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Radiodifusores querem teles fora da faixa de UHF

A Abert (entidade que representa os radiodifusores comerciais) quer que a Anatel retire de sua proposta de ocupação da faixa de UHF (que vai de 746 MHz a 806 MHz) a destinação de quatro canais – em cidades pequenas – para os serviços de telefonia fixa, comunicação multimídia e TV paga, conforme foi sugerido na consulta pública 835, cujo prazo para as contriuições se encerrou ontem.

Segundo o diretor da entidade, Ronald Barbosa, é ainda muito cedo para se afirmar que o segmento de radiodifusão não irá precisar de mais freqüências, como supõe a Anatel, e argumenta. “ Hoje, apenas 1.800 emissoras de TV conseguiram espectro para fazer o pareamento de canais com a TV digital. Estão ainda sem freqüência 10 mil geradoras e retransmissoras de TV em todo o país”.

Assim, para a Abert,  é preciso, primeiro, fazer o planejamento nacional de ocupação de espectro para a TV digital antes de se pensar em destinar   freqüências hoje ocupadas pelos serviços de radiodifusão para as telecomunicações.

“A radiodifusão, no Brasil, tem uma função social importantíssima, que não pode ser comparada aos demais países”, observou, para ressaltar que as recomendações da União Internacional de Telecomunicações (UIT) para que se use a faixa de UHF para os serviços de telecomunicações não pode ser reproduzida no país.

Segundo Barbosa, o argumento da Anatel, de que o segmento de radiodifusão não vai perder espectro, deve ser visto com ressalvas, já que, ao propor nova destinação para mais 10 canais de UHF, a agência está abrindo espaço para quatro canais públicos e quatro canais para as telecomunicações. “Os sapatos não são os mesmos, pois vão calçar pés diferentes”, afirmou.

Segundo ele, a agência, ao promover também a saída das atuais repetidoras de TV desses canais para que ocupem freqüências mais altas, estaria condenando essas repetidoras a deixarem de prestar o serviço, já que hoje não há qualquer produto no mercado  direcionado para novas freqüências. 

TV Globo é investigada por ‘Programa do Jô’ e ‘Duas Caras’

O inferno astral da Globo está longe de acabar. Duas das atrações mais prestigiadas da emissora são alvos de investigação que podem até forçar alterações em sua programação. A novela das oito, Duas Caras, está sob suspeita devido às cenas impróprias de dança sensual. Já o Programa do Jô sofre denúncia mais grave: suposta manifestação de preconceito.

A apelação erótica na "novela das oito" foi protagonizada por Alzira (Flávia Alessandra), indo ao ar no último dia 16. Na cena, a personagem, seminua, pratica uma dança sensual (chamada pole dance) numa boate de striptease. A atriz se apresentava em trajes mínimos, dispensando a até máscara que compõe seu figurino.

A cena atraiu as atenções para Duas Caras, mas pode custar caro à Globo. Na quinta-feira (22), o Ministério da Justiça instaurou um processo interno. Se punida, a novela pode ser reclassificada como imprópria para menores de 14 anos – e, portanto, inadequada para antes das 21 horas.

Questão de fuso

Duas Caras já é exibida nesse horário. Uma eventual reclassificação não trará problemas no Sudeste e no Sul. No entanto, no Nordeste (onde não há horário de verão) e em quase todo o Norte (onde há a defasagem de pelo menos uma hora em relação a Brasília), uma reclassificação significa problema.

A partir de janeiro, as emissoras do Norte e do Nordeste serão obrigadas a cumprir a classificação indicativa de acordo com o fuso horário local. Ou seja, se Duas Caras for reclassificada para as 21 horas, não poderá mais entrar no ar às 20 horas locais.

Foi pensando nisso que a Globo autoclassificou a novela como imprópria para menores de 12 anos, inadequada para antes das 20 horas. Assim, apesar de só ser transmitida no Sudeste às 21 horas, a produção não descumpre a classificação no Nordeste – onde está sendo exibida às 20 horas mesmo.

Reincidência

Nesta semana, o Ministério da Justiça divulgará o resultado da análise das cenas de Flávia Alessandra. Pelo manual do ministério, as imagens podem ser consideradas inadequadas até para antes das 22 horas. A Globo e o autor Aguinaldo Silva não comentaram o assunto.

O processo vem em um dos períodos mais sombrios da TV Globo, que não tem poupado apelações para recuperar a audiência em fuga. No rastro da dança erótica da novela, Ana Maria Braga também levou ao seu programa, Mais Você, uma professora para dar aula de pole dance.

Depois de mostrar imagens da atriz na novela, Ana Maria Braga pegou na barra e começou – ela própria – a dançar. O vexame não deu resultado em audiência. A Globo teve apenas cinco pontos contra oito do Hoje em Dia, da Record, segundo a prévia do Ibope.

África discriminada?

Quando a rede da família Marinho estava às voltas com esse impasse, mais uma bomba caiu em seu colo. Nesta segunda-feira (26), o Ministério Público Federal (MPF) no Rio de Janeiro informou que investiga o Programa do Jô. Exibido pela emissora depois do Jornal da Globo, o talk show é acusado de possível manifestação de preconceito.

A assessoria de imprensa do programa, apresentado por Jô Soares, afirmou que não recebeu nenhuma notificação sobre o procedimento. Mas, segundo a procuradoria, houve denúncias sobre uma entrevista que abordava a questão de mulheres submetidas à cirurgia no clitóris na África.

As entidades que levaram a denúncia ao MPF acusam o programa de desrespeito a comunidades negras. Comentários do apresentador podem ter manifestado preconceito em relação a hábitos e costumes culturais daquele continente. A representação está sob os cuidados da procuradora dos direitos do cidadão Márcia Morgado.

Decadência

Os problemas jurídicos só não têm mais impacto do que aquilo que Ricardo Feltrin, colunista do UOL News, está chamando de "crise histórica na dramaturgia" da TV Globo. O jornalista apresentou, nesta segunda-feira, elementos para sustentar sua tese.

* Uma novela das 18h que registra ibope baixíssimo, e cujas protagonistas (Grazi e Fernanda Vasconcellos) não emplacaram no gosto do público. * (A média de Desejo Proibido, na semana passada, ficou em 20 pontos; baixíssimo para o padrão Globo)

* Uma novela das sete com elenco sob tensão, que já teve até a morte prematura de uma personagem

* Uma novela das 21h com o autor pedindo afastamento e com sua audiência ainda irregular, meses depois da estréia. (no sábado retrasado a média chegou a 32 pontos)

* Isso sem falar na grande "aposta" na área de seriado "modernoso", com O Sistema, um dos maiores fiascos do ano (14 pontos de média em dois capítulos).

* O ano de 2007 não deixará saudades na área dramatúrgica na Globo.

Da Redação do Vermelho, com agências e portais.

Jornais populares explodem em vendas; São Paulo está fora da rota

Os jornais populares se tornaram um fenômeno no Brasil. Entretanto, ninguém esperava que a venda desses periódicos se tornasse tão explosiva, desbancando os grandes veículos de comunicação que estão há anos no topo das tiragens. Esses novos dados foram divulgados pelo Instituto Verificador de Circulação (IVC), revelando que o tablóide mineiro Super Notícia, de Belo Horizonte, alcançava o primeiro lugar do ranking no mês de agosto, com aproximadamente 300 mil exemplares diários vendidos, desbancando a Folha de S.Paulo, que obteve uma média de 299 mil.

Na lista dos dez maiores jornais do país, o Super Notícia não é o único que segue a linha editorial popular. Outros títulos voltados, principalmente, às classes C e D também obtiveram destaque, como o Extra, do Rio de Janeiro, que ficou à frente do Estado de S.Paulo, e o Diário Gaúcho, do Rio Grande do Sul, que atingiu 152 mil exemplares.

Preços baixos, muitas cores e imagens, linguagem curta e objetiva e excesso de publicidade são imprescindíveis para o sucesso das publicações, é o que dizem os especialistas. Além deles, Lúcia Castro, editora-executiva do Super Notícia, afirma que essa é a fórmula para a grande tiragem de seu jornal. "Trabalhamos, também, com muitas promoções e os prêmios são sempre de boa qualidade. Nosso preço é excessivamente baixo (R$0,25) e nosso leitor sabe o que quer e onde encontrar".

Fundado em 2002, o tablóide mineiro cresceu 4.000% em 33 meses e, já em 2006, alcançou o primeiro lugar em Minas Gerais, deixando para trás o Estado de Minas, que foi líder em vendas por 40 anos. "As manchetes são sempre factuais, com apelo para a cobertura policial e celebridades", afirma Lúcia. Além disso, o editorial do Super, como é conhecido, é repleto de serviços, anúncios de empregos e seções destinadas aos aposentados e ao leitor que deseja anunciar o seu trabalho.

A distribuição é feita por vendedores ambulantes terceirizados e não há serviço de assinantes. "As vendas são avulsas, também em bancas, e o Super criou um novo público leitor, de pessoas que não liam e passaram a ler jornal. Não pensamos, portanto, em aprofundar as notícias, o público quer o que a gente dá", declara Lúcia.

É interessante notar que o mercado paulista conta com apenas duas publicações de perfil popular. O Diário de S.Paulo, que alcança uma tiragem de aproximadamente 70 mil exemplares e o São Paulo Agora, com uma média de 79 mil. Dessa forma, essas publicações ficaram bem abaixo do décimo colocado do ranking, o carioca O Dia, que chegou a 113 mil exemplares. Mesmo sendo uma das maiores cidades do mundo, com 20 milhões de habitantes, São Paulo não avança no mercado editorial popular, fato observado, também, pelo fechamento do Notícias Populares, em 2002 e com seu principal jornal concorrendo com uma publicação de Belo Horizonte, cidade com 20% de sua população.

Lúcia Castro acredita que o fato se dá por conta do formado desses jornais. "Eles não são tablóides e, além disso, não tem preços tão baixos", já que o Diário de S.Paulo é vendido por R$ 2,5 e o Agora tem preço de capa de R$1,5. Vender a preços baixos, uma das fórmulas dos vitoriosos do mês de agosto, não prejudica a receita, segundo Peodomiro Braga, diretor-executivo do Super Notícias. "A alta receita de publicidade garante o lucro do jornal", finaliza.

Na Bolívia, rádios são atacadas por opositores de Evo Morales

Na última terça-feira (27), ocorreu na capital do departamento boliviano de Pando, Cobija, o primeiro dos dois dias de greve convocadas pelas seis regiões opositoras ao presidente Evo Morales.

As ruas de Cobija, a 1.200 km da capital La Paz, foram bloqueadas grupos de estudantes e por máquinas e veículos do governo departamental, cujo titular é o ex-senador de direita, Leopoldo Fernández, atual diretor da agremiação opositora Podemos, do ex-presidente Jorge Quiroga.

Manifestantes aliados a Fernández atacaram as rádios Digital e Oasis. As transmissões foram interrompidas depois que a energia da rádio foi cortada por um grupo de desconhecidos.

"Nos sentimos ameaçados pelos jovens que desde as quatro da manhã estão nas ruas, nas imediações da rádio. Hoje de manhã um turba chegou jogando pedras", declarou Humberto Lucana, diretor da rádio Digital. Viviano Opi, dono da rádio Oasis, afirmou que foi ameaçado por um grupo que tentou invadir a rádio. Os distúrbios diminuíram após a chuva, mas algumas ruas de Cobija permanecem bloqueadas.

Jornalistas também protestaram contra agressões a repórteres de Sucre, cidade que viveu momentos violentos no último final de semana, e contra as ameaças da turba de civis contra canais de TV privados de La Paz.

Segundo a agência de notícias AFP, dezenas de jornalistas marcharam pela praça de Armas de Sucre, onde ocorreram graves enfrentamentos no sábado e domingo. Durante os distúrbios, três policiais e um civil morreram, e mais de cem pessoas foram feridas.

Brasil conta com mais de 1,5 mil provedores de acesso banda larga

O Brasil tem 1.761 pequenos provedores de acesso banda larga à Internet. Essa é a conclusão  de um levantamento preliminar realizado pelas cinco associações dos pequenos provedores, que congrega a Abrappit (Associação Brasileira de Pequenos Provedores da Internet e Telecomunicações); a Abranet (Associação Brasileira dos Provedores de Acesso, Serviço e Informações de Rede Internet); a Abramult (Associação Brasileira das Prestadoras do Serviço de Comunicação Multimídia); a Global Info (Associação de Provedores de Acesso a Internet); e a Internet Sul (Associação Riograndense dos Provedores de Acesso, Serviços e Informações da Rede Internet).

De acordo com o levantamento, os pequenos provedores estão presentes em 74,2% dos municípios brasileiros que aglutinam  90,7% da população.  Eles afirmam serem responsáveis pela oferta de acessos banda larga em regiões onde não chegam as grandes operadoras de telecomunicações. A tecnologia utilizada é em geral wireless.

Ricardo Sanches, presidente da Abrappit, ressaltou que esse levantamento é o início de um trabalho para justificar junto ao Minicom o pleito de oferecer banda larga em projetos do Governo Federal na última milha. Segundo ele, todas as vezes que reivindicou do órgão chances iguais com a teles nesses projetos, tinha como resposta que não era possível atendê-lo sem saber quem são esses pequenos provedores e onde atuam. “Agora com esses dados nós temos condições de atender o projeto de inclusão digital para as escolas”, afirmou.

Atualmente existem dois projetos do Governo que tratam de inclusão digital e que podem permitir que os pequenos provedores ofereçam o serviço na última milha. Um deles é a licitação do Gesac (Governo Eletrônico – Serviço de Atendimento ao Cidadão) e outro serviço seria o da substituição de 8.461 Postos de Serviços de Telecomunicações (PSTs) por backhauls com infra-estrutura de banda larga em todos os municípios brasileiros.