Nova lei de comunicação audiovisual fará país mais plural, diz presidenta

[Título original: Argentina: o que muda com a reforma da mídia de Cristina Kirchner]

A Argentina está disposta a implementar uma nova Lei de Comunicação Audiovisual que substitua o decreto 22.285 de 1980, criado durante a última ditadura militar daquele país, no governo do general Jorge Videla. O texto revisado do novo projeto foi apresentado em março passado e passou por mudanças sugeridas em dezenas de fóruns ocorridos desde então. Na quinta-feira (27), a presidente da Argentina, Cristina Kirchner, anunciou a lei ao Congresso Nacional.

Cristina, na ocasião, declarou que o projeto contribuirá para que a Argentina seja "mais democrática e mais plural". Ao anunciar a proposta de lei, ela lembrou os "118 jornalistas detidos ou desaparecidos" nos anos de chumbo do regime e ressaltou que as vítimas do período "deram testemunho do que é o exercício verdadeiro da liberdade de imprensa".

Devido a seu caráter progressista e popular, o projeto conta com o respaldo de organizações sociais e sindicatos — mas enfrenta, naturalmente, a oposição dos proprietários dos meios de comunicação. De cara, a medida — que será votada no Congresso — visa dividir o espaço de radiodifusão em três partes: a primeira ao setor privado, uma outra a cargo do Estado e, por fim, uma parte de uso exclusivo de instituições sociais como universidades, comunidades locais e igrejas.

Hoje, o espectro é dominado pelo lado comercial. Além disso, cada grupo poderá ter no máximo dez licenças, contra as 24 de hoje. Os donos de TV´s abertas não poderão ter TV’s por assinatura no mesmo local geográfico. Está prevista também a possibilidade de desembarque das companhias telefônicas na comunicação audiovisual — o que ocasionaria na regulamentação para o Triple Play, com áudio, vídeo e dados no mesmo sistema.

No discurso de quinta-feira, diante de intelectuais, congressistas e sindicalistas, Cristina destacou que, apenas 26 anos depois da retomada da democracia na Argentina, o governo apresentou uma proposta sobre o tema. A mandatária também rebateu as críticas que seu projeto vem recebendo dos conglomerados da imprensa.

Na visão de Cristina, a nova lei garantirá "o direito a toda a informação", em vez do "ocultamento de uma parte dela" ou de sua "manipulação". Segundo a presidente, a votação em plenário será uma "prova" para a democracia da Argentina, devido à resistência ao projeto por parte de alguns empresários.

Sindicato dos Jornalista convoca ato contra oligopólio da RBS em SC

O Sindicato dos Jornalistas de Santa Catarina realiza na quinta-feira (3) ato público de lançamento de um abaixo-assinado contra o oligopólio da mídia no estado. O documento apóia a Ação Civil Pública apresentada pelo procurador do Ministério Público Federal, Celso Três, contra o Grupo RBS.

Na ação, o procurador acusa a RBS de oligopolização no setor das comunicações em Santa Catarina, o que é vedado pela Constituição. O procurador comprova o controle direto e indireto de um número superior ao permitido por lei de emissoras de rádio e TV, além de controle absoluto da circulação de jornais diários no estado. A ação também questiona o papel do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) e da União, que deveriam evitar a concentração de propriedade.

O ato deve ocorrer em várias cidades catarinenses. Em Florianópolis, a concentração será na Esquina Democrática (Calçadão da Felipe Schmidt), a partir das 11h.

O abaixo-assinado será anexado à Ação Civil Pública.

Ação pede que PGR investigue por que terceira gestão não foi instalada

Inativo desde 2006, o Conselho de Comunicação Social (CCS) deixa de ser pauta apenas do Congresso Nacional e passa a ser objeto de uma ação na Justiça. A deputada federal Luiza Erundina (PSB-SP) ajuizou uma representação na Procuradoria-Geral da República para que o Ministério Público investigue os motivos que levam o Congresso Nacional a não convocar sessão para eleição do CCS.

Segundo a deputada, a inatividade do conselho, além de ferir a Constituição Federal e infringir ao menos três leis (a que cria o conselho, a que normatiza a TV a Cabo e a que cria a Empresa Brasil de Comunicação), deixa a sociedade sem um importante instrumento num momento decisivo, no qual se debate a 1ª Conferência Nacional de Comunicação.

Erundina lembra ainda que existem questões no conselho que precisam ser revistas, mas que é fundamental nesse momento a retomada das atividades do CCS e, aos poucos, ir consertando os erros. “A composição do conselho e o caráter dele precisam ser revistos. No relatório final da subcomissão de radiodifusão da Comissão de Ciência, Tecnologia, Comunicação e Informação (CCTCI) da Câmara dos Deputados, publicado no final de 2008, há a indicação de uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) para se mudar o caráter do conselho, de apenas consultivo, para ser também deliberativo. Como acontece com os conselhos na área de saúde, por exemplo”.

O professor da Universidade de Brasília e membro do Conselho Curador da EBC Murilo Ramos corrobora a urgência de reativação do Conselho de Comunicação Social. Para Ramos a representação cumpre duas tarefas fundamentais, que são “fazer com que o Ministério Público cumpra com sua função e cobre do Senado a reativação do conselho e também a de não deixar que essa questão seja esquecida”. Ainda na opinião do professor, "o CCS pode, sim, cumprir a sua finalidade e desempenhar seu papel mesmo com as limitações de um órgão consultivo”.

História do CCS

Previsto pela Constituição Federal de 1988 em seu artigo 224, o CCS, mesmo com suas limitações de órgão meramente consultivo, é um importante instrumento de controle social conquistado a duras penas durante a disputa que resultou na formulação do primeiro Capítulo da Comunicação Social presente em uma Carta Magna brasileira.

Existia por parte da proponente do CCS, a deputada constituinte Cristina Tavares (PMDB-PE), que representava, à época, as idéias do movimento que lutava pela democratização da comunicação, a intenção de que o órgão fosse deliberativo e que atuasse em questões importantes como, por exemplo, às concessões de rádio e TV. A proposta era inspirada no órgão de controle público estadunidense, o Federal Communication Commission.

O poder do empresariado da comunicação naquela disputa não permitiu que o CCS fosse aprovado nos moldes inicialmente propostos e o conselho acabou por ser um órgão consultivo com responsabilidades muito aquém das que lhes tinham sido indicadas. Mesmo com as limitações que conseguiram impor ao CCS, os interessados em seu não funcionamento conseguiram manter órgão sem gestão por onze longos anos.

Apesar de a Lei 8.389 que regulamenta o CCS e determina a sua composição ser de 1991, a primeira gestão do conselho só tomou posse em 2002. Essa data não é aleatória, lembra Murilo Ramos. A convocação do conselho só aconteceu no ano de 2002 por conta das mudanças em torno do artigo 222 da Constituição, que alterou o percentual de participação do capital estrangeiro nas empresas de comunicação e que, para tanto, “necessitaria” da ação de um órgão fiscalizador.

Nestes 20 anos, desde a promulgação da Constituição, o Conselho de Comunicação Social teve apenas duas gestões. A primeira, presidida por José Paulo Cavalcanti Filho, que na avaliação de Murilo Ramos mostrou que o órgão poderia funcionar bem. “A segunda gestão, da qual foi presidente Arnaldo Niskier, indicado por José Sarney, já foi para colocar freios no papel que teve a primeira gestão do CCS. Foi desastrosa e colocada lá justamente para encerrar com as atividades do conselho”, lembra Ramos.

A avaliação do professor da UnB pode ser confirmada a partir da comprovação de uma verdadeira “dança das cadeiras” que acabou por caracterizar a segunda composição do conselho. Pessoas que representavam entidades empresarias na primeira gestão foram eleitas como representante da sociedade civil, vagas que deveriam ser ocupadas por movimentos sociais e entidades não-empresarias. Além disso, a Rede Globo dominou o conselho, indicando o maior número de representantes, o que colocou em xeque o equilíbrio de representações previsto na lei que criou o CCS e acabou por realmente acabar com o conselho.

Luta pela rearticulação do CCS

Em junho, audiência pública convocada pela Comissão de Ciência, Tecnologia, Comunicação e Informação (CCTCI) da Câmara dos Deputados, teve como pauta a reativação do Conselho de Comunicação Social. Como a prerrogativa para se convocar eleições e nomear os membros do CCS é do Senado, representantes da mesa diretora foram convidados, contudo nenhum deles compareceu e nenhuma ação foi tomada com relação à reativação do órgão.

Em artigo publicado no Observatório da Imprensa [“Por que o CCS não será reinstalado”- edição 524 ], Venício Lima afirma que “o Congresso Nacional e, sobretudo, o Senado Federal, abriga um grande número de parlamentares que tem vínculos diretos com as concessões de rádio e televisão. O CCS é um órgão que – mesmo sendo apenas auxiliar – discute questões que ameaçam os interesses particulares desses parlamentares e dos empresários de comunicação, seus aliados. Na verdade, eles não querem sequer debater. Essa é a razão – de fato – pela qual o CCS não funciona”.

Para Murilo Ramos e Luiza Erundina, a discussão sobre o Conselho de Comunicação Social deverá ser retomada em breve pela Conferência Nacional de Comunicação, que acontece em dezembro. Contudo, relatos da reunião da Comissão Organizadora Nacional indicam que o governo já sinalizou que não vai discutir controle social se esse debate for esbarrar em questões de conteúdo.

“A discussão do conselho é algo que deve estar presente na Confecom. Não é possível fazer uma conferência e não tratar do controle público. Não se pode aceitar vetos a nenhum tipo de discussão. Se for para fazer uma conferência com restrição de temas, não vale a pena”, protesta Erundina.

Controversa lei de mídia segue para o Congresso

A presidente Cristina Kirchner enviou ao Congresso argentino nesta quinta-feira [27/8] um projeto de reforma das regulações de mídia no país. Embora muitas pessoas concordem com a necessidade de reforma no setor, que ainda segue as regras impostas durante a ditadura militar iniciada na década de 1970, a proposta do governo vem provocando bastante controvérsia. Cristina afirma que o projeto irá fortalecer a democracia ao reduzir o controle de um grupo pequeno de empresas que dominam os meio de comunicação no país.

A legislação, apresentada em março deste ano, propõe as freqüências de rádio e televisão em um terço para companhias privadas, um terço para transmissoras estatais e um terço para organizações sem fins lucrativos, como universidades e igrejas. Também limitaria o número de licenças por empresa e garantiria cotas para programas, músicas e filmes argentinos. Em discurso esta semana, Cristina afirmou que a "liberdade de expressão não pode se tornar liberdade de extorsão e a liberdade de imprensa não pode ser confundida com liberdade para os empresários de mídia". "Este projeto de lei é para cada um de nós que quer viver em uma Argentina mais democrática e plural", disse.

Cristina vs. Clarín

A proposta recebeu apoio de grupos de esquerda, mas críticos afirmam que a reforma tem motivação política. "[Esta lei] foi aprovada por pessoas com o mesmo ponto de vista", afirma Julio Barbaro, ex-presidente da agência reguladora estatal Comfer. "Eles estão buscando a guerra com esta proposta. Eu espero que o Congresso não a aprove".

Um dos motivos para as acusações de motivação política é a má relação da presidente Cristina com o Grupo Clarín, um dos maiores conglomerados de mídia da América Latina. O grupo será o mais prejudicado se a reforma entrar em vigor. O Clarín, principal jornal da companhia, e o canal de televisão TN se tornaram extremamente críticos ao governo. Há quem argumente que a presidente tem pressa em aprovar a lei justamente para limitar a atuação do grupo.

O partido de Cristina perdeu a maioria no Congresso na eleição parlamentar em junho, mas os legisladores recém-eleitos não tomarão posse até dezembro. A partir daí será muito mais difícil para o governo a aprovação de medidas controversas. A pressa da presidente provocou reações de seus opositores, como noticiaram na sexta-feira (28/8) os diários La Nación e Clarín. (Informações de Helen Popper – Reuters, 27/8/09)

ANJ: A condenação seletiva da censura

Em solenidade na qual comemorou seus 30 anos de fundação, na semana passada, em Brasília, a Associação Nacional de Jornais apresentou uma relação com 31 casos de censura à imprensa praticados nos últimos 12 meses no Brasil, sendo 16 decorrentes de decisão judicial. O levantamento podia ser considerado completo ou, pelo menos, satisfatório, se não tivesse omitido a censura judicial imposta ao Jornal Pessoal, quinzenário que edito em Belém do Pará há 22 anos, pelo juiz da 4ª Vara Cível do fórum de Belém, Raimundo das Chagas Filho, no dia 6 de julho.

O juiz Raimundo das Chagas deferiu a ação de indenização por dano moral proposta em setembro de 2005 por Ronaldo Maiorana e Romulo Maiorana Júnior, donos do grupo Liberal, a maior corporação de comunicações do norte do país, afiliada à rede Globo de Televisão. O juiz condenou o Jornal Pessoal a indenizar os dois empresários, por pretensa ofensa à memória de seu pai, em 30 mil reais, mais honorários advocatícios arbitrados pelo máximo legal (20% do valor da causa) e custas judiciais. O valor corresponde a um ano e meio de faturamento bruto do Jornal Pessoal. Recorde-se que pena semelhante aplicada a O Estado de S. Paulo por magistrado do Distrito Federal foi de 150 mil reais, em iniciativa que provocou o justo protesto da ANJ.

Para estabelecer o valor, o juiz disse que meu jornal, que circula com tiragem de 2.000 exemplares, 12 páginas em formato ofício e não aceita publicidade, vendendo apenas em bancas e livrarias, tem alto lucro, sobretudo por vender muito entre estudantes. Não há qualquer base de cálculo nos autos nem o juiz requereu perícia que fundamentasse sua decisão. Como tudo na sentença, ela é arbitrária.

O titular da 4ª Vara Cível também impôs ao Jornal Pessoal publicar carta dos autores da ação, em respeito ao direito de resposta. Só que nenhuma carta foi juntada aos autos, o que, evidentemente, torna inexeqüível a determinação, nem ela pode ser ainda suprida, já que o processo foi encerrado pela sentença de mérito.

Direito e verdade

Em outra tutela inibitória, o juiz impôs ao Jornal Pessoal a proibição de qualquer tipo de referência aos autores da ação, embora, na petição inicial, eles tivessem requerido o acautelamento apenas para a memória do pai, o que caracteriza a violação à regra processual de que o julgador não pode conceder o que não foi pedido.

Já suscitei a suspeição do magistrado através do devido recurso, além de ter-lhe embargado a sentença. Representarei contra ele ao Conselho Nacional de Justiça na próxima semana.

Diante da gravidade desse caso de censura, qualquer levantamento sobre a violação do princípio constitucional que proíbe a censura de periódicos no Brasil deixará de ser sério se excluir a violência praticada no dia 6 de julho pelo juiz Raimundo das Chagas Filho. Poderá sugerir uma moral de má inspiração: de que a ANJ coloca o espírito corporativo acima da defesa de um dos princípios constitucionais que sustenta o edifício democrático, que é a liberdade de imprensa. Atenta para combater a insidiosa censura que se espraia pelo país em pleno regime democrático, fecha os olhos para a violação patrocinada por um associado, como o jornal O Liberal.

No dia 20 de agosto escrevi uma carta ao vice-presidente da ANJ e responsável pelo Comitê de Liberdade de Expressão entidade, Júlio César Mesquita, pedindo-lhe para rever a lista dos 31 casos de censura à imprensa divulgada pela associação e nela incluir, por ser de direito e de verdade, o caso do Jornal Pessoal. Aguardo sua manifestação.

Exceção da verdade

Quase aos 60 anos de idade, sou jornalista profissional há 43 anos, 18 dos quais em O Estado de S.Paulo (1971-1989), minha mais longa e mais importante experiência na grande imprensa.

Há 22 anos edito, sozinho, o Jornal Pessoal, quinzenário que coloquei em circulação em setembro de 1987, em Belém do Pará. É a mais duradoura das publicações da imprensa alternativa brasileira, com a singularidade de ser feita por uma única pessoa, viver exclusivamente da venda avulsa e ter formato pobre, quase artesanal. Mesmo assim, recebeu prêmios internacionais por sua qualidade e é considerada uma fonte de referência sobre temas amazônicos. Tudo em função da sua seriedade, da sua devoção quase missionária à rigorosa e exata apuração dos fatos, o que possibilita ao meu jornal um título que muito o honra: o de jamais ter sido desmentido. Mesmo os que divergem do jornal reconhecem sua seriedade e sua competência no trato dos temas da sua pauta.

Justamente por isso, o Jornal Pessoal tem sido muito perseguido, por aqueles que não aceitam a divulgação dos seus desvios, como disse o João Roberto Marinho, ao discursar na solenidade comemorativa aos 30 anos da Associação Nacional dos Jornais. Meu jornal incomoda não por mentir ou ofender as pessoas, mas por dizer a verdade. O texto bíblico assegura, com razão, que a verdade liberta. Mas há pessoas no nosso país que não toleram a liberdade. Daí porque, desde 1992 até hoje, fui processado 33 vezes no fórum de Belém e condenado cinco vezes, sem que, entretanto, tenha perdido minha condição de réu primário porque as sentenças não foram executadas.

Desses 33 processos, 19 são de autoria de três irmãos, filhos de Romulo Maiorana, fundador do grupo Liberal, que é associado da ANJ, 14 dos quais propostos em juízo depois que um deles, Ronaldo Maiorana, diretor editor-corporativo do jornal O Liberal, me agrediu fisicamente, em 21 de janeiro de 2005. A agressão, perpetrada pelas costas, com a cobertura de dois policiais militares, que funcionavam como seguranças particulares do agressor, teria sido uma reação do referido cidadão a um artigo publicado no Jornal Pessoal, por ele considerado ofensivo.

Apesar dessa alegação, observa-se que os autores das ações (cinco delas cíveis e 14 penais, com base na extinta Lei de Imprensa) jamais contestaram as matérias do Jornal Pessoal em seus próprios veículos de comunicação, de audiência incomparavelmente maior, e nunca exerceram o direito de resposta. Preferiram propor de imediato as ações na justiça, confinando as questões controversas aos autos dos processos. Mesmo nesses processos, porém, nunca demonstraram a intenção de apurar os fatos, já que não comparecem às audiências designadas, embora sendo seus autores, o que é fato inédito. Em dois dos processos, recorrendo à exceção da verdade, demonstrei cabalmente que todos os fatos por eles contestados eram procedentes, apresentando as provas deferidas, acolhidas e reconhecidas pelo juiz do feito. Todos fatos de interesse público, relacionados à imprensa. Nada com a vida privada dos cidadãos.

Litígio judicial

A intenção, sobretudo após a agressão covarde, tanto mais grave porque o agressor é advogado e preside a comissão em defesa da liberdade de imprensa da OAB do Pará, é nítida: acabar com o Jornal Pessoal. Os donos do grupo Liberal, associado da ANJ, usam plenamente seu direito de informação e opinião em relação a tudo e a todos, mas não aceitam serem incluídos na agenda dos cidadãos, como se constituíssem categoria especial. Nem se preocupam com o debate público, em esclarecer a sociedade, apresentando suas razões em contraposição aos relatos do meu jornal. Simplesmente querem punir o jornalista que ousou não se submeter às suas vontades e caprichos.

A perseguição judicial ao Jornal Pessoal completará, no próximo mês, 19 anos. Não sei de jornalista que já tenha sido tão processado por uma empresa jornalística, como eu tenho sido pelo grupo Liberal. Inusitadamente, essa corporação jornalística abre mão da sua competência específica, que é a informação, partindo diretamente para o litígio judicial, nada dizendo em seus próprios veículos sobre as supostas ofensas recebidas, através da imprensa, nem se defendendo no âmbito do veículo tido como ofensor. [Belém (PA), 26 de agosto de 2009]