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TV digital terrestre reduzirá uso de parabólicas, diz Globo

Para o diretor de engenharia da TV Globo, Fernando Bittencourt, o avanço da TV digital brasileira terrestre e sua programação em alta definição reduzirão, gradativamente, o uso de antenas parabólicas em banda C no País. "É algo de longo prazo. Precisamos ter paciência. Vai levar de cinco a dez anos", disse o executivo.

Para a emissora, isso será importante para reforçar seu modelo comercial, que obtém muita receita a partir da venda de espaço publicitário regional. Na transmissão via satélite não é possível segmentar regionalmente a venda de publicidade. É por isso, aliás, que a Globo não tem intenção de distribuir sua programação em HDTV via satélite aos milhões de parabólicas presentes em domicílios brasileiros. "Seria como dar um tiro no pé", disse Bittencourt.

Entre as operadoras de TV paga, há divergências quanto à decisão de transmitir ou não a programação em alta definição das TVs abertas. A Sky manterá a transmissão desses canais abertos em SDTV (standard definition) por entender que seu assinante poderá facilmente vê-los em HDTV com a transmissão das próprias emissoras. A Net, por outro lado, está decidida a transmitir por cabo toda a programação em HDTV das emissoras abertas brasileiras. "Queremos que nosso assinante use apenas um controle remoto", disse o diretor de produtos e serviços da Net, Márcio Carvalho.

TV aberta x TV paga

Bittencourt, da Globo, acredita que a transmissão de TV digital terrestre em alta definição pode vir a tomar mercado das TVs pagas. "A maior audiência da TV paga é a TV aberta. Muitas pessoas assinam TV paga para ter uma TV aberta de qualidade", afirmou o executivo. Com o advento da TV digital, ele espera que haja um impacto negativo no crescimento da TV por assinatura no País.

Obviamente, Sky e Net discordam. "A Sky é complementar aos canais abertos", disse o diretor de engeharia da empresa, Luis Otávio Marchezetti. "Do nosso lado, não vemos nenhum sinal de desaceleração. Além disso, não vendemos apenas TV, mas pacotes em triple play, que incluem TV e banda larga a preços baixos", respondeu Carvalho, da Net.

Bittencourt, Carvalho e Marchezetti participaram nesta sexta-feira, 3, do 8º Congresso Latino-americano de Satélites, evento organizado pela Converge Comunicações no Rio de Janeiro.

Provedores criticam demora da Anatel em assegurar competição no setor

Nesta sexta-feira (3), provedores de internet reclamararam da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) que, segundo eles, têm demorado para implantar medidas que asseguram a competição no setor.

Manoel Sobrinho, presidente da Associação das Empresas Licenciadas do Serviço de Comunicação Multimídia e Provedores de Internet (Abramulti), afirmou – na reunião do conselho consultivo da Anatel, que discutia mudanças no Plano Geral de Outorgas (PGO) – que "houve omissão" do órgão na implantação e regulamentação de medidas de incentivo à concorrência, como por exemplo a garantia de acesso às redes das grandes operadoras.

De acordo com a Agência Estado, Sobrinho considera que, caso a fusão entre Oi e BrT seja autorizada, será criado um oligopólio em todos os segmentos de serviços de telecomunicações. Ao criticar o fato de que em muitas cidades os serviços são prestados por apenas uma empresa, o presidente da Abramulti disse que "na mudança do PGO, as autoridades deveriam se lembrar do povo brasileiro que sempre paga a conta e em muitas cidades não tem direito ao mais básico que é a escolha".

Jorge Rossetti, representante da Global Info, declarou que a mudança de regras nos serviços de conexão à internet tem que "assegurar a consistência da competição". Já para Eduardo Parajo, da Associação Brasileira dos Provedores de Acesso, Serviços e Informações da Rede Internet (Abranet), a agência dispõe de medidas na legislação para incentivar a concorrência, e a melhor solução seria colocá-las em prática.

Argentina e Venezuela investem em projetos nacionais

Na contra-mão das iniciativas mundiais de privatização dos serviços, os governos da Argentina e da Venezuela estão investindo em projetos próprios de satélite com o objetivo de privilegiar a inclusão digital. A Argentina praneja lançar o Arsat-1 no terceiro trimestre de 2011 para substituir o Nahuelsat que tem vida útil até 2012. Metade da capacidade do novo satélite atenderá a Argentina e o restante o mercado internacional. O financiamento do projeto foi dividido entre o governo argentino e o BID (Banco Interamericano de Desenvolvimento) com investimentos de US$ 200 milhões. E a construção se dá por meio do consórcio Invap com 50% de investimento estatal.

"Prevemos desenvolver tecnologia e recursos humanos no setor, atendendo projetos do Estado em inclusão social com preços que o Estado pode pagar e não com taxas de retorno baseados em parâmetros europeus", explica Mariano Goldschmidt, diretor da Arsat.

O plano argentino prevê lançar mais três satélites até 2012 totalizando US$ 800 milhões de investimentos para o Arsat 2 e 3. O mercado previsto é principalmente atender a demanda de voz e dados (49%) e o restante para TV, banda larga e outras aplicações. O executivo garantiu que na Banda C ofertará preços mais baixos que os atuais praticados no Brasil.

A Venezuela, em cooperação com a China, prevê o lançamento do satélite Simon Bolívar Vedesat-1 para a banda C, KU e também KA no dia primeiro de novembro próximo, com investimentos da ordem de US$ 400 milhões provenientes de um fundo de recursos excedentes do petróleo. Dez por cento da capacidade satelital vai para o Uruguai, que cedeu a posição orbital. O principal objetivo do projeto é atender projetos sociais, como levar banda larga a 225 mil escolas, além do atendimento à saúde com a telemedicina. Segundo Julio Duran Malaver, diretor da empresa socialista de telecomunicações satelitais da Venezuela, o projeto prevê a coordenação dos serviços de satélite e da distribuição de sinais por meio da estatal CANTV. A oferta será estendida a países como Bolívia e Paraguai para compartilhamento de infra-estrutura.

Os executivos da Argentina e Venezuela participaram nesta quinta-feira, 2, do 8º Congresso Latino-Americano de Satélites 2008, promovido pelas revistas TELETIME e TELAVIVA e Converge Eventos.

Operadoras mantêm cobrança de ponto-extra no aguardo da Justiça

As operadoras de TV por assinatura do Brasil pretendem continuar a cobrar pelo ponto-extra na casa do cliente, amparadas pela liminar obtida em junho, enquanto esperam que o assunto seja analisado pela Justiça, onde ingressaram com processo.

Conforme divulgada nesta quarta-feira, o conselho da Anatel decidiu prorrogar a suspensão dos artigos que tratam do ponto-extra na regulamentação do setor por mais um mês. Na prática, fica a critério da operadora cobrar ou não enquanto a agência não se decide.

O diretor-executivo da Associação Brasileira das Empresas de TV por Assinatura (ABTA), Alexandre Annenberg, explicou que "para nós, não muda nada", já que a liminar obtida na Justiça permite a cobrança até que a Anatel tome uma decisão.

Ele explicou que a entidade já demonstrou à Anatel que "o ponto-extra tem custos que não têm nada a ver com a instalação ou o aluguel do decodificador".

Segundo ele, "cada ponto é uma porta de entrada na rede que tem de ser monitorado 24 horas por dia" e, por isso, envolve custos que não podem ser pagos uma única vez pelo assinante, como a Anatel chegou a cogitar.

"Consumidor nunca se queixou"

De acordo com o diretor da ABTA, "nenhum cliente jamais se queixou" da cobrança do ponto-extra em todos esses anos. Além disso, salientou, essa prática não acontece só no Brasil. "No mundo inteiro é assim."

Ele teme que, se a agência reguladora insistir no fim da cobrança, duas alternativas sejam adotadas pelas operadoras, "todas contrárias ao interesse do consumidor".

Uma delas seria a interrupção das vendas de ponto-extra, opção já aventada, inclusive, pelo presidente da NET, maior empresa de TV paga do país.

A outra seria elevar os preços do ponto principal, o que afetaria todos os assinantes. "Isso afeta principalmente os clientes de menor poder aquisitivo, que só têm um ponto na casa", disse Annenberg.

Ele citou que há clientes no Brasil que têm até 17 pontos-extras na casa e que a cobrança por esse serviço nunca foi questionada.

A média é de 1,5 ponto por cliente, segundo Annenberg, o equivalente a dizer que 50 por cento do total de assinantes têm ponto-extra em casa.

Fonte: Reuters

Revisão de regulamentos de telecom pode afetar radiodifusão

A Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) está discutindo um Plano de Metas de Atualização da Regulamentação (PGR) do setor de telecomunicações. E este plano pode ter consequências para o setor de radiodifusão e TV paga. Segundo proposta que será discutida dia 9 pelo conselho diretor da Anatel, existe a idéia de que a agência realize estudos, no longo prazo (até 10 anos), sobre o reaproveitamento do espectro de TV analógica com o final da transição para a TV digital.

A agência também quer a realização de estudos e adoção de medidas para a proteção da infra-estrutura nacional de telecomunicações contra falhas e ataques de guerra cibernética. As duas propostas contam com apoio da procuradoria jurídica da Anatel.

A procuradoria jurídica da Anatel, contudo, pede para que a revisão da regulamentação de TV paga, que está sendo tratada como uma questão de longo prazo, seja abordada imediatamente ou, no máximo, em médio prazo.

Para a procuradoria da agência, "a Anatel congrega o poder/dever de regular este setor específico de maneira a coaduná-lo com os novos cenários propostos para toda a indústria de telecomunicações, sempre de acordo com os limites das leis em vigor. À Anatel não cabe, portanto, condicionar a revisão da regulamentação de televisão por assinatura ao deslinde de Projetos de Lei". É, evidentemente, uma crítica ao fato de a Anatel muitas vezes travar o trabalho de regulamentação de alguns temas urgentes em função de discussões que estão em curso no Congresso Nacional.