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BNDES vai financiar TV digital e novelas

 

Está pronto no BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) estudo que cria linha de financiamento, a juros baixos, para empresas de radiodifusão comprarem equipamentos de TV digital, construírem novos prédios e produzirem novelas, minisséries, filmes e documentários. O projeto já está sendo apresentado a executivos das TVs.

Para a linha de crédito entrar em operação oficialmente, só falta o 'Ok' final do Palácio do Planalto e a conseqüente aprovação da diretoria do BNDES, o que deve ocorrer em breve. O uso de recursos do banco por empresas de mídia é polêmico porque pode acarretar eventual comprometimento dessas instituições com governos. A linha só financiará a compra de transmissores nacionais de TV digital, mas as emissoras pedem também a liberação para irradiadores importados de altas potências. Para equipamentos de captação,edição e exibição, não haverá restrições a importados. O projeto prevê financiamento de até 90% do orçamento de novelas, minisséries, filmes e documentários quando houver parceria da rede com uma produtora independente. Quando o conteúdo for 100% produção própria da TV, o financiamento se limitará a 60%. O financiamento oficial de teledramaturgia é inédito no país. O limite será determinado pela capacidade de endividamento de cada emissora.

A cúpula da Globo decidiu abrir mais espaço para música na programação deste ano da emissora. Já está certo que haverá um programa fixo, cujo formato ainda está sendo desenhado, sobre MPB. Outra iniciativa será a produção de cinco edições de 'Por Toda a Minha Vida', mistura de musical com dramatização da carreira de determinado artista, que foi testado no final do ano com Elis Regina. Já estão previstos especiais sobre Cássia Eller, Leandro (da dupla com Leonardo), Tim Maia e Clara Nunes. As exibições serão às sextas, entre o final da temporada de uma série (tipo 'Carga Pesada') e início de outra (como 'Antônia'). A segunda temporada de 'Lost' na Globo não está repetindo o sucesso da primeira. Os primeiros quatro episódios de 2007 deram 12 pontos na Grande SP, contra 15 do mesmo período em 2006. Ainda assim, a audiência é superior à que a emissora registra no horário. Principal articulador institucional da Globo, Evandro Guimarães cometeu uma gafe na semana passada, em um seminário em Brasília, quando defendia o 'conteúdo nacional'. 'Adoro a série 'Lost'. Inclusive, peço para meu filho gravar para mim da internet', disse Guimarães, segundo o noticiário especializado em TV paga 'Pay-TV News'. Se alguém copiasse da internet um capítulo da novela das oito, a Globo certamente diria que isso é pirataria.

Minicom e Anatel apóiam idéia de entregar à Casa Civil coordenação das agências

 

O Ministério das Comunicações e a Anatel vêem com bons olhos a intenção do Palácio do Planalto, manifestada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva na mensagem enviada ao Congresso Nacional na abertura do ano legislativo, de criar um programa de gestão para melhorar a relação entre agências reguladoras e os ministérios e que seria coordenado pela ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff.

Na avaliação deles, a criação do programa não seria uma ingerência nem nas tarefas que competem aos ministérios, nem na independência das agências. “ Acho fundamental você ter uma relação entre os governos e as agências que seja respeitosa e inteligente, mas que possa prestigiar os órgãos reguladores. E a ministra Dilma é chefe de todos os ministérios”, comentou o ministro das Comunicações, Hélio Costa.

Ele lembrou que essa discussão para se encontrar um caminho que melhore a interação com as agências não é nova. “Desde que estou no ministério essa discussão existe”, afirmou.

O ministro, entretanto, criticou a lentidão da Anatel. Costa disse que ontem recebeu uma reclamação de uma empresa, que não ele identificou mas que irá investir milhões de reais em um sistema de comunicação no país, sobre a demora da agência em responder a questionamentos do mercado. “Essa empresa fez uma consulta ao Ministério da Justiça sobre um determinado tema e a resposta foi online. A mesma pergunta foi feita à Anatel e demora foi de quatro semanas”, criticou.

Já para o conselheiro da Anatel, José Leite Pereira Filho, o governo tem todo o direito de se organizar como considera melhor. “A eventual criação desse programa não fere a independência das agências”, comentou. Tanto o ministro,quanto o conselheiro da agência, participaram de manhã do seminário “Políticas de (Tele)comunicações”, realizado em Brasília pela Converge Eventos/Revista Teletime em parceria com a Universidade de Brasília.

Comissão de Comunicações da Câmara fica com o PSDB

Os líderes das bancadas decidiram nesta quinta, 8, na Câmara, quais os partidos que ficarão com cada uma das comissões da casa. A Comissão de Ciência, Tecnologia, Comunicação e Informática ficou para o PSDB. Com isso, o deputado Júlio Semeghini deve ser o parlamentar indicado pelo partido para presidir a comissão. Semeghini é considerado um dos parlamentares mais atuantes desta comissão. Conhece o setor de ciência e tecnologia e comunicações, bem como o ambiente de regulação por meio de agências reguladoras. Nos últimos anos, foi sempre um interlocutor importante junto à Anatel e às demais agências reguladoras, com bom trânsito entre as empresas de telecomunicações.

Em debate, a regulamentação dos conteúdo nas mídias eletrônicas

A proteção ao conteúdo nacional pode ser o fiel da balança na corrida pelos novos negócios que envolvem a digitalização dos meios de comunicação. O seminário Políticas de (Tele) Comunicações, ocorrido na última quinta-feira, 8, na Universidade de Brasília, colocou frente a frente, em debate, dois setores que caminham para o mesmo desígnio, através da convergência digital. Radiodifusores e empresários de telecomunicações expuseram suas expectativas para 2007, ano em que o governo federal sinaliza que colocará em pauta a agenda regulatória para os setores.

A fatalidade do encontro de propósitos entre as diferentes tecnologias de comunicação já é admitida pelos empresários da radiodifusão, porém sempre com reservas, pois ainda não definiram um novo modelo de negócios para o setor e por isso estão em desvantagem frente às concorrentes gigantes da telefonia. A reflexão sempre adiada sobre a questão do conteúdo nacional surge agora oportunamente. Evandro Guimarães, vice-presidente das organizações Globo, em sua fala no seminário em Brasília, externou sua preocupação com a regulamentação que não abrange todas as mídias em relação à oferta de conteúdo. “Temos um modelo que garante uma modesta reserva de mercado para o conteúdo nacional. Tem que ser para todas as mídias”, defendeu Guimarães, afirmando que sua luta é pelos empregos e pelo interesse nacional.

O socorro ao conteúdo nacional que surge neste momento no discurso dos radiodifusores pode funcionar como um último respiro ao modelo atual no caminho da convergência. De qualquer forma, é um discurso que vem ao encontro dos interesses da sociedade e da nação, argumento sustentado pelo Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação (FNDC) reiteradamente. Nesta semana, dois projetos relativos à exploração de conteúdos foram apresentados na Câmara dos Deputados. Um deles alinhado ao interesse das teles, outro alinhado ao interesse das emissoras de televisão. (leia matéria clicando aqui) O Planalto esteve representado no seminário, através do ministro das Comunicações, Hélio Costa, que não aprofundou muito seu discurso, mas sinalizou para a necessidade de uma Lei Geral atualizada.

Identidade nacional

Segundo o coordenador-geral do FNDC, Celso Schröder, que assistiu ao seminário Políticas de (Tele) Comunicações, a fala do empresário da Globo apontou para a busca de uma identidade nacional. Assim, a maior rede nacional de mídia passa agora a se interessar pela questão que vem “pipocando” há alguns anos. Em 2003, o FNDC lançou o manifesto “Controle estrangeiro da mídia brasileira ameaça a soberania popular, a democracia e a nacionalidade”, onde expunha seu posicionamento em relação à abertura do capital das empresas de mídia do Brasil ao capital estrangeiro, quando o país decidia sobre a questão. O documento apontava os aspectos econômicos, políticos e culturais em jogo. “A ameaça da entrada do capital estrangeiro na mídia coloca o Brasil diante de duas opções: de um lado, a submissão dos principais meios de formação de consciência nacional a perspectivas estranhas ao interesse público e, de outro, a busca da afirmação da soberania popular, da democracia e da nacionalidade”, diz o texto. Naquela época, não interessava aos empresários esses argumentos.

Imposição tecnológica

Da parte das teles, segundo Schröder, houve uma voz uníssona pela liberação de conteúdos. O argumento é que se as TVs a cabo já podem prestar serviços de telefonia, então a telefonia também pode transmitir conteúdo. Mas para o presidente da Embratel, Carlos Henrique Moreira, o debate de conteúdo é, sim, muito importante. Conforme Schröder, Moreira defendeu a construção de leis apropriadas para a defesa do conteúdo nacional, insistindo que o debate sobre o assunto deve respeitar à Constituição Federal. O Fórum vem defendendo o papel inclusivo da convergência, alavancadora da economia e da soberania nacional. Mas avalia que a digitalização ainda é tímida e precisa de suporte na regulamentação. Na opinião de Schröder, nenhuma manifestação no seminário abordou a convergência. Todos trataram do apenas do seu setor. “Isso mostra que a convergência acontecerá pela imposição das tecnologias. Precisamos fazer esta mediação. A digitalização acaba com fronteiras, não com conceitos”, avaliou o coordenador do FNDC.

Entidades recebem apoio técnico para habilitação de rádios comunitárias em São Paulo

São Paulo – Entidades interessadas em receber concessão para operar uma rádio comunitária no município de São Paulo têm disponível, desde o dia 31 de janeiro, assessoria técnica de um grupo de engenharia montado pelo escritório paulista da Associação Mundial de Rádios Comunitárias (Amarc). Até o dia 5 de março, os interessados podem apresentar a documentação necessária ao Ministério das Comunicações, responsável pelo aviso de habilitação na cidade.

O grupo, formado por pesquisadores do Centro de Pesquisa e Desenvolvimento em Telecomunicações (CPqD), do Departamento de Telecomunicações e Controle da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (USP), do Centro de Elaboração de Projetos de Engenharia para Radiodifusão Comunitária, e outros consultores, conta com o apoio da Subprefeitura do Itaim Paulista, Zona Leste da capital, que disponibilizou aparelhos de GPS para que as entidades interessadas possam fazer o georeferenciamento da localidade onde irão instalar a antena de transmissão. 

Entre os vários documentos exigidos pelo Ministério das Comunicações para que uma entidade requisite a abertura do processo de concessão, há a necessidade do envio de uma declaração, assinada por profissional habilitado ou pelo representante legal da entidade, confirmando as coordenadas geográficas do local de instalação da antena, em uma padronização específica.

"Existe interesse nosso particular para integrar essas rádios comunitárias às políticas públicas que nós estamos desenvolvendo no local. Esse é o conceito, a vocação das rádios comunitárias. Tratar as questões da comunidade no território. Enquanto subprefeito, nos interessa muito ter as rádios comunitárias como parceiras para o desenvolvimento dessas políticas públicas", diz o subprefeito do Itaim Paulista, Diógenes Sandim Martin.

O georeferenciamento é necessário para que, após o encerramento do prazo para o envio da documentação das entidades, o ministério possa publicar um mapa com a localização geográfica de todas as associações que pleiteiam a concessão e,  a partir disso, iniciar um processo de diálogo com a sociedade paulistana e com as entidades para que o maior número de pretendentes sejam contemplados.

"Temos, na área política, o apoio de todos os partidos; na área jurídica, o apoio da Defensoria Pública do Estado de São Paulo, da Faculdade de Direito da PUC [Pontifícia Universidade Católica de São Paulo], da Associação dos Cartórios; e agora, na área técnica, a participação desses engenheiros de alto nível", afirma Sergio Gomes, diretor da Oboré – Escritório Paulista da Amarc, onde foi acertado em reunião realizada ontem (31), o apoio técnico dos pesquisadores e da subprefeitura.

As entidades interessadas em receber apoio para o processo de habilitação de uma rádio comunitária pode entrar em contato com a Amarc-SP pelo telefone (11) 3214 3766, ramal 214.

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