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Cresce procura por licença de SCM pelas prefeituras

A informatização de seus serviços tem sido uma das metas prioritárias das prefeituras municipais brasileiras. Uma prova disso é os mais de 30 pedidos de autorização, feitos por prefeituras municipais, à Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) para prestação de Serviço de Comunicação Multimídia (SCM – internet em banda larga), por meio da exploração do Serviço Limitado Privado, submodalidade do Serviço de Rede Privado, em 11 meses.

Com a licença, a prefeitura pode operar rede comunitária sem fio e oferecer aos cidadãos serviços informatizados de saúde, educação, cultura e segurança. Além disso, ganha eficiência com a informatização das finanças, arrecadação e pessoal.

Até o momento, a agência já concedeu 23 licenças a prefeituras para prestarem o SCM, inclusive a de Arraial do Cabo (RJ), Mariana (SP) e Maricá (PE), publicadas na edição de hoje do Diário Oficial da União. Cada licença custa apenas R$ 40,00, 10% do que é cobrado para empresas privadas.

A regularização das redes comunitárias municipais somente ocorreu em julho de 2007, quando a Anatel publicou o Ato 66198. Até então, o município que implantasse rede de telecomunicações ficava na ilegalidade e sujeito a multas.

Em novembro do ano passado, nova resolução da Anatel reduziu o custo da licença para órgãos públicos, com desconto de 90% do preço da autorização, que é de R$ 400,00.

A expectativa da agência é de que esse número cresça rapidamente, impulsionado pelos novos programas da administração federal, todos informatizados e, por isso, de mais fácil acesso. A posse dos novos prefeitos, eleitos este mês, também deverá impulsionar a procura de meios para modernização dos municípios, avaliam técnicos da Anatel.

Fórum de Mídia Livre lança manifesto

Revoltados com o abusivo poder exercido pelos grandes grupos comerciais de comunicação, uma série de comunicadores alternativos, ativistas e militantes da causa da comunicação democrática articularam no início deste ano um novo espaço de atuação: o Fórum de Mídia Livre. A iniciativa teve seu primeiro encontro em junho deste ano, no qual reuniu mais de 400 pessoas para debater os desafios da construção de exeperiências alternativas de comunicação.

Como resultado do encontro, o FML lançou nesta quinta-feira (23) um manifesto “pelo fortalecimento da mídia livre, por políticas públicas democráticas de comunicação e pela realização da Conferência Nacional de Comunicação”. O documento recebeu a assinatura de mais de 30 entidades da sociedade civil, entre sindicatos, movimentos sociais e ONGs, e 25 veículos alternativos, de jornais como Brasil de Fato e Le Monde Diplomatique Brasil a agências como CartaMaior e Adital. São também signatários acadêmicos,  jornalistas e lideranças da sociedade.

O manifesto aponta a necessidade de realizar na área das comunicações os avanços democráticos obtidos em outros setores da sociedade brasileira. Neste sentido, defende a promoção da diversidade informativa e de pontos de vista, a criação de um novo marco regulatório para as comunicações que privilegie a democratização do setor em detrimento do oligopólio existente hoje, a implantação de um robusto sistema público de mídia e o combate à criminalização dos movimentos sociais e organizações populares na mídia.

“Por fim, um Estado democrático precisa defender a verdadeira liberdade de expressão e de acesso à informação, em toda sua dimensão política e pública. Um avanço que acontece, essencialmente, quando cidadãs e cidadãos, bem como os diversos grupos sociais, têm condições de expressar suas opiniões, reflexões e provocações de forma livre, e de alcançar, de modo equânime, toda a variedade de pontos de vista que compõe o universo ideológico de uma sociedade”, propõe o texto.

Pauta

O documento lista o conjunto de pautas definidas pelos participantes do FML como centrais para mudar o cenário da mídia brasileira. Uma das principais é a promoção de uma campanha pela democratização das verbas publicitárias públicas com vistas ao estabelecimento de critérios democráticos e transparentes de distribuição dos recursos oficiais investidos em anúncios nos meios de comunicação.

O Fórum questiona os critérios técnicos de alocação destas verbas utilizados pelos governos hoje, como o Índice de Verificação de Circulação (IVC), e argumenta que este montante deve ser aplicado sob a égide de uma política pública de fomento à diversidade, e não apenas a partir da reprodução da lógica mercadológica.

“O Estado não vende mercadoria, presta serviço público. O critério de veiculação não deve ser o da circulação, pois este está vinculado à lógica da audiência como mercadoria. A mídia comercial vende audiência, isto é, circulação ou pontos de Ibope, remunerando seus fatores de produção em função da receita que o anunciante lhe proporciona devido ao público que pode atingir. Ora, o Estado não precisa se subordinar a tais critérios. O Estado não vende nada, apenas presta contas, logo pode e deve chegar ao cidadão através dos muitos canais pelos quais o cidadão se informa”, afirma Marcos Dantas, professor da PUC-RJ e um dos integrantes do FML.

Outra opção de fomento sugerida no Manifesto é a implementação de um programa de financiamento de experiências de mídia livre a exemplo dos “Pontos de Cultura”, desenvolvido pelo Ministério da Cultura. Os “pontos de mídia” seriam articulados às demais experiências de produção de cultura e conhecimento e de inclusão digital, recebendo recursos para implantar infra-estruturas tecnológicas públicas de
produção, circulação e difusão da mídia livre.

Para o escoamento destes conteúdos, o FML promete articular uma rede colaborativa de veículos e iniciativas de mídia livre em torno de um portal que potencialize a visibilidade destas experiências e se constitua como referência informativa para aqueles interessados em uma informação contra-hegemônica. O Manifesto também reforça a importância dos veículos públicos, em especial aqueles mantidos pela Empresa Brasil de Comunicação (EBC) de abrirem espaço para as produções “midialivristas”.

 

O texto também destaca fortemente a relevância da convocação da Conferência Nacional de Comunicação, pauta que vem aglutinando os movimentos pela democratização da comunicação desde 2007 e que é vista como espaço privilegiado de debate público sobre o cenário totalmente assimétrico da mídia brasileira.

 

Próximos passos

 

Nas próximas semanas, representantes do FML devem entregar o Manifesto a autoridades do Executivo Federal, Congresso Nacional e Judiciário. Uma audiência com o presidente Lula está sendo buscada pelos coordenadores do Förum, bem como com ministros e com os presidentes da Câmara e do Senado.

 

Próximo ao Fórum Social Mundial, que acontece em Belém em janeiro de 2009, será organizado um encontro para reunir experiências de mídia livre de toda a América Latina. No segundo semestre do próximo ano, um novo encontro do FML será organizado na cidade de Vitória (ES).

 

Iniciativa inovadora

 

O Manifesto traz uma articulação que até agora estava restrita aos participantes do FML para dar visibilidade a esta nova iniciativa no cenário das comunicações. Para Antônio Biondi, do Coletivo Intervozes, o Fórum de Mídia Livre é um espaço novo, que busca contribuir com as lutas históricas do movimento pela democratização, “mas que também traz  pautas próprias e idéias novas e tem sua importância como um espaço que reúne uma grande diversidade de atores, entre veículos de mídia, coletivos de comunicação, universidade e entidades”.

Na avaliação do professor Marcos Dantas, a riqueza do FML está em ultrapassar os limites das organizações profissionais de jornalistas, hegemônicas no movimento de comunicação. “Estamos assistindo ao nascimento de um movimento que penetra por vários segmentos da sociedade. A sociedade começa a perceber que ela faz a mídia, não apenas lê”, diz.

Veja a íntegra do Manifesto no endereço http://forumdemidialivre.blogspot.com/2008/10/manifesto-da-mdia-livre.html

Bittar fecha acordo com partidos para levar projeto à votação

O deputado Jorge Bittar (PT-RJ) informou, nesta quarta-feira (22), que fechou esta semana um acordo de votação entre os líderes de partido na Câmara dos Deputados para a aprovação em plenário do PL 29 – projeto de lei que trata da cadeia do audiovisual e dá direito de entrada das teles no mercado de TV por assinatura. O deputado considera que o fim do segundo turno das eleições municipais pode garantir a tramitação normal dos projetos no Congresso Nacional.

"Até ontem (terça-feira), estive reunido com os deputados para definir os detalhes do substitutivo. Agora, temos condições de entrar com o requerimento de urgência para garantir a votação imediata no plenário a partir da próxima semana", disse Bittar. Segundo ele, entre os deputados federais que tiveram um papel atuante nas negociações foram: Julio Semeghini (PSDB-SP), Bilac Pinto (PL-MG), Paulo Roberto (PTB-RS), Paulo Lustosa (PMDB-CE) e Walter Pinheiro (PT-BA).

De acordo com Bittar, o avanço nas negociações foi possível graças às mudanças de dois pontos polêmicos que estão no substitutivo elaborado na Comissão de Ciência e Tecnologia (CCT). O primeiro trata da proteção do conteúdo nacional. O novo texto estabelece o espaço mínimo que cada programador deve cumprir, estabelecendo a cota de, no mínimo, dois fornecedores de conteúdo nacional.

O segundo item alterado nas negociações foi o limite de publicidade veiculada na TV por assinatura. A limitações deixaram de ser de 10% em relação à média total e 15% em cada hora. Com as mudanças, passam a ser idênticas ao que é exigido para a radiodifusão aberta: 25% de toda a programação e 30% por cada hora, independente se for em horário de maior audiência.

"Apesar de no fim ter se configurado uma redação com pontos muito mais liberais, ela passa a atender o que os líderes dos partidos julgaram importante para fechar um acordo. Além disso, o mercado continua com a garantia de poder exercer a auto-regulação", afirmou Jorge Bittar.

Ao ser questionado sobre novas emendas ao PL 29, que atualmente está na Comissão de Defesa do Consumidor (CDC), Bittar ressaltou que todas as sugestões apresentadas pelos membros da comissão sobre o projeto original já haviam sido acolhidas na CCT – quando ainda era relator da matéria. "Com as emendas apresentadas, ficou claro que o objetivo de mudar a tramitação do projeto e levá-lo para a Comissão de Defesa do Consumidor foi uma manobra protelatória dos parlamentares que não quiseram participar do debate. Nenhuma manifestação buscou estabelecer garantias reais de defesa dos direitos dos consumidores", afirmou o deputado.

 

Entidades discutem Globo Brasília em audiência no DF

Pela primeira vez na curta história de Brasília, organizações da sociedade civil se reuniram para fazer uma avaliação de um canal de TV durante o processo de sua renovação. O alvo foi a TV Globo Brasília, que juntamente com as outras emissoras da rede e demais televisões ligadas à Record e à Bandeirantes em outros estados teve sua outorga vencida em 2007 e agora passa por exame no Executivo e no Legislativo para aprovação da continuidade de suas atividades por mais 15 anos.

A audiência, convocada pela deputada Érika Kokay (PT), foi realizada na última sexta-feira (17) na Câmara Legislativa do Distrito Federal (CLDF) e reuniu parlamentares, pesquisadores, cidadãos e organizações da sociedade civil para avaliar o serviço prestado pela TV Globo na cidade. O evento também discutiu a situação da mídia brasileira e a importância da convocação da Conferência Nacional de Comunicação como um espaço amplo e democrático de debate e elaboração participativa de diretrizes para as políticas da área.

Os participantes apontaram duas críticas fundamentais sobre a atuação do canal. A primeira está relacionada ao desequilíbrio de sua cobertura em favor dos setores conservadores do DF, criminalizando ou simplesmente omitindo a posição dos movimentos sociais e organizações populares a respeito das grandes pautas do Distrito Federal.

“A Rede Globo atua sistematicamente para criminalizar o Movimento Sem Terra e os outros movimentos sociais”, destacou Janderson Barros, da direção estadual do MST. "A TV Globo Brasília não dá espaço ao contraditório. Na paralisação dos professores que fizemos recentemente, fomos massacrados pela mídia sem espaço adequado para dar nossa versão”, acrescentou Rejane Pitanga, presidente da Central Única dos Trabalhadores do DF (CUT-DF).

Jandira Queiroz, da Liga Brasileira de Lésbicas (LBL), citou fatos importantes, como a Parada GLBT de Brasília e a parada Lésbica de Taguatinga, que simplesmente foram ignorados pela emissora. Mesmo acontecimentos de dimensão nacional, como o ato em repúdio à violência contra LGBTs realizado durante a conferência nacional sobre as políticas para este segmento em junho em Brasília, quando envolvem lutas de grupos minorizados são omitidos da cobertura desta TV.

Jonas Valente, do Coletivo Intervozes, destacou o cumprimento altamente insuficiente das obrigações constitucionais e legais a que estão submetidas as concessões de rádio e TV. “Mesmo o canal de TV sendo uma emissora diretamente controlada pelas Organizações Globo, nada justifica que não dê espaço para produção independente e regional”, criticou. Hoje, o único conteúdo local veiculado são as versões distritais dos telejornais, não havendo qualquer programa dramatúrgico produzido na região.

Como a emissora acaba funcionando apenas como uma retransmissora das cabeças da rede, as TVs Globo Rio de Janeiro e São Paulo, Valente acabou estendendo sua crítica à ação delas. Questionou o excesso de entretenimento e a baixa incidência de conteúdos identificados como preferenciais na Constituição: educativos, artísticos, culturais e jornalísticos. “A Globo cumpre a cota legal de jornalismo e de educativos, mas no caso destes últimos eles estão postos em horários totalmente desprestigiados na grade. Além disso, apesar de se dizer a grande defensora do conteúdo nacional, a Globo não mantém programação sobre a cultura e as artes do país”, afirmou. Contestou a veiculação de merchandising, prática proibida pelo Código de Defesa do Consumidor.

Bráulio Ribeiro, do Coletivo Intervozes, defendeu que em havendo a renovação ela deveria se dar em novas bases. E apresentou uma lista de compromissos que deveriam figurar como obrigação para a TV Globo Brasília no período de sua próxima outorga. “Criação de ouvidoria na TV com independência política; garantia de percentual mínimo de produção independente e realizada no DF; implantação de programa de debate local com participação plural em horário nobre; e exibição de curtas e longas filmados no Distrito Federal.”

Mudança no sistema de concessões

Os participantes da audiência destacaram ser impossível uma mudança de fato das emissoras se não houver uma reformar radical no sistema de concessões de Rádio e TV. “O Estado estabelece concessões mas não cobra contrapartidas nem fiscaliza o que uma emissora fez durante o tempo de sua outorga”, criticou o professor da Faculdade de Comunicação da Universidade de Brasília Luiz Martins.

Segundo Jonas Valente, além da fiscalização das obrigações já constantes na legislação – como proibição do oligopólio, promoção da programação regional e independente e respeito aos limites mínimos de tempo de 5% de jornalismo e máximos de 25% de publicidade -, é necessário estabelecer critérios democráticos e que envolvam a sociedade no processo de outorga e renovação como forma de combater a lógica de renovação automática que existe hoje.

Para resolver o problema, foram apresentadas várias sugestões de mudanças. O professor Luiz Martins defendeu a criação de um organismo que funcione como uma espécie de ouvidoria pública que possa receber críticas, denúncias e sugestões da população. Jonas Valente apontou a necessidade de regulamentar os preceitos constitucionais que limitam a propriedade e estabelecem diretrizes quando à programação, bem como de revogar o dispositivo legal que permite um concessionário manter-se no ar mesmo que sua outorga esteja vencida.

Leovane Gregório, do Conselho Regional de Psicologia (CRP), afirmou que é fundamental regulamentar o artigo 54 da Constituição Federal com vistas à proibição de fato da presença de políticos na propriedade de meios de comunicação. Bráulio Ribeiro, do Coletivo Intervozes, colocou a importância de que audiências públicas como aquela fossem obrigatórias para que a população tivesse o direito de opinar quando houver a renovação de um canal em sua cidade.

Contribuição ao processo no Congresso

Ao final, a deputada Érika Kokay afirmou que irá remeter o relatório da audiência para as comissões de Ciência, Tecnologia, Comunicação e Informática (CCTCI) e de Legislação Participativa (CLP) da Câmara dos Deputados, que irão realizar audiências sobre a renovação das concessões de Rádio e TV vencidas em 2007. As posições apresentadas também serão enviadas ao relator da renovação da TV Globo Brasília, deputado Jorge Bittar (PT-RJ).

A parlamentar também destacou a necessidade de tornar aquele tipo de debate algo permanente na Câmara Legislativa do Distrito Federal (CLDF) e avisou que irá convocar um seminário em breve para discutir a democratização da comunicação e a mídia no DF. Por último, disse que irá propor à CLDF a aprovação de uma moção em defesa da Conferência Nacional de Comunicação.

Audiência Pública no Rio pede Conferência Nacional de Comunicação

O auditório do anexo dois da Assembléia Legislativa do Rio de Janeiro teve todos os lugares ocupados e algumas pessoas precisaram ficar de pé. Elas assistiam à Audiência Pública sobre a Conferência Nacional de Comunicação e a renovação das concessões de rádio e TV, presidida pelo deputado estadual Gilberto Palmares (PT), no dia 17 de outubro. A Audiência foi organizada pelo Comitê Rio Pró-Conferência Nacional de Comunicação, do qual participam cerca de trinta entidades e movimentos sociais.

Participaram da mesa da Audiência Pública a representante do Coletivo Intervozes de Comunicação Márcia Correa, o presidente da Associação das Rádios Públicas do Brasil (Arpub), Orlando Guilhon, o diretor do Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação, Celso Schroeder, o presidente da Associação Brasileira de Imprensa (ABI), Maurício Azêdo e o deputado federal Jorge Bittar (PT-RJ). O Ministério das Comunicações, apesar de convidado, não apareceu. O deputado Jorge Bittar justificou a ausência do ministério. Segundo ele, a equipe ministerial já tinha um compromisso anteriormente assumido.

Por unanimidade, a mesa concordou sobre a necessidade de se realizar uma Conferência Nacional de Comunicação. “Seria a possibilidade histórica de subvertermos esse costume de não debater a comunicação”, comentou Celso Schroeder, do FNDC. Os movimentos presentes lembraram que o governo federal, inclusive, já destinou R$ 6 milhões em 2008 para a realização da Conferência. Apesar disso, a atividade ainda não foi convocada.

A concessão é pública, mas quando o estado precisa, tem que pagar

Márcia Correia, do Intervozes, enfatizou a importância de se lembrar que as emissoras são concessões públicas, ou seja, o Estado não aluga e não vende o espaço para as empresas de comunicação, mas apenas concede um direito de uso daquele canal por um tempo determinado. Ela lembrou o exemplo da Multirio, uma produtora de TV criada pela prefeitura da cidade do Rio de Janeiro que produz conteúdos educativos para serem transmitidos ao público em geral e utilizados nas escolas municipais. Para que a programação da Multirio chegue ao telespectador, a prefeitura compra um espaço na programação de uma emissora, no caso a Bandeirantes.

“Paga-se por um espaço que na verdade é público”, disse Márcia. Ela chamou a atenção para o fato de estarem vencendo as concessões da Rede Globo, Bandeirantes e Record, que provavelmente serão renovadas sem uma discussão pública a respeito da decisão. Maurício Azêdo, da ABI, criticou a postura do governo federal frente à comunicação. Para ele, a União “não tem coragem de enfrentar as grandes emissoras”. Ele falou sobre o exemplo do governo da Venezuela que não renovou a concessão da emissora RCTV. O canal comercial foi um dos responsáveis pelo golpe contra o governo do presidente Hugo Chávez em 2002. Por esse motivo e outros agravantes não teve a concessão renovada. Chávez teve coragem de enfrentar os golpistas. Aqui o governo é muito fraco e leniente em relação a essas questões”, ressaltou.

Frente parlamentar em defesa da conferência nacional de comunicação

Após a exposição da mesa, os presentes puderam também se expressar. Roseli Goffman, do Conselho Regional de Psicologia, propôs que parlamentares identificados com a causa criem uma frente pró-realização da Conferência Nacional de Comunicação. A proposta foi aplaudida.

Ela lembrou que já existe uma frente parlamentar da comunicação, com mais de 200 parlamentares, mas que, entretanto, apóia os grandes radiodifusores. Apesar da presença de dois parlamentares na mesa – um deputado estadual e outro federal – nenhum deles se manifestou sobre a proposta de criação da Frente Parlamentar.

Rádios funcionam com concessões vencidas

Enquanto a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) persegue e criminaliza as rádios comunitárias, rádios comerciais com situação irregular e concessões vencidas continuam a transmitir normalmente. A denúncia foi feita na Audiência Pública pela jornalista Claudia de Abreu, dos Comunicativistas e da TV Comunitária de Niterói.

Segundo os Comunicativistas, no momento em que pesquisaram na página eletrônica da Anatel, todas as concessões de rádio do município do Rio de Janeiro figuravam como vencidas. Entretanto, em uma segunda pesquisa, pouco tempo depois, as mesmas concessões apareciam como renovadas sem que houvesse tido tempo hábil para a discussão e para tornar pública a decisão sobre a renovação.

Ela entregou a cada um dos participantes da mesa um envelope contendo informações retiradas da própria página da Anatel e que dão conta dessas irregularidades. Entre o material estava também denúncias a respeito de programação televisiva por parte da campanha Quem Financia a Baixaria é Contra a Cidadania.

Uma das emissoras de rádio irregulares citadas, a BandNews FM, do grupo Bandeirantes, tem uma concessão de Niterói, mas transmite da cidade do Rio de Janeiro. Na página da Anatel consta que a emissora está bloqueada e é devedora, mas a qualquer momento pode-se escutá-la com normalidade. Aliás, é justamente a BandNews que faz uma campanha diária contra as rádios comunitárias, chamadas pela emissora de “rádios piratas”, recordou Claudia.

Sobre outra rádio, a CBN, das Organizações Globo, a Anatel não apresenta na internet informações sobre a data na qual termina a concessão. E foi justamente essa rádio que obteve autorização para testar o padrão IBOC de rádio digital. A tecnologia estadunidense é criticada pelos movimentos sociais pela democratização da mídia por ser restritivo e dificultar ainda mais a transmissão das rádios comunitárias. Os radiodifusores privados já fazem pressão pela escolha do IBOC.

Movimento também organiza ato político-cultural na Praça XV

Na parte da tarde, um ato político-cultural na praça XV, centro da cidade, também pautou a democratização da comunicação e a necessidade de realização da Conferência. Durante a atividade, o Teatro do Oprimido fez esquetes debatendo o tema. Vídeos foram exibidos e os participantes registraram depoimentos para a TV Comunitária de Niterói.

Um painel feito na hora em grafite também refletiu a concentração dos meios de comunicação e a manipulação colocada em prática pela grande mídia, simbolizada no desenho pela Rede Globo. Quem passava por ali era convidado a assinar o “abaixo assinado” pela realização da Conferência Nacional de Comunicação. A mobilização pela realização da Conferência continua no dia 8 de novembro, no Clube de Engenharia do Rio, com o seminário Pró Conferência Nacional de Comunicação, de 9 às 18 horas.