao listar as diretrizes, “não necessariamente o que é bom para a concessionária é bom para a concessão”.