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PL-29, com novos ajustes, vai à voto nesta quarta-feira cercado de incertezas

Após dois meses de busca por consenso na sua redação final, o substitutivo ao Projeto de Lei 29/07 deverá ser votado na reunião de amanhã (4) da Comissão de Ciência, Tecnologia, Comunicação e Informática (CCTCI) da Câmara dos Deputados. A informação foi dada pelo relator, deputado Jorge Bittar (PT-RJ), em entrevista ao Observatório do Direito à Comunicação.

No entanto, apesar de todos os esforços do relator, não há garantias de que a matéria seja aprovada. E ainda que o seja, as divergências em torno do conteúdo do relatório podem comprometer seu futuro nas demais instâncias do Congresso.

Desde novembro de 2007, quando a proposta chegou à CCTCI, Bittar vem tentando construir um acordo entre os diversos interesses envolvidos na discussão do projeto. Após chegar a uma versão que aparentemente contemplava as empresas de telecomunicações, as operadoras de TV por assintura, os radiodifusores e os produtores indendentes, apresentada em 7 de abril, o relator passou a enfrentar a resistência de parte dos partidos com assentos na comissão, especialmente o PSDB, os Democratas e o PDT.

Em nova tentativa, o relator colocou o projeto para apreciação no dia 14 de maio. Nesta sessão, deputados das legendas resistentes à matéria alegaram ainda falta de acordo no texto, chegando a propor seu fatiamento para retirar os artigos referentes ao conteúdo audiovisual. Jorge Bittar se disse contrário e marcou reunião com os partidos para tentar se chegar a um novo acordo.

Com o encontro, o discurso do DEM e dos tucanos mudou e a maioria dos deputados passou a defender a aprovação do relatório, a despeito das divergências. Na última semana, o presidente da CCTCI, Walter Pinheiro (PT-BA), afirmou que o projeto iria à voto pela impossibilidade de se chegar a um texto de consenso. “Acho que vamos ter que ir a plenário. Várias coisas avançaram, mas toda vez que você avança um pouco, surgem outras”, afirmou.

Entendendo que estas revisões vêm funcionando como uma forma de protelar a votação do substitutivo, Bittar preferiu colocar em pauta e testar a correlação de forças dentro da comissão. Para dialogar com as discordâncias, vai apresentar uma complementação de voto com pequenas alterações em relação à última versão divulgada. “Não haverá mudança substancial. Entregarei complementação de voto que faz ajustes no must carry [mecanismo que obriga as operadoras a carregar determinada programação] e traz mudanças de caráter técnico”, explicou.

Questionado sobre um suposto recuo nos artigos relacionados ao conteúdo que haviam sido criticados por parlamentares, especialmente dos Democratas, Bittar foi taxativo: não haverá mudança nas cotas ou instrumentos de fomento.

O compromisso com a manutenção desta parte do projeto foi feita com os produtores independentes, principais interessados nas novas regras previstas no substitutivo. “Temos a garantia do deputado de que ele não vai mexer em nada em respeito à produção independente”, afirmou Marco Altberg, da Associação Brasileira dos Produtores Independentes para Televisão (ABPI-TV).

Jorge Bittar se disse otimista quanto à aprovação de seu relatório. “Eu estou tranqüilo, até por que é matéria complexa, está sendo bem tratado com visão democrática e contemporânea. Acho que o texto está equilibrado”, disse. Muitos representantes de setores envolvidos têm, no entanto, demonstrado descrença na aprovação e, até mesmo, desinteresse.

Em entrevista recente ao site Tele Síntese, o presidente da Associação Brasileira de Concessionárias de Seriviço de Telefonia Fixa Comutada (STFC), José Pauletti sugeriu que exatamente a busca por contemplar todas as posições em jogo teria transformado o substitutivo em um projeto que não interessa mais a ninguém. “Eu acho que se tentou aglutinar no projeto muitos interesses distintos e até de certa forma contraditórios. São temas que isoladamente têm sentido, têm sua racionalidade, mas que no conjunto perdem um pouco a funcionalidade. Acho que dificilmente ele seja aprovado este ano”, avaliou.

Para o relator, críticas como esta são normais e correspondem ao descontentamento de setores que não tiveram seus interesses expressos de forma majoritária no texto. No entanto, esta visão ganhou um interlocutor de peso. Em palestra ontem (2) no Rio de Janeiro, o ministro das comunicações, Hélio Costa, reforçou o coro dos descrentes sobre a aprovação do PL no Congresso. "Não sinto segurança de que vá prosperar e ser aprovado", disse. Para o ministro, as últimas mudanças no texto "conturbaram a discussão e conseguiram desagradar a todos".

Futuro

Na avaliação do coordenador do Laboratório de Políticas Públicas de Comunicação da Universidade de Brasília, Murilo Ramos, foi, está e continuará sendo alvo da forte resistência dos empresários da radiodifusão a qualquer tipo de nova regulamentação do setor. “Independente de suas virtudes e defeitos, o substitutivo do deputado Jorge Bittar poderia representar mudança importante no ambiente regulatório das comunicações. O que se viu foi mais uma vez a pressão da radiodifusão, da Globo em particular, trabalhar contra esta regulamentação e a razão fundamental é não mexer minimamente nas políticas para a televisão, por que o o quadro que existe hoje é o ideal para estes grupos.”

Para o acadêmico, é possível que o substitutivo passe pela CCTCI, mas enfrentará novas resistências. Caso não haja um embate direto pelo mérito do texto, haverá movimentos para protelar sua tramitação. Um deles seria impedir o acordo que está sendo construído para a ida direta da matéria ao plenário da Câmara após a votação na CCTCI, fazendo com que ela tenha de ser apreciado pela Comissão de Constituição e Justiça. Quanto maior ficar o percurso, mais difícil será a aprovação do PL ainda este ano, pois a vida legislativa terá longa interrupção por conta das eleições municipais.

* Com informações da TelaViva News.

Direção de O Dia evita ato por equipe torturada

Pouco mais do que cem pessoas se reuniram em frente à Câmara de Vereadores do Rio de Janeiro, às 16h de segunda-feira (02/06), no ato de repúdio à violência sofrida por profissionais de O Dia. Mais do que as poucas pessoas, chamou a atenção a ausência de qualquer pessoa da direção do jornal. O Dia foi representado por alguns de seus repórteres e fotógrafos. Procurada pelo Comunique-se, a cúpula do jornal não quis comentar a ausência.

A presidente do Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Município do Rio de Janeiro (SJPMRJ) – que organizou o ato –, Suzana Blass, leu carta que ressalta o desmoronamento da idéia de que grupos paramilitares possam garantir segurança e que critica a forma como foi conduzida a apuração, colocando em risco a vida da equipe.

“Não estamos pedindo que não se cubra segurança pública, mas que se cubra de outra forma. É preciso repensar a cobertura, com mais articulação entre jornais e segurança para os jornalistas. A concorrência e o furo não valem a vida de ninguém”, disse Suzana.

Angelina Nunes, presidente da Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji), afirmou que há quatro anos os jornais já vêm denunciando a atuação de milícias. “Já passou da hora de investigar e punir os culpados. Estamos juntos com o sindicato em pedir às empresas jornalísticas que garantam a segurança dos seus profissionais”, declarou Angelina.

Tânia Lopes, irmã de Tim Lopes, alertou que “todo dia 02/06 temos que homenagear o Tim. Então, que seja só ele”.

Muita cobertura e pouca solidariedade

O ato recebeu atenção de diversos veículos de imprensa. No entanto, descontada a proximidade com o horário de fechamento, poucos jornalistas estiveram na Cinelândia somente para acompanhar o ato. Equipes de Rede TV!, Record, Globo, TV Brasil e SBT gravaram no local. Repórteres de BandNews FM, CBN, O Globo, Jornal do Brasil, Tribuna da Imprensa, O Povo, Folha de S. Paulo e Estado de S. Paulo, entre outros, estavam presentes.

Representantes do sindicato se reuniram na segunda-feira (02/06) com o secretário de Segurança Pública do Rio, José Mariano Beltrame, que garantiu que a prisão dos milicianos será feita em “curtíssimo prazo”, e pediu que as entidades presentes apoiassem a criação de um juizado criminal para o Rio de Janeiro, evitando que os processos se espalhem por muitas varas e tenham sua conclusão atrasada.

Também estiveram presentes representantes da OAB-RJ, outras entidades e políticos em pré-campanha eleitoral.

Brasil terá telecentros em todos os municípios até o fim do mês, diz ministro

Todos os municípios do país estarão conectados à internet por meio de telecentros até o fim deste mês. A previsão foi feita hoje (2) pelo ministro das Comunicações, Hélio Costa, durante um encontro sobre a instalação de banda larga nas escolas brasileiras.

De acordo com o ministro, o governo aprovou um orçamento de R$ 140 milhões, suficiente para comprar 6 mil telecentros, formados por 10 computadores, roteadores (para conexão sem fio), projetor de DVD, telão e móveis para informática.

“Esses telecentros já foram comprados e estão sendo entregues até o dia 30 de junho. Todos os 5.640 municípios brasileiros terão recebido esses equipamentos, o que inclusive alavancou as vendas de computadores no país.”

Hélio Costa disse que, pela primeira vez, as vendas de computadores bateram as de aparelhos de televisão. “No ano passado, foram vendidos 10 milhões de televisores e 10,5 milhões de computadores. E a previsão para este ano é de 14 milhões de computadores. O Brasil é hoje o terceiro país do mundo na venda de computadores.”

Entre os motivos que ajudaram a expandir as vendas no setor de informática está a redução no preço dos equipamentos, segundo o ministro. “Há três anos um computador custava R$ 3 mil e hoje pode ser comprado por R$ 850. O preço caiu vertiginosamente dentro de uma política de inclusão digital adotada pelo governo, que colocou os agentes financeiros públicos para possibilitar que qualquer cidadão possa comprar o seu computador.”

Segundo Hélio Costa, o Brasil está à frente dos demais países latino-americanos no processo de inclusão digital. “Não existe, em nenhum país do continente, do México para baixo, um programa que seja semelhante ao esforço que se faz aqui para se conectar cada cidade brasileira e levar a cada escola do país a internet em banda larga, com a certeza de que todas as 142 mil escolas estarão conectadas nesses próximos anos.”

Hélio Costa aproveitou para comentar as mudanças que devem ser feitas no Plano Geral de Outorgas (PGO), conjunto de regras que rege o setor de telecomunicações. Isso será necessário para viabilizar, por exemplo, a compra da Brasil Telecom pela Oi, que já foi acertada pelas duas empresas. A minuta com as modificações deve ser entregue até a próxima semana à Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel).

Segundo ele, a operação é do interesse público e vai melhorar a competição. "Na medida em que o Brasil tiver uma grande empresa de telecomunicação, vai poder competir na América Latina, na África e em qualquer país do mundo.”

Comunicação será tema de debates da Conferência Nacional de Direitos Humanos

A ordem do momento é mobilizar organizações, movimentos e militantes e promover o debate sobre os inúmeros temas de direitos humanos visando a XI Conferência Nacional de Direitos Humanos, a ser realizada de 15 a 18 de dezembro deste ano, em Brasília(DF). Seis grandes eixos compõem o repertório temático que orientará os debates da Conferência tanto nas suas etapas estaduais – que deverão ocorrer até 15 de agosto – quanto na nacional.

O debate acerca da comunicação enquanto direito humano faz parte do eixo “Educação e cultura em Direitos Humanos” e tem marcado presença cada vez mais forte na agenda de movimentos e entidades do campo dos direitos humanos. Em 2005, o tema central do I Encontro Nacional de Direitos Humanos – criado para intercalar a realização das conferências nacionais da área, que até então ocorriam anualmente – foi justamente “O Direito Humano à Comunicação: um mundo, muitas vozes”.

Paralelo a este movimento, entidades atuantes no campo das políticas de comunicação lutam há alguns anos para conquistar a realização da I Conferência Nacional de Comunicação, tendo como pressuposto as obrigações do Estado em relação à promoção deste direito, através de políticas públicas voltadas a democratizar o setor, sufocado pela extrema concentração da propriedade de veículos e por quase nenhuma diversidade política.

Na última terça-feira (27) foi realizada uma videoconferência preparatória para a Conferência de Direitos Humanos. A reunião foi coordenada a partir da capital federal e reuniu, através da rede Interlegis, outros treze estados, além de ter sido transmitida pela Internet em tempo real.

O ministro Paulo Vannuchi, da Secretaria Especial dos Direitos Humanos, representou o Executivo Federal no evento. Também participaram o deputado federal Pompeo de Mattos (PDT-RS), presidente da Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara dos Deputados, a Procuradora Federal dos Direitos do Cidadão, Gilda Carvalho, representando o Ministério Público Federal, e diversos militantes de organizações do Fórum de Entidades Nacionais de Direitos Humanos (FENDH), que representa a sociedade civil na organização da Conferência.

Alexandre Ciconello, integrante do Instituto de Estudos Socioeconômicos (INESC) e da coordenação colegiada do Fórum de Entidades Nacionais de Direitos Humanos (FENDH), conversou com o Observatório do Direito à Comunicação.

Qual a sua visão a respeito do desempenho da chamada “grande mídia” na cobertura das questões de direitos humanos?
Em geral a cobertura da grande mídia em relação a questões de direitos humanos é conservadora e muitas vezes parcial. Alguns programas sensacionalistas colocam os direitos humanos como direito de bandido, reiterando um preconceito existente na sociedade. Os direitos sociais, culturais, econômicos, ambientais e reprodutivos não são pautados pela mídia como direitos humanos. Alguns temas como a questão do racismo, as desigualdades raciais e os impactos sociais do atual modelo de desenvolvimento são invisibilizados. A questão de cotas, por exemplo, é tratada de maneira inteiramente parcial pela "grande mídia" reproduzindo o posicionamento dessas empresas de comunicação já estampado em seus editoriais.

Como é possível se contrapor à hegemonia conservadora nos grandes meios de comunicação? As rádios comunitárias são uma opção viável esta tarefa?
Para se contrapor às grandes empresas de comunicação no Brasil várias estratégias devem ser implementadas simultaneamente. Não podemos subestimar o poder ideológico, político e econômico dessas empresas. Basta lembrar da lastimável campanha da TV Globo, por exemplo, contra a proposta de classificação indicativa apresentada pelo governo federal, que visava preservar crianças e adolescentes de uma programação televisiva inadequada para esse público em certos horários. Vinculando essa iniciativa pública à censura promovida pelo governo militar. Uma estratégia é a constante pressão sobre essas empresas de comunicação, como ações na Justiça que denunciem o racismo, sexismo e homofobia em certos programas televisivos. Um outro tipo de pressão é questionar a forma como são conferidas as concessões públicas de rádio e TV nesse país. Iniciativas como o Observatório do Direito à Comunicação devem ser ampliadas. As rádios e TVs comunitárias também são mais uma frente nessa batalha ainda desigual pela democratização dos meios de comunicação nesse país.

Qual pode ser o papel da comunicação na promoção de outros direitos humanos?
A comunicação é fundamental na promoção dos direitos humanos. Como uma pessoa pode reivindicar seus direitos, inclusive pela via judicial, se ela não os conhece? Como alguém pode saber que o Estado tem o dever de respeitar, proteger e promover os direitos humanos (educação, saúde, lazer, segurança, trabalho, liberdade) se a própria idéia de direitos humanos na nossa sociedade ainda é equivocada? Os órgão de comunicação deveriam ter a responsabilidade de informar a população sobre a sua cidadania, os seus direitos, como fazer para promovê-los. Deveriam também deixar de promover estereótipos negativos de negros/negras, mulheres, homossexuais, indígenas.

Em nível nacional e internacional, que setores seriam os grandes adversários das organizações de direitos humanos no atual momento?
Em primeiro, lugar as grandes corporações nacionais e internacionais, que na busca pelo lucro incessante, desrespeitam os direitos e os modos de vida de grupos e populações cada vez maiores. Os grandes projetos de infra-estrutura e energia, o verdadeiro cassino das finanças internacionais e o agronegócio são exemplos desse movimento. Esses processos têm gerado cada vez mais a concentração da riqueza e do poder mundial na mão de poucos e uma massa cada vez maior de miseráveis. No Brasil, acredito também que a grande mídia tem um papel muito negativo no avanço dos direitos humanos pela sua parcialidade e conservadorismo. A constante criminalização dos movimentos sociais acaba por gerar um sentimento negativo na população e uma inversão completa de valores, transformando as vítimas em culpados.

Como o Fórum está se preparando para a XI Conferência Nacional de Direitos Humanos e qual a contribuição que ele pode oferecer ao processo que reivindica a realização da I Conferência Nacional de Comunicação?
O Fórum de Entidades Nacionais de Direitos Humanos é uma articulação de organizações e movimentos que nasce a partir do processo de organização das Conferências Nacionais de Direitos Humanos e também do acompanhamento das recomendações surgidas nesse espaço. O objetivo da Conferência é revisar o PNDH (Programa Nacional de Direitos Humanos) a partir da perspectiva de indivisibilidade e interdependência dos direitos humanos (direitos civis, políticos, econômicos, sociais, culturais e ambientais). Ou seja, construir um programa que possa efetivamente influenciar as políticas públicas setoriais (educação, saúde, assistência, meio ambiente, etc.) e o orçamento público, a partir de uma visão integrada de direitos humanos. O Fórum, por meio de suas entidades filiadas, faz parte do Grupo de Trabalho que está organizando a Conferência e está apoiando a mobilização para as conferências estaduais.
Os principais pontos onde pretendemos influenciar o debate de conteúdo serão, especialmente sobre os impactos sócio-ambientais do atual modelo de desenvolvimento vigente no país e as violações de direitos causadas por grandes obras de infra-estrutura, pelo agronegócio etc.; a grande desigualdade racial e o racismo existentes na sociedade brasileira que faz com que a população negra tenha maiores dificuldades de acessar direitos.
Por último, consideramos que a I Conferência Nacional de Comunicação é um processo essencial para a democratização das comunicações no país, sendo que a grande mídia ainda trabalha em uma lógica contrária ao avanço dos direitos humanos. Além disso, a comunicação é um direito humano. As pessoas têm o direito de se expressar e de ter suas idéias, sua diversidade e manifestações divulgadas no espaço público e não é isso que acontece atualmente, onde o espaço público do rádio e da televisão é utilizado de forma privada por poucas empresas. Um dos 6 eixos orientadores do debate da XI Conferência Nacional de DHs é justamente educação e cultura em direitos humanos, no qual o debate sobre a comunicação será essencial.

Quais são os principais objetivos e desafios do Fórum para a XI Conferência Nacional de Direitos Humanos?
O principal objetivo do Fórum é contribuir para que a XI Conferência Nacional de Direitos Humanos seja extremamente democrática e participativa, permitindo que grupos, movimentos e organizações de todo o país discutam e produzam subsídios para a revisão da política pública de promoção dos direitos humanos no país. Um desafio é fazer com que as ações que serão incluídas Programa Nacional de Direitos Humanos tenham reflexos nos instrumentos de planejamento do Estado brasileiro (Plano Plurianual, Lei de Diretrizes Orçamentárias) e especialmente no orçamento público. Isso vai requerer um intenso trabalho posterior de pressão e monitoramento das ações do governo.

Governo e organizações lançam Conferência de Comunicação

Será lançada na quarta-feira, 4 de junho, a I Conferência Estadual de Comunicação da Bahia. O evento marca o início do processo de construção da conferência, que contará com etapas locais realizadas pelo interior e culminará em Salvador, nos dias 14, 15 e 15 de agosto. Com isso, o estado da Bahia torna-se o primeiro a ter um espaço de debate amplo sobre políticas públicas para a comunicação social nos moldes defendidos hoje pela Comissão Pró-Conferência Nacional de Comunicação.

A Comissão divulgará nota em apoio à realização da conferência baiana, afirmando que a iniciativa comprova que o processo está deflagrado, fazendo-se necessário um posicionamento mais firme por parte do Executivo nacional, a quem cabe convocar a Conferência Nacional.

Para Ernesto Marques, da Assessoria Geral de Comunicação Social do Governo do Estado da Bahia (AGECOM), a realização da conferência estadual pode, de fato, impulsionar a realização do encontro nacional. “Desejamos que esta nossa conferência contribua para que finalmente aconteça a Nacional. Por isso decidimos transmitir o evento de lançamento, no próximo dia 4, das 9 às 11 horas, via satélite para todo o Brasil e também na Internet.”

O lançamento da conferência baiana está marcado para a 9h, no Instituto de Radiodifusão Educativa da Bahia (IDERB). O evento será transmitido pela rede de salas de vídeo-conferência da Secretaria da Educação, espalhadas em 40 escolas do interior do estado. O objetivo é mobilizar a sociedade baiana para as oito plenárias regionais que começarão no dia 7 de junho.

No mesmo dia 4, inicia a I Conferência Livre de Comunicação da Bahia, que se estende até o dia 6 de junho e é realizada pelo Coletivo Baiano pela Democratização da Comunicação, com o apoio da Fundação Friedrich Ebert. O evento pretende reunir representantes de movimentos sociais e estudantis na preparação para a 1ª Conferência Estadual de Comunicação.

A mobilização baiana

Conhecida pela forte relação entre o poder político local e a concentração da propriedade das mídias, a Bahia vive um momento histórico com a realização da conferência estadual. O Grupo de Trabalho que tem como objetivo articular a sociedade civil em torno do debate e da realização da Conferência foi montado há alguns meses, por iniciativa do governo baiano. Fazem parte deste GT diversas organizações, como os sindicatos dos jornalistas e dos radialistas, a Central Única dos Trabalhadores (CUT), Associação Bahiana de Imprensa, Associação Brasileira de Rádios Comunitárias (Abraço-BA), Cipó Comunicação Interativa e a Universidade Federal da Bahia (UFBA), entre outras.

Segundo Gislene Moreira, representante da Cipó Comunicação Interativa, o momento é crucial para a sociedade baiana discutir as políticas públicas para o setor. “Acreditamos que a realização da Conferência é um marco político forte para repensarmos os modelos construídos, e visualizarmos formas de superação”, afirma.

Giselene ressalta alguns objetivos da iniciativa, como a construção de políticas públicas de democratização dos meios na Bahia, e interiorizar as discussões em todo o estado. No entanto, alerta que é preciso dar atenção ao fato de 2008 ser um ano eleitoral, uma vez que a ligação dos políticos com os veículos de comunicação é bastante estreita, o que poderia influenciar as decisões da conferência.

Outra preocupação é a provável incompatibilidade de critérios para eleição de delegados nesta conferência estadual para a conferência nacional, uma vez que essa última ainda não definiu metodologia e critérios. Gislene diz que a maioria do GT vê com naturalidade que a discussão na Bahia aconteça antes das definições da nacional. “Como tivemos um período de mordaça muito grande, não dá pra contermos a demanda social que se acentua nesta área”, afirma a representante da Cipó, entidade que faz parte da rede Andi-Brasil.

Segundo Ernesto Marques, da Agecom, o GT decidiu manter a previsão de eleição de delegados no Regimento Interno, apesar das indefinições da nacional. “Houve debate a respeito e ao final decidiu-se pela manutenção dessa parte do texto até como forma de dizer que a Bahia apóia e quer a realização da conferência nacional. Se houver incompatibilidade com os critérios que vierem a ser estabelecidos, faremos um outro evento, como uma conferência extraordinária. O certo é que a Bahia estará presente de qualquer forma na Conferência Nacional”.

* Com informações do site do Movimento Pró-Conferência Nacional de Comunicação