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Rádios públicas devem oferecer programação diferenciada

A programação oferecida por uma rádio pública deve ser diferente da grade dos veículos privados. A avaliação é do presidente da Associação de Rádios Públicas do Brasil (Arpub), Orlando Guilhon.

“Se uma rádio pública oferecer o mesmo que uma rádio privada, ela teria que fechar. Elas têm que oferecer uma informação de qualidade mais aprofundada, oferecer a diversidade cultural do nosso povo, enfim tem que fazer aquilo que a área privada não ousa fazer”, avaliou Guilhon que participa do 1º Fórum Nacional de Rádios Públicas.

Coordenado pela Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República (Secom), o evento tem o intuito de compreender melhor os desafios das rádios públicas brasileiras. A programação do fórum teve início hoje (21) e segue até a próxima sexta-feira (23), no Rio de Janeiro.

Para Guilhon, o momento é extremamente propício para o debate já que o tema está na agenda política do país. “A questão da migração do sistema analógico para o sistema digital, tanto para as rádios como para as televisões, e a criação da nova Empresa Brasil de Comunicação (EBC) mostram que o governo está fazendo a parte deles.”

O fórum também vai contar com a participação de rádios públicas de outros países, como a BBC, da Inglaterra, e a Rádio França Internacional (RFI). Segundo Guilhon, a troca de experiências é importante porque pode ajudar o Brasil a elaborar novas políticas e a ampliar a atuação das rádios.

O evento ainda vai discutir formas de manter a programação das rádios públicas de maneira diversificada e diferenciada. Segundo o presidente da Arpub, existem rádios públicas em todo o território brasileiro. A meta é fazer com que a comunicação pública se torne mais competitiva e mais independente. “Ela [a comunicação pública] precisa ter mais inserção, mais gestão pública, mais democracia e portanto mais transparência e controle público.”

Fabricantes criticam proposta de importação de set top box

A proposta do ministro das Comunicações, Hélio Costa, de importar setup-boxes, como forma de obrigar os fabricantes locais a baixarem seus preços, foi considerada como mais uma bravata, mais um “factóide político”. Segundo fabricantes consultados pelo portal Convergência Digital, se fosse tão fácil importar os equipamentos, o próprio mercado já teria corrido atrás dele, como forma de baratear os seus custos.

Para alguns fabricantes, a questão do preço estimado do setup-box no Brasil, algo em torno de US$ 350, é decorrente de fatores como, escala e impostos e o custo e margem de revenda. Somente com o tempo os fabricantes poderão reduzir o preço do equipamento, na medida em que a demanda pelo produto for maior. Isso é regra básica de comércio.

O segundo ponto (impostos) é bem mais complicado. Dependerá de uma política de governo, da vontade de querer subsidiar o custo do equipamento, para não prejudicar as classes de renda mais baixa. Hoje os fabricantes computam uma pesada carga tributária incidente sobre o valor do setup-box. Essa carga é formada pelos seguintes impostos e contribuições sociais: ICMS (18%), PIS/Cofins (9,25%), Imposto de Renda (25%), CSLL (9%).

Somam-se à esses tributos, as taxas de administração cobradas pela Superintendência da Zona Franca de Manaus (Suframa), Imposto de Importação sobre componentes e peças, encargos trabalhistas, o custo do varejista com o transporte da mercadoria, com a publicidade, entre outros encargos de menor valor. Para completar, há ainda o custo com a amortização do desenvolvimento da tecnologia, da pesquisa cietífica, além do pagamento de royalties.

Lá fora o setup-box poderia custar algo em torno de US$ 150. Porém, ao internar o equipamento, esse valor também tenderia a subir. O resultado final talvez não seja tão interessante para o governo. Além disso, há um componente que não foi levado em conta pelo ministro. No Japão, por exemplo, o setup-box não utiliza o software Mpeg-4. Inserir no equipamento apenas para atender ao mercado brasileiro, que inicialmente ainda é pequeno, também custará caro.

Os fabricantes afirmam que já não se chateiam ou se surpreendem, com a fixação do ministro das Comunicações em relação ao custo do setup-box. Entendem que Hélio Costa se precipitou na discussão, e agora tenta achar uma saída política para o fato de que a TV Digital corre o risco, inicialmente, de ser um equipamento voltado para quem poder aquisitivo para compra rum conversor de, no mínimo, US$ 350. Convém lembrar que as TVs de Plasma e Cristal Líquido entraram no país com preços proibitivos, mas hoje já ganharam mercado na classe média. 

Primeiros conversores chegam ao comércio por até R$ 1,1 mil

SÃO PAULO – Os primeiros conversores de TV digital (set-top boxes) chegam às lojas de eletroeletrônicos no próximo dia 26, com preços muito acima dos anunciados pelo governo. A Semp Toshiba, primeira fabricante a apresentar os aparelhos de sua marca, terá duas versões, ambas importadas: uma para aparelhos de TV convencionais, que custará R$ 800, e outra para televisores com imagem em alta definição (HDMI), ao preço de R$ 1,1 mil.

Nos dois casos, os valores são muito superiores aos anunciados pelo ministro das Comunicações, Hélio Costa, para os conversores. Ele defendia um preço máximo de R$ 200, mas chegou a falar até em R$ 30. Na semana passada, Costa ameaçou justamente importar conversores caso os fabricantes não reduzissem seus preços.

Em resposta ao ministro, o presidente da Semp Toshiba, Afonso Hennel, disse ontem que os conversores estão mais caros porque têm tecnologia exclusiva. Por isso, afirmou, não cabem comparações com os preços cobrados pelo equipamento em outros mercados.

– O sistema brasileiro é mais avançado que o de mercados desenvolvidos, como o do Japão – disse Hennel, referindo-se às afirmações de Costa de que os conversores digitais custam entre US$ 60 e US$ 100 (R$ 106 a R$ 176,80, ao câmbio de ontem) em países como EUA e Japão.

Apenas duas empresas fabricam processadores

Hennel alegou ainda que os chips (processadores) usados nos conversores para o padrão digital brasileiro só foram lançados recentemente são produzidos por apenas duas empresas. Por isso, ainda não há escala para que a indústria negocie preços mais baixos.

– Claro que os preços estão altos, é um único mercado, ainda sem escala, que está demandando os chips.

As primeiras transmissões de TV digital aberta no Brasil acontecerão no próximo dia 2 de dezembro, restritas à cidade de São Paulo. A expectativa é que o serviço chegue ao Rio, a Belo Horizonte e a Brasília já no início do ano que vem.

Segundo o presidente da Semp Toshiba, a demora do governo em definir aspectos técnicos do sistema local e, principalmente, a promessa não cumprida de reduzir a carga de tributos para importação das "caixinhas" (Imposto de Importação, IPI, ICMS e PIS/Cofins) também contribuíram para inflacionar os preços nesta etapa.

– Para se ter um padrão de TV digital mais sofisticado que em países desenvolvidos, tem de se pagar um preço – afirmou Hennel.

WAN registra 106 mortes de jornalistas em 2007

Segundo relatório apresentado na segunda-feira (19/11) pela Associação Mundial de Jornais (WAN), 106 jornalistas foram assassinados no mundo desde o início de 2007. Quarenta e cinco deles morreram no Iraque, país considerado mais perigoso para o exercício do jornalismo. Os dados chegam perto dos 110 registrados no ano passado, considerados um recorde.

O levantamento feito pela WAN tem números registrados entre junho e novembro. Nesse período, 16 profissionais morreram no Iraque. Se considerarmos as mortes desde 2003, quando as tropas norte-americanas invadiram o país, o número chega a 150.

Para tentar mudar o quadro, jornalistas iraquianos fundaram o Grupo para a Segurança da Mídia Iraquiana (IMSG), iniciativa elogiada pela associação.

América Latina e Central
Sete profissionais de imprensa foram mortos nas Américas Latina e Central. Um deles foi o brasileiro Ajuricaba Monassa de Paula, assassinado por um vereador em Guapimirim (RJ). Três são da Colômbia. A WAN lembra que jornalistas latino-americanos continuam sendo vítimas de "assassinatos, ameaças e assédio" quando investigam temas como corrupção e tráfico de drogas.

Outras regiões
Na Ásia estão “alguns dos regimes mais repressivos do mundo”. Doze profissionais morreram entre junho e novembro (excluindo o Oriente Médio), metade deles no Paquistão.

A maioria dos países do Golfo Pérsico mantém um “controle governamental sobre a imprensa”. A situação nos territórios palestinos piorou com a tomada da Faixa de Gaza pelo Hamas, em junho. A imprensa palestina "está obrigada a ficar a favor do Fatah na Cisjordânia e do Hamas em Gaza para poder trabalhar com segurança, o que compromete sua objetividade”.

Quem cobre o Afeganistão corre o risco de ser assassinado a qualquer momento. O relatório aponta a morte de uma repórter no país.

A associação lembra também a morte da jornalista russa Anna Politkovskaia, cujos assassinos não foram identificados até agora.

Violações à liberdade de imprensa
A entidade denunciou a China, Paquistão, Geórgia, Azerbaijão Mianmar e Somália por "graves violações" da liberdade de imprensa. A WAN exige que os respectivos governos respeitem “plenamente” os padrões internacionais. O Conselho de Administração da WAN, reunido em Viena, aprovou resoluções contra esses seis países.

Só na China, pelo menos 30 jornalistas e 50 ciber dissidentes estão presos.

Quanto ao Paquistão, a WAN criticou "a repressão" da liberdade de imprensa exercida pelas autoridades após a declaração do estado de emergência no início de novembro. Pelo menos cinco profissionais de imprensa foram detidos, diz o relatório.

Na Geórgia, a imprensa foi alvo da "violência policial" e do "fechamento" de várias emissoras independentes durante manifestações recentes da oposição.

O governo do Azerbaijão mostra uma “hostilidade crescente” contra a imprensa independente e de oposição. Oito repórteres estão presos.

O assassinato do fotógrafo japonês independente Kenji Nagai, durante a crise de outubro em Mianmar, também foi condenado pela associação.

Na Somália, a WAN aponta o “recrudescimento da violência” contra a imprensa como impedimento para o livre exercício do jornalismo

Governo diz que decisão sobre rede pública foi tomada e cita soberania

Está avançada, no âmbito do governo, a discussão para a criação da rede pública de banda larga. Nos últimos dois meses, o presidente Lula coordenou três reuniões com os ministérios envolvidos: o das Comunicações, o da Ciência e Tecnologia, Planejamento e o da Casa Civil.

O ministro Sérgio Rezende, da Ciência e Tecnologia, disse à Folha, por telefone, que o presidente quer iniciar a implantação da rede pública ainda em 2008.

As primeiras escolas, segundo Rezende, serão conectadas à internet em banda larga pelas teles e, progressivamente, será implantada a rede pública.

De acordo com ele, a criação da rede pública de banda larga, paralela à rede privada, já é decisão tomada no governo. Questionado sobre o valor do investimento necessário, disse que será menor do que o Estado investiu em fibras óticas que estão ociosas. "O mais caro é o que está parado", acrescentou o ministro.

Soberania

Ele admitiu que há, no governo, o receio de que o Estado fique unicamente na dependência de companhias telefônicas privadas. "O governo tem a preocupação de que seu sistema de segurança esteja em mãos de empresas que, por alguma razão, possam tomar medidas contra ele", resumiu.

Rezende disse que, das 140 mil escolas públicas existentes, 10 mil têm acesso à banda larga por iniciativa de prefeituras e de entidades diversas.

Rezende afirmou ainda que que o Ministério da Educação já implantou laboratórios de informática nas escolas de nível médio e que é urgente conectá-las à banda larga.

Migração

O ministro admitiu que outros órgãos da administração pública poderão migrar para a rede pública, deixando de usar os serviços privados.

"O próprio MCT tem a Rede Nacional de Pesquisa, que interliga as capitais, por meio da Embratel. Nós pagamos uma boa quantia anual pelo serviço. Se o governo tiver uma rede própria, passaremos a usá-la", afirmou.

Segundo Rezende, o setor público federal é grande cliente das teles, e elas temem perder receita com a implantação da rede pública. "É por isso que elas começam a tornar os preços mais atrativos. Os preços dos serviços de telecomunicações no Brasil estão entre os mais altos do mundo", afirmou Rezende.

O cronograma de construção da rede pública, de acordo com Rezende, depende da decisão judicial sobre a Eletronet e da definição sobre o operador da rede. ""O Hélio Costa [ministro das Comunicações] falou em usar a Telebrás, mas não está decidido, porque ela tem um passivo trabalhista muito grande. O governo vai avaliar se é melhor usar a Telebrás ou criar uma nova empresa", declarou.