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Nasce a primeira empresa especializada no desenvolvimento do Ginga

Luiz Eduardo Cunha Leite, um dos desenvolvedores do middleware do Sistema Brasileiro de TV Digital, o Ginga, da equipe do professor Guido Lemos, da Universidade de Paraíba, dá entrada, esta semana, no INPI, no registro de uma nova empresa especializada no desenvolvimento do Ginga para fabricantes de set-top-boxes (os conversores do SBTVD).

– É uma parceria com outras empresas incubadas, como a antiga empresa, a Dynavideo, que venderá implementações Ginga para fabricantes dos conversores – explica Luiz Eduardo, também diretor executivo da Dynavideo.

A empresa nasce com 40 funcionários (todos engenheiros ligados de alguma forma ao projeto Ginga e às Universidades Federal da Paraíbe e de Pernambuco), duas filiais (uma em João Pessoa outra em Natal) e dois clientes (CCE e Aika).

As implementações farão uso de toda a especificação Ginga. Inclusive o nível máximo de interatividade, como demonstrado no aplicativo "Torcida Virtual", criado na Universidade da Paraíba para demonstrar todo o potencial da TV Digital.

– Mas o uso desses recursos dependerá do modelo de negócio dos fabricantes dos conversores, já que a interatividade depende de outros recursos, além do software, diz Luiz Eduardo.

Active Image Convergência Digital

SaferNet pede ao Conar apuração sobre publicidade em páginas criminosas do Orkut

A ONG Safernet Brasil (www.denunciar.org.br), responsável pela Central Nacional de Denúncias de Crimes Cibernéticos, que recebe e encaminha denúncias de crimes contra os Direitos Humanos (pornografia infantil, racismo, neonazismo, entre outros) na rede mundial de computadores ao Ministério Público Federal e à Polícia Federal, entregou na última sexta-feira (17/08) representação ao Conselho Nacional de Auto-Regulamentação Publicitária (Conar), em São Paulo, para que o órgão apure se agências de publicidade e anunciantes que divulgam produtos no Orkut sabem que seus anúncios e campanhas publicitárias são também divulgados em páginas com conteúdo criminoso, como as que contém fotos de pornografia infantil, no site de relacionamentos mantido pela Google.

Para a Safernet, caso os anunciantes e agências de publicidade declarem não ter conhecimento de tal prática, o Conar deve se posicionar sobre se as práticas publicitárias da Google Brasil ferem o Código de Auto-Regulamentação Publicitária e se manifestar se anúncios publicados nessas páginas prejudicam a imagem dos anunciantes. Caso a resposta dos anunciantes seja positiva, a Safernet pede que o Conar apure a responsabilidade dos envolvidos.

Desde abril de 2007, o Orkut exibe links patrocinados no Brasil. Os anúncios são publicados no site de relacionamentos pela Google Brasil, empresa subsidiária da Google INC. que, entre outras atividades, vende publicidade no Orkut, Google, You Tube, Gmail e Blogger no país. Desde julho de 2007 a Safernet estuda e trabalha na construção de indicadores sobre tais anúncios e seu funcionamento, e desde então encontrou anúncios de pet shops, por exemplo, em comunidades do Orkut que incitam maus-tratos contra animais e anúncios de serviços de conteúdo por celular em páginas com imagens de crianças sendo abusadas sexualmente.

Na representação entregue ao Conar, que também foi entregue ao Ministério Público Federal em São Paulo, o presidente da Safernet, Thiago Tavares, professor de direito da informática da Universidade Católica em Salvador, defende que a regulamentação da publicidade na web 2.0 (sites e comunidades com conteúdo gerado e atualizado pelo usuário) seja discutida pelo Conar em conjunto com o poder público e entidades da sociedade civil que denunciam crimes contra os Direitos Humanos na Internet.

Edital da 3G sai na primeira quinzena de setembro

O presidente da Anatel, Ronaldo Sardenberg, afirmou hoje que o edital de  licitação da terceira geração da telefonia móvel será lançado na primeira quinzena de setembro. A agência recebeu 205 contribuições de 15 entidades à consulta pública do leilão, que se encerrou ontem. Sardenberg participou da abertura do 11 Econtro Tele.Síntese, da Momento Editorial, que está debatendo “Os Desafios Regulatórios na Prestação de Serviços Móveis de Terceira Geração”.

O  presidente voltou a afirmar que essa licitação irá mudar um paradigma, já que irá trocar o preço da licença por maior cobertura. “O preço ficará muito próximo à realidade dos investimentos”, afirmou. Segundo Sardenberg, a Anatel decidiu lançar este ano a licitação da 3G baseada em três premissas: reduzir o hiato industrial e acompanhar a evolução tecnológica mundial; manter e geerar empregos no Brasil e dar suporte à política de governo para a inclusão digital.

Por isso, explicou, a agência propõe que todos os municípios com menos de 30 mil habitantes (o que corresponde a 82% dos municípios brasileiros) tenham,em dois anos, cobertura de telefonia celular, seja em 2G ou em 3G. Para isso, a agência irá permitir o compartilhamento das redes.

Active Image TeleSíntese

Conselho da emissora terá membros indicados pelo presidente

Brasília – O conselho gestor da instituição que comandará a nova TV pública brasileira deve ser formado por 15 ou 20 representantes da sociedade, com estabilidade nos cargos, e indicados pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O órgão teria a atribuição de ser um dos responsáveis pela gestão participativa da sociedade na nova rede pública. As informações sobre o formato do conselho foram apresentadas pelo ministro-chefe da Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República, Franklin Martins, durante a 20º edição do debate Fórum do Planalto.

Segundo o ministro, o conselho não terá "representantes corporativos" e citou como exemplos associações e sindicatos. Franklin afirma que representantes de instituições no conselho poderiam restringir o debate sobre a atuação da instituição pública de comunicação, uma vez que os integrantes poderiam buscar interesses de uma determinada categoria nas decisões. Martins acrescentou que, num primeiro momento, o presidente Lula vai decidir quem comporá o conselho, mas não informou nomes ou áreas profissionais de origem.

Durante o Fórum Nacional de TVs Públicas, que discutiu metas para a consolidação de emissoras públicas no país e apresentou propostas ao governo, uma das recomendações aprovadas na Carta de Brasília foi a de que "as diretrizes de gestão, programação e fiscalização da TV pública devem ser atribuição de órgão colegiado deliberativo, representativo da sociedade, no qual o Estado e o governo não devem ter maioria".

A criação da nova rede pública de televisão é discutida por um grupo de trabalho criado em abril. O grupo tem a atribuição de discutir três temas: modelos de financiamento, gestão e rede. O grupo é integrado pelos ministérios da Educação, Cultura e Comunicações e é coordenado pelo ministro Franklin Martins. A nova instituição pública, que cuidará de conteúdos de TV, rádio e internet, surgirá da fusão das estruturas da Radiobrás e da Associação de Comunicação Educativa Roquette Pinto (Acerp).

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Subcomissão põe parlamentares donos de rádio e TV sob pressão

Se depender dos próximos passos planejados pela Subcomissão de Radiodifusão da Câmara, deputados e senadores não poderão mais ser donos ou sócios de rádios e TVs em todo o país. A presidente da subcomissão, deputada Luiza Erundina (PSB-SP), confirmou ao Congresso em Foco que vai propor uma emenda constitucional ou até mesmo uma Ação Direta de Inconstitucionalidade (Adin) no Supremo Tribunal Federal (STF) para fazer valer o que prevê a Constituição de 1988.

De acordo com o artigo 54 da Constituição Federal, deputados e senadores não podem ter participação nesse tipo de empresa, concessionária da administração pública. Na prática, até mesmo colegas da deputada na Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática (CCTCI), à qual a Subcomissão de Radiodifusão está subordinada, descumprem a Constituição. 

Como revelou o Congresso em Foco em março deste ano (ver "Como a raposa vigia o galinheiro"), um em cada cinco deputados da CCTCI tem ligações com emissoras de rádio ou TV. Dos 76 membros (titulares e suplentes) do colegiado, que tem o poder de analisar e aprovar projetos de outorga e renovação das concessões dos serviços de radiodifusão, 16 mantêm relações diretas ou indiretas com veículos de comunicação.

Junto com a relatora da subcomissão, deputada Maria do Carmo Lara (PT-MG), Erundina quer acabar com as discussões sobre a legalidade das concessões dos parlamentares e as interpretações sobre o artigo 54. Para conseguir organizar as mais de 100 propostas sobre a regulação do setor que tramitam na Câmara, a deputada também já decidiu pedir nova prorrogação dos trabalhos até o fim do ano legislativo.

Margem para desvio

"Há dúvidas na interpretação do artigo. E é isso que dá margem a esses desvios. Temos que criar essa vontade política. E essa vontade política precisa ser criada de fora para dentro e não aqui dentro", avalia a deputada do PSB ao ser questionada sobre a viabilidade da proposta diante do corporativismo e do interesse direto de seus colegas concessionários. "Eu acho que o artigo precisa ser cumprido. Esse será um ponto muito importante do meu relatório", avisa Maria do Carmo Lara.

E enquanto não dão a cartada final sobre o fim do apadrinhamento político na radiodifusão nacional, as deputadas pretendem tomar duas medidas nunca antes vistas na Câmara. A primeira delas é um pedido de auditoria, que deve ser entregue nos próximos dias ao Tribunal de Contas da União (TCU) sobre o processo de concessão e renovação de outorgas de rádios e TVs na própria Câmara.

"Já estivemos com os auditores que devem mapear a rede de rádios comunitárias, todas as denúncias de irregularidades, ilegalidades e apadrinhamento político. O Tribunal já disse que vai acolher nosso pedido e dentro dos limites do prazo para ser aproveitado no relatório final da subcomissão", explica Erundina.

Em junho deste ano, a CCTCI aprovou o Ato Normativo nº 1, que promete reformular o processo de concessão na Câmara. Segundo a presidente da subcomissão, a medida ainda não mudou o modo como o Ministério das Comunicações envia os processos ao Legislativo. O artigo 7º da norma interna prevê que essa auditoria do TCU seja realizada anualmente.

"O poder Executivo não incorporou as sugestões do ato normativo, mas nós fizemos indicações claras do que dever ser feito. Talvez o tempo ainda seja curto e vamos dar um voto de confiança. Mas vai depender também de se fazer uma pressão para que essas inovações, que não são tão grandes, comecem a engrenar e dar maior transparência ao processo", afirma Erundina.

Controle social

Para aumentar o controle social sobre o processo, o artigo 8º do ato normativo prevê a criação de um sistema público de informações. Segundo o texto, o mecanismo deve permitir "acesso facilitado a dados sobre processos de apreciação dos atos de outorga e renovação de concessão, permissão ou autorização submetidos à apreciação da Câmara dos Deputados".

De acordo com a presidente da Subcomissão de Radiodifusão, o departamento de informática da Câmara está na fase final de criação de um software para dar transparência na tramitação dos processos e instalar a consulta na página da CCTCI na internet.

O Ministério das Comunicações retirou de seu site a base de dados que possibilitava a consulta ao Relatório de Sócios e Dirigentes das Entidades de Radiodifusão. Oficialmente o ministério informa que a busca deverá "ser realizada através do link ANATEL (http://sistemas.anatel.gov.br/siacco/), onde os dados são atualizados periodicamente".

O novo sistema, segundo entidades do setor ouvidas pelo site, diminuiu a transparência, pois a pesquisa só pode ser feita a partir do nome da emissora ou do seu número de cadastro na Receita Federal. O Congresso em Foco entrou em contato com o Ministério das Comunicações, mas não obteve retorno até o fechamento desta edição sobre a mudança no processo de consulta na internet e as declarações da deputada Luiza Erundina.

Mas, mesmo com um longo caminho pela frente e a resistência dos parlamentares concessionários de rádio e TV, há quem acredite na viabilidade das mudanças propostas pela subcomissão. "A eficiência das medidas têm sido supreendentemente positiva do ponto de vista político, o que era inimaginável antes da criação da subcomissão", acredita Venício A. de Lima, pesquisador sênior do Núcleo de Estudos sobre Mídia e Política (NEMP) da Universidade de Brasília (UnB).

Estudo realizado por Venício no Projor, a entidade mantenedora do Observatório da Imprensa, mostrou que na legislatura passada integrantes da CCTCI donos de emissoras de rádio votaram na renovação das suas próprias concessões. O caso gerou, recentemente, uma representação ao Ministério Público Federal que ajuizou cinco ações civis públicas contra quatro ex-parlamentares e um deputado licenciado.

Suspeita de favorecimento

O Ministério Público Federal no Distrito Federal (MPF/DF), que propôs as ações no último dia 23 de julho, argumenta que "houve favorecimento pessoal nas concessões, uma vez que os parlamentares – sócios das empresas – participaram das votações em que foram analisados e deferidos os pedidos de concessão e renovação dessas outorgas".

Os processos tramitam na Justiça Federal no Distrito Federal. Os procuradores da República pedem, em caráter liminar, a suspensão imediata das concessões. No mérito, o pedido pretende anular definitivamente as outorgas. As empresas, segundo o MPF, podem ser condenadas a pagar multa por dano moral e os ex-parlamentares podem ainda ser processados por improbidade administrativa.

Os ex-deputados denunciados são: João Mendes de Jesus (sem partido-AL), apontado como sócio-diretor da Alagoas Rádio e Televisão (Maceió); Wanderval Santos (PL-SP), identificado como sócio da Rádio Continental FM (Campinas), Corauci Sobrinho (PFL-SP), sócio da Rádio Renascença (Ribeirão Preto), e João Batista (PP-SP), associado à Sociedade Rádio Atalaia de Londrina. A denúncia também se estende ao deputado licenciado Nelson Proença (PPS-RS). O atual Secretário de Desenvolvimento e Assuntos Internacionais do Estado do Rio do Grande do Sul é relacionado pelo MPF como sócio da Emissoras Reunidas, de Caxias do Sul.

O levantamento feito pelo professor Venício A. de Lima, publicado pelo Congresso em Foco ainda em 2005 (ver aqui), também mostrou que 49 deputados da legislatura passada eram concessionários diretos de emissoras de rádio e TV, conforme dados oficiais do Ministério das Comunicações. Dos 81 senadores, 28 controlavam emissoras de rádio ou TV, em nome próprio ou de terceiros, de acordo com pesquisa feita pelo Instituto de Estudos e Pesquisas em Comunicação (Epcom) (ver aqui). Ainda não há dados atualizados sobre a atual legislatura.

Active Image Congresso em Foco