Costa cobra da Anatel a implantação do modelo de custos

O ministro das Comunicações, Hélio Costa, disse hoje que não aceita discutir redução de impostos para a telefonia, sem que haja redução das tarifas cobradas. “A carga tributária é realmente alta, mas os preços cobrados pelos serviços estão muito além dos praticados em outros países”, disse.

Costa disse que vai cobrar da Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações) a contratação de consultoria internacional para implantar o modelo de custo, medida necessária para avaliar se as tarifas estão realmente altas e também se as operadoras estão fazendo os investimentos necessários para assegurar a qualidade dos serviços. “A agência está autorizada para fazer esta contratação há três anos e nunca me informou por que isto não foi feito”, disse.

O ministro disse que é a Anatel quem tem que avaliar os preços praticados e o acompanhamento dos investimentos feitos pelas operadoras, para evitar congestionamentos e outros problemas nas redes.

Em relação ao pleito de mais frequência das prestadoras móveis, Costa disse que esta questão será solucionada com o retorno da faixas usadas pela TV analógica, que serão devolvidas em 2016. Ele acredita que, antes disso, a evolução tecnológica trará soluções para utilização mais eficiente do espectro. Admitiu, no entanto, que é preciso encontrar uma solução técnica para a cidade de São Paulo, que poderá ter dificuldades.

Reformulação da Anatel

Hélio Costa defendeu também a reformulação administrativa da Anatel. Ele propõe a separação das superintendências por atividades prestadas e não por serviços, como é hoje. “É preciso modernizar para atender as necessidades da convergência tecnológica”, disse.

Apesar das cobranças, Costa rebateu as críticas de diversos setores à atuação da Anatel. Segundo ele, a agência foi prejudicada pela instabilidade do número de conselheiros. “Após quatro anos à frente do ministério, esta é a primeira vez que conseguimos indicar os cinco conselheiros da Anatel”, disse.

O ministro informou que o governo já está consciente de quanto essa demora para indicação dos conselheiros prejudicou a agência. “Ficou acertado que iremos tratar de nova substituição com antecedência, para chegar ao final do ano com o nome aprovado”, disse. Em novembro, acaba o mandato do conselheiro Plínio de Aguiar.

Vale-cultura deverá estimular consumo de 14 milhões de pessoas

O projeto de lei que cria o vale-cultura poderá incluir 14 milhões de pessoas no mercado de consumo cultural, estima o ministro da Cultura, Juca Ferreira. A medida, que será lançada amanhã (23) em São Paulo, prevê a concessão de um bônus de R$ 50 mensais a trabalhadores com carteira assinada para serem gastos com ingressos de eventos ou aquisição de obras.

Ferreira informou em entrevista exclusiva à Agência Brasil já ter sido procurado por entidades sindicais da área pública que pretendem estender o benefício à categoria. O ministro acredita que o projeto será aprovado no Congresso Nacional ainda este ano, pois tramitará em regime de urgência. A criação do benefício foi desmembrada do projeto de reforma da Lei Rouanet justamente para ganhar celeridade.

O projeto só chegará à plenitude um ou dois anos depois, mas acredito numa provação rápida, porque as centrais sindicais estão favoráveis, e as empresas que poderão manejar já estão se candidatando.”

Ministro diz que reforma da Lei Rouanet vai combater apartheid cultural no Brasil

Prestes a enviar ao Congresso Nacional um projeto de reforma da Lei Rouanet, após um longo período de debates com o meio artístico e patrocinadores, no qual foram recebidas mais de 2 mil sugestões em consulta pública, o ministro da Cultura, Juca Ferreira, reiterou em entrevista à Agência Brasil que a mudança se faz urgente porque a legislação atual acarretou no aprofundamento de desigualdades por meio dos gastos públicos com os incentivos culturais.

O objetivo central da proposta que será encaminhada é a democratização de acesso aos financiamentos, com disponibilização para todos os produtores culturais, independentemente da área ou da região onde vivem.

“O apartheid cultural no Brasil é muito grave. O que gente quer é montar um sistema nacional que de fato atenda a demanda de todos os estados. A produção cultural já é regionalizada, mas o sistema público não atendia as demandas”, disse Ferreira.

O modelo vigente, no qual prevalece o poder de escolha do departamento de marketing das empresas beneficiadas com a renúncia fiscal, gerou concentração na captação. Só 20% dos projetos aprovados conseguem patrocínio das empresas, e desses 80% estão nas capitais Rio de Janeiro e São Paulo e 3% dos proponentes ficam com mais da metade do dinheiro aplicado.

“Na verdade, o dinheiro público estava sendo utilizado para ampliar as desigualdades, consolidar privilégios e exclusões. Boa parte das áreas culturais estava de fora, sem conseguir patrocínio, e a gente percebia uma concentração excessiva, com regiões inteiras que não recebiam praticamente nada”, criticou Ferreira.

“A Lei Rouanet passava a impressão de que era bem sucedida porque disponibilizava recursos para a área cultural num volume que antes nunca se tinha. Ficava a impressão de que, apesar das distorções, era positiva. Mas a aparência de acerto não era real”, acrescentou.

A nova Rouanet apostará no fortalecimento do Fundo Nacional de Cultura (FNC) como alternativa para aqueles que não conseguem captar financiamento via renúncia fiscal. Ele seria reformulado, com fundos setoriais para lidar com cada área da cultura e com liberdade para captar recursos fora do orçamento. “Na medida em que o ministério aprove [a proposta apresentada pelo produtor cultural], já transfere o recurso para que a obra, o evento, enfim, o processo cultural se realize”, explicou Ferreira.

Haverá mudanças na atual repartição orçamentária do ministério. Hoje, 80% do dinheiro de que a pasta dispõe está sob a forma de renúncia fiscal – R$ 1,3 bilhão em 2009 – e só 20% são disponibilizados pelo FNC, num valor que não chega a R$ 400 milhões.

“A gente quer inverter isso: 80% [dos recursos devem] ser através do fundo e o resto por meio de renúncia. Vai haver uma inversão de prioridade”, garantiu Ferreira.

Para ele, isso representa sair da dependência da renúncia para criar uma série de mecanismos. "Biblioteca e museu não conseguem captar pelo mecanismo da renúncia. A empresa quer algo que dê retorno de imagem, artistas consagrados, projetos que envolvam parcela da sociedade de maior poder aquisitivo”, comparou.

Na reforma proposta, as faixas de renúncia fiscal serão ampliadas. Às duas faixas atuais – de 30% e 100% – serão acrescidas quatro, de 60%, 70%, 80% e 90%, para permitir maior contribuição da iniciativa privada.

“[Com] 100% de renúncia a empresa não bota nada e determina como deve ser usado [o recurso]. Isso é privatização do dinheiro público e a Constituição não permite. O Brasil comeu mosca quando aprovou a Lei Rouanet, porque não é constitucional você disponibilizar recursos públicos para serem empregados a partir de critérios privados”.

Outro mecanismo previsto na reforma da Lei Rouanet é a criação da Loteria da Cultura, que poderia render algo em torno de R$ 200 milhões anuais, a serem aplicados no fundo setorial das artes. “Se dispersar não tem muito significado. Recuperação de patrimônio tem uma outra escala de recursos necessários”.

Empresários reúnem-se com Minicom para discutir condições à realização da Confecom

[Título original: Minicom e empresas fazem reunião prévia sobre Confecom]

Os setores empresariais que participam do comitê organizador da 1ª Conferência Nacional de Comunicação (Confecom) estiveram reunidos nesta terça-feira (21), no Ministério das Comunicações, com a presença do ministro Hélio Costa, para discutir alguns dos pontos que deverão ser defendidos nesta quarta, 22, em reunião geral, com todos os demais participantes do comitê. Um dos participantes confirmou que na reunião desta terça não houve a presença dos representantes da sociedade civil.

O encontro geral desta quarta será também no Minicom, às 14h00. Em princípio, não está garantida a participação do ministro Hélio Costa, uma vez que o governo tem evitado se posicionar formalmente sobre a agenda da conferência. Mesmo com o encontro desta terça, ainda não existe um acordo entre os diversos segmentos empresariais. Há basicamente um único ponto em comum entre eles: o de que a Confecom não pode servir apenas para a realização de protestos e questionamentos com relação ao modelo atual das comunicações.

Os radiodifusores temem que os setores ligados ao movimento de democratização das comunicações utilizem a conferência para protestar contra o modelo atual de radiodifusão. E para atrair os demais setores empresariais (telecomunicações e TV paga), alegam que estes protestos poderão levar o debate a pautas como a universalização da banda larga ou a recriação de uma empresa estatal de telecomunicações.

O temor compactuado por todos os segmentos empresariais envolvidos com a Confecom é o de que, de fato, pautas polêmicas dominem o debate e coloquem em xeque os sistemas de comunicação em funcionamento no país. A filosofia comum entre teles, radiodifusoras e jornais – que compareceram ao encontro desta terça – é que a Confecom tenha como alvo a realização de debates que possam ser consolidados em proposições que fortaleçam os modelos adotados no Brasil.

Enquanto isso, as entidades representativas da sociedade também têm se articulado para preservar as pautas já expostas publicamente, o que de fato inclui a discussão de modelos atuais. As entidades foram recebidas pelo ministro da Secretaria de Comunicação Social, Franklin Martins, e expuseram seus planos.

A reunião desta quarta pode ser decisiva para a definição da Confecom. A expectativa é que o comitê arremate o regimento da conferência, documento que norteará os debates daqui para frente.

Globo recupera audiência e aumenta faturamento

Reproduzido do Comunique-se

A rede Globo anunciou a recuperação da audiência perdida nos últimos dois anos e o crescimento de receitas. A emissora registrou 21 pontos na audiência geral da rede, além de um crescimento de receitas no primeiro trimestre.

Em junho a emissora alcançou 21 pontos de audiência entre às 7h às 0h, contra 19 no mesmo período de 2008. As receitas da rede cresceram 5%, com cerca de R$ 3,5 bilhões de faturamento no primeiro trimestre.

A mídia em geral, como jornais, revistas e internet, registrou aumento de 1%, de acordo com dados da rede Globo. A emissora acompanhou o crescimento da TV aberta, um mercado que cresceu quase 5% no primeiro semestre.

A meta de crescimento da empresa para o ano de 2010 é entre 7% e 8%, informou a assessoria da rede Globo.