Arquivo da categoria: Notícias

Apresentadores ganham espaço na disputa eleitoral por aparecerem na mídia

Comunicadores de rádio e TV tem sido um bom negócio para os partidos políticos. Por aparecerem na mídia e terem um espaço permanente para fazer suas campanhas, radialistas, apresentadores e artistas angariam muitos votos, o que acaba gerando descontentamento de outros candidatos.

Para o deputado Custódio de Mattos (PSDB-MG) – que em 2004 perdeu as eleições da Prefeitura de Juiz de Fora para o radialista Carlos Alberto Bejani (PTB), que renunciou ao cargo após ser preso – "esse fenômeno é uma deformação sintomática do nosso sistema eleitoral. Isso acontece porque o único critério dos partidos é quem tem voto. E isso é um convite a esse tipo de candidato-celebridade".

Segundo o jornal O Estado de S. Paulo, Arthur Virgílio Neto (AM), líder do PSDB no Senado, quer aprovar uma legislação proibindo radialistas a apresentadores de TV de aparecer em programas no ano anterior às eleições.

"É um absurdo os radialistas ficarem fazendo campanha diariamente, durante os quatro anos que estão no mandato", afirmou Virgílio, que teve seu candidato à Prefeitura de Manaus, o atual prefeito Serafim Correa (PSB), derrotado pelo ex-governador Amazonino Mandes (PTB), cujo vice é o deputado e radialista Carlos Souza (PP).

Os principais responsáveis pela eleição de radialistas e apresentadores de TV, de acordo com Antonio Augusto de Queiroz, do Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar (Diap), são os programas com caráter assistencialista.

Como exemplo, ele citou ao Estadão o caso da recém-eleita prefeita de Natal, Micarla de Souza (PV). Ela apresentava um programa de TV e seu pai, o falecido senador Carlos Alberto de Souza, foi um conhecido radialista no Rio Grande do Norte. "Com certeza essa eleição da Micarla tem um rescaldo do programa de seu pai, que tinha um caráter bem assistencialista", disse Queiroz.

Para ele, em momentos de crise as celebridades são mais valorizadas; em 2006, com o mensalão e a história dos sanguessugas, treze comunicadores foram eleitos deputados, entre eles o apresentador Clodovil Hernandes (PR-SP) e o músico Frank Aguiar (PTB-SP).

Mas o fato de aparecer na mídia sempre colaborou com os políticos: Marta Suplicy, candidata derrotada à Prefeitura de São Paulo, ficou conhecida nacionalmente ao comandar um programa de TV sobre sexo. "Fica muito difícil nós concorrermos com esses caras. É uma concorrência desigual todo dia", afirmou o recém-eleito prefeito de Joinville (SC), Carlito Merss (PT).

Anistia Internacional denuncia em comunicado ameaças à viúva de Barbon

Nesta sexta-feira (14), a Anistia Internacional divulgou um comunicado pedindo proteção à Katia Camargo, viúva do jornalista Luiz Carlos Barbon, assassinado na cidade de Porto ferreira (SP), em maio de 2007. A organização afirma que ela e seus filhos estariam correndo perigo e recebendo ameaças de pessoas vinculadas aos assassinos de seu marido, alguns dos quais continuam em liberdade.

Barbon era repórter do “Jornal do Porto”, publicação local. Ele havia investigado vários casos de corrupção e outros crimes que implicavam funcionários do estado; entre outros assuntos, investigou a relação da Polícia com grupos que roubavam carga de caminhões na estrada, e desvendou uma rede de prostituição infantil gerida por vereadores e empresários de Porto Ferreira.

Apesar de quatro agentes da polícia militar suspeitos do crime estarem sob custódia aguardando julgamento, Katia "tem sido seguida na rua por homens que ela reconheceu como sendo agentes da polícia fora de serviço, e diante de sua casa, situada em um bairro muito tranqüilo, passam regularmente carros e motocicletas. Em maio, quase foi atropelada por uma mulher que ela reconheceu como sendo a esposa de um dos policiais detidos", informou a nota da Anistia.

Segundo a entidade, recentemente a viúva de Barbon "viu um agente de polícia – que havia sido transferido para outra localidade após a investigação sobre o assassinato – em pé, em frente a um bar, sinalizando e a observando de madeira ameaçadora. Tiros foram disparados em frente ao escritório de seu advogado em outubro". Katia não teria denunciado nenhum dos incidentes à polícia temendo novos ataques.

Relatores da ONU e OEA reforçam necessidade de mídia plural

Ao longo do século XX, a ampliação da comunicação de massa constituiu um ambiente que trouxe novas barreiras à efetivação da liberdade de expressão. Tão importante quanto poder falar, passou a ser fundamental ter os meios para se expressar em condições de ser efetivamente ouvido no debate público, feito sobretudo pela mídia. Com esta nova configuração da política e da cultura, aprofundada nas últimas três décadas, o conceito de liberdade de expressão tem de ser ampliado, incorporando especialmente a necessidade de garantia da pluralidade e da diversidade dos e nos meios de comunicação.

Esta é a opinião dos relatores para a Liberdade de Expressão da Organização dos Estados Americanos (OEA) e da Organização das Nações Unidas (ONU). Ambos participaram dos debates do seminário “Mordaças Invisíveis: Novas e Velhas Barreiras à Diversidade na Radiodifusão”, promovido pela Associação Mundial de Rádios Comunitárias em Buenos Aires, nos dias 13 e 14 deste mês.

"O guarda-chuva da liberdade de expressão se ampliou. O direito começou protegendo os indivíduos e sofreu um giro conceitual importante. O que protege hoje a liberdade de expressão é a possibilidade de que exista debate público, vigoroso, aberto, plural. Não só poder falar, mas ter os meios para falar. Só este debate permite a liberdade de exercício da liberdade e autodeterminação democrática", defendeu a colombiana Catalina Botero, relatora da OEA.

De acordo com Frank LaRue, jornalista guatemalteco hoje ocupando o posto de relator da ONU para a Liberdade de Expressão, o conceito surgiu de uma visão liberal de direitos civis e políticos. O desafio atualmente é superar a noção do direito individual, atrelada a esta visão antiga, e fazer dele um direito coletivo, que permita aos povos falar seu idioma, expressar sua cultura e ter garantida qualquer manifestação coletiva pública. "É muito importante ampliar esta visão. A liberdade de expressão é fundamental como baluarte da democracia mas também é importante como direito da cidadania, pois deve lidar com a presença de sistemas plurais", argumentou.

Ele destacou que esta ampliação implica em uma mudança substancial da visão sobre o papel do Estado. Se antes ele era o principal violador da liberdade de expressão dos agentes privados, e, portanto, o inimigo a ser contido e combatido, agora a situação se inverteu: enquanto o Estado torna-se o principal ente que pode garantir uma regulação promotora de ambientes plurais e diversos na comunicação de massa, os grupos privados comerciais – cada vez mais organizados em conglomerados e monopólios – transformaram-se em um obstáculo à efetivação deste direito.

“Hoje, para garantir liberdade de expressão, é preciso um Estado atuante", apontou LaRue. Isso não significa, continua, esperar do Estado a resolução para que sejam extintas todas as barreiras à diversidade, mas vê-lo como arena que deve ser disputada pelas forças progressistas e que têm na pluralidade uma bandeira. Desta forma, as regulações poderão refletir estas concepções, em detrimento de seguirem protegendo a flexibilidade de ação dos grandes grupos de mídia.

Acesso dos segmentos excluídos

Para Catalina Botero, a reversão deste quadro passa primeiramente por regular a formação de monopólios e oligopólios que concentram a produção e difusão de informações nas mãos de poucos grupos. “Por que não há leis anti-monopólio para esta mercadoria vital? Devem existir leis deste tipo específicas para os meios de comunicação. Um primeiro caminho é este.”

No entanto, a relatora acrescentou que apenas assegurar a existência de competidores não é suficiente, pois não garante que sejam distintos. Para que haja uma efetiva diversidade, coloca-se como um imperativo viabilizar o acesso de segmentos marginalizados e minorizados da sociedade à arena midiática, o que passa atualmente pela operação de canais de rádio e TV por estes grupos.

Botero apresentou o que, para ela, seria uma distribuição justa no espectro de radiofreqüências: dividir os canais igualmente entre operadores comerciais, organizações destes setores excluídos e emissoras públicas. Os segundos cumpririam o papel de fomentar as vozes que normalmente não são contempladas nos meios de massa, enquanto os terceiros contemplariam conteúdos que não são nem rentáveis, nem representação da visão de segmento específico, mas que são importantes para o debate democrático.

Tanto a relatora da OEA quanto Frank LaRue bateram na tecla da importância das rádios comunitárias e na urgência de promover o seu fortalecimento. Para isso, é necessário incentivo à sua apropriação por minorias, bem como o combate às legislações e arbitrariedades de Estados nacionais que marginalizam esta modalidade de mídia.

Sentido clássico

Frank LaRue destacou que, se há este novo e difícil programa do pluralismo e da diversidade a ser perseguido, o sentido clássico da liberdade de expressão não pode ser esquecido. O relator citou casos de censura e abuso do poder estatal, freqüentes ainda no Oriente Médio e na Ásia, e de violência contra jornalistas, existente em todo o mundo mas acentuada em zonas de guerra e conflito.

Uma das questões mais delicadas relacionadas à liberdade de expressar-se em sentido estrito é o conjunto de limitações impostas por regimes com alta penetração de forças religiosas. "Os conflitos religiosos têm que incrementar a liberdade de expressão, e não reduzi-la", defendeu. "O Estado nunca deve meter-se no conteúdo da comunicação salvo estabelecer limitações, como frear os casos de discriminação e incitação à violência."

Os dois relatores citaram a América Latina como um campo fecundo de experiências que podem ser utilizadas como exemplo para o resto do mundo. Infelizmente, entre o rol de iniciativas a serem vistas como modelo estão não apenas as experiências de luta pela diversidade, mas também os ambientes e ações de governos e do mercado que obstaculizam o alcance de uma efetiva diversidade nos meios de comunicação no continente.

Justiça suspende troca de PSTs por backhaul

A associação de defesa do consumidor Pro Teste conseguiu na Justiça uma vitória que cria para o governo e para as concessionárias um impasse no que diz respeito à troca de metas do Plano Geral de Metas de Universalização (PGMU) para expansão do backhaul de banda larga.

A juíza federal substituta da 6ª Vara do Distrito Federal, Maria Cecília de Marco Rocha, concedeu liminar a favor da associação suspendendo as mudanças nos contratos do STFC. Estas mudanças, celebradas no começo deste ano, validavam a execução da nova meta de investimento no backhaul em troca das metas de instalação dos Postos de Serviço de Telecomunicações (PSTs). Essa troca é, inclusive, parte importante do programa do Governo Federal Banda Larga nas Escolas.

A íntegra da decisão está disponível na homepage do site TeleTime .

No cerne da decisão está a polêmica sobre a reversibilidade do backhaul e a legalidade de se aportar recursos públicos na expansão de uma infra-estrutura de suporte a um serviço privado, no caso o Serviço de Comunicação Multimídia (SCM).

A liminar havia sido negada em maio deste ano quando a Pro Teste entrou com o processo na Justiça. No processo inicial não havia o questionamento sobre a reversibilidade; apenas uma contestação de que o backhaul não seria rede de suporte ao Serviço de Telefonia Fixa Comutada (STFC). Para a juíza, esta hipótese ainda não está provada mesmo agora e somente uma perícia técnica poderá gerar um parecer final sobre o tema.

No entanto, ao recorrer da decisão, a advogada Flávia Lefèvre, que representa a Pro Teste na ação e hoje responde por uma das vagas da sociedade no Conselho Consultivo da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), levou à juíza documentos contestando a presunção de reversibilidade do backhaul. Foram estes documentos e os esclarecimentos prestados pela Anatel que geraram a revisão da decisão e permitiram agora a concessão da liminar.

Na prática, a liminar não anula o decreto 6.424/2008 que alterou as metas do PGMU, mas acaba temporariamente com os efeitos dessa mudança ao suspender a vigência dos termos aditivos aos contratos do STFC, assinados em abril deste ano e que estabelecem formalmente o compromisso das concessionárias de cumprir com a nova obrigação de expansão do backhaul.

"Melhor dos mundos"

O entendimento das concessionárias sobre a natureza do backhaul pesou na decisão da Justiça. E as contribuições feitas pela Oi, CTBC Telecom e Telefônica durante a consulta pública sobre os termos aditivos aos contratos, juntadas ao processo pela Pro Teste, foram cruciais para a conclusão da juíza Maria Cecília.

Nas contribuições – divulgadas por este noticiário em matéria do dia 3 de julho – as concessionárias sugerem a retirada da cláusula de reversibilidade dos termos aditivos. "Apesar da infra-estrutura de suporte ao STFC contemplada no texto da Consulta em comento, tal estará dedicada a prover meios para conexão à internet em banda larga, serviço este de natureza diversa do prestado em regime público, e, portanto, não deve ser afetado pelo instituto da reversibilidade", conforme argumenta a CTBC. Oi e Telefônica seguem o mesmo raciocínio.

Para a juíza, "os fatos noticiados pela Requerente dão conta de que as concessionárias de STFC consideram-no irreversível (o backhaul) e, a bem da verdade, querem o melhor dos mundos: erigir uma infra-estrutura privada, já que irreversível, com recursos públicos cujo uso foi autorizado porque o backhaul foi inserido entre as metas de universalização de um serviço público, cuja estrutura é necessariamente reversível". E a magistrada conclui: "As contribuições confirmam a tese da Requerente de que o backhaul não é essencial à prestação do STFC.”

Vício

A juíza defendeu sua decisão alegando ainda que é "induvidosa" a chance de que o debate sobre a reversibilidade do backhaul vire uma contenta judicial no futuro e que o ônus recaia sobre a União. Isso porque foi constatado um "vício de motivação" na documentação da Anatel que sustentou a retirada da cláusula da reversibilidade.

Este vício estaria no fato de a Anatel ter emitido um parecer técnico argumentando que a cláusula era "supérflua", pois o backhaul era notadamente reversível. O problema é que, para sustentar essa tese, a agência cita as contribuições das concessionárias que dizem exatamente o contrário: que a cláusula deve ser retirada porque o backhaul não é reversível. Isto posto, haveria uma brecha nos contratos para que as empresas, no futuro, aleguem que esta rede não é reversível.

Alfinetada

Maria Cecília levanta suspeitas também sobre a idoneidade do processo de mudança das metas e expõe um temor de que a União siga a linha de incluir "tudo o que puder ser utilizado pelo STFC nas metas de universalização, autorizando o uso de recursos públicos e afastando a reversão se esse 'tudo' não for essencial ao serviço de telefonia prestado em regime público". Para ela, as informações recolhidas até agora "dão a impressão de que houve um artifício para legitimar o uso de recursos públicos para viabilizar a edificação de uma rede privada".

Ao concluir sua decisão, a juíza faz um alerta com relação às futuras contestações sobre o seu entendimento da causa, protestando por antecipação sobre possíveis distorções do conteúdo do despacho. "Advirto que essa decisão não comporta rótulo de obstáculo à inclusão digital, à extensão da internet às escolas públicas e ao progresso do País que as Requeridas certamente pretenderão atribuir-lhe", afirma a juíza. A autora da ação, Flávia Lefèvre, sofreu este tipo de crítica quando entrou com a ação na Justiça.

Comissão aprova proibição de anúncio de bebida em rádio e TV

A Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania da Câmara dos Deputados aprovou nesta quinta-feira (13), substitutivo ao projeto de lei 2940/97, do deputado João Pizzolatti (PP-SC), que proíbe a veiculação de propaganda comercial de bebidas alcoólicas nos meios de comunicação em qualquer horário e institui o dia 17 de janeiro como o Dia Nacional de Prevenção e Combate ao Alcoolismo e às Drogas. O PL 2940 foi aprovado por unanimidade e agora segue para aprovação em plenário.

Pelo projeto, a publicidade de bebidas alcoólicas fica restrita a cartazes e painéis na parte interna dos locais de venda, sendo vedada ainda a participação de crianças nas peças. Este tipo de proibição é muito parecida com a aprovada no ano 2000 para cigarros e outros produtos derivados do fumo.

Se aprovada a nova lei, as infrações prevêem multas de R$ 5 mil e 100 mil no caso de emissoras de rádio e televisão, suspensão da programação por 10 minutos para cada minuto ou fração da propaganda transmitida.

A aprovação do PL 2940, no entanto, representa uma vitória parcial dos movimentos em defesa dos direitos da infância e adolescência, pois a legislação brasileira considera como bebidas alcoólicas apenas aquelas com graduação acima de 13 graus na escala Gay Lussac. Isso exclui cervejas, vinhos e bebidas “ice” de qualquer restrição à publicidade de bebidas. Hoje, apenas a propaganda de produtos destilados deve respeitar um embargo que vale das 6h às 21h.

Em abril deste ano o governo federal chegou a pedir urgência na tramitação do Projeto de Lei 2733/08, cujo texto produzido pelo Ministério da Saúde e pela Secretaria Nacional Anti-Drogas reduz para 0,5 grau Gay Lussac o teor para que uma bebida seja considerada bebida alcoólica. O governo, contudo, retirou o pedido de urgência do projeto, que segue à espera da votação.

Para Daniel Raviolo, diretor da ONG Comunicação e Cultura que faz parte de um grupo de entidades que defendem a regulação da publicidade de bebidas alcoólicas, a aprovação do PL 2940 pela CCJ pode ser interpretada de duas maneiras, mais ou menos positiva. Do ponto de vista da disputa ideológica que vem sendo travada com as empresas de bebidas e agências de publicidade, pode representar a superação do debate sobre liberdade de expressão comercial imposto pelo empresariado e facilitar a aprovação do PL 2733, que redefine a graduação alcoólica para efeito de propaganda.

Por outro lado, pode representar um recuo tático dos grupos contrários à regulamentação, justamente a fim de evitar novas regulamentações que impeçam a propaganda de cerveja, que representa a maior fatia dos gastos com publicidade do setor de bebidas. “Eles podem simplesmente ter empurrado este projeto como se entregassem os anéis para não perderem os dedos”, cogita Raviolo.