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Suspensão valeu por todo o horário de verão

Na madrugada do próximo domingo (15), encerra-se mais um horário de verão nas regiões Sudeste, Centro-Oeste e Sul do país. Segundo o Ministério das Minas e Energia, a medida representou uma economia de cerca de 2 mil megawatts, o equivalente a R$ 4 bilhões. Mas um outro número fornece uma dimensão das controvérsias encaradas pelo governo brasileiro em relação a temas como desenvolvimento versus direitos humanos: durante os quatro meses em que a mudança de horário esteve em vigor, a classificação indicativa dos programas televisivos deixou de existir para mais de 20 milhões de crianças e adolescentes justamente nos estados onde não houve alteração de horário.

A Portaria 1.220, publicada em junho de 2007 e que institui a classificação indicativa para TV, entrou plenamente em vigor apenas em abril de 2008, sobretudo por conta da resistência das emissoras a adaptar suas programações aos diferentes fusos horários do país. Naquele momento, o Ministério da Justiça concedeu duas prorrogações de prazo para que as empresas adaptassem as transmissões.

Já em outubro, o horário de verão passou a ser o novo cabo-de-guerra entre o Ministério da Justiça, o Ministério Público Federal e as grandes empresas do setor. Com as mesmas alegações de “dificuldade técnica” e “prejuízo econômico”, as emissoras lograram a benevolência do ministro da Justiça, Tarso Genro, que acatou os argumentos das empresas e declarou suspensa a vinculação entre a classificação dos programas e horário de exibição.

Segundo a portaria, a hora a ser seguida é a local, independente do fuso horário. Mas com a decisão do ministro, as emissoras mantiveram para as regiões Norte e Nordeste a mesma programação vinculada ao horário de Brasília, o que acarretou em uma diferença de duas horas entre o horário de veiculação de um programa no Rio de Janeiro e em Manaus, por exemplo.

“Tivemos tratativas com o MJ para que a classificação indicativa fosse observada no período de horário de verão”, conta Gilda Carvalho, procuradora federal dos direitos do cidadão. “Contudo, depois de muita conversa, não conseguimos que o ministro retrocedesse.”

Romeu Tuma Jr., secretário nacional de Justiça do MJ, acredita que, por ser o primeiro ano de aplicação da medida “obviamente, que problemas poderiam aparecer” e que, para o próximo ano, o MJ vai se adiantar e decidir mais cedo sobre a questão do horário de verão.

Interpretações à parte

O imbróglio entre as partes começou quando opiniões divergentes surgiram a respeito da suposta diferença entre fuso horário e horário de verão, a partir do questionamento da Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e TV (Abert). A associação ouviu do gabinete do ministro Genro a resposta de que seriam, sim, coisas diferentes.

O tema já vinha sendo tratado com o MPF, justamente com o propósito de evitar erros de interpretação. Contudo, a boa intenção do secretário Tuma Jr. não foi suficiente para que o caso chegasse solucionado ao prazo da instalação do horário de verão. “Foi uma coisa ‘meio de surpresa’. Não prevíamos que poderíamos ter, do nosso lado, interpretações diferentes.”

Segundo o secretário, a Abert alegava problema econômico, o que levou à avaliação de que seria pertinente o MPF cobrar dos empresários a explicação desse prejuízo. “Estávamos construindo uma argumentação para apresentar ao ministro para que ele reavaliasse a decisão. O MPF chegou a nos mandar a cópia do ofício encaminhado como resposta pela Abert, lá em outubro, novembro”, contou Tuma Jr. “O ofício, na verdade, não esclarecia nada sobre o prejuízo econômico. Pedimos uma revisão disso pela Abert, eles disseram que enviariam e aí vem o período de férias, aquela coisa enrolada… a gente estava aqui, todo dia, mas sabe como é…”

Apesar de tanto o secretário como a procuradora ressaltarem que existem entre as duas instituições interesses comuns, o questionamento à Justiça feito pelo MPF logo após a entrada em vigor do horário de verão teria, segundo Tuma Jr., impedido novas ações por parte do ministério. “Veja bem: eu não estou questionando, criticando a atitude do MPF, mas fiquei amarrado porque eu não poderia deliberar sobre um tema que teria logo mais uma decisão judicial”, esclarece o secretário.

Segundo Gilda, a partir da negativa do ministro em reavaliar a questão, não havia mais possibilidades de negociação, restando apenas a Justiça como resguardo. “Nossa avaliação é de que esgotamos as tratativas para que o ministro voltasse atrás. No momento em que o ministro se nega, tivemos que procurar o sistema judiciário.”

Fora de hora

Segundo Mariana Martins, do Intervozes – Coletivo Brasil de Comunicação Social, a implementação do horário de verão afeta diretamente a população do Norte e do Nordeste. O prejuízo se dá justamente porque não há nenhum esforço por parte das emissoras em adequar determinadas cenas das novelas, por exemplo, visto que a programação entra mais cedo nestes locais. Moradora de Recife, ela cita o exemplo do reality show Big Brother Brasil. “Esse programa, por todo tipo de exposição que promove, não poderia passar antes das 22h em lugar nenhum do Brasil. Aqui, às vezes, 20h30, 20h45 começa o programa.”

“De fato, se o objetivo da classificação indicativa é indicar aos pais o que fazer e antecipa-se toda a programação da emissora, tira-se todo o propósito da classificação”, avalia Ivan Moraes, conselheiro do Movimento Nacional de Direitos Humanos. Para ele, o trabalho dos pais é que acaba sendo prejudicado.

Mariana questiona ainda a opção das emissoras em deixar as regiões Norte e Nordeste em segundo plano. “Nós sempre temos que nos adaptar aos ditames do Sudeste. Quando não é pelo horário de verão, é pela programação completamente dominada por programas do eixo Rio-São Paulo.” A reclamação procede pelo simples fato de que o horário de verão, na verdade, altera a hora local dos estados do Sul, Sudeste e Centro-Oeste, mas quem tem a programação de TV modificada são os demais estados.

Para o próximo verão

Romeu Tuma Jr. afirma que a posição da Secretaria Nacional de Justiça é de que o cumprimento da classificação indicativa tem de ser adequado ao horário local e esta será a posição defendida este ano, para resolver a questão do horário de verão com a antecedência que não existiu em 2008. Além disso, o MJ deve investir na divulgação da CI e do trabalho do Departamento de Justiça – responsável pela classificação dos programas – através de seminários nacionais, tanto para as emissoras e profissionais da área quanto para o público.

Sobre o a polêmica atual, o secretário enfatiza: “O argumento econômico cai por terra, porque ele não pode prevalecer sobre o direito das crianças e adolescentes, nem sobre a igualdade de todas as crianças do Brasil.”

Como este horário de verão já praticamente acabou, resta trabalhar para que as tais “interpretações divergentes” sejam finalmente resolvidas e que situações como as descritas por Mariana e Ivan não voltem a se repetir. “Acreditamos que o ocorreu nos últimos meses irá repercutir e trazer conseqüências. Sustentei que fuso e horário de verão são a mesma coisa, portanto, que fique claro à Abert que a classificação indicativa deve ser respeitada em qualquer parte do país”, afirma Gilda Carvalho.

Fust para inclusão digital é ‘uma paixão’, diz presidente do TCU

O presidente do Tribunal de Contas da União, Ministro Ubiratan Aguiar, em entrevista à CDTV – do portal Convergência Digital, criticou a demora na utilização dos recursos do Fundo de Universalização dos Serviços de Telecomunicações (Fust) da parte do governo, e classificou esse assunto como a sua "maior paixão".

Para Ubiratan Aguiar, o fundo, que anualmente recolhe em torno de R$ 700 milhões das empresas de telecomunicações, já deveria estar sendo utilizado largamente pelo governo, como forma de redução das desigualdades sociais. O ministro entende que há um processo de exclusão digital em curso no país, o qual poderia ser revertido, caso o montante arrecadado pelo Fust fosse utilizado em programas de informatização das escolas e de acesso à Internet.

Em 2007, quando ocupava vaga de ministro e relator de um processo sobre o uso dos recursos do Fust, Ubiratan Aguiar deu um prazo de 180 dias para que os Ministérios das Comunicações e da Fazenda iniciassem programas de inclusão digital, com a utilização do Fust. De lá para cá, pouco mais de R$ 80 milhões foram efetivamente, gastos pelo governo nesta área, a partir de recursos vindos do fundo.

Em sua entrevista à CDTV, Ubiratan Aguiar também disse que os cerca de R$ 8 bilhões, economizados ao longo do ano passado, em função das fiscalizações preventivas do TCU dentro do governo, deveriam ser aplicados na área social.

Assista a entrevista na CDTV.





Com caixa reforçado, Telebrás pode seguir com projeto de backbone de banda larga

Os recursos transferidos para o caixa da Telebrás podem viabilizar a proposta de setores do governo de reativar a infraestrutura de cabos de fibra óptica da Eletronet com o objetivo de expandir a estrutura de banda larga no país para as populações isoladas ou de baixa renda. A avaliação é do secretário de Logística e Tecnologia da Informação, do Ministério do Planejamento, Rogério Santanna. Segundo ele, o assunto vem sendo tratado no âmbito da Presidência da República e os ministros de Estado. Atualmente, Santanna compõe o Conselho de Administração da Telebrás.

Santanna informa que o governo ainda não decidiu se, após pagar as dívidas da Telebrás, irá retomar as atividades para expandir e buscar novas aplicações para a rede de fibras ópticas existente. Ele destaca que os R$ 200 milhões, liberados em dezembro de 2008 para a empresa, podem ser utilizados para a extinção quando forem "honrados todos os compromissos e débitos do conjunto de dívidas de todo o sistema de telefonia que foi privatizado".

"Há dívidas com funcionários que pertenciam ao sistema Telebrás ou que foram trazidos de outras empresas concessionárias privatizadas. Hoje, por exemplo, essas pessoas integram a Anatel [Agência Nacional de Telecomunicações] e o Minicom [Ministério das Comunicações]", afirma. Segundo ele, são cerca de 230 funcionários, sendo 186 deles da agência reguladora. "Alguns deles compõem quadros de comando da agência".

Essa destinação dos recursos, segundo Santanna, pode fazer com que a Telebrás cumpra outro papel: expandir a oferta de banda larga no país. Para ele, o governo brasileiro tem a necessidade de dispor de sistemas próprios para oferecer conectividade, pois "o mercado está focado somente no universo entre 22 milhões a 30 milhões de pessoas, que não é o universo do Brasil que tem muito mais gente", disse.

"Tenho defendido há muitos anos a tese de que é preciso usar melhor os ativos de fibra óptica. Eles estão pagos, amortizados, sobretudo, nos sistemas de distribuições de energia elétrica", destaca Santanna. Ele ressalta que além da infraestrutura de fibra óptica da Eletronet, há um segunda opção do governo que é utilizar os sistemas de transmissão de dados que estão nas mãos de outras empresas públicas, como é o caso da Petrobrás que possui redes de fibras ópticas.

Santana estima que somente no sistema Telebrás sejam mais de 16 mil quilômetros de infra-estrutura. "Ao todo são 27 mil quilômetros no Brasil inteiro. Além disso, há uma previsão de nos próximos cinco anos disponibilizar mais 5 mil quilômetros com as novas linhas de distribuição que estão sendo feitas", destacou.

A proposta defendida por Santanna prevê que a Telebrás volte a operar oferecendo, ela própria, a conexão ou as companhias de energia elétrica que dispõem de licenças de SCM. Além dessas duas possibilidades, ele considera que empresas públicas como o Serpro ou a Data Prev têm a capacidade para oferecer o serviço. "Cada uma delas dispõem de estatuto e um foco perfeito para fazê-lo", disse.

Santanna acredita que há um desafio a ser superado no país quanto à universalização dos serviços de conexão através de novas alternativas. "A banda larga no Brasil é um fenômeno muito ligado às classe A e B que representam somente 9% da população brasileira. As classes D e E não acessam a banda larga, quando têm acesso é através de lan house", afirmou.

Ele ainda destaca que a exclusão não afeta somente as classe de baixa renda. Para ele, são comuns os casos de pessoas na zona rural, com renda alta provinda do agronegócio, que precisam se comunicar mas também não tem serviço de banda larga pelo simples fato de estarem em localidade de pouca concentração populacional. "Lá o mercado não tem interesse".

Santanna participou nesta quarta-feira (11) do segundo dia do "Encontro Nacional com Novos Prefeitos e Prefeitas", em Brasília.

Alvarez garante que Um Computador por Aluno sairá até maio

O programa Um Computador por Aluno (UCA), definido como prioridade do governo e do Ministério da Educação, será mesmo implantado este ano, tão logo o Tribunal de Contas da União (TCU) decida sobre os rumos da licitação, que foi suspensa por medida cautelar em dezembro passado. A informação foi passada hoje pelo assessor especial da Presidência da República, Cezar Alvarez, durante palestra a prefeitos e secretários municipais de todo o país, no Centro de Convenções, em Brasília.

Segundo Alvarez, o relator da matéria, ministro Raimundo Carreiro, deverá apresentar seu voto ao pleno do TCU na próxima semana. “Assim que a questão for superada, seja em qualquer dimensão, ou mandando refazer a licitação ou liberando a continuidade da anterior, o projeto continuará a ser implantado ainda este ano, talvez não mais em março, como prevíamos, mas em abril ou maio”, disse. Enquanto isso não acontece, os testes para verificar se os equipamentos da empresa que venceu a licitação atendem as especificações, continuam interrompidos.

O laptop Mobilis da Encore, de modelo indiano, foi o vencedor no pregão eletrônico para venda de 150 mil computadores portáteis, realizado em dezembro, pelo Ministério da Educação. Quem ofereceu o menor lance, de R$ 82,55 milhões (R$ 553,00 por equipamento) foi a Comsat (Comércio Representação Importação e Exportação de Equipamentos Elétrico Eletrônicos), com sede em São Paulo. Os computadores foram adquiridos pelo Programa Um Computador por Aluno, com recursos do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE) e vão atender 300 escolas.

Atraso do backhaul leva MEC a buscar ajuda do programa Gesac

O atraso na implementação do backhaul levou o Ministério da Educação (MEC) a solicitar do Ministério das Comunicações cerca de 5 mil pontos de conexão do programa Gesac – Governo Eletrônico Serviço de Atendimento ao Cidadão. A informação é do secretário de Educação a Distância do MEC, Carlos Eduardo Bielschowsky, que participou nessa quarta-feira (11) do debate sobre inclusão digital no "Encontro Nacional com Novos Prefeitos e Prefeitas", em Brasília.

"Para cobrir as escolas que não seriam conectadas por falta do backhaul, decidimos dar procedimento a uma política compensatória, contando principalmente com o Gesac", afirmou Bielschowsky. Segundo ele, a maior parte da demanda são de escolas localizadas na Região Norte. "Colocamos o Gesac, depois deslocamos a conexão para as escolas da zona rural", completou.

Em 2008, três concessionárias de telefonia fixa (Telefônica, Oi e Sercomtel) deixaram de cumprir o acordo fechado com o governo de levar conexão em banda larga a 40% do total de 56 mil escolas públicas que serão atendidas em sua totalidade até 2010. No início do ano, a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) informou que seriam instaurados processos administrativos de descumprimento de obrigações (PADOs) contra as companhias. Até o fim de 2009, as concessionárias devem conectar mais 80% das escolas previstas, o que corresponde a quase 45 mil pontos de conexão banda larga.

Ao ser questionada pela agência, a Oi chegou a alegar que a conexão não havia sido implantadas na escolas devido a liminar expedida pela Justiça suspendendo a validade do acordo entre o governo e as companhias que instituiu a obrigação de instalar o backhaul ao invés dos antigos postos de serviços de telecomunicações (PSTs). O presidente da operadora, Luis Eduardo Falco, disse esta semana que a empresa está pronta para retomar a implantação do backhaul assim que a liminar for cassada.