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DocTV selecionará 57 projetos de documentários

A Secretaria do Audiovisual do Ministério da Cultura, a ABEPEC – Associação Brasileira das Emissoras Públicas Educativas e Culturais, a TV Cultura, e a TV Brasil anunciaram nesta terça, 27, a quarta edição do DocTV, que abre inscrições para selecionar 35 projetos de documentário em 27 Estados brasileiros. Em São Paulo, DocTV SP III selecionará nove projetos. As inscrições estão abertas até o dia 11 de julho. Vale lembrar, o DocTV é uma parceria da televisão pública com a produção independente, promovida pelo Ministério da Cultura.

Segundo o secretário do Audiovisual do Ministério da Cultura, Silvio Da-Rin, o projeto recebeu investimento de R$ 3,5 milhões do ministério, além de R$ 1,9 milhão investido pelas carteiras especiais dos estados (entre elas o DocTV SP) e o dinheiro investido pelas emissoras participantes (R$ 30 mil por documentário). Pelo programa, serão selecionados 35 projetos, em 26 estados mais o Distrito Federal. Pelas carteiras especiais, serão selecionados outros 22 filmes (um filme no Tocantins, Pernambuco, Distrito Federal, Rio de Janeiro e Maranhão; dois filmes em Sergipe, Goiás e Minas Gerais; quatro filmes na Bahia; e sete filmes em São Paulo) pelas carteiras especiais.

Para este ano, como destacou o secretário Da-Rin, o orçamento dos filmes foi aumentado para R$ 110 mil. Além do aumento no orçamento, também mudou a participação dos autores nos direitos dos documentários. Nas edições anteriores, produtores e diretores tinham 12,5% dos direitos das obras. Nesta edição a divisão será de igualitária (25%) para diretor, produtor, emissora de TV e fundo do DocTV.

Todos os documentários selecionados serão co-produzidos pelas TVs Públicas para serem exibidos, em horário nobre, em rede nacional, a partir de 29 de maio de 2009. Também está garantida a participação dos autores dos projetos selecionados na "Oficina para Desenvolvimento de Projetos", entre 7 e 12 de setembro. Neste período, os 35 autores irão se reunir com cinco diretores renomados para debate e aperfeiçoamento dos projetos. Nas edições anteriores essa oficina teve como orientadores os cineastas Geraldo Sarno, Eduardo Coutinho, Eduardo Escorel, Maurice Capovilla, Jorge Bodanzky, Giba Assis Brasil, Cristiana Grumbach, Ruy Guerra e Joel Pizzini.

TV Brasil lançará 32 editais no segundo semestre

A TV Brasil lançará, no segundo semestre deste ano, 32 editais para a produção de programação para o canal. Segundo o diretor geral da emissora, Orlando Senna, está será a forma de levar a produção independente para a grade do canal. Segundo ele, os editais contemplarão séries, animação, telefilmes, cinema (em um modelo semelhante ao Documenta Brasil, feito pela ABPI-TV com o SBT, no qual o produtor fazia uma versão para cinema e outra para a televisão), documentários e até compra de direitos de obras prontas. "Esperamos investir R$ 60 milhões no mercado audiovisual no segundo semestre com estes editais", disse Senna a este noticiário.

Os diretores da TV Brasil participam do 9º Forum Brasil – Mercado internacional de televisão, onde devem explicar como funcionarão os editais. O evento, promovido por TELA VIVA, começa na próxima terça, dia 3, em São Paulo. A programação completa está no site www.forumbrasiltv.com.br .

Passagem para TV digital causará “apagão” de canais nos EUA

Marcada para 17 de fevereiro de 2009, a interrupção na transmissão de televisão analógica nos Estados Unidos deve deixar cerca de 23 mil pessoas sem receber sinal de alguns canais. Segundo estudo do Government Accountability Office (GAO –o braço investigativo do Congresso norte-americano), 11% das estações transmissoras afirmaram que devem perder área de cobertura após a migração completa do sistema.

Em fevereiro do ano que vem, as emissoras de televisão nos EUA devem parar de transmitir o sinal analógico, passando a utilizar apenas a TV Digital. No Brasil, medida semelhante está marcada para 2016, segundo o cronograma oficial –para ver televisão, será preciso utilizar um conversor embutido ou conectado ao televisor.  De acordo com a pesquisa do GAO, 24% das transmissoras de televisão afirmam que seu sinal digital terá uma cobertura geográfica diferente da analógica. Enquanto em alguma delas a cobertura será maior, em outras a área que vai receber o sinal será menor.  "Isso é evidente pelo fato de 11% das estações que responderam à nossa pesquisa afirmarem que esperam perder espectadores após a transição para a TV digital", afirma o estudo. No total, a expectativa é que as transmissoras percam 23 mil espectadores.  Divergência  Um outro estudo, divulgado pela consultoria Centris, de Los Angeles, divulgado em fevereiro, mostra um cenário muito pior. Segundo o jornal "The New York Times", problemas com o sinal podem fazer com que 5,9 milhões de pessoas recebam o sinal de menos canais na era digital do que no tempo da TV analógica. Os dados levam em conta inclusive pessoas que compraram o conversor.  Segundo a Centris, muitos espectadores terão de comprar antenas externas para continuarem vendo televisão. O sinal digital sofre mais interferência de objetos como árvores, prédios e montanhas que o analógico.  Apesar disso, para a GAO, as estações de transmissão fizeram um "progresso substancial" na transição para a TV Digital. Cerca de 91% das 1.122 transmissoras ouvidas pela pesquisa afirmaram que já transmitem esse tipo de sinal.  Algumas ainda precisam fazer ajustes na tecnologia –13% afirmam que precisam instalar ou realocar suas antenas de sinal digital ou analógico. E algumas dessas estações ainda precisam pedir equipamentos para concretizar a transferência da tecnologia. Em outros casos, ainda é preciso fazer acordos com as TVs pagas, por cabo e satélite, para garantir que os assinantes recebam o sinal após o fim da tecnologia analógica.  Além disso, 23% das transmissoras afirmam que vão utilizar o mesmo número de canal da TV analógica com a digital, o que pode gerar problemas de compatibilidade.  "Os espectadores devem ser avisados sobre mudanças na cobertura do sinal por meio de programas de educação do consumidor para que eles não acreditem, de modo errado, que seu conversor não está funcionando corretamente", afirmou ao jornal "The Washington Post" o parlamentar Edward J. Markey, membro do subcomitê de telecomunicações e internet, que requisitou o estudo.  Segundo o jornal, para muitas emissoras, os maiores obstáculos são os alto custos associados com as mudanças de tecnologia. Transmissores digitais são muito mais caros que os analógicos e o novo sinal requere ajustes diferentes para atingir a mesma cobertura geográfica.  Falhas no Brasil  Um estudo da Philips divulgado em abril mostra que o sinal digital das TVs abertas é falho em 33% da Grande São Paulo, primeira região do país a receber a tecnologia. Com isso, a cobertura da TV digital só é satisfatória em 2 milhões dos 5,5 milhões dos domicílios da região metropolitana.  O estudo mostra que, dependendo da localização do televisor e do material usado no imóvel (paredes muito grossas, por exemplo), o usuário pode ter que instalar uma antena externa para receber um bom sinal.

Ponto extra de TV paga não deixará de ser cobrado

As novas regras das TVs por assinatura ainda não entraram em vigor, mas já geram dúvidas. A partir de segunda-feira, o ponto extra não deixará de ser cobrado, como a maioria dos consumidores imaginava.

As operadoras não poderão cobrar pela programação oferecida ao assinante que quiser o serviço adicional. Porém, segundo a Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações), estará liberada a cobrança pela ativação e pela manutenção da rede e do sinal na residência. A agência informou que não há periodicidade de cobrança prevista no regulamento.

A partir do dia 2, todos os serviços embutidos no custo mensal do ponto extra deverão vir descriminados na fatura. Ou seja, deixando claro que a programação não está sendo cobrada, como prevê o regulamento, as operadoras poderão continuar cobrando o mesmo preço de hoje.

Em média, a taxa mensal paga é de R$ 25. A Net, por exemplo, já confirmou que a cobrança de R$ 25 pelo "Serviço de Conexão Adicional Independente", que permite receber a programação contratada em mais de um ponto de forma independente, será feita. As outras operadoras (Sky, TVA e Telefônica) apenas informaram que vão se adaptar às novas regras.

Para fugir da cobrança, é possível contratar de terceiros a instalação e a manutenção do ponto extra, mas a operadora não terá responsabilidade sobre o serviço, bem como se os equipamentos cedidos para o uso do ponto principal apresentarem problema.

O regulamento também permite que o assinante compre um decodificador, desde que o equipamento seja certificado pela Anatel. Mas, segundo a agência, esses aparelhos ainda não estão à venda no Brasil.

Apesar de a Anatel prever que a cobrança pela ativação e manutenção seja permitida, o Idec (Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor) não concorda que isso ocorra mensalmente, como fará a NET.

Para a advogada do Idec, Estela Guerrini, a ativação e a manutenção devem ser cobradas apenas quando os serviços forem prestados. "Não faz sentido que o consumidor pague todo mês uma mensalidade pela manutenção se nenhum técnico foi chamado para fazer qualquer tipo de reparo."

Televisão na Finlândia já é 100% digital

A Finlândia é o primeiro país do mundo a retirar do ar a TV analógica e só transmitir programas com tecnologia digital. A informação é da ministra das Comunicações deste país, Suvi Lindén, em entrevista ao Estado. “Em menos de 4 anos, conseguimos realizar esse objetivo. Não foi fácil, mas vale a pena. Os maiores problemas que tivemos foram na área dos sintonizadores digitais (set top boxes). As camadas de menor renda reclamaram dos preços e da impossibilidade de utilizar o mesmo aparelho tanto para a TV aberta quanto para a TV por assinatura. Vamos ter que resolver essa situação, substituindo esses conversores.”

O padrão utilizado na Finlândia é o europeu (Digital Video Broadcasting ou DVB), que permite elevado grau de interatividade e mobilidade em sua versão DVB-H. Segundo a ministra Lindén, a Europa não deu prioridade ao desenvolvimento da TV de alta definição, embora o padrão DVB já o permita. Na opinião de alguns especialistas finlandeses, a TV de alta definição ainda é um luxo, porque exige receptores mais caros, mais sofisticados e, principalmente, maior oferta de conteúdo, o que ainda não ocorre. Para eles, as imagens digitais européias, com 700 pixels por linha (e não 1.080) são plenamente satisfatórias.

Rádio, não

Quanto ao rádio digital aberto, surpreendentemente, a ministra das Comunicações da Finlândia não acredita na viabilidade prática da migração da tecnologia analógica de rádio para a digital. “O problema é a exigência de se trocar tudo – equipamentos das emissoras e receptores dos ouvintes. Isso exigiria até a mudança de faixa de freqüências e a interrupção das atividades das emissoras Nem o padrão europeu nem o norte-americano satisfazem. No futuro, as transmissões de rádio serão todas via internet ou associadas à TV digital”.

Avanço

As telecomunicações da Finlândia estão entre as mais avançadas do mundo. Até as residências mais modestas da zona rural ou as aldeias da Lapônia, no norte do país, dispõem de comunicação telefônica, fixa ou celular. Nas regiões mais remotas, o serviço é o mais simples possível, inclusive na telefonia celular, que utiliza o sistema mais antigo, de telefonia móvel nórdica em 450 MHz (NMT 450, na sigla comercial), mas que é o mais econômico para cobertura de grandes áreas com baixa densidade populacional, segundo a ministra Suvi Lindén.

“As telecomunicações finlandesas – diz ela – vêm sendo privatizadas há mais de duas décadas. A única empresa ainda com grande participação estatal é a Telia-Sonera, uma das concessionárias de telefonia fixa, de cujo capital participam os governos da Finlândia e da Suécia, com um total de 60% das ações, o restante é capital privado”.

O maior avanço do setor, entretanto, está na área da telefonia móvel, em que o país ostenta a impressionante densidade de 124 celulares por 100 habitantes. Numa tendência oposta, a telefonia fixa vai reduzindo sua participação para menos de 50%, como ocorre, aliás, na maioria dos países.

Embora seja um país com pouco mais de 5 milhões de habitantes, a Finlândia tem empresas poderosas na área da telefonia celular, entre as quais a Nokia, detentora da fatia de 41% da produção mundial de aparelhos celulares, com 10 fábricas espalhadas pelo mundo, inclusive uma em Manaus, no Brasil.

Uma característica curiosa e quase única da telefonia fixa da Finlândia é o fato de o país já ter conseguido abrir a infra-estrutura de rede de cabos e centrais à participação de todas as operadoras, enquanto o mundo ainda continua discutindo o compartilhamento da infra-estrutura.

No jargão de telecomunicações, esse compartilhamento recebe o nome de unbundling (desempacotamento, em inglês) e permite um grau muito maior de competição. Por essa razão, o país tem hoje mais de uma centena de operadoras fixas. Muitas dessas operadoras podem obter licenças e prestar praticamente todos os serviços de comunicações, de telefonia fixa a celular, TV por assinatura, TV sob demanda (Video on Demand), acesso de banda larga e internet. Apenas a radiodifusão (rádio e TV abertas) exige concessões exclusivas.

Raros países têm o índice de acesso à internet tão elevado quanto a Finlândia: mais de 60% da população utilizam regularmente a rede mundial. E, de cada 100 usuários, 70 dispõem de acesso em banda larga, segundo a ministra das Comunicações.

O país tem pelo menos três indicadores extraordinários que tornam possível seu estágio de desenvolvimento: o menor grau de corrupção governamental (segundo a organização Transparência Internacional), o melhor padrão de educação e a terceira posição mundial em investimentos em pesquisa e desenvolvimento em relação ao seu produto interno bruto (PIB), atrás apenas de Israel e Cingapura.

Perfil raro

Embora seja integrante do Parlamento da Finlândia, como deputada representante da região do Ártico, a ministra Suvi Lindén tem grande experiência e envolvimento nas áreas de telecomunicações e novas tecnologias.