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Embratel e Telemar são multadas por descumprir metas de qualidade

A Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) publicou mais uma rodada de multas contra a Embratel e a Telemar por descumprimento de obrigações do Plano Geral de Metas de Qualidade (PGMQ). Os processos foram abertos em 2001 e 2002, mas somente agora tiveram decisão final do conselho diretor. A Embratel foi punida com multa de R$ 1.420.263,98 devido a congestionamento na rede. A taxa de chamadas de longa distância originadas não completadas por congestionamento (vespertino) ficou abaixo do índice permitido nos meses de janeiro a maio de 2001.

A Anatel informou que a Embratel apresentou pedido de reconsideração recente contra a punição, depois de o processo ter sido considerado "transitado em julgado". Já a Telemar levou duas multas no valor total de R$ 4.062.030,11, sendo uma de R$ 1.186.552,57, por congestionamento noturno no Ceará, que resultou em taxa consolidada abaixo do desejável em 2001; e, uma segunda, de R$ 2.875.477,54, por não alcançar os índices mínimos em indicadores como a taxa de chamadas locais não completadas (matutino, vespertino e noturno, de janeiro a março de 2002), taxa de chamadas de longa distância (também nos três períodos do dia, de janeiro a março de 2002); taxa de chamadas de longa distância não completadas por congestionamento (janeiro de 2002); e, não cumprimento da taxa de solicitação de reparo por 100 acessos em serviço, em janeiro de 2002.

As decisões foram publicadas no Diário Oficial da União de sexta-feira, 23.

Observatório vai levantar número de iniciativas existentes no país

Um observatório desenvolvido pelo Ministério do Planejamento em parceria com entidades da sociedade civil vai permitir o levantamento do número de iniciativas de inclusão digital existentes no país.

O projeto de implantação do Observatório Nacional de Inclusão Digital (Onid) foi apresentado ontem (26), durante a 6ª Oficina de Inclusão Digital, que ocorre até quinta-feira (29) em Salvador.

Segundo o secretário-adjunto de Logística e Tecnologia da Informação do Ministério do Planejamento, Rodrigo Assunção, atualmente faltam números para mostrar quantas iniciativas de inclusão digital estão em andamento no Brasil.

De acordo com ele, com a implantação do observatório será possível chegar a números mais precisos. "Antes, um ministério dizia que era apoiava um número ‘x’ de projetos de inclusão, outro dizia que ajudava outros tantos. Mas, às vezes, eles estavam falando dos mesmos projetos. O observatório vai ajudar a saber qual é o número real de iniciativas existentes, sem distorções de número”, explicou.

Além de saber o quanto se trabalha para promover a inclusão digital, o observatório vai identificar as pessoas envolvidas no processo, assim como ajudar a desenvolver ações integradas e permitir a troca de informações entre as iniciativas.

Associações comunitárias, sindicatos e movimentos sociais podem montar telecentros digitais – pontos com computadores com acesso à internet em locais onde for constatado que a população ainda não possui acesso aos meios de informação – e recebem o apoio do governo federal.

Agora, o observatório está cadastrando todos os telecentros existentes. Os responsáveis pelas unidades podem preencher um formulário no site do projeto. Quando o volume dos registros for significativo, o Onid vai divulgar os números.

Depois de preencher o formulário de cadastro, os responsáveis também devem incluí-lo no mapa da inclusão, disponível no site. A idéia é que eles façam uma marca num grande mapa do Brasil interativo, para formar o Tele Atlas.

"Nossa meta é que todos os municípios tenham projetos de inclusão para ver este mapa cheio”, disse Rodrigo Assunção. O mapeamento não está restrito aos que possuem telecentros. Todos os que desenvolvem projetos, desde que sem fins lucrativos, podem preencher a ficha de cadastro.

Lula escolhe membros da sociedade civil para conselho curador

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva nomeou nesta segunda-feira os 15 representantes da sociedade civil que vão compor o conselho curador da Empresa Brasileira de Comunicação – mantenedora da nascente TV Brasil. O conselho é composto também por quatro ministros (Educação, Cultura, Ciência e Tecnologia e Comunicação Social) e um representante dos funcionários da empresa. A nomeação deve ser publicada no Diário Oficial da União nos próximos dias.

Na relação dos nomeados hoje estão o ex-ministro e ex-deputado Delfim Netto (PMDB), o ex-governador de São Paulo Cláudio Lembro (DEM), a empresária Ângela Gutierrez, o economista Luiz Gonzaga Beluzzo, o consultor da TV Globo José Bonifácio Marinho (Boni), o cantor de rap MV Bill, a carnavalesca Rosa Magalhães e Maria da Penha Maia, que deu nome à lei Maria da Penha.

Segundo O ministro Franklin Martins (Comunicação Social), o critério de escolha dos 15 representantes da sociedade civil foi "amplo, plural e observando as diferentes experiências de cada um".

Confira a lista dos 15 representantes da sociedade civil nomeados hoje:

– Ângela Gutierrez – empresária
– Cláudio Lembo – ex-governador de São Paulo, reitor do Mackenzie e membro do DEM
– Delfim Netto – ex-ministro, ex-deputado, economista e membro do PMDB
– Irma Vieira – diretora do Museu Paraense Emílio Goeldi (PA)
– Isaac Pinhanta – professor indígena da tribo dos Ashaninka (AC)
– José Bonifácio de Oliveira Sobrinho (Boni) – empresário, ex-diretor da TV Globo, atualmente dono da TV Vanguarda
– José Martins – vice-presidente do Conselho de Administração da Marcopolo
– José Paulo Cavalcanti Filho – ex-secretário-executivo do Ministério da Justiça e ex-presidente da Empresa Brasileira de Notícias
– Lúcia Willadino Braga – diretora da Rede Sarah de Hospitais
– Luiz Edson Fachin – especialista em Direito de Família
– Luiz Gonzaga Belluzo – economista, empresário e membro do PPS
– Maria da Penha Maia – Biofarmacêutica e vítima emblemática da violência doméstica (inspiradora do nome da Lei de Violência Doméstica e Familiar Contra a Mulher)
– MV Bill – cantor de rap e autor de livros e documentários
– Rosa Magalhães – carnavalesca e artista plástica
– Wanderley Guilherme dos Santos – Intelectual e pró-reitor de Análise e Prospectiva da Universidade Cândido Mendes

Câmara Americana de Comércio mira em público infantil

A estratégia da indústria de entretenimento na defesa de seus interesses ganhou em 2007 uma nova face. Sob o lema “Combater a pirataria aprende-se na escola”, a Câmara Americana de Comércio – AmCham, com o apoio da Associação Brasileira das Empresas de Softwares (ABES), Associação Brasileira de Produtos e Equipamentos Ópticos (ABIOTICA), Business Software Alliance (BSA), Motion Picture Association (MPA), Interfarma, Microsoft e Puma, avançou desta vez sobre escolas de ensino fundamental de São Paulo. 

O projeto de um curso anti-pirataria para crianças foi lançado no início deste ano e já foi trabalhado em cinco escolas, em formato piloto. Segundo Nayana Rizzo,  responsável pelo projeto na AmCham, pesquisas identificaram a faixa etária dos 16 aos 24 anos como a que mais consome produtos piratas. Os dados, porém, fizeram com que a AmCham se planejasse para “resolver o problema em suas raízes”, de modo que o curso foi direcionado às crianças de 7 a 15 anos.

Nayana conta que projeto divide-se em fases: inicialmente, há uma pesquisa com a comunidade escolar e depois palestras junto aos professores em que se apresentam as diferenças entre os produtos originais e os piratas, além dos malefícios que estes últimos podem causar. A partir de então, cabe aos professores, com o auxílio de uma apostila oferecida pela AmCham, retransmitir os conteúdos para os estudantes.

A iniciativa do curso recebeu críticas de setores acadêmicos e movimentos que lutam pela liberdade do conhecimento, que questionam a entrada das empresas nas escolas para defender seus negócios. Para eles, isso significa que o interesse privado está sendo privilegiado no debate sobre propriedade intelectual.

De acordo com Pablo Ortellado, professor de Gestão de Políticas Públicas da Universidade de São Paulo, a maioria dos setores envolvidos no curso têm na propriedade intelectual, especificamente no direito autoral, a base de seus negócios. “O direito autoral é um monopólio de exploração exclusiva”, afirma Ortellado. "Com a concentração dos meios de produção, os autores têm que concorrer entre si para ter acesso aos intermediários, que detêm os para divulgar suas obras".

Um dos argumentos utilizados no curso anti-pirataria da AmCham é de que a violação da propriedade intelectual estaria causando prejuízos para a indústria e, conseqüentemente, a evasão de impostos do país. Dessa forma, a defesa do direito autoral se tornaria um dever cívico. Ortellado, entretanto, contesta a firmação, afirmando que o cálculo feito pelas empresas baseia-se em uma premissa errada. "O comprador de um CD de um real não é o mesmo comprador de um CD de trinta reais", esclarece. Segundo ele, não há estudos que provem que o comércio de produtos piratas e o compartilhamento de produtos interfira na arrecadação destas empresas.

Para sua versão piloto, o projeto contou com o apoio da Secretaria de Educação do Estado de São Paulo. A Escola Josephina Maria Barbosa, que fica no bairro de Jardim Alto do Riviera – zona leste de São Paulo -, foi a única da rede pública estadual a participar. No dia 9 de novembro, recebeu a visita de representantes da AmCham para a apresentação de um teatro com a temática da pirataria pelos alunos. “Eles disseram que o resultado foi  satisfatório”, conta Márcia Paredes, atual diretora da escola. “Foi um desafio porque descobrimos que muitos dos moradores da região, os pais dos alunos, sobrevivem deste comércio informal”, confessa.

Direito autoral x acesso ao conhecimento

Huguette Faria, da Coordenadoria de Ensino e Normas Pedagógicas da Secretaria de Educação, conta que nas demais escolas o conteúdo apresentado pela AmCham sofreu algumas modificações e foi inserido no projeto de educação fiscal que a Secretaria mantém em parceria com o Ministério da Fazenda. Segundo ela, este ano o projeto teve um foco maior no combate a pirataria, por solicitação do Comitê Intersecretarial de Combate à Pirataria do Estado de São Paulo.

Ortellado, que integra o Grupo de Políticas Públicas de Acesso à Informação – GPOPAI da USP, explica que, com as novas tecnologias de informática e o advento da Internet, os autores dependem menos de intermediários e encontram meios de abdicar do direito autoral em benefício do interesse público através de licenças como Creative Commons, por exemplo. Segundo ele, ao apresentar apenas uma perspectiva, a educação sobre propriedade intelectual pode ter um efeito “anti-pedagógico”. “Pode ter o efeito negativo de persuadir as crianças de que as práticas de compartilhamento e cooperação devam ser condenadas", afirma.

Ao contrário de Ortellado, Huguette acredita que não há riscos de que apenas um lado do debate seja apresentado aos estudantes. “Para nós é muito fácil falar de propriedade intelectual porque a gente trabalha justamente com a criatividade”, afirma. “O que tentamos explicar às crianças é que se você é autor de uma coisa, você tem que preservá-la e não deixar ninguém roubar sua criação individual”.

Mariana Tamari, do Coletivo Epidemia, que lida com questões de propriedade intelectual, discorda. Para ela, o compartilhamento da criação é essencial para o avanço do conhecimento. “Quando não se tem acesso à produção criativa de outras pessoas ou anteriores ao que se está criando, muito dificilmente será possível produzir alguma coisa de qualidade”. Ela lembra que a produção artística e científica são possíveis apenas com um acúmulo intelectual anterior.

O próprio processo de aprendizagem, pelo qual as escolas são grandes responsáveis, baseia-se no compartilhamento do conhecimento e, muitas vezes, sofre com restrições decorrentes da propriedade intelectual.  Como exemplo, Ortellado lembra o embate ocorrido em 2005, quando editoras se organizaram para impedir a reprodução de livros. “As diferentes interpretações da lei de direito autoral refletiam a disputa em torno do interesse dos estudantes de fazerem cópias de livro e do interesse das editoras de restringi-la como forma de aumentar suas vendas”. De acordo com a lei brasileira de direito autoral, aprovada em 1998, a reprodução de livros protegidos é permitida apenas depois de setenta anos da morte do autor.

Para Ortellado, um curso para debater a questão do acesso ao conhecimento e da propriedade intelectual deveria, em primeiro lugar, fazer uma diferenciação entre a produção colaborativa sem fins comerciais e a indústria paralela ilegal. "É necessário valorizar este processo de compartilhamento de informações e de produção de novas informações de maneira colaborativa, o que é um avanço do ponto de vista cultural e científico", conclui.

O curso da AmCham é apenas uma das atividades promovidas pela força tarefa de combate à pirataria da entidade. Esta reúne empresas do setor de entretenimento, ótica, software e tecnologia. Segundo a página oficial da entidade na Internet, a força tarefa tem como missão estimular o debate e a disseminação da cultura de proteção aos direitos da propriedade intelectual.


O problema com violação de propriedade intelectual no Brasil já havia sido identificado pelo governo dos Estados Unidos em 2002, ano em que o país foi incluído na Lista de Prioridades de Vigilância (Priority Watch List). Deste então, diversas iniciativas de combate à pirataria foram lançadas, já que, por figurar na “lista suja de pirataria intelectual”, o Brasil teve seus negócios com os Estados Unidos ameaçados.

O projeto de 2007 encerra-se oficialmente no dia 26 de novembro, com uma premiação para os participantes e o reconhecimento de parceiros. Depois de aplicar o projeto piloto em cinco escolas, os planos da AmCham para 2008 são mais ambiciosos: a previsão é expandi-lo para 25 escolas de ensino fundamental das redes pública e privada. Huguette não confirma que a parceria com a Secretaria de Educação se estenderá para o próximo ano. Segundo ela, a secretaria ainda está em fase de planejamento e passa por algumas mudanças.

Infobrás provoca mudança na licitação do Gesac

Embora o governo Lula ainda não tenha claro como será desenvolvido o Plano Nacional de Banda Larga e se ele será apoiado ou não em uma empresa estatal, esta possibilidade já afetou a licitação do Gesac, do Ministério das Comunicações, conforme publicou a newsletter Tele.Síntese Análise. O edital, para a contratação de 20 mil pontos de acesso banda larga vai sair, este ano, apenas com 12 mil pontos, a serem cobertos por conexões via satélite. Os demais 8 mil pontos, que seriam atendidos por conexões terrestres em qualquer tecnologia, serão licitados só no próximo ano.

O desmembramento, segundo fontes do governo, foi solicitado pelo grupo de trabalho que discute a política nacional de banda larga e a criação de uma empresa estatal para prestar o serviço. Isso porque, pela proposta do Ministério das Comunicações, a licitação cobriria um prazo de cinco anos, considerado muito longo frente ao que pode ser uma nova realidade. Assim, segundo a mesma fonte, a licitação desses 8 mil pontos cobrirá um período de apenas 12 meses, ao final do quais as escolas e os demais pontos públicos passarão a ser atendidos ou pela infovia pública ou por quem for prover a última milha, de acordo com a política que vier a ser definida.

“É verdade que a criação da infovia pública interferiu na licitação do Gesac, porque estamos discutindo uma política global. Mas essa mudança não significa, ainda, que uma decisão tenha sido adotada”, relata outra fonte.