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Declarações de Guimarães criam mal-estar entre programadores

Gerou imenso desconforto entre programadores internacionais as críticas feitas pelo vice-presidente de relações institucionais das Organizações Globo, Evandro Guimarães, em audiência no Senado Federal na última quinta, 23. Evandro chamou de "contrabando" a transferência de recursos financeiros oriundos de publicidade para o exterior por conta da atuação dos canais de TV paga. "A publicidade nessas TVs (pagas) é uma evasão de divisas clara, é contrabando específico. A Ancine tem que regular isso. O termo usado aqui me marcou, mas é contrabando sim, a palavra foi bem colocada. Esses comerciais estão gerando empregos lá fora, gerando lucro lá. E acabam sendo só traduzidos para passar aqui", disse o executivo.

A argumentação dos programadores internacionais é que toda a comercialização de publicidade realizada no Brasil é lícita e que a atuação das empresas é regulada pela Ancine, que registra as obras e os valores remetidos ao exterior. Para alguns programadores, Guimarães quis criticar, na verdade, a regra de incentivo que dá às programadoras estrangeiras a opção de não recolherem a Condecine sobre remessas em troca de investimento de 3% do valor das remessas ao exterior em co-produções locais. Mesmo assim, alegam os programadores, este é um mecanismo estabelecido em lei, que tem dado resultados e que em nada prejudica as programadoras nacionais.

Active Image Tela Viva News.

Hélio Costa diz apoiar Conferência construída com sociedade civil

O ministro das Comunicações, Hélio Costa, defendeu esta semana, em reunião com o FNDC, a necessidade da realização de uma Conferência Nacional de Comunicação, de caráter plural e democrático, construída pela sociedade e o governo, a ser convocada junto com o Congresso.

Em audiência na última quarta-feira (22), em Brasília, no Ministério das Comunicações, o Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação (FNDC) ouviu do ministro Hélio Costa suas considerações sobre a necessidade de que efetivamente se abra um debate amplo sobre o setor de comunicação, a ser construído com pluralidade.

O ministro afirmou que o encontro de setembro – que vem organizado juntamente com o Senado e a Câmara – será um evento de caráter preparatório para aquele que deverá ser o “grande espaço democrático e amplo” da sociedade brasileira, a Conferência Nacional de Comunicação.

Segundo a cineasta Berenice Mendes, representante do FNDC na audiência, o ministro demonstrou a mesma expectativa em relação a esta demanda do Fórum, de construção de uma conferência com características democráticas, unindo em torno dos debates o Congresso, os empresários do setor e os movimentos organizados da sociedade civil. “O ministro deixou claro que já estamos atrasados neste debate, porque muitas coisas já estão acontecendo”, relata Berenice.

Um dos assuntos destacados por Hélio Costa para ser tratado na Conferência, segundo a cineasta, é justamente uma questão sobre a qual o FNDC vem reclamando e pautado há tempos, a falta de políticas para o setor, a partir do Ministério das Comunicações. “Hélio Costa lamentou que o Minicom está esvaziado de seus quadros técnicos e de políticas para o setor de comunicações, e a Anatel vem se sobrepondo na formulação dessas políticas”, contou Berenice. Costa reforçou ainda, à representante do FNDC, a importância de levar as pautas da democratização da comunicação à Câmara, à Casa Civil, ao Ministério da Indústria e Comércio, “para mostrar a demanda social que existe na discussão dos nossos temas”, destaca a cineasta.

Active Image Redação FNDC.

Federação Latino-americana repudia assassinato de jornalista chileno

A Federação Latino-americana de Trabalhadores da Comunicação Social (Felatracs) faz um chamado a todos os sindicatos da comunicação social, jornalistas, escritores, artistas plásticos, artistas de arte cênica e intelectuais em geral, para que façam chegar cartas à Embaixada do Paraguai ou da Representação Diplomática, expressando um enérgico repudio ao assassinato do jornalista chileno Tito Palma.

Palma era diretor da rádio FM Mayor Otaño e todos o conheciam por seus comentários críticos a políticos e personalidades influentes de Mayor Otaño (a 400 quilômetros ao sudeste de Assunção). Além de denúncias relacionadas a máfias vinculadas ao tráfico de drogas. Ele foi assassinado a tiros em 22 de agosto, na Itapúa, enquanto jantava com sua namorada e com amigos, em uma casa da localidade. Os tiros foram dados por dois homens vestidos de militares.

A Felatracs, profundamente comprometida na defesa e promoção dos direitos e liberdades dos trabalhadores da comunicação social, condena de maneira enérgica o assassinato de Tito Palma, e expressa sua solidariedade com os familiares e colegas do jornalista vitimado. A Federação exige que as investigações avancem com a rapidez que o caso exige e se castigue com todo o rigor da lei aos assassinos.

Padrão para liguagem digital da Microsoft sofre derrota no Brasil

Não deu para a Microsoft. Depois de meses de discussões e reuniões marcadas por bate-boca, a Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) decidiu reprovar a adoção do sistema defendido pela companhia, o Open XML, sugerido como padrão de comunicação para uniformizar a linguagem mundial de todos os arquivos digitais, como documentos de texto e mensagens de e-mail. 

A decisão do diretor de normalização da ABNT, Eugenio Guilherme Tolstoy De Simone, foi enviada ontem ao grupo de técnicos que participaram das discussões, depois de uma tumultuada reunião realizada na última terça-feira, no Rio de Janeiro. "(…) O voto do Brasil que está sendo enviado pela ABNT à ISO é de desaprovação pelas razões técnicas apontadas (…)", informou o diretor da ABNT. 

Não é uma questão meramente técnica. Agora que está definido, o voto de reprovação do Brasil segue para a ISO (sigla para Organização Internacional para Padronização), que tem coletado opiniões de vários países para definir se a proposta da Microsoft pode ou não ser uma linguagem padrão. A postura da ABNT será mais um elemento de avaliação para a decisão da ISO. 

O interesse em ter o reconhecimento da ISO não se restringe à publicidade com selos de qualidade. Se a linguagem de programação é considerada um padrão pela ISO, ela passa a ser exigida, por exemplo, pela Organização Mundial do Comércio (OMC), quando esta for legislar sobre que normas técnicas vigorará entre países. Daí tanto barulho. 

O objetivo da Microsoft é dar à sua proposta tecnológica o status já alcançado pelo padrão rival ODF, que já foi reconhecido pela ISO e tem apoio total de empresas como Google, IBM e Sun Microsystems, além de toda a comunidade de desenvolvedores de sistemas de código aberto, o chamado software livre. Do lado do Open XML fazem coro à Microsoft empresas como Intel e HP. 

Vários países do mundo estão se posicionando a respeito do assunto. Uma das preocupações, por exemplo, é a de garantir que daqui a 20 anos os sistemas em uso sejam capazes de abrir qualquer documento de texto escrito na década de 90. No Brasil, a discussão foi marcada por polêmicas e acusações, uma celeuma que, no último momento, também envolveu a mão do governo. 

Na última segunda-feira, um dia antes da reunião final sobre o tema, o diretor de normalização da ABNT, Eugenio Guilherme Tolstoy De Simone, foi até Brasília. O encontro foi articulado pelo deputado federal Paulo Teixeira (PT/SP). No Itamaraty, o diretor da ABNT se encontrou com representantes dos ministérios da Defesa, Ciência e Tecnologia, Planejamento, Casa Civil e Desenvolvimento, além do Serpro. "O governo consolidou a sua opinião e deixou claro que seu voto era contra o Open XML", disse ao Valor uma fonte que participou do encontro. 

Na reunião do dia seguinte, no Rio, não se chegou a um consenso. "Foi tumultuado. Houve momentos em que os técnicos tiveram que se ausentar da sala de discussão", diz diretor de novas tecnologias aplicadas da IBM Brasil, Cezar Taurion, que participou do encontro. 

O imbróglio resultou na apresentação de um documento com 63 restrições ao Open XML, entre elas as que reclamavam da inclusão de códigos fechados no sistema, o que impossibilita conhecer exatamente seu funcionamento. "Ficou claro que todos concordaram que havia problema técnicos", comenta Luiz Fernando Maluf, executivo da Sun. 

Para o presidente da integradora de software L3, Leandro Lopes, que representou a Associação Internacional de Parceiros Microsoft (IAMCP), faltou maturidade. "A discussão não foi técnica. Virou um palanque, uma confusão generalizada, é uma pena." 

Segundo Cesar Taurion, da IBM, "a decisão foi lógica". Todos viram que havia problemas técnicos e concordaram nisso, diz o executivo. "Não é uma questão de vitória. Nós brigamos por padrões abertos, o mundo dos sistemas proprietários está morrendo." 

A resistência da Microsoft em apoiar o padrão aberto ODF reside no argumento de que se trata de uma linguagem limitada, incapaz de alcançar as especificidades de seus sistemas, principalmente os antigos. Procurada pela reportagem, a Microsoft Brasil ressaltou, por meio de nota, que "os comentários técnicos que foram objeto de consenso (…) devem contribuir para o aperfeiçoamento do padrão Open XML." 

Segundo a companhia, "o fato de ter havido consenso técnico representa efetivamente uma oportunidade de evolução da norma, como parte do processo natural de elaboração de qualquer norma técnica." A empresa informa ainda que continuará a trabalhar em sua alternativa ao ODF. "O Open XML reconhece versões anteriores de formatos de documentos, permite a conversão dos documentos em ODF e vice-versa, sem que haja uma dependência a um único fornecedor para ambos os padrões." 

Na última semana, o Comitê Internacional para Padrões de Tecnologia da Informação (Incits), dos Estados Unidos, rejeitou a proposta da companhia. A mesma postura foi adotada por instituições do Canadá, Índia e Japão. 

Active Image Valor Econômico.

Set-top box de R$ 200 não receberá sinal alta definição

Um engenheiro que vem acompanhando o desenvolvimento dos set-top boxes nacionais diz que "a mágica" em relação ao set-top box que a Telavo produzirá com a Encore indiana e com a Teikon, com a promessa de chegar ao mercado por cerca de R$ 200, está no uso do stream de vídeo para receptores móveis e portáteis (sinal 1-SEG). Este é o set-top que está sendo comemorado pelo governo (especialmente pelo ministro Hélio Costa) como referência de preços para a indústria.

Em outras palavras, o receptor de R$ 200 não receberia o sinal em alta definição (HDTV), mas um sinal com menor resolução e maior compressão, destinado aos telefones celulares e outros dispositivos de recepção portátil. A Telavo apresenta na feira um segundo receptor, baseado em tecnologia da ST, que deve chegar ao mercado a preços iguais aos apontados pelos outros fabricantes, ou seja, na casa dos R$ 800.

R$ 800

Quase todos os fabricantes que estão expondo na Broadcast & Cable dizem ser impossível fabricar um set-top box ao preço proposto pelo Governo Federal. Segundo eles, o custo do processador ainda é muito alto para se chegar ao preço final de R$ 200. Dois fornecedores de tecnologia estão disputando o mercado de set-top boxes para a TV digital aberta: a ST e a Zinwell. As duas estão sendo testadas por cerca de 25 fabricantes no total.

Os preços apontados pelos fabricantes, nenhum deles fabricantes de televisores, apenas set-top boxes, ficarão entre R$ 700 e R$ 800. Conforme apurou TELA VIVA, o custo da tecnologia deve ficar em torno de US$ 100, sem contar industrialização e comercialização. E essa tecnologia embarcada representaria um quarto do preço final dos equipamentos.

Entre os que pretendem lançar os equipamentos está a Visiontec, que já conta com uma rede de distribuição de equipamentos para recepção satelital. A empresa aposta em duas linhas de produtos. Uma para o consumidor que já conta com televisores HD de LCD ou plasma, que contará com saídas HDMI e de áudio digital. Outro seria para os usuários urbanos de antenas parabólicas, que não recebem um bom sinal de TV aberta. Estes equipamentos contariam apenas com uma saída de vídeo composto e áudio estéreo. A empresa trabalha para lançar os equipamentos no final do ano já com o middleware Ginga.  

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