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Senado aprova novo fuso horário para Região Norte

Dias após a entrada em vigor dos dispositivos da Portaria 1.220/07 que determinam que as emissoras de TV adaptem suas transmissões aos diferentes fusos horários vigentes no país em função da classificação indicativa dos programas, as Organizações Globo radicalizaram a ofensiva contra a medida, prevista no Estatuto da Criança e Adolescente e na Constituição Federal. Antes da plena entrada em vigor da Portaria (foram cinco adiamentos), as emissoras tiveram 14 meses para se adequar às regras.

Com um dia de atraso, a Globo alterou a grade da programação nos estados da Região Norte e Centro-Oeste que possuem fuso horário diverso do adotado em Brasília, “atrasando” seus programas em uma hora. Mas, ao contrário do que deu a entender na última semana [ver aqui] a emissora investe pesado para derrubar a classificação indicativa em todo o país. 

A cartada mais recente da emissora da família Marinho não é nada modesta: a alteração do fuso horário do Norte do país, igualando o fuso do Pará ao de Brasília e o do Acre e de parte do Amazonas ao do restante da Região Norte. A intenção é uma só: evitar “maiores danos” à grade de programação da emissora na região, agora já sob as obrigações da Portaria 1.220. 

A tentativa de alteração do fuso horário brasileiro sem debate público não é nova [ver aqui], mas com a última onda de pressão sobre os parlamentares, e com a postura submissa destes em relação ao principal grupo de comunicação do país, o que parecia impossível tornou-se uma possibilidade real. Na noite da quarta-feira, 9/4, dois dias após a entrada em vigor da regra do horário local para a programação de TV, o Senado Federal aprovou em plenário o Projeto de Lei do senador Tião Viana (PT-AC) que altera o fuso horário nessas regiões.

Com a justificativa de que o projeto pretende “facilitar o transporte aéreo, as comunicações e a integração com o sistema financeiro nacional”, o PL reduz o fuso horário do Acre e de 46 cidades do Amazonas. A diferença do horário da região em relação ao horário oficial de Brasília cairá de duas para uma hora. A proposta também atinge o estado do Pará, que ficará todo com o mesmo fuso horário de Brasília.

O projeto segue agora para sanção presidencial, que pode referendar o resultado da ofensiva global e, conseqüentemente, trazer mudanças de ordens diversas às populações das regiões afetadas [ver aqui].

A outra estratégia da ofensiva das Organizações Globo, sempre implementada por meio da Abert, é a ameaça da apresentação, por meio do senador Arthur Virgílio (PSDB-AM), de uma proposta de Decreto Legislativo para derrubar a Portaria 1.220. Não é a primeira vez que o senador é porta-voz da família Marinho: em junho do ano passado Virgílio apresentou proposta semelhante para revogar os efeitos da Portaria nº 264, antigo instrumento de regulação da classificação indicativa.

Chantagem

A Globo já havia procurado o Palácio do Planalto para tentar novo adiamento da entrada em vigor das regras, mas recebeu a notícia de que o diálogo deveria ser feito com o Ministério da Justiça. E este, por meio da Secretaria Nacional de Justiça, manteve o compromisso assumido junto ao Ministério Público Federal e às organizações da sociedade civil, refutando a possibilidade de novo adiamento.

A pressão, diga-se, é exclusiva da Globo, que se recusa a adequar sua grade de programação às faixas etárias mais baixas. Fosse isso feito (como por exemplo adequar a novela “das 8” às crianças de 10 anos), não seria necessário atrasar a programação dos estados da Região Norte, inclusive do Acre e de parte do Pará. Mas esse não é um preço que a emissora parece disposta a pagar.

Pesquisa secreta

Nas últimas semanas, a Abert utilizou politicamente uma pesquisa encomendada ao Ibope para afirmar que os cidadãos desses estados seriam contra a adequação da programação ao seu fuso horário. O conjunto dos dados da pesquisa, entretanto, não foram revelados, apesar da insistência deste Observatório junto ao Ibope. Mas a explicação é simples: o conjunto dos resultados evidencia que a população desses estados é majoritariamente favorável à classificação indicativa dos programas de televisão, e quer que as regras sejam respeitadas da mesma forma que nos estados do Sul e do Sudeste.

Segundo os poucos dados da pesquisa obtidos pelo Ministério Público Federal, apenas 6% dos entrevistados destas regiões disseram estar dispostos a adquirir antena parabólica em razão da adequação da programação televisiva à classificação indicativa. A única reação negativa relaciona-se à questão que induzia o entrevistado a acreditar que o cumprimento das regras impediria a transmissão ao vivo de jogos de futebol. A questão, colocada de forma descontextualizada, é enganosa. Afinal, jornalismo e eventos ao vivo não são classificados, e podem ser transmitidos em qualquer horário.

Mais pressão

A pressão exercida pela Globo no Senado motivou na manhã da quinta-feira uma reunião entre procuradores do Ministério Público Federal, o ministro da Justiça, Tarso Genro, e os senadores da base governista  Romero Jucá (PMDB-AL), Tião Viana (PT-AC), Fátima Cleide (PT-RO) e Valdir Raupp (PMDB-RO). No encontro, o senador Jucá, líder do governo, afirmou que os senadores da região não tinham como dar sustentação à classificação indicativa, já que esta impediria a população de assistir aos jogos de futebol ao vivo.

Os representantes do MPF, então, destacaram a impossibilidade legal de excluir as crianças dos Estados com fuso horário diferenciado em relação ao de Brasília da proteção constitucional. Também foi esclarecido que a Portaria não impede a exibição de telejornais e jogos em seus horários habituais, e que o fato da Globo atrasar a exibição dos jogos nessas regiões na última quarta-feira foi uma opção da emissora.

Apesar do próprio senador Romero Jucá ter percebido a existência de alternativas para a transmissão dos jogos ao vivo – basta que as novelas sejam adequadas à classificação de todas as regiões do país -, e de ter afirmado no encontro que levaria a sugestão às emissoras de televisão, na noite do mesmo dia o Senado aprovou a proposta de mudança do fuso horário.

A ofensiva da Globo deve permanecer nos próximos dias, pressionando parlamentares e governo a revogar as regras da classificação indicativa. O sucesso da investida, contudo, ainda não é certo, mesmo vinda de quem se acostumou a dar as cartas na política brasileira.

PL 29/2007 atinge a Internet aberta, mesmo sem querer

Os técnicos da Câmara dos Deputados que estão envolvidos com a redação final do PL 29/2007 (que cria novas regras para o serviço de TV paga) reconhecem que há uma redação dúbia no que diz respeito à exclusão da Internet no escopo do projeto.

A intenção do deputado Jorge Bittar (PT/RJ), relator do PL 29/2007, é que a Internet fique fora do alcance das regras colocadas pelo projeto, a não ser quando se tratar de Internet em ambientes controlados, como é o caso de aplicações de IPTV, baseadas no protocolo IP mas prestadas de forma fechada a assinantes.

O problema está no inciso XX do Artigo 2 do substitutivo. Nesse inciso, é definido o serviço de acesso condicionado, e ele também funciona como ressalva ao Artigo 1, que exclui a Internet e a radiodifusão do escopo do projeto. Mas há uma interpretação dúbia.

O problema

O inciso XX diz em linhas gerais o seguinte: o Serviço de Acesso Condicionado (SAC) é serviço cuja recepção é condicionada à contratação remunerada por assinantes e destinado à distribuição de conteúdos audiovisuais "por meio de tecnologias, processos, meios eletrônicos e protocolos de comunicação quaisquer, inclusive protocolos de Internet em ambiente controlado". Ou seja, qualquer conteúdo audiovisual por assinatura distribuído por qualquer meio eletrônico ou protocolo de comunicação é entendido como SAC, mesmo em ambiente controlado. Essa leitura dá margem à interpretação de que serviços audiovisuais contratados na Internet aberta também seriam, como é o caso de sites estrangeiros que vendem conteúdos de vídeo sob demanda. Para tirar a possibilidade desta interpretação, é provável que seja feita alguma alteração no texto de modo a refletir a intenção do legislador, que é a de excluir Internet, ressalvando apenas os serviços controlados.

Pacotes atuais já cumprem metade das cotas de canais

O consultor legislativo da Câmara dos Deputados Cláudio Nazareno, um dos técnicos responsáveis pela elaboração do PL 29/2007 – que permite a entrada das teles no mercado de TV por assinatura e cria novas regras para os setores do audiovisual – disse nesta quinta-feira, 10, que os pacotes vendidos atualmente já cumprem metade das cotas de canais que a projeto propõe. “Todos os pacotes comercializados hoje atendem até o segundo ano da cota de canais brasileiros”, declarou o consultor em debate organizado pela Câmara.

Pelo último substitutivo apresentado pelo deputado-relator Jorge Bittar (PT/RJ), o sistema de cotas para canais brasileiros prevê um escalonamento no cumprimento da exigência. Pela proposta, no primeiro ano as empresas têm que cumprir 25% da cota; no segundo ano, 50%; no terceiro, 75%; e, no quarto, 100%. A cota em questão é a que define que 25% da grade devem ser preenchidos com Canais BR (onde 40% da produção deve ser nacional, sendo que metade, independente).

Peso das cotas

Outra informação importante passada por Nazareno é que os 10 canais nacionais que serão exigidos na vigência da cota plena já existem. A diferença que a política implantará é a proporção de distribuição desses canais na grade. Isto posto, o consultor legislativo José de Sousa Paz Filho, que também está na equipe do PL 29/2007, ponderou que não há como dizer se as cotas irão aumentar o custo dos pacotes para o consumidor, como as TVs por assinatura têm defendido. “É muito difícil quantificar se isso irá ocorrer. Não necessariamente haverá um custo na entrada dessas obrigações, porque o mercado tende a se expandir”, comentou o consultor.

O PL 29/2007 ainda precisa ser votado na Comissão de Ciência e Tecnologia. O novo substitutivo foi apresentado nesta semana e a previsão é que a votação ocorra apenas no fim do mês.

Hélio Costa indica Emília Ribeiro para o Conselho Diretor da Anatel

O ministro das comunicações Heilo Costa enviou ontem ao Palácio do Planalto o nome da atual assessora do Senado Federal, Emília Ribeiro, para ocupar a vaga que está aberta desde a saída de José Leite Pereira Filho, que deixou o Conselho Diretor em novembro do ano passado. O nome de Emília sempre contou com o apoio do ex-presidente José Sarney (PMDB-AP) e do próprio PMDB. Outros nomes que estavam disputando a indicação eram Jarbas Valente, atualmente o Superintendente de Serviços Privados da agência, e apoiado pelo atual presidente da Anatel, embaixador Ronaldo Sardemberg, e Murilo Ramos, professor da UNB que contava com o apoio do PT. No entanto, Costa optou por seguir a indicação do PMDB, e enviou o nome de Emília para o Planalto.

Emilia Maria Silva Ribeiro, que atualmente é a representante do Senado no Conselho Consultivo da Anatel, é natural de Brasília (DF), bacharel em Administração de Empresas, pela Associação de Ensino Unificado do Distrito Federal – AEUDF e Bacharel em Direito, pelo Centro Universitário de Brasília – CEUB. Foi Assessora da Assessoria de Comunicação Social no Congresso Nacional (1990) e da Presidência da República (1991), Assessora Parlamentar do Ministro do Planejamento na Secretaria de Administração Federal (1991) e Diretora Adjunta do Departamento de Serviços Gerais (1992). Atuou na Secretaria de Projetos Especiais da Presidência da República, no Projeto Minha Gente (1992), no Ministério da Educação e do Desporto, como Assessora Parlamentar, (1992-1996) e no Ministério da Educação como Assessora Especial do Ministro (1997-2003). Atualmente é Assessora Técnica da Presidência do Senado Federal.

Câmara instala comissão para mudar uso do Fust

A Comissão Especial de Acesso a Redes Digitais foi instalada hoje na Câmara, com a eleição do presidente, deputado Marcelo Ortiz (PV-SP), e do relator, deputado Paulo Henrique Lustosa (PMDB-CE). A comissão vai analisar o Projeto de Lei 1481/07, do senador Aloizio Mercadante (PT-SP), que prevê alterações na Lei 9998/00, que criou o Fundo de Universalização dos Serviços de Telecomunicações (Fust).

O projeto torna obrigatória, até 2013, a universalização do acesso a redes digitais de informação, inclusive à internet, em escolas de todo o País. A medida deve alcançar tanto instituições públicas quanto particulares, do ensino básico até o superior. A proposta torna obrigatória ainda a oferta de um computador com acesso à internet, em cada turno da escola, para cada dez alunos.

Na próxima reunião, os integrantes irão debater a conveniência de apensar outros projetos que tramitam na Câmara sobre o mesmo tema, como o do senador Paulo Paim (PL 691/07).

Os vice-presidente eleitos também foram eleitos hoje. O deputado Vilson Covati (PP-RS) ficou na 1ª vice; O deputado Lobe Neto (PSDB-SP), na 2ª e o deputado Jorge Koury (DEM-BA), na 3ª.