Arquivo da categoria: Notícias

TVs legislativas devem ganhar geradora digital em São Paulo

O Ministério das Comunicações deverá consignar uma geradora (e não mais uma simples retransmissora) para a TV Câmara e outra para a TV Senado na cidade de São Paulo, utilizando um canal digital entre os canais 61 e 69. A providência será a maneira de permitir que estas TVs, cujas geradoras estão em Brasília, cidade onde a digitalização chega apenas a partir do segundo semestre de 2008, possam imediatamente iniciar o seu processo de digitalização.

O problema, a ser resolvido pela decisão de Hélio Costa, foi identificado a partir da discussão do ministro com a direção da TV Câmara logo após a realização da audiência pública na Comissão de Comunicações na quarta, 25. Imaginando que deveria simplesmente respeitar as determinações do Decreto 5.820/2006, que proíbem a digitalização de uma retransmissora sem que sua geradora esteja digitalizada, o ministro afirmou à direção da TV Câmara que seria impossível conceder à instituição o canal digital naquela cidade. Após o debate na Câmara, o ministro retomou o assunto com sua assessoria e chegou à solução apresentada.

Como os canais pertencem originalmente à União, desde que haja canal disponível, e como parte da União, o Poder Legislativo pode receber um canal em qualquer situação, sem que seja necessária novas determinações legais. O mesmo não vale para emissoras comerciais, que seguem a regra que exige a digitalização primeiro da geradora para só então poderem digitalizar a retransmissora. 

Respeito aos recursos públicos 

De acordo com Sueli Matos, diretora da TV Câmara, a instituição argumentou junto ao ministro pelo desperdício de recursos que seria a instalação de uma retransmissora analógica em São Paulo, "que teria utilidade por no máximo mais dois ou três anos, quando já seria necessária a instalação do canal digital. Temos que lembrar que estamos lidando com recursos públicos", observou.

A outra solução para permitir a utilização imediata dos canais digitais reservados pelo governo para as TVs legislativas seria mais complexa: permitir que a geradora da TV Câmara em Brasília se digitalizasse, por exemplo, seria eliminar o prazo de um ano de experimentos previsto apenas para a cidade de São Paulo (a partir de julho deste ano) quando os radiodifusores avaliarão todo o processo, inclusive apresentando possíveis alterações a serem aplicadas nas demais localidades. Aliás, o objetivo da TV Câmara em solicitar o canal digital em São Paulo é justamente partilhar as experiências iniciais com os demais radiodifusores na capital paulista: "por esta razão, estamos dispostos a partilhar nosso sinal em São Paulo com as demais tevês legislativas e também com a Radiobrás, para que todos possam se beneficiar deste processo", afirmou Sueli Matos.

 

 

Active Image Publicação autorizada.

Hélio Costa propõe mudanças nas regras de outorgas

BRASÍLIA – Em 2006, a Comissão de Ciência, Tecnologia, Comunicação e Informática da Câmara dos Deputados (CCTCI) abalou a relação com o Ministério das Comunicações no processo de concessão de outorgas para emissoras de Rádio e TV ao rejeitar, pela primeira vez, processos enviados pela pasta (leia matéria). A “rebelião” foi uma resposta a outra iniciativa incomum, esta do Ministério, que solicitou a devolução de 225 processos prestes a terem seu prazo de envio de documentos esgotado no Parlamento.

Ainda em 2006, a crítica ao processo que resulta na concessão para os veículos eletrônicos funcionarem gerou a criação de uma subcomissão voltada para estudar os problemas existentes nos procedimentos e apresentar alternativas. Como parte do trabalho da subcomissão, foram convocadas audiências públicas com empresários, autoridades, especialistas e representantes de entidades da sociedade civil visando aprofundar os nós e colher sugestões de alternativas. Quase oito meses após receber convite para uma destas reuniões, o ministro das comunicações, Hélio Costa, esteve nesta quarta (25) no plenário da CCTCI para debater o assunto com os parlamentares.  

Os deputados integrantes da comissão questionaram principalmente a lentidão e a fragilidade dos critérios na tramitação dos processos. Hélio Costa concordou que é preciso melhorar o rito de tramitação dos pedidos. “É urgente criarmos procedimentos mais simples e menos burocráticos e encontrarmos soluções mais objetivas e mais claras”, disse o Ministro. No entanto, afirmou que a agilização dos procedimentos de responsabilidade de sua pasta depende da informatização do processo, projeto no valor de R$ 15 milhões não executado por falta de recursos.  

A deputada Luiza Erundina (PSB-SP), presidente da subcomissão voltada ao tema, defendeu maior integração entre o parlamento e o Executivo. Para ela, é possível estabelecer um sistema de convivência e de integração entre esses órgãos para observar, apreciar e definir aquilo que é proposto no processo licitatório. A parlamentar tem sido uma das vozes mais ácidas contra a forma atual de aprovação de pedidos de concessão de radiodifusão, denunciando que os deputados têm votado favoravelmente “no escuro”, sem conseguir fazer uma avaliação mais consistente sobre cada matéria.  

Para unificar o esforço dos dois poderes, Hélio Costa aceitou a proposta do deputado Walter Pinheiro (PT-BA) de criar um Grupo de Trabalho entre parlamentares da comissão, técnicos do Ministério e integrantes do Conselho de Comunicação Social para se debruçar sobre os processos. Segundo informações do ministro, hoje o trâmite de um pedido não demora menos do que seis meses e há 17 mil processos esperando análise. 

Mudança legal
Após ter afirmado em outras ocasiões que o papel do Ministério era apenas cumprir a lei, o ministro defendeu como forma de melhorar e dar celeridade aos processos mudanças na legislação que disciplina a concessão de outorgas. “A gente pode mexer no Decreto de 63, mas para isso é preciso mudar a lei 4117/62 [Código Brasileiro de Telecomunicações, que regula a radiodifusão]. Então é uma ação conjunta. O Congresso mexe na lei e o Ministério mexe no decreto, para simplificar e facilitar o processo”, propôs. Parlamentares apontaram a necessidade de mudanças também na Constituição Federal, especialmente no dispositivo que condiciona a quebra de um contrato de concessão a uma decisão judicial. “Evidentemente que tem que ser revisto”, opinou Costa sobre o problema. 

Outro assunto abordado na audiência foi a melhoria dos mecanismos de controle da população sobre o contrato, que deveria ser uma das obrigações por se tratar de uma concessão pública e não uma permissão para serviço privado. Em audiência sobre o mesmo tema no dia anterior, o consultor legislativo da Câmara dos Deputados Cristiano Lopes Aguiar havia proposto a realização de audiências públicas para aprovação e renovação de concessões. Na reunião desta quarta Hélio Costa tocou no ponto e afirmou que o processo de concessão é “sempre precedido por uma consulta pública”, na qual o apoio da comunidade decide quem vai ser escolhida pelo Ministério das Comunicações. 

Para a deputada Luiza Erundina, no entanto, as formas atuais que a sociedade tem de cobrar os meios de comunicação são insuficientes. “Não existem mecanismos adequados, o processo é feito de forma centralizada, não é sistemático e só se dá mediante denúncias”, reclama. Ela defende que haja um controle social “inclusive sobre os conteúdos”, especialmente acerca do cumprimento das exigências que constam na Constituição Federal.
 

A Carta Magna estabelece como princípios a preferência aos programas de finalidade cultural, educativa e informativa e estabelece exigências de percentuais mínimos deste tipo de conteúdo, bem como a restrição a outros, como a publicidade. Uma das críticas feitas por deputados e entidades da sociedade civil é que estas obrigações não são analisadas nos atos de concessão e renovação de outorgas. 

Lei Geral
Hélio Costa aproveitou a audiência para anunciar que o governo federal criará um grupo de trabalho para elaborar uma proposta de alteração geral na legislação das comunicações. Em 2005 foi criado um espaço semelhante, que não chegou a iniciar os trabalhos. Segundo o ministro, no entanto, a disposição é encaminhar o debate neste ano. O presidente da CCTCI, Julio Semeguini (PSDB-SP), demonstrou preocupação em adiantar a discussão, mas o processo deve ser longo já que o presidente da casa, Arlindo Chinaglia (PT-SP), transferiu a análise das matérias que tratam da revisão legal do setor para a Comissão de Desenvolvimento Econômico, atendendo a um pedido das empresas de radiodifusão. 

O deputado Walter Pinheiro defendeu todo empenho nesta discussão. “Não podemos perder o ano de 2007 e não mexer na Lei Geral de Telecomunicações. Não podemos perder de vista tudo o que se avolumou até agora", cobrou Pinheiro. A mudança no marco legal é uma demanda antiga de estudiosos e entidades críticas da legislação fragmentada e das normas disciplinadoras da radiodifusão datadas da década de 60. Mas os empresários de rádio e TV nunca foram favoráveis às mudanças apresentadas. Agora, frente ao interesse das empresas de telecomunicações de entrar na produção de conteúdo, os radiodifusores passaram a defender revisões na legislação.  

Pressão da sociedade civil
Na última terça-feira (24), entidades que defendem a democratização dos meios de comunicação apresentaram uma pauta de reivindicações ao ministro Hélio Costa. O principal pedido do grupo foi a abertura do Ministério a uma maior participação da sociedade civil, mas a pauta incluía a questão da Lei Geral e de critérios para a concessão de outorgas de rádio e TV. Costa assumiu o compromisso de garantir vagas para a sociedade civil no conselho consultivo que será criado para discutir o marco regulatório do setor, mas enfatizou que o principal debate deve ser feito no Congresso, principalmente pelo fato de já haver projetos de lei sobre o tema em discussão na Comissão de Ciência e Tecnologia. 

* Com informações da Agência Câmara e do Observatório do Direito à Comunicação.

Active Image autorizada a publicação desde que citada a fonte.

Câmara vai processar comentarista Arnaldo Jabor

O presidente Arlindo Chinaglia anunciou hoje, em plenário, que a Câmara vai processar o comentarista Arnaldo Jabor, da rádio CBN. A decisão foi tomada nesta quinta-feira, durante reunião dos líderes partidários.

Em rede nacional, Jabor ironizou os gastos com combustível declarados por deputados, a quem chamou de "canalhas". Ele também pediu a prisão dos parlamentares, de forma genérica.

Chinaglia considerou inadmissível o ataque do comentarista. "Evidentemente que nós não queremos aqui nenhum tipo de atitude que represente uma mudança de comportamento, como se, a partir de agora, nós fôssemos atacar a imprensa. Não é isso. O que nós vamos fazer é defender a instituição", disse Chinaglia, que considerou o ataque do jornalista "injusto e generalizado". "Chegou ao nível do inadmissível", avaliou.

Legitimidade
O presidente da Câmara prometeu ainda estabelecer um debate público com os meios de comunicação para evitar esses excessos. "Não queremos compaixão com o erro, mas queremos respeito à democracia", disse.

Para ele, a desqualificação da política não é um ato ingênuo, e procura retirar das mãos da população uma instância legítima de representação e de defesa de direitos. "Não queremos passar a idéia de que aqui somos igualmente puros, mas temos a legitimidade para representar o povo, e isso precisa ser respeitado", disse.

Active Image

Denúncias de crimes no Orkut crescem 10 vezes, diz relatório

Média de denúncias mensais saltou de 286 em 2005, para 3,1 mil entre 2006 e o começo de 2007, diz relatório da ONG Safernet

As denúncias envolvendo crimes contra os direitos humanos na comunidades online Orkut cresceram mais de 10 vezes, de acordo com um relatório que será divulgado pela organização não governamental Safernet.

De 30 janeiro de 2006 até a semana passada, o canal www.denunciar.org, mantido para combater a pedofilia e outros crimes contra os direitos humanos na internet, recebeu 45 mil denúncias de endereços (URLs) únicos de comunidades criminosas somente no Orkut. Neste período, foram encaminhadas 300 notícias-crime ao MPF-SP.

"Entre abril e dezembro de 2005, recebemos 2.573 denúncias, que envolviam o Orkut, 90% do total", compara Thiago Tavares, presidente da ONG Safernet, que combate a pedofilia e outros crimes contra os direitos humanos na internet.

No mesmo período, segundo ele, foram encaminhadas 172 denúncias para a Divisão de Direitos Humanos da Polícia Federal em Brasília, das quais 80% envolviam o Orkut.

Na média mensal, as denúncias saltaram de 286 em 2005 para 3,1 mil entre 2006 e começo de 2007, mais de 10 vezes.

O salto nas denúncias, segundo Tavares, coincide com a apresentação de um dossiê qualitativo em março de 2006 pela ONG, revelando mais de 2 mil comunidades criminosas no Orkut relativas a pornografia infantil, racismo, nazismo, xenofobia, tráfico de drogas e de medicamentos.

Embora o Google tenha ampliado a equipe de monitoramento de comunidades e usuários ilegais no Orkut, aumentado a velocidade na retirada de comunidades criminosas do ar e tenha aberto canais diretos para envio de dados de criminosos à Justiça brasileira, aos olhos do Ministério Público Federal em São Paulo (MPF-SP) e da ONG Safernet, retirar as comunidades do ar não é suficiente.

"A página pode sair do ar, mas o criminoso não", alerta Tavares. "As comunidades de pedofilia são retiradas do ar em até dois dias. O processo é mais demorado quanto a crimes de racismo, por exemplo (…). Sem dúvida é uma ação importante, mas não suficiente", alerta.

O relatório culminou com uma ação movida pelo Ministério Público Federal em São Paulo contra a Google Inc. no ano passado, pedindo que s aubsidiária responsabilidade jurídica do Google Brasil pela retirada das comunidades ilegais do Orkut. Do contrário, a matriz teria de fechar sua operação no Brasil e pagar uma multia diária de até 130 milhões de reais caso não cumprisse a ordem da justiça.

A ação continua em andamento, mas a última palavra da Justiça decidiu o Google Brasil não responde pelos crimes praticados em comunidades do Orkut, hoje com 55,7% de seus usuários cadastrados como brasileiros.

Atualmente, os pedidos de investigação feitos pela justiça brasileira são encaminhados por meio de um procurador da Google Inc., à matriz e uma equipe dedicada ao monitoramento dos crimes no Orkut, que inclui brasileiros e foi ampliada em outubro do ano passado.

Sob pedido de ofício, por meio do representante da Google Inc. no País, o MPF-SP, por exemplo, solicita o envia dados como registros de log, imagens – nos casos de materiais de pornografia infantil. Entretanto, muitas informações chegam incompletas, afirma Sérgio Suiama, procurador da República nas áreas de Saúde e Educação e membro do Grupo de Combate aos Crimes Cibernéticos.

"Ainda sentimos falta de um diálogo da empresa. para nós, o processo seria muito mais ágil se tivéssemos uma equipe [do Orkut] no Brasil", avalia Suiama, lembrando que a posição do Google impede que seja firmado um acordo de cooperação contra o cibercrime nos mesmos moldes do que foi fechado com provedores como UOL, iG, Terra e Click 21, no final de 2005. "Com estas empresas nós pegamos o telefone e conversamos", afirma Suiama.

Atualmente, existem 118 inquéritos policiais abertos para investigar crimes no Orkut relacionados a comunidades que distribuem materiais ou incentivam a pornografia infantil e 25 relacionados ao crime de racismo, informa o MPF-SP. Os procedimentos criminais envolvendo crimes na internet instaurados pelo órgão cresceram de 68 em 2004 para 150 em 2005 e chegaram a 446 no ano passado, informa o procurador.

Segundo Suiama, o MPF-SP pretende ampliar o acordo contra o cibercrime junto às subsidiárias brasileiras do Yahoo!, do MSN, em como da comunidade online local Beltrano.

Cade nega cautelar no caso TVA/Telefônica, mas aponta riscos

A ABTA não conseguiu do Cade uma decisão cautelar que impedisse a venda conjunta de pacotes da TVA com a Telefônica. A associação havia manifestado sua oposição, com pedido de cautelar, ao ato de concentração entre a TVA e a Telefônica que corre no Cade.

O despacho do conselheiro relator Ricardo Cueva foi julgado nesta quarta, 25, e em linhas gerais entendeu que não havia perigo de dano irreparável ou irreversível, e por isso não há, nesse momento, a necessidade de uma cautelar. O conselho do Cade homologou o despacho por unanimidade.

Mas as boas notícias para a TVA e para a Telefônica são apenas estas. Isso porque ao despacho do conselheiro Cueva foi incorporado o parecer da Procuradoria do Cade que, ainda que também não veja a necessidade de uma medida cautelar, identificou uma série de riscos na possibilidade de compra da TVA pela Telefônica, e isso poderá se refletir no relatório final sobre o ato de concentração.

"Considero que a operação desperta fundadas preocupações do ponto de vista concorrencial", disse o procurado Arthur Badin. "Parecem-me bastante verossímeis os argumentos trazidos pela ABTA contra a concentração, nas mãos da Telefônica, do controle sobre as plataformas de cabo e MMDS", diz o procurador em seu parecer. Segundo o documento, acolhido integralmente pelo conselheiro Cueva, a Abril e a Telefônica argumentam que a aquisição da TVA pela Telefônica permitiria à tele a oferta de serviços triple-play e a possibilidade de contratação de conteúdo Abril por uma empresa que concorreria com a Net, que tem principalmente conteúdo Globo. "O conteúdo pode ser contratado do grupo Abril independente da parceria, e Telefônica já dispõe de outros meios para oferecer triple play", diz Badin. Ele entende também que "o controle sobre a única licença de MMDS no município de São Paulo (TVA) e da única rede de cabo paralela à Net exclui a possibilidade de entrada de um terceiro concorrente à Net e à própria Telefônica na oferta de serviços triple play". Badin lembra ainda que após a parceria, a TVA descontinuou a oferta de serviço de VoIP.

Monopólio do MMDS

Segundo Badin, a Net concorre com a Telefônica em um terço dos domicílios da cidade de São Paulo, que é onde está a rede de cabos da Net, "e o MMDS é o único meio hoje disponível para um entrante contestar o poder de monopólio da Telefônica no mercado de voz dos domicílios em que não há rede de cabo instalada". Ou seja, o procurador do Cade, e também o conselheiro Ricardo Cueva, estão considerando preocupante o fato de a Telefônica assumir o controle total sobre a faixa de MMDS na cidade de São Paulo, o que seria a porta para a tecnologia WiMax. Aliás, essa questão do controle do MMDS foi destacada também pelo conselheiro Paulo Furquim. "Segundo dados que foram trazidos aqui pela Telcomp, o mais preocupante dessa concentração é o controle do MMDS, pelas novas possibilidades tecnológicas inerentes". Furquim se refere ao uso do MMDS para WiMax. Vale lembrar que na cidade de São Paulo há outras faixas já licenciadas para WiMax, inclusive a faixa de 3,5 GHz, onde há duas empresas licenciadas: Embratel e Brasil Telecom. Mas também vale lembrar que o MMDS (que está na faixa de 2,5 GHz) tem 180 MHz de banda e que as faixas na casa dos 3,5 GHz têm apenas 15 MHz de largura.

Badin também considerou que a ausência de concorrência entre as três plataformas (cabo, MMDS e ADSL) retiraria da Telefônica o incentivo de investir em sua própria rede e capacitá-la a ampliar a banda para a transmissão de dados e oferecer TV por assinatura por IPTV.

Sem risco imediato

O Cade entendeu que não existe nenhuma evidência, contudo, de que as parcerias comerciais entre Telefônica e TVA resultem em algum risco irreparável à concorrência. "A parceria pode trazer riscos, mas não irreparáveis ou irreversíveis", disse Cueva, que considerou inclusive que a parceria comercial pode até ajudar a TVA a crescer, caso as empresas mantenham as operações separadas, como está hoje.

Cueva disse que não vai aguardar o parecer da Anatel para iniciar a instrução do caso, e que desde já solicitará às empresas que informem periodicamente os dados referentes ao desempenho de vendas para que o Cade possa saber se existe algo que justifique uma cautelar ex-oficio (por iniciativa própria).

Segundo Arnaldo Tibyriçá, diretor jurídico do grupo Abril, "Ficamos muito felizes com essa decisão do Cade, pois este resultado favorecerá a decisão da Anatel, reforçando que TVA e Telefônica estão se associando dentro da legalidade e a favor da saudável concorrência neste novo mercado convergente”.

TVA comemora decisão e diz que disputa é na Anatel

Segundo Leila Loria, diretora superintendente da TVA, a decisão do Cade de não acatar o pedido de cautelar da ABTA é excelente notícia para a empresa. "A ABTA estava querendo colocar o carro na frente dos bois e adiantar o debate concorrencial, mas o Cade viu que não havia nenhum risco de mantermos as parcerias comerciais atuais".

Segundo Leila Loria, o foco da discussão, no momento, é a regulatória, que corre na Anatel. "Apensa depois que a Anatel der a anuência prévia para a compra da TVA pela Telefônica nos termos propostos é que fará algum sentido discutirmos os impactos concorrenciais, porque até lá as duas empresas estão separadas", diz Loria. Para ela, o fato de o Cade ter decidido inciar a instrução do ato de concentração independentemente da manifestação da Anatel não é problemático. "Já estamos prestando todas as informações requeridas pelo Cade e pela Anatel e continuaremos a fazê-lo. É evidente que não houve concentração do mercado de banda larga ou voz, em São Paulo, e nem da TV por assinatura. E o Cade, por mais que se informe agora, só julgará o caso depois de a Anatel se manifestar e depois de julgar outros casos complicados, como a fusão da Vivax com a Net, por exemplo".

Informação

Loria não comenta o parecer do procurador Arthur Badin, até porque ainda não conhece a íntegra. Badin, que reconhece que não há riscos que justifiquem a cautelar, tece uma série de considerações sobre a concentração em si, de maneira não favorável à Telefônica. "Ainda nem tivemos a chance de colocar nossos argumentos para a procuradoria do Cade, porque não era o momento de fazê-lo. O Cade terá as audiências públicas sobre o mercado de comunicação para também construir opinião mais bem fundamentada, então tenho certeza de que a procuradoria terá uma visão mais ampla adiante".

WiMax

Um dos pontos destacados pelo procurador do Cade Arthur Badin e pelo conselheiro Pauo Furquim durante a sessão de discussão do despacho sobre a cautelar foi a concentração do MMDS na cidade de São Paulo. "É claro que isso não é um problema, porque há outras faixas que permitem o WiMax, como a faixa de 3,5 GHz, onde a Telmex tem licenças em âmbito nacional inclusive".

Íntegra

Confira a íntegra do parecer da Procuradoria do Cade em relação ao pedido de cautelar da ABTA no link www.teletime.com.br/arquivos/Parecer_procade.pdf

 Active Image publicação autorizada.