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Lula lança PAC cultural para aprofundar as políticas para o setor

A espera pela inclusão da Cultura no Programa de Aceleração do Crescimento parece ter chegado ao fim. O alardeado PAC cultural, batizado de Mais Cultura, será lançado esta semana. Com as presenças do presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, e do ministro Gilberto Gil (Cultura), o programa vai ser apresentado no próximo dia quatro de outubro, às 11h, em Brasília, com promessas de ampliar e aprofundar políticas públicas para o setor.

De acordo com informações da assessoria do Ministério da Cultura (MinC), durante a solenidade, que será realizada na Sala Villa-Lobos do Teatro Nacional, ao todo, cerca de 30 documentos – entre convênios, termos de cooperação e acordos – deverão ser assinados com órgãos governamentais, estatais e instituições da iniciativa privada.

Apesar da expectativa do setor cultural, o programa está sendo chamado pelo governo de PAC social, segundo informou o secretário-executivo do MinC, Juca Ferreira, em entrevista por telefone à reportagem do 100canais. “O governo Lula sentiu necessidade de ampliar iniciativas para a redução das desigualdades no país”, comenta. Essas ações serão desenvolvidas sobre vários eixos, e a cultura é um deles.“É a primeira vez que um governo prioriza a cultura como necessidade básica”, afirma Juca.

O Programa pretende assegurar, ampliar e aprofundar as políticas públicas para a área, defendidas e praticadas pelo Ministério da Cultura, nos últimos cinco anos, em suas três linhas de ação: Cultura e Cidadania, que aborda a cidadania, as identidades e a diversidade; Cidade Cultural, que visa a qualificação do ambiente social e o direito à cidade; e Cultura e Renda, que focaliza a ocupação, a renda e o financiamento da Cultura.

Investimentos

A informação oficial sobre o volume de recursos [até o fechamento desta reportagem] ainda não foi divulgado, mas o secretário garante que o valor para a cultura deve ser de, aproximadamente, R$ 4 bilhões – somando o atual orçamento, recursos já disponíveis e parcerias com a iniciativa privada.

O programa Cultura Viva e a ação desenvolvida nos pontos de cultura estão entre os beneficiados. “Atendemos até o momento cerca de 700 grupos culturais”. Um indicador de sucesso relativo, diz o secretário, que também confirma a meta de ampliar o número de pontos para 20 mil até 2010.

Ferreira reconhece que o programa enfrenta problemas de gestão e confirma que ele deve passar por mudanças estruturais. “No atual volume, a administração já tem sido problemática, por isso faremos convênios com governos, prefeituras e empresas para sanar esses problemas”. Na avaliação do secretário, muitas das dificuldades estão vinculadas ao despreparo e a fragilidade das associações e entidades que pleiteiam os convênios.

Realidade política

Em 609 municípios não há biblioteca pública, conforme apontou pesquisa do IBGE divulgada em setembro. O secretário-executivo do MinC rebate dizendo que mudar esse cenário é outro objetivo do programa. Além das medidas emergenciais, ou seja, zerar essa carência, diz que o MinC pretende ampliar o conceito por trás desses espaços. “Queremos assegurar, principalmente em municípios menores e em periferias, além do contato com o livro, acesso à internet e às novas tecnologias”.

A pesquisa do IBGE revela ainda que 42% dos municípios brasileiros não têm uma política cultural formulada. Em português claro, isso quer dizer que a cultura está às margens da agenda de políticas públicas de quase metade do país.

Para Ferreira, o interesse dos municípios nos recursos do PAC cultural deve mudar esse quadro. “Vamos impor condições mínimas para participação no programa. Isso deve elevar o compromisso com a Cultura”, conclui.

Norma do Minc vai regulamentar Cineclubes

Espera-se para esta semana a publicação da Instrução Normativa da Agência Nacional do Cinema (Ancine) que institui a figura jurídica dos Cineclubes novamente na burocracia brasileira. Sim, apesar de praticamente qualquer um saber o que é um cineclube, ao menos por aproximação, há 18 anos não existe no Brasil a regulamentação da atividade, um registro das instituições que são cineclubes, ou sequer uma conceituação do que seriam cineclubes.

A Instrução Normativa (IN), que deve ser aprovada em reunião da Diretoria Colegiada neste dia 2 de outubro, tem como preceito básico delimitar os cineclubes como espaços de exibição não-comercial de obras audiovisuais nacionais e estrangeiras e de atividades correlatas. Por isso, os cineclubes são entidades constituídas sob a forma de sociedade civil, sem fins lucrativos, que têm como objetivos serem espaços para a multiplicação de público e formação de opinião para o setor audiovisual. A IN abre ainda a possibilidade do registro de entidades que se pretendem cineclubes junto à Ancine, facultativo e com duração de dois anos, com emissão de um certificado de registro.

Na “Exposição de Motivos”, documento com o objetivo de justificar o projeto da IN, foi destacado ainda o papel dos cineclubes na universalização do acesso às obras audiovisuais, em especial as nacionais, e a possibilidade de permitir à Agência o acompanhamento desse segmento de mercado – na prática, desconhecido -, e também de como discipliná-lo e distinguí-lo das salas de exibição comercial. A construção da Exposição e da IN envolveu, de acordo com seu proponente, o diretor Leopoldo Nunes, todas as instâncias técnicas da Agência e a participação popular, através do Conselho Nacional de Cineclubes Brasileiros (CNC).

Para Nunes, este momento representa a retomada de um exercício de formalização da atividade, e até por isso é interessante que as entidades tenham a opção de não fazê-lo. “É um processo iniciado numa Proposta de Ação que vem sendo discutida desde minha entrada, com debate e problematização pensados para permitir seu amadurecimento. Na Consulta Pública, surgiram de 800 a 900 contribuições, a maioria apoios integrais ao texto, além de alterações gramaticais ou de ordens de artigos, todas já consolidadas pela nossa ouvidoria, após uma longa discussão que durou seis meses”, diz. A Consulta Pública esteve aberta até 15 dias atrás, por um período de aproximadamente um mês.

O gestor problematiza a questão: “Essa regulamentação é necessária para você definir o que é o espaço não-comercial. Se não é regulamentado, tudo começa a fazer parte da mesma regra: a regra comercial. O cineclube não é uma estrutura comercial, tem exploração diferente, associativa/cultural, e sem fins lucrativos. Outra coisa muito relevante, do ponto de vista cultural, é você pegar filmes que não fizeram carreira comercial – alguns consagradíssimos, dos melhores já foram produzidos no país – e que passaram a pertencer à cinematografia brasileira através do movimento cineclubista. O Cineclube existe e deve ser definido para não gerar um atrito violento com estruturas como a Ancine”, diz Nunes.

De um passado nebuloso à ação do movimento

Embora com um movimento cineclubista reconhecido, em especial entre os anos 70 e 80, do qual fizeram parte cineastas como o próprio Leopoldo Nunes, os cineclubes sofreram com o “desmonte” do cinema, ocorrido no final da década de 1980. Desregulamentada, a atividade foi também desarticulada, e sem entidades ou mesmo uma legislação específica ficou relegada às iniciativas particulares. No final da década de 90 o movimento retomou o fôlego, com a realização de diversas jornadas de Cineclubes, e a constituição, em 2004, do CNC, que tem organizado assembléias e apoiado projetos do atual governo, como o Programadora Brasil e o Programa Cultura Viva.

Antonio Claudino Jesus, presidente do CNC e vice-presidente da federação internacional do setor, conta que a proposta da IN saiu dos fóruns da entidade, em 2006, e foi proposta no começo deste ano à Ancine., junto da diretoria coordenada pelo Leopoldo Nunes. “Essa IN foi provocada pelo conselho, que se mobilizou para que ela existisse”, afirma.

Um novo audiovisual?

Apesar das conjecturas da Ancine e do CNC acerca da importância deste momento para a estruturação das salas de exibição não-comerciais, não se sabe ao certo quantas, quais e como são estas salas, nem o que são as redes que formam – se é que há redes já formadas. O projeto tem também este fator político, de auxiliar o cadastro destas entidades e consolidar o CNC como entidade articuladora dos cineclubes em nível nacional, realizando suas iniciativas e apoiando outras. Mas é fato que, entre Pontos de Cultura, escolas, clubes e entidades afins, pouco se sabe acerca de quem é ou não cineclube hoje.

“A idéia é justamente acabar com este vazio institucional, e formar uma identidade para os cineclubes para além da legislação que há hoje. Cineclube é uma entidade, sem fins lucrativos, formada em torno do cinema, com o objetivo de formar e organizar um público para debates sobre o cinema ou a partir do cinema, e com isso fomentar também a cidadania”, coloca Jesus. Ele também frisa a importância de entender que estes espaços podem existir dentro de outras instituições, como escolas, sindicatos ou igrejas, ou mesmo ser clubes de intelectuais debatendo técnicas cinematográficas.

Membro do cineclube da associação de moradores do seu bairro, Jesus aponta que, apesar de pouco organizados, os cineclubes são hoje plurais. Cerca de 100 cineclubes filiados formalmente ao CNC, mas já há mais de 300 mapeados país afora. Exibe-se, hoje, de salas estruturadas, com iluminação e isolamento acústico até velas de pescadores no nordeste ou paredes de conjuntos habitacionais nas periferias de São Paulo. Tal diversidade e capilaridade, por sua vez, aproximam os cineclubes de propostas como o Programa Cultura Viva, e muitos cineclubes têm se tornado Pontos de Cultura – uma forma de se organizarem melhor e crescerem, sem enfrentar tantas dificuldades burocráticas. E muitos deles têm começado a produzir suas próprias experiências em audiovisual.

Outro exemplo deste “momento de militância” foi o Primeiro Fórum de Experiências Populares em Audiovisual, de onde saiu a “Carta da Maré”, realizado em junho deste ano. Foram reunidos 42 grupos, que levaram suas propostas ao Ministério da Cultura. Entre elas, estender as políticas de financiamento, distribuição e exibição das produções para fomentar o audiovisual popular; criar editais públicos adequados aos “núcleos populares” de formação audiovisual e regionalizados; divulgar as produções periféricas através da TV pública e do Programadora Brasil; fomentar a co-produção com TVs públicas e comerciais; integrar as universidades públicas, instituições de comunicação comunitária e o poder público a estas políticas; e o desenvolvimento de políticas de educação audiovisual em conjunto com a sociedade civil.

Apesar da aprovação prevista para esta semana, a IN dos cineclubes terá ainda um lançamento simbólico, previsto para a Pré-jornada de Cineclubes, em Vitória, e que deve ocorrer até o começo de novembro. Para Nunes, “é um evento muito importante, e vamos procurar estar lá, firmando este canal com o movimento”.

Nos EUA, Gilberto Gil prega cultura do remix e Creative Commons

Em palestra proferida durante a conferência Technology Review EmTech nesta quinta-feira (27/09), o música e Ministro da Cultura Gilberto Gil voltou a defender que a real inclusão digital passa pela criação de conteúdo multimídia na internet e classificou o movimento de software livre e a cultura do remix de motores do progresso.

A idéia marxista de entregar os meios de produção às massas agora significa dar-lhes acesso tanto à internet em banda larga como a ferramentas de criação e permitir que o público participe em economias e indústrias que estão sendo corroídas pela tecnologia.

A abordagem do Creative Commons frente à propriedade intelectual promove inovações ao promover algo que Gil chamou de cultura do remix, impulsionando o futuro da arte e da intelectualidade, segundo ele. "Criatividade e desenvolvimento da ciência e das artes sempre foram relacionadas à liberdade de acesso", afirmou Gil em um informal encontro com jornalistas depois de seus discurso.

Gil classificou o que chamou de decisões conservadoras de alguns governos e corporações sobre questões que envolvem propriedade intelectual como obstáculos momentâneos, afirmando que "o progresso está sempre ameaçando o status quo".

Enquanto o governo brasileiro não se limita a tratar de questões sobre propriedade intelectual sem aplicar preceitos do Creative Commons, também está tentando influenciar os pensamentos de novas leis sobre direitos que englobem a era digital, em particular que tratem de menores restrições em economias em desenvolvimento, afirma Gil.

Uma maneira prática de dar às pessoas acesso aos meios de produção são os "hotspots culturais", estações de trabalho multimídia que o Ministério da Cultura está montando pelo Brasil com acesso gratuito em banda larga.

Este aspecto da conectividade, do chamado "indivíduo coletivo" como Gil classifica, é importante a ajuda brasileiros a se reconectarem ao que chamou de "diversidade cultural perdida", chegando a atingir até tribos amazônicas que podem gravar rituais e músicas com o programa.

Durante o evento, Gil classificou o projeto One Laptop per Child como revolucionário e falou com orgulho sobre as escolas brasileiras que vêm testando três tipos de notebooks educacionais. A licitação para escolher a plataforma que será usada nos colégios em 2008 está marcada para outubro.

O ministro também apontou dificuldades de interesses e infra-estrutura para avançar com o projeto de banda larga sem fio, feita com a implementação de redes WiMax. Muitos municípios decidiram avançar com suas redes Wi-Fi, mas o grupo de prefeitos está pressionando o governo para a implementação da tecnologia, segundo assessores de Gil.

Leitor afirma que a jornalista foi demitida da TV Cultura por comentário impróprio

O leitor George Martins escreveu ao Observatório afirmando que "a jornalista Salete Lemos, segundo notícia que da TV do Google, foi demitida da TV Cultura pouco depois de fazer um comentário corretíssimo sobre a fome de impostos do governo federal e de todos os governos em geral e a "jogada" dos bancos na época dos plano Bresser, quando embolsaram uma grande quantia de dinheiro por conta do ajuste de zeros".

Segundo Martins, o STF considerou que as pessoas têm direito a receber de volta o que perderam no plano, e os bancos estão chiando e fazendo lobby junto ao governo federal para só pagarem a quem entrar na justiça, diferente do entendimento do STF, que seria direito de todos os corentistas à época, independente de ação.

O leitor informa que a gravação do comentário está no "youtube" .

Transição pode acabar com pequenas rádios, diz parlamentar

Porto Alegre (RS) – A digitalização pode acabar com as rádios comunitárias e independentes, caso o governo não propicie as condições mínimas para a adequação ao novo sistema. O alerta foi dado pelo deputado federal Paulo Bornhausen (DEM-SC), coordenador da Frente Parlamentar da Radiodifusão na Câmara dos Deputados. O parlamentar critica o pouco debate com a sociedade e a falta de clareza nas informações dadas pelo Ministério das Comunicações. Bornhausen também denuncia que se o sistema digital não for bem escolhido e implementado no país, as rádios poderão ser marginalizadas, reduzindo a diversidade de informações disponibilizadas hoje ao cidadão.

O motivos dessa marginalização, explica Bornhausen, seria principalmente a questão econômica, já que as rádios comunitárias e as que não integram as grandes cadeias de Comunicação dispõem de poucos recursos. "Primeiro, porque o sistema é caro. Em segundo, precisa-se saber de que forma irá ser feita essa transição. E, depois, que condições serão dadas, principalmente para as pequenas rádios, que são as que estão à margem desse processo. Porque os grandes grupos de comunicação do Brasil têm dinheiro, tem condições de atender às questões bancárias, financiar os seus equipamentos. E as pequenas rádios, até agora, visto que a digitalização pode custar US$ 150 mil, o que acontece é que são poucas as rádios do país que têm condições de dispor desses recursos sem ter que buscar empréstimos", afirma.

O deputado também reclama da falta de prioridade dada pelo governo federal ao tema da digitalização das rádios. Ele relata que o debate sobre o novo sistema de televisão já está bem adiantado, já que as grandes emissoras estão pressionando para que o padrão seja escolhido e rapidamente implementado. Bornhausen teme que a demora e a falta de discussão com a sociedade sobre a digitalização do rádio possam fazer com que seja aprovado um padrão longe da realidade das emissoras no país.

"Mas agora precisamos da definição, da tecnologia, porque várias rádios vão começar a entrar em operação, como já estão hoje em operação experimental, mas já usam essa tecnologia, e vai ser inviável não fazer rapidamente a universalização da digitalização" diz.

A Frente Parlamentar da Radiodifusão da Câmara irá promover debates sobre a digitalização do rádio. O governo federal ainda não definiu o padrão a ser utilizado, mas Bornhausen avalia que o mais cotado para AM e FM é o sistema dos Estados Unidos, que permite à emissora utilizar o mesmo canal em que já trabalha. No caso das ondas curtas, o sistema mais propício é o europeu. Para o deputado, a digitalização deve facilitar o setor de Comunicações.

"Hoje, o sistema de informações é muito bem coberto pela radiodifusão nacional. Só que à medida que você cria um padrão comercial diferente, um padrão de qualidade, se não der condições para que todos possam se digitalizar, vamos assistir aí a uma diminuição no número de rádios no Brasil, na comunicação, e quem irá ficar descoberto será certamente as pessoas que vivem no interior do país", afirma